<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403</id><updated>2012-01-05T16:07:11.137Z</updated><category term='gentileza do meu grande amigo António Henriques.'/><category term='gaivota-momentos.blogspot.com'/><category term='excelente fotografia gentilmente cedida pelo meu caríssimo amigo António Henriques'/><category term='olhar muito humano o teu'/><category term='olhares.aeiou.pt/utilizadores/?chave=ahenriques'/><category term='que faz o favor de ser meu amigo.'/><category term='o meu obrigado à minha amiga Helena Graça'/><category term='do blogue Momentos'/><category term='belíssima fotografia captada pelo sentido artístico do meu amigo António Henriques.'/><category term='no cemitério de Verdemilho-  Aradas'/><category term='que tornou possível este vídeo.'/><category term='Ainda e sempre uma gentileza do meu amigo António Henriques'/><category term='obrigado amigo António Henriques'/><category term='pelo olhar do António Henriques'/><category term='fotografia gentilmente cedida pela minha cara amiga Helena Graça. Parabéns por teres captado'/><category term='esta preciosidade.'/><category term='caro amigo'/><category term='obrigado meu caro António Henriques'/><category term='fotografia gentilmente cedida pelo meu amigo Emanuel Peça.'/><category term='nas fotos'/><category term='por esta simpatia.'/><category term='esta sei que foi tirada com o propósito de ma ofereceres. Como te poderei agradecer António Henriqu'/><category term='são apresentadas duas perspectivas do túmulo do Desembargador Joaquim José de Queiroz'/><category term='pela tua sensibilidade para captares o momento desta cidade agreste'/><category term='meu amigo Johnny Monteiro. Obrigado.'/><category term='O meu muito obrigado ao meu grande amigo Paulo Santos'/><category term='mais uma vez'/><category term='gentileza do artista António Henriques'/><category term='Aveiro.'/><category term='maravilhosa fotografia'/><category term='gentilmente cedida pelo meu amigo Johnny Monteiro.'/><category term='no Gerês'/><title type='text'>Um futrica do Mondego</title><subtitle type='html'>Futrica- o natural marido da tricana.
Tricana- a rapariga, a mulher, que vai à freguesa buscar o rol da roupa e a lava nas águas do Mondego.
Estudante- o futuro doutor de Coimbra que permanentemente deseja a tricana, e quantas as vezes, e quantas, a não rouba ao futrica.
O Mondego- que seduz os três
eu- que amo os quatro.
Coimbra- que me ama a mim.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>185</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8492297768665097881</id><published>2010-12-08T16:38:00.002Z</published><updated>2010-12-08T16:53:11.311Z</updated><title type='text'>MONDEGO, RIO CRIATIVO</title><content type='html'>...A minha vida, em Coimbra, era regulada pelo padrão eclesiástico do convento de Santa Cruz. Embora não tivesse intenções de me dedicar à vida do sacerdócio, tinha de viver consoante as regras pelas quais era regulamentada a vida dos frades. Enquanto o reino lambia as feridas deixadas pelos franceses e o povo tentava sobreviver numa terra devastada, a minha existência como que decorria dentro de um casulo, preocupando-me apenas em absorver conhecimento, completamente abstraído das convulsões que, no exterior do convento, tinham lugar.&lt;br /&gt; Durante esses oito anos fui visitar os meus pais apenas em quatro ocasiões. Em cada uma delas, os meus pais encontravam-me sempre diferenças: mais alto e mais homenzinho. Eu gostava de apreciar o reboliço que ia por Malhal de Sula, e já com quinze anos, numa das vezes que visitei os meus pais, quis participar nos trabalhos da lavoura, quis ter a noção do que seria ser lavrador como o meu pai, pretendi, enfim, dar-me a conhecer àquele chão que um dia iria ser meu. Mas o meu pai disse-me, com um sorriso, que os doutores não tinham sido feitos para amanhar terras.  Não queria que eu, ao pegar num cabo de enxada, rebentasse mãos tão mimosas, sem calosidades, mãos que haviam sido feitas para apalpar barrigas de gente e mexer em instrumentos complicados.&lt;br /&gt; E eu nunca soube o que custou fazer de Malhal de Sula uma terra fértil.&lt;br /&gt; Entrei finalmente na universidade. Ao despedir-me de frei Lourenço, com os olhos rasos de lágrimas, não tinha a verdadeira noção do quanto a minha vida iria mudar.&lt;br /&gt; No lugar em que me encontro já algumas vezes me cruzei com frei Lourenço. Faz parte do meu grupo espiritual. Como frade, viveu ele a sua última experiência terrena. Nessa época, frei Lourenço foi uma pessoa muito influente na minha vida, a quem devi a base sólida da minha formação. Pena foi que a causa que abracei então, o liberalismo, tivesse considerado frei Lourenço uma inutilidade. Mas, mais uma vez, liberalismo era coisa de política, e como a política foi criada pelos homens, logo o liberalismo não podia ser perfeito.&lt;br /&gt; Ao entrar na universidade, tomei contacto com uma cidade que desconhecia, embora lá vivesse havia oito anos.&lt;br /&gt; Através da velha universidade de Coimbra tive acesso a toda uma cidade que fervilhava de paixão, romantismo, tradição. As tricanas do Mondego inundaram de beleza a minha vida. Por duas ou três dessas tricanas bateu fortemente o meu coração apaixonado, em noites de lua cheia, tão próximo que estava do astro brilhante, num céu de escura magia, sentado numa lapa do Penedo da Saudade; senti o encanto das ruas empedradas e estreitas da Alta, como a Rua da Matemática ou a Rua da Ilha, paredes meias com a imponente Sé Velha; o Mondego, cujas águas feitas de saudade, me transmitia uma melancolia saborosa, quase me transformando em poeta. Rio que dá liberdade à mente, a solta, a faz vibrar, a aproxima do que mais belo há no ser. Não há no mundo outro assim; e a sempre eterna rivalidade entre nós, estudantes de Coimbra, e os futricas, potenciais maridos das tricanas. Quantas disputas foram resolvidas a varapau! Cabeças rachadas, sangue que corria, a capa negra rasgada, a tradição que se impunha…e os ecos do liberalismo, que varreram a velha academia com um ímpeto avassalador. Ali não existia um único coração que não fosse anti-britânico. Sentia-se que as invasões francesas eram coisas do passado, como se tivessem ocorrido há muitos anos. Impunha-se… exigia-se o regresso de El-Rei D. João VI ao reino. E o rei acabou por vir… e com ele, veio a guerra…uma vez mais...