segunda-feira, 20 de março de 2017

PLANETA TERRA, O AÇAMBARCAMENTO DA VIDA NO COSMOS

Há dias, na televisão, ouvi um anúncio a um programa sobre vida extra-terrestre. Parece que a Nasa descobriu, por esse Cosmos fora, sete planetas muito semelhantes à nossa Terra, com as mesmas condições para o surgimento de vida. E então nesse programa, essa idéia «muito esquisita» de existir a probabilidade de vida em outros planetas, ia ser debatida.

Essa ideia, no meu ponto de vista, nada tem de esquisito. Ou será que a espécie humana é de tal forma mesquinha e egocêntrica, que considera ser a única inteligência nesse oceano louco de galáxias. Um oceano louco de galáxias representa biliões de estrelas. Como sabemos, na generalidade, a cada estrela corresponde um sistema solar. E como cada sistema solar tem múltiplos planetas (o nosso, que é pequenino, tem nove), logo, a biliões de estrelas estão associados triliões de planetas. E então, nesse número que eu sou tão pequenino para o descrever que nem consigo, o planeta Terra é o único que está à distância exacta do sol, para que seja possível o surgimento de vida. No meu ponto de vista essa é que é uma ideia esquisita!

sábado, 11 de março de 2017

TI CHICO BENTO, NA VIDA, ENTRE OS QUERIDOS E OS AMALDIÇOADOS


...Pelo ramo de louro que se encontrava pendurado na parte superior daquela porta, Américo Afonso percebeu que ali funcionava uma taberna. Olhando ainda para os três rapazes, sentindo-se satisfeito por ter levado ao conhecimento daqueles moços o produto do desenvolvimento científico, encaminhava-se para a porta da taberna, quando esbarrou com alguém. De imediato lhe veio às narinas o cheiro intenso a vinho tinto. Na verdade esbarrara com um homem, vermelho de cara, barriga proeminente, apresentando nódoas de vinho na camisa de flanela com quadrados castanhos e vermelhos. Era o Ti Chico Bento.

- Vossa senhoria me perdoe - disse aflito o taberneiro, alternando o olhar entre o jovem advogado e a coisa barulhenta e fumegante que se encontrava parada à porta da sua taberna.

- Eu é que peço desculpa - retorquiu Américo, tendo notado espanto também no rosto do taberneiro - é um automóvel. De agora em diante é assim que os homens se vão deslocar.

- Assim? E as alimárias?

- Não lhes há-de faltar trabalho - respondeu Américo, com um sorriso franco - diga-me, é vocemecê o taberneiro?

- Um seu criado para o servir. Chamo-me Chico Bento.

- Muito bem senhor Bento. Realmente preciso que me ajude.

- É como se vossa senhoria já estivesse servido. Em que lhe posso valer?

- Diga-me antes demais, aqui é Alfeizerão?

- Pois não é em outro lugar, é aqui mesmo - respondeu o taberneiro, empenhando-se em ser solícito.

- Pode-me dizer quem é a pessoa que mais sabe de coisas aqui da aldeia?

- De coisas... coisas... - atrapalhava-se o taberneiro, vasculhando aflitivamente o ar com os olhos, na ânsia de atinar com uma resposta ajustada a pergunta tão complicada. Mas o ar não tinha as tais coisas para lhe mostrar. Pressentindo o desatino em que se encontrava o Ti Chico Bento, Américo Afonso foi em sua ajuda e acrescentou:

- Pode vocemecê indicar-me qual a pessoa com quem eu posso falar sobre a herdade de Alfeizerão?

-  Sobre a herdade Vila de Ló? Será com o dono, penso eu - respondeu o taberneiro.

- E sobre o que aconteceu lá?

         Ti Chico Bento fixou de semblante carregado o rosto de Américo e perguntou:

- Que sabe vossa senhoria sobre a herdade?

- Muito pouco, mas como advogado que sou, interessei-me por esse assunto. O seu a seu dono, não acha senhor Bento?

- Saiba vossa senhoria, que se não fosse a minha taberna ter de estar aberta, eu sabia muito bem o que lhe haveria de responder. Mas como os meus pipos enchem o copo do que é querido e do amaldiçoado, só tenho de lhes vender vinho. Tudo o resto fica-me com os botões e o travesseiro. Agora já sei o que vossa senhoria deseja. Fale com o senhor padre José Soares. Se não for ele, ninguém mais será...(em continuação, pág. 126, ex. L)
in Quando Um Anjo Peca

Março/1998

quinta-feira, 2 de março de 2017

5 DE JUNHO, UMA HOMENAGEM MERECIDA AOS LUGRES BACALHOEIROS E RESPECTIVAS TRIPULAÇÕES

Li, com muito agrado, no Diário de Aveiro, que a Associação dos Industriais do Bacalhau enviou uma proposta à Assembléia da República, para que seja instituído o Dia do Bacalhau. À parte os intuitos comerciais da questão, pois que todos sabemos que o dia disto e daquilo tem por detrás interesses económicos por parte do comércio e restauração, congratulo-me com a idéia, já que o bacalhau merece a distinção, por se ter transformado num símbolo nacional e representar toda uma actividade que movimentou muitos milhares de pescadores portugueses, que durante séculos e de forma única e extremamente difícil, quase artesanal, pescaram o bacalhau nos longínquos e gélidos mares da Terra Nova e Gronelândia.
E a dita Associação indica o dia que pretende seja eleito como o dia nacional do bacalhau: 5 de Junho. Porquê este dia e não outro? É que a 5 de Junho de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, teve lugar o maior drama da pesca portuguesa do bacalhau, quando o lugre de pavilhão português «Maria da Glória», que pescava na costa oeste da Gronelândia, foi torpedeado e afundado por um submarino alemão, tendo perecido 36 elementos da tripulação.
Para quem não saiba, um lugre era um veleiro de quatro mastros, utilizado na pesca do bacalhau à linha. A célebre «frota branca», era constituída por estes navios todos pintados de branco. No porto bacalhoeiro da Gafanha da Nazaré ainda lá se encontra um acostado, de nome «Polynésia», para quem tenha curiosidade em conhecer mais de perto estes navios da coragem, as caravelas e naus do século XX.
É pois muito interessante que em cada 5 de Junho, o pai, a mulher ou os namorados, se possam sentar a uma mesa e comer uma boa refeição de bacalhau, em homenagem à coragem desses intrépidos e imortais marinheiros e pescadores portugueses.