(em continuação, pág. 18, ex. VIII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8492297768665097881?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8492297768665097881/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8492297768665097881' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8492297768665097881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8492297768665097881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/12/mondego-rio-criativo.html' title='MONDEGO, RIO CRIATIVO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1069872267315602530</id><published>2010-11-26T23:42:00.003Z</published><updated>2010-11-26T23:53:02.917Z</updated><title type='text'>UMA ADVERTÊNCIA DE HÓRUS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TPBGsSFsZiI/AAAAAAAAAWg/OonjDYhIzz0/s1600/horus.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TPBGsSFsZiI/AAAAAAAAAWg/OonjDYhIzz0/s400/horus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544008867876988450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...O palácio do faraó estava mergulhado na semi-obscuridade. O sol há muito que se pusera. Em vários pontos do palácio ardiam archotes, que transmitiam a pouca luz com que o enorme palácio era iluminado. Amenhotep, o quarto, andava embrenhado com os preparativos da coroação da sua rainha. Enquanto o não fosse, Nefertiti dormiria num quarto bem afastado do dele. O faraó escolhera algumas aias, filhas de altos funcionários do reino, vizires e hatiuás, para iniciarem Nefertiti na sua futura condição de rainha, ensinando-lhe os preceitos básicos da realeza. O palácio ficara inundado por esbeltas ninfas, que enchiam o palácio real de gargalhadas doces, bem femininas, transmitindo ao faraó um enorme sentimento de volúpia. E fora com esse sentimento que o faraó se lançara para a sua cama, ouvindo, ao longe, as aias que brincavam entre si, rindo… preenchendo a sua bela Nefertiti de sentimentos superiores, preparando-a para a coroa. Lá fora o povo cantarolava, os burros zurravam, o Nilo corria belo, as brisas do deserto passavam quentes, o Egipto acontecia…e a sua futura rainha ali estava, tão perto dele, pronta a fazê-lo feliz, a ajudá-lo a tornar-se um faraó resplandecente, poderoso, dono de tudo e de todos, do povo, do Nilo, do deserto, das pirâmides, da história… dos deuses!&lt;br /&gt; Sim, claro, lá havia alguém mais poderoso no Egipto do que o faraó? Amon-Rá?! Balelas!! Ia encerrar o templo de Amon em Tebas! E o que faria com o Sumo-Sacerdote estrangeiro? E se fizesse dele um escravo!? Considerava ser uma boa opção!&lt;br /&gt; E estendido na sua cama, com as mãos cruzadas por debaixo da cabeça, sentindo a brisa quente do deserto que entrava pela janela do seu quarto, o faraó sorria.&lt;br /&gt;- Achas que tens motivos para sorrir?&lt;br /&gt; Ao ouvir a voz que fizera tal pergunta, o faraó estremeceu de susto. Um archote existente ao fundo do quarto dava pouca luminosidade. Por essa razão o faraó saltou da cama e procurou a sua adaga. Foi então que viu uma figura tomar forma mesmo ao fundo da sua cama. Era o deus Horus, que o fitava com o seu olhar penetrante de falcão.&lt;br /&gt;- Deus Horus… que susto me pregaste; mas a tua presença consola-me.&lt;br /&gt;- Estás satisfeito por me veres?- perguntou Horus.&lt;br /&gt;- Bastante! É bom termos na nossa presença o nosso protector- respondeu o faraó.&lt;br /&gt;- Pouca protecção Horus pode dar ao faraó, se o faraó não se souber proteger a si próprio- retorquiu o deu Horus, dando ás palavras uma entoação de impotência.&lt;br /&gt;- O que queres dizer com isso?- perguntou intrigado o faraó.&lt;br /&gt;- Sabes Amenhotep, o quarto, na verdade a minha função é dar protecção espiritual e intelectual aos faraós, a ti. É o que estou a tentar fazer neste momento. Mas tens de ter algo bem presente: eu devo lealdade ao deus supremo Amon-Rá. Não posso pois proteger quem  lhe não tem o devido respeito.&lt;br /&gt;- Estás a insinuar que eu faltei ao respeito a Amon-Rá?&lt;br /&gt;- Nefertiti, a sacerdotisa, vive no teu palácio?- Perguntou Horus.&lt;br /&gt;- Sim, vive- respondeu o faraó secamente.&lt;br /&gt;- Então eu não insinuo, eu afirmo que tu faltaste ao respeito a Amon-Rá.&lt;br /&gt;- Como pode Amon-Rá dar-se ao direito de se sentir ofendido por eu lhe ter subtraído uma sacerdotisa, quando ele escolheu para seu Sumo-Sacerdote um estrangeiro!?&lt;br /&gt;- Atenção Amenhotep, o quarto, pondera melhor o que dizes. Tu não estás a falar de um mortal, tu estás a questionar a conduta do deus supremo do Egipto- disse Horus em tom de desagrado.&lt;br /&gt;- Tu estás equivocado, Horus. O deus supremo do Egipto sou eu.&lt;br /&gt;- Cala-te desgraçado- disse Horus rispidamente- Amon-Rá é a continuação do grande criador da terra egípcia, Aton. Ao lado de Amon-Rá tu mais não és do que um grão de poeira.&lt;br /&gt;- Horus, estou a ver que és muito mau diplomata. Se vieste com o propósito de me convenceres a devolver Nefertiti, só fizeste disparates.&lt;br /&gt;- Assim que me acerquei do teu palácio, pressenti nos fluidos que emanas o fracasso da minha missão; mas tinha de te olhar nos olhos. Não tens perfil algum para faraó. Em ti apenas existe prepotência e arrogância. Mas se pensas que vais conseguir reinar sem a protecção de Amon-Rá, sem o apoio de MassiftonRá, prepara-te para seres o faraó dos gafanhotos do deserto, porque a terra egípcia te renegará.&lt;br /&gt;- Vai-te Horus, rosto de falcão- berrava o faraó- eu sou descendente de uma alta linhagem, do mais puro e valioso que o Egipto jamais viu. Nas minhas veias corre o sangue que deu vida ás imponentes pirâmides…&lt;br /&gt;- Amenhotep, o quarto, tu não passas de um momento de criação dos deuses; apenas és um sopro da sua vontade- disse Horus, ao mesmo tempo que  esticou em frente, com rapidez, os seus braços musculados, originando uma onda de choque, que propagando-se pelo ar, bateu em cheio no peito do faraó, fazendo com que este fosse violentamente arremessado ao chão- vês como eu te domino tão facilmente- disse Horus, desaparecendo.&lt;br /&gt;- Nefertiti será rainha no Egipto, anuncia-o a Amon-Rá; e diz-lhe também que o Sumo- Sacerdote estrangeiro vai ser meu escravo pessoal. Faço questão disso… e Amon-Rá que o impeça se for capaz. Eu sou deus na terra. Eu sou o Egipto- gritava o faraó, enquanto se levantava, humilhado.&lt;br /&gt;- Divino senhor, em que te posso servir?- disse um escravo do palácio, que alertado pelos gritos do faraó, acorreu em seu auxílio.&lt;br /&gt;- Desaparece daqui imbecil, antes que eu próprio te corte a cabeça- respondeu o faraó ao solicito escravo.&lt;br /&gt; Horus se fora mas ainda ouvira as palavras gritadas do faraó. Levava o coração muito triste. Pela primeira vez, desde que Aton projectara o Egipto, de MassiftonRá saíra uma péssima decisão, que dava pelo nome de Amenhotep, o quarto...(em continuação, pág. 37, ex. XII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in  A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1069872267315602530?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1069872267315602530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1069872267315602530' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1069872267315602530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1069872267315602530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/11/uma-advertencia-de-horus.html' title='UMA ADVERTÊNCIA DE HÓRUS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TPBGsSFsZiI/AAAAAAAAAWg/OonjDYhIzz0/s72-c/horus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2058672208916020529</id><published>2010-11-23T21:49:00.003Z</published><updated>2010-11-23T22:12:05.450Z</updated><title type='text'>UM ERRO NA SELECÇÃO NATURAL DA MAET</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TOw6HTICgJI/AAAAAAAAAWY/pPl_QtpyTbU/s1600/Amon%2BR%25C3%25A1.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TOw6HTICgJI/AAAAAAAAAWY/pPl_QtpyTbU/s400/Amon%2BR%25C3%25A1.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542869138453725330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente Amon-Rá saiu da sua profunda reflexão e dirigiu-se para uma zona de MassiftonRá, onde os deuses se encontravam concentrados. Amon-Rá dirigiu-se ao ancião deus Aton.&lt;br /&gt;- Aton, na tua infinita experiência, algum momento houve em que te tenhas sentido menos capaz de lidar com um problema que os homens te tenham colocado?&lt;br /&gt; Todos os deuses fixaram Amon-Rá com perplexidade. Mas que raio de pergunta era aquela?&lt;br /&gt;- Não Amon- respondeu o deus Aton imediatamente -  os homens nunca foram, nem nunca hão-de ser capazes de criar embaraços a um deus. Os homens são um enorme amontoado de carne e ossos, iluminados apenas por uma centelha mental. Ao contrário, o deus, todo ele é mente, propagação constante e infinita de energia; no entanto, quando o Egipto sofreu a invasão dos Hicsos, tenho de reconhecer que tive algumas dores de cabeça, que, bem vistas as coisas, foram resultado apenas de um maior fluxo de trabalho, no sentido em que tive de despender de muita energia para ajudar o faraó a manter intactas as raízes da estrutura mental do Egipto, perante as influências culturais do povo invasor. Mas só isso. Porquê essa pergunta?&lt;br /&gt;- E se esse homem que te colocasse um problema fosse o faraó ? – Insistiu Amon-Rá em questionar Aton.&lt;br /&gt;- Não te percebo Amon. Os faraós não colocam problemas aos deuses. Os faraós anseiam pelas bênçãos dos deuses!&lt;br /&gt;- Então estamos na presença de um faraó que nunca o deveria ter sido- exclamou Amon-Rá.&lt;br /&gt;- Referes-te a Amenhotep, o quarto?- perguntou o deus Aton.&lt;br /&gt;- Exactamente. Amenhotep, o quarto, teve a ousadia de subtrair uma das minhas sacerdotisas do templo de Tebas, e levá-la para o seu palácio. Quer fazer dela a sua rainha. &lt;br /&gt;- Perdão- disse o deus Horus, com a incredulidade estampada no seu rosto de falcão.&lt;br /&gt;- É o que tu ouviste, Horus. O faraó, a quem tu deves proteger e aconselhar, está a cometer esse acto. Foi-me transmitido pelo meu Sumo-Sacerdote Masahemba; e o sifto encarregue de recolher as emanações, apenas encontrou sentimentos de raiva. Teve de sair do templo rapidamente. Eu sei que tenho de tomar uma atitude, mas qual? O faraó não é um humano qualquer! Ele é o rosto do Egipto.&lt;br /&gt;- Agora compreendo a tua pergunta- disse Aton- quando eu projectei o Egipto, dei aos faraós o poder psíquico necessário para estarem alguns degraus acima dos restantes homens, com a finalidade de os homens que formam o povo egípcio reconhecerem no faraó um ser superior, iluminado, e por conseguinte de se sentirem subjugados perante o seu superior intelecto, e como tal, o aceitarem como o seu guia. Mas não disse aos faraós que eles tinham o direito de se equipararem aos deuses; até porque não se equiparam! Os faraós são mortais!&lt;br /&gt;- Mas consideram-se os deuses na terra- exclamou Amon. &lt;br /&gt;- E foi assim que eu quis que eles fossem sentidos. Mas o faraó ser deus na terra é uma coisa; o faraó ser deus no seio dos deuses… aí, alto! O faraó em funções tem de ser colocado no seu lugar ou então destituído do trono.&lt;br /&gt;- Destitui-lo do trono seria uma atitude demasiado prepotente da minha parte- disse Amon- porque, o faraó, não está a colocar em risco a integridade do Egipto ao roubar uma sacerdotisa ao templo. Ele apenas está a pôr em questão a sua submissão a mim. Amon-Rá é um deus amado, por isso quero continuar a sê-lo.&lt;br /&gt;- Mas é um mau indicativo o facto do faraó ter a ousadia de te provocar de uma forma tão directa. Se a sua índole lhe permite fazer isso com o deus supremo, o que não poderá ele fazer com o seu povo?&lt;br /&gt;- Essa observação é bastante pertinente- exclamou Amon-Rá- mas tudo ao seu tempo. De momento apenas lhe tenho de fazer sentir o quanto estou aborrecido. Ele é jovem, pode ser que reconsidere.&lt;br /&gt;- E tu aceitarias de novo a sacerdotisa, depois de ter sido tocada por um homem?- perguntou a deusa Ísis.&lt;br /&gt;- Caso o queira, pode, pois o homem que lhe tocou foi o faraó, que tem a nossa chancela divina- respondeu Aton.&lt;br /&gt;- Bem, sendo assim, vou actuar com diplomacia. Horus, tu que estás encarregado de apoiares os faraós nas suas missões de governação, ficas incumbido de contactares o faraó Amenhotep, o quarto, e de perceberes as razões que o levaram a cometer tal loucura, bem como de o persuadires a devolver a sacerdotisa Nefertiti. E por agora chega. Hoje a minha alimentação vai ser de qualidade inferior, já que apenas me vou alimentar de emanações de simples oráculos do povo, pois o tabernáculo do templo não me foi benéfico, o que à partida me traz um certo cansaço.&lt;br /&gt; E Amon-Rá retirou-se. Os restantes deuses ainda conversaram um pouco mais sobre o assunto, tendo chegado a um consenso: poderia ali estar a germinar um sério problema!&lt;br /&gt; Aton, o deus ancião, estava perplexo. Fora ele o criador da força mental que estava na base da existência do Egipto. Como tinha sido possível que a selecção natural da Maet tivesse permitido que aquele indivíduo chegasse a faraó? Pela primeira vez, o seu estruturado projecto da criação demonstrava uma falha. Mas, ele já cumprira a sua missão. Ao ter sido substituído por Amon-Rá, Aton sentia que o lugar do deus supremo continuava a ser muitíssimo bem ocupado. Amon-Rá tinha capacidade para fazer frente a este desafio, com que, ele próprio, Aton, nunca se vira confrontado… felizmente! (em continuação, pág. 33, ex XI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A Causa de MassiftonRá&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-2058672208916020529?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/2058672208916020529/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=2058672208916020529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2058672208916020529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2058672208916020529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/11/um-erro-na-seleccao-natural-da-maet.html' title='UM ERRO NA SELECÇÃO NATURAL DA MAET'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TOw6HTICgJI/AAAAAAAAAWY/pPl_QtpyTbU/s72-c/Amon%2BR%25C3%25A1.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1631046534959520874</id><published>2010-11-06T11:18:00.002Z</published><updated>2010-11-06T11:34:50.650Z</updated><title type='text'>PARA LÁ DA MÚSICA</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Us-TVg40ExM?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Us-TVg40ExM?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música, e não a política, é que deveria tomar conta dos destinos da humanidade. Principalmente, porque a música, para se fazer notar, não necessita de riqueza material. A sua riqueza é a alma. E a alma está a fazer falta à humanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1631046534959520874?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1631046534959520874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1631046534959520874' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1631046534959520874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1631046534959520874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/11/numa-musica-verdade-da-uniao-do-homem.html' title='PARA LÁ DA MÚSICA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-4152445478530960978</id><published>2010-10-31T21:23:00.004Z</published><updated>2010-10-31T21:44:11.347Z</updated><title type='text'>DE REGRESSO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TM3jCNbTeCI/AAAAAAAAAWQ/z40ZuBLg7zw/s1600/dE+REGRESSO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 245px; height: 206px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TM3jCNbTeCI/AAAAAAAAAWQ/z40ZuBLg7zw/s400/dE+REGRESSO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534329144211634210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...Ligado a um ventilador, Serôdio confiava que a máquina lhe mantivesse a vida.&lt;br /&gt;Em resultado das agressões de que fora vítima, sofrera múltiplas lesões: costelas partidas, fractura de um braço, fractura da cana do nariz e o pior de tudo- aquela violenta pancada com a cabeça na esquina da parede provocara-lhe traumatismo craniano, pelo que havia três meses que se encontrava em coma profundo.&lt;br /&gt;A principio a sua mãe achara que era ilusão de óptica, mas depois confirmou que afinal era verdade. Serôdio mexia a mão direita e nos seus lábios havia movimento.&lt;br /&gt;A mãe de Serôdio saiu a correr do quarto do hospital a fim de avisar alguém. Sim, era verdade, Serôdio acordava lentamente e finalmente regressava à vida.&lt;br /&gt;A mãe e dois médicos que agora o rodeavam estavam ansiosos por saberem em que estado físico ele se encontrava, depois de regressar da batalha que durante três meses mantivera com a morte.&lt;br /&gt;Os globos oculares movimentavam-se por debaixo das pálpebras fechadas. As mãos e os pés mexiam-se energicamente, o que era um óptimo sinal. A sua parte motora em principio não fora afectada. Restava saber como estaria a sua condição sensorial e principalmente a intelectual.&lt;br /&gt;Enquanto Serôdio era avidamente observado pela mãe e pelos médicos, ele próprio ia, segundo a segundo, tomando consciência do seu corpo. Na mente bailavam-lhe imagens confusas de uma linda senhora vestida de branco, de rostos amigos que antes não vira e de uma certa mensagem relacionada com uma tal alma gémea, a sua alma gémea, que o acompanhava havia muitos séculos. Era incrível! E essa alma gémea era... sim, era ela, não tinha dúvidas nenhumas... D. Silvina.&lt;br /&gt;No despertar para a vida, no meio do movimento brusco dos olhos ainda fechados e de espasmos musculares, Serôdio ia balbuciando: « D. Silvina... Silvina... alma gémea».&lt;br /&gt;- O meu filho pronunciou o nome Silvina- comentava a mãe de Serôdio, fixando os médicos com um olhar que demonstrava um misto de felicidade e estranheza- quem será esta Silvina?&lt;br /&gt;- A senhora não deve ligar importância ao que o seu filho diz, mas à forma como fala. Parece que articula bem as palavras. O resto são apenas reacções a um estado profundamente traumático, do qual finalmente se liberta- explicou um dos médicos.&lt;br /&gt;- Sim, só pode ser isso- disse D. Amélia, mãe de Serôdio, que teria ficado muito feliz se em vez de ouvir «Silvina» da boca do filho que despertava de um coma profundo, antes tivesse ouvido a palavra «mãe»...(em continuação, pág. 55- ex. XVII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-4152445478530960978?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/4152445478530960978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=4152445478530960978' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4152445478530960978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4152445478530960978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/10/de-regresso.html' title='DE REGRESSO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TM3jCNbTeCI/AAAAAAAAAWQ/z40ZuBLg7zw/s72-c/dE+REGRESSO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6569924278692830609</id><published>2010-10-22T21:23:00.002+01:00</published><updated>2010-10-23T10:20:45.323+01:00</updated><title type='text'>ESPREITANDO A ETERNIDADE</title><content type='html'>...Para espanto de Serôdio, o modo de locomoção era algo incrível. Flutuavam!! Guiado por aquela bela e misteriosa senhora, Serôdio ia passando por cenas que à sua frente se iam projectando em telas invisíveis. Aquelas cenas não lhe eram desconhecidas... eram-lhe até muito familiares. Serôdio viajava pela sua própria vida. Estava-lhe a ser feita uma retrospectiva de tudo o que ele fizera na vida, até àquele momento.&lt;br /&gt;- Isto è fantástico- dizia Serôdio.&lt;br /&gt;- Reconheces aquela criança?- perguntou a senhora de branco, referindo-se a imagens que surgiam de um menino que se baloiçava num balancé.&lt;br /&gt;- Aquele sou eu. Lembro-me perfeitamente. E ali está o ... o meu irmão! È verdade, eu tenho um irmão. Onde è que ele anda que nunca mais o vi?&lt;br /&gt;- O teu irmão irá fazer parte de um momento crítico da tua vida futura.&lt;br /&gt;- Um momento crítico?&lt;br /&gt;- Sim, será uma prova para ti e para ele.&lt;br /&gt;- Mas, se somos irmãos, que prova poderá ser essa?&lt;br /&gt;- Vocês são irmãos, mas nesse momento futuro não se irão lembrar disso.&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;- Não, porque o teu irmão embora saiba que existes, não te vê desde que eras uma criança, aquela criança que há pouco pudeste observar. O teu irmão não te irá reconhecer. Pelo teu lado, tu não te vais lembrar sequer que tens um irmão.&lt;br /&gt;- Mas se me lembro agora!&lt;br /&gt;- Enquanto encarnado lembraste-te?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Pois vais voltar a esquecê-lo- afirmou a senhora.&lt;br /&gt;- Porque razão deixou o meu pai que eu me esquecesse do meu irmão?&lt;br /&gt;- Tu e o teu irmão não são filhos do mesmo casamento. Vocês têm mães diferentes. O teu irmão è quinze anos mais velho do que tu. Um dia, em conversa, o teu pai e o teu irmão discutiram. O teu pai criticou a ex-mulher e o teu irmão defendeu a mãe. O teu irmão decidiu então não mais ver o pai. Já está arrependido, mas passaram-se muitos anos. O teu irmão já criou raízes no afastamento do pai. Foi uma decisão muito má, essa que o teu irmão tomou. O teu pai sofre com isso, mas perdeu o paradeiro do filho mais velho. Não se vêem há catorze anos.&lt;br /&gt;- E o meu irmão lembra-se de mim?&lt;br /&gt;- Sim, ele sabe que tu existes em algum lugar.&lt;br /&gt;- Sinto-me tão bem com tudo isto que a senhora me revelou. Posso saber quem è?&lt;br /&gt;- Eu? Eu sou a tua permanente amiga. Fui encarregada de te acompanhar nesta paragem desta tua vida terrena.&lt;br /&gt;- Quer dizer então que a minha vida vai continuar?&lt;br /&gt;- Sim, o teu Karma precisa de ser completado. Quando reencarnaste no corpo que tens hoje, obrigaste-te a padeceres algumas dificuldades.&lt;br /&gt;- E em alguma delas vou cruzar-me com o meu irmão?&lt;br /&gt;- Assim será. Como já te disse, será uma prova para os dois. Reconheces a tua alma gémea?&lt;br /&gt;- Eu... a minha alma gémea...&lt;br /&gt;- Esforça-te um pouco. Lembrarte-ás. Agora vamos viajar. Existem espíritos teus amigos que estão ansiosos por comunicarem contigo.&lt;br /&gt;- Quem são?&lt;br /&gt;- Quando os vires logo os reconhecerás. E vais recordar ainda alguns momentos de algumas vidas passadas. Aproveita este pequeno intervalo nesta tua vida para fazeres um balanço de ti mesmo, fazeres uma revisão de toda a matéria que vai preencher os teus dias futuros, tomares consciência do nível em que está a tua espiritualidade e repores energia, a energia que vem do Alto e que a todos consola. Vamos?&lt;br /&gt;E Serôdio embrenhou-se na eternidade...(em continuação- pág. 53- ex. XVI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6569924278692830609?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6569924278692830609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6569924278692830609' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6569924278692830609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6569924278692830609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/10/memorias-de-um-irmao-esquecido.html' title='ESPREITANDO A ETERNIDADE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2536327453265028136</id><published>2010-10-13T21:56:00.003+01:00</published><updated>2010-10-13T22:25:57.465+01:00</updated><title type='text'>NÚMERO 61- CÓDIGO DE CONTACTO</title><content type='html'>...- Tens recebido noticias do Álvaro?- perguntou a amiga.&lt;br /&gt;- Sim, ele está bem. O meu Álvaro dava um óptimo jornalista, pois manda-me autênticas reportagens de guerra. Apetece-me dizer que tenho África em directo.&lt;br /&gt;- Deve ser óptimo ter um namorado que goste assim de escrever.&lt;br /&gt;- È muito bom- respondeu Catarina- comunicando-se assim constantemente, ele sente-se mais vivo e quase comunga o dia a dia comigo. E eu, pelo meu lado, tenho a responsabilidade de o integrar nas coisas banais e nas coisas importantes que me vão acontecendo, para alimentar essa comunhão. E no tempo que gastamos a escrever cartas, e na ânsia que vivemos em as receber, os meses passam mais depressa. Quase sem darmos por isso já passaram nove.&lt;br /&gt;- Eu acho que quando arranjar um namorado, vou escolher um homem que tenha o serviço militar já cumprido.&lt;br /&gt;- Porquê?- perguntou Catarina, rindo.&lt;br /&gt;- Não gosto muito de escrever. Se o meio de atenuar a saudade fosse apenas através das cartas, iria fazê-lo por obrigação e não por devoção, como conviria.&lt;br /&gt;- Estás enganada Isabel. Irias fazê-lo por amor, que è algo totalmente diferente. Irias reparar que a lapiseira quase escreveria sozinha. E se amasses verdadeiramente o teu namorado, irias compreender que as cartas seriam o único meio que vos restava de se amarem.&lt;br /&gt;- És feliz Catarina?&lt;br /&gt;- Se sou feliz? Sob certas condicionantes posso dizer que sim. Tenho uns pais maravilhosos, tenho os meus amigos, tenho-te a ti, tenho-o a ele através dos aerogramas- dizia Catarina que com um pálido sorriso fixava o rosto da amiga. Esta segurou-lhe nas mãos e apertando-as disse-lhe:&lt;br /&gt;- Querida amiga, podes sempre contar comigo. Mas agora tenho de me ir embora. Está a chegar a hora do eléctrico. Ficas?&lt;br /&gt;- Sim, fico. Vim para estudar um pouco.&lt;br /&gt;- Então até amanhã Catarina.&lt;br /&gt; Ali, no primeiro andar, apenas mais duas mesas estavam ocupadas. Era estranho entabular-se uma conversação com um amigo, sobre um assunto tão sério, e seguidamente ficar-se só. Era como se esse amigo, por momentos nos tivesse ajudado a enfrentar os adversários da nossa vida, e nós, encorajados com essa ajuda, tivéssemos redobrado as forças. Mas o amigo ia-se embora e compreendíamos que aquela ajuda fora apenas uma ilusão. O adversário, a saudade, era sempre tão forte, tão intenso, tão presente, por mais cartas que se escrevessem.&lt;br /&gt; Catarina ali se manteve por bastante tempo. Após muitas páginas de filosofia estudadas, muitas páginas de sebenta preenchidas com anotações, abandonou o Nicola e nem uma linha lera do livro Contacto. Afinal não sabia porque o trouxera. Eram quase seis da tarde. A noite quase se instalara. A paragem do eléctrico ficava mesmo em frente ao café de onde Catarina acabara de sair. Naquela paragem, instalada no largo passeio, existia grande aglomeração de pessoas. Ali estavam para apanharem as várias carreiras de eléctricos e tróleis que serviam toda a cidade. Para Catarina seria o 4, o que trazia escrito num pequeno rectângulo, na parte superior « Cruz de Celas ». Como o tempo esfriara. Aconchegou melhor o seu grosso casaco preto ao corpo. Os livros tinha-os colados ao peito e abraçava-os. Observava as pessoas que passavam. De vez em quando sorria a crianças que a observavam.&lt;br /&gt; Finalmente surgiu o seu eléctrico. Já levava bastante gente e naquela paragem entraram mais umas quantas pessoas. O condutor do eléctrico, com o pé fez soar um dispositivo sonoro que se encontrava no chão, bem junto a uma base metálica, que suportava uma roda de que o condutor se servia para travar e destravar o eléctrico. Parecia uma roda de leme. Dois fortes batimentos metálicos que o condutor provocara e o eléctrico pôs-se em movimento. Catarina conseguira arranjar um lugar sentada, na parte da frente, junto ao compartimento do condutor. Já existiam alguns passageiros de pé, que de alguma forma atrapalhavam os movimentos do cobrador dos bilhetes, com a sua mala gasta, de cabedal castanho, que trazia a tiracolo e de onde retirava moedas, com as quais ia fazendo os trocos.&lt;br /&gt; Ela não reparara, mas no eléctrico entrara um jovem que a observava intensamente. Era o mesmo que estivera sentado na mesa do café, quando Catarina ali entrara. &lt;br /&gt; Ele tentava disfarçar a sua presença o mais que podia. Aquela loira não podia aperceber-se de que ele ia ali. Se calhar já nem se lembrava. Haviam trocado um olhar tão rapidamente! Ela ficara desconfiada. Mas que raio havia aquele livro  ter de tão de especial, que o tivesse obrigado a ele, um jovem rapaz cheio de vida e com um promissor futuro como engenheiro, a aguentar todas aquelas horas meio escondido, aguardando que aquela sujeita saísse do café, obrigando-o a ele a persegui-la no interior de um eléctrico apinhado de gente, para tentar descobrir onde residia ela. O seu pai não era nenhum parvo. Se ele ambicionava ter o livro de capa preta que aquela loira levava no regaço, ele lá sabia porquê.&lt;br /&gt; Chegado o 4 ao Largo da Conchada, no início da Rua António José de Almeida, Catarina saiu. O seu perseguidor atrasou a saída o mais que pôde. Já o eléctrico se punha de novo em movimento quando o rapaz saltou para o exterior. A loira levava-lhe um avanço de cerca de vinte metros. Contornou uns poucos de prédios e entrou numa rua, que abria, formando uma espécie de largo, assinalada com uma placa onde estava escrito « Rua Frei Tomé de Jesus ». Havia necessidade de anotar o nome da rua e foi o que o jovem fez, sem perder de vista a rapariga. &lt;br /&gt; Catarina entrou em sua casa sem nunca se ter apercebido de que era seguida. O jovem deixou que ela desaparecesse no interior da habitação e aproximou-se para ler o número da porta. Era o número 61. Muito bem! O número 61 da Rua Frei Tomé de Jesus correspondia a uma pequena vivenda pintada de vermelho. Anotou a observação e foi-se embora. Caramba, que o pai nunca mais lhe pedisse fretes daqueles. Se ao menos o pai lhe tivesse dado a possibilidade de ele se poder comunicar com a loira!! Agora assim...(em continuação, pàg. 68- ex. XV)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-2536327453265028136?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/2536327453265028136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=2536327453265028136' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2536327453265028136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2536327453265028136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/10/numero-61-codigo-de-contacto.html' title='NÚMERO 61- CÓDIGO DE CONTACTO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6743928025902787664</id><published>2010-10-08T19:44:00.002+01:00</published><updated>2010-10-08T20:00:22.684+01:00</updated><title type='text'>EM COIMBRA, NO CAFÉ NICOLA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TK9p0SUP4yI/AAAAAAAAAWI/cuJ3StIEPc8/s1600/imagesCAYI4STK.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TK9p0SUP4yI/AAAAAAAAAWI/cuJ3StIEPc8/s400/imagesCAYI4STK.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525751614797767458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;....Como sempre, o Nicola estava cheio. Catarina elegera um canto daquele espaço como seu. Por isso o procurava sempre. Ficava no primeiro andar, pois o Nicola tinha um primeiro andar, frequentado mais pelos clientes habituais. E esses eram na maioria jovens estudantes, que a troco de uma bica, ocupavam mesas por horas a fio. Mas a gerência não se importava, pois se por um lado os estudantes transmitiam ao café « o status dos tesos », por outro lado era bem verdade que os mesmos estudantes também escolhiam o Nicola para conviverem, e nessas horas, sem estarem preocupados com as Matemáticas e as Físicas, sempre eram mais generosos para com a gerência do café.&lt;br /&gt; Catarina atravessou o corredor formado entre as mesas e o comprido balcão. Mesmo para aqueles que estavam habituados à sua presença, o facto de mais uma vez aparecer, nunca passava despercebido. E naquele dia ela irradiava luz e fazia os corações de alguns baterem mais apressadamente. &lt;br /&gt; No regaço transportava três livros: um compêndio de filosofia, outro de literatura e um romance de capa preta, onde a meio existia uma mancha amarela, uma fonte de luz, rodeada por uma massa disforme que dava a percepção de ser uma grande concentração estrelar. Imediatamente abaixo surgia a lua em quarto minguante, e mesmo no fundo da capa aparecia a palavra « Contacto », escrita em letras grandes de cor cinzenta. Aquele era um dos livros que Álvaro lhe emprestara, e embora tivesse muita vontade e muita curiosidade em lê-lo, quando tinha o impulso de iniciar a sua leitura, algo havia que a fazia sentir angustiada. Por essa razão era, que havendo já passado nove meses, desde a partida do seu namorado para Angola, só na semana anterior iniciara a leitura do livro. Na penúltima carta que escrevera a Álvaro mandara-lhe dizer:&lt;br /&gt; « Meu querido, finalmente consegui libertar-me daquele patético sentimento de angústia, sempre que tomava o livro Contacto nas mãos e me propunha a lê-lo. Ontem lutei contra mim própria e li o primeiro capítulo. Não foram muitas as páginas. Só li vinte, mas já surgiu uma personagem com quem eu estou a simpatizar- a Ellie, embora ela seja doidinha por matemática, o que até me faz arrepios. No pouco que li, já percebi que a ficção que aqui se faz deve ser baseada em sólidos conhecimentos científicos...»&lt;br /&gt; Catarina caminhava devagar, dirigindo-se para as escadas de ferro que a levariam ao primeiro andar. O livro Contacto ia no seu regaço, com a capa virada para onde se encontravam as mesas. Qualquer um que ali estivesse sentado, perfeitamente observaria a capa preta e lhe leria o título. Catarina foi obrigada a parar, pois um empregado passou à sua frente transportando uma bandeja, onde equilibrava várias chávenas de café e alguns copos de água. Nessa sua paragem fugaz reparou numa mesa bem perto de si, onde se encontravam dois homens que ela nunca vira. Um era jovem e o outro bem mais velho. Ambos a observavam intensamente. Todavia percebeu nos seus olhares intenções e sentimentos diferentes. O mais novo corria-a gulosamente com os olhos, expressando desejo devasso. O mais velho mantinha o olhar parado, fixo num ponto do seu corpo que ela não podia determinar. Via naquele olhar uma espécie de surpresa. Sentiu-se perturbada e ainda o empregado não acabara de passar, já ela forçava a passagem, tendo ainda empurrado o pobre homem que quase se viu defraudado na sua arte de, com perícia, fazer chegar aos clientes todo o saboroso conteúdo, transportado nas frágeis chávenas. Desconfiada, ao chegar às escadas, deitou um olhar disfarçado à mesa onde se encontravam os dois homens. Eles ainda a observavam. Subiu as escadas, e quando chegou ao topo, olhou para a sua mesa predilecta, e viu que lá se encontrava uma das suas melhores amigas. Ficou satisfeita e encaminhou-se para lá.&lt;br /&gt;- Olá Catarina- disse a amiga.&lt;br /&gt;- Olá Isabel- respondeu Catarina sentando-se- está uma pessoa tão bem disposta e de repente fica-se nervosa...&lt;br /&gt;- Porquê?- perguntou a amiga.&lt;br /&gt;- Ali em baixo estão sentados dois tipos que me olharam de uma maneira...&lt;br /&gt;- Que esperas tu minha querida? Se até há mulheres que te admiram fisicamente, que hão de pensar os homens!&lt;br /&gt;- Desses olhares frívolos e banais estou eu habituada, e já não me incomodam. Mas a maneira como principalmente o mais velho me olhou, deixou-me intrigada. Nunca sentiste possuíres qualquer coisa que de repente sentes ser pertença de outrem? &lt;br /&gt;- Não sei o que queres dizer.&lt;br /&gt;- Olha, nem eu...Isabelinha, sê minha amiga, e vai ali ao parapeito, olha para baixo e vê se encontras nalguma mesa dois homens com aspecto de serem pai e filho, bem parecidos.&lt;br /&gt;- Está bem- disse a amiga de Catarina que se levantou, foi ao fim do recinto do primeiro andar, olhou para baixo, observou atentamente todas as mesas e regressou- não existe ali ninguém com aspecto de pai e filho.&lt;br /&gt;- Mesmo naquela mesa que está em frente à máquina do café?- perguntou Catarina.&lt;br /&gt; A amiga voltou ao parapeito e atentamente observou a tal mesa. Regressando disse:&lt;br /&gt;- Na mesa não está ninguém.&lt;br /&gt;- Óptimo. Assim já me sinto melhor- retorquiu Catarina sorrindo... (em continuação, pág. 65, ex. XIV)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6743928025902787664?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6743928025902787664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6743928025902787664' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6743928025902787664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6743928025902787664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/10/em-coimbra-no-cafe-nicola.html' title='EM COIMBRA, NO CAFÉ NICOLA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TK9p0SUP4yI/AAAAAAAAAWI/cuJ3StIEPc8/s72-c/imagesCAYI4STK.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3857158503968057721</id><published>2010-10-01T23:17:00.003+01:00</published><updated>2010-10-01T23:33:06.552+01:00</updated><title type='text'>NA SOMBRA DE ANTÓNIO AVILAR VEM O CAMINHANTE</title><content type='html'>...O Caminhante sofria. As lágrimas corriam-lhe abundantes pelo rosto barbado e endurecido pelas mágoas da vida. O seu olho cego tinha a única utilidade de ajudar a fazer brotar as tristezas que lhe escureciam a vida. No seu minúsculo casebre rangia os dentes e furiosamente agredia as paredes do pobre lar. Vencido pelo destino, tomou uma resolução - ir dar-se a conhecer ao Padre José Soares. Não suportava mais aquela situação sozinho. O padre era a pessoa certa para o poder ajudar. O sol de outono estava a pôr-se no horizonte salgado de S. Martinho do Porto. Era o momento. &lt;br /&gt;Deu um pouco de água ao rosto e convictamente partiu em direcção à casa do pároco. Encontrou-o pelo caminho.&lt;br /&gt;- Santas tardes senhor padre.&lt;br /&gt;- Viva homem de Deus. Não vais ao caldo?&lt;br /&gt;- Primeiro preciso de alimentar o espírito.&lt;br /&gt;O padre parou.&lt;br /&gt;- Queres-te confessar?&lt;br /&gt;- Quero sim senhor padre. Quero-me confessar a Deus e aos homens - e duas lágrimas pesadas, carregadas de escuridão, lhe desceram pelo rosto.&lt;br /&gt;- Estou a ver - disse o padre José Soares - vamos até minha casa. Não podes por mais tempo manteres-te um incógnito. É isso não é? &lt;br /&gt;- É sim senhor. E será muito mais do que isso. Preciso de ajuda.&lt;br /&gt;- Assim eu tivesse podido ajudar a todos, como te posso ajudar neste momento. Vamos a isso.&lt;br /&gt; Os dois homens entraram na casa do pároco. Uma casa que ele habitava havia já vinte e um anos. Com o desaparecimento do morgado Vitorino, não mais recebera visitas. O Caminhante era o primeiro. O padre José Soares abria a sua porta àquele homem simples, porque nele sentia estarem latentes aqueles valores humanos de que ele próprio tanto precisara. Também a sua vida se tornara mais sombria desde o desaparecimento do seu pupilo, do pequeno Leandro e do José Chambão.&lt;br /&gt;- Senta-te homem - disse o padre José Soares, sentando-se também - abre-me esse espírito.&lt;br /&gt;- Preciso muito de ajuda espiritual senhor padre. Sou um homem só. Desgracei a minha vida na herdade onde trabalho, numa noite que já tem doze anos.&lt;br /&gt;- Ali na herdade? Há doze anos? - perguntou o padre intrigado.&lt;br /&gt;- Senhor padre, chamo-me... António Avilar. Sou do Bombarral e participei no assalto em que morreu o morgado e o capataz.&lt;br /&gt;Ao ouvir aquelas palavras, como que empurrado por força invisível, o padre José Soares levantou-se de um salto, foi até à janela mais próxima, mãos postas junto ao rosto, mantendo-se em silêncio. O Caminhante, um António Avilar de rosto transformado pelas agruras da guerra, sentiu que algo muito sério se passava no íntimo do padre.&lt;br /&gt;- Como disseste que te chamas?&lt;br /&gt;- António Avilar, senhor padre.&lt;br /&gt;- Diz-me então António, porque razão vieste para Alfeizerão?&lt;br /&gt;- Vim para tentar reparar o mal, que sem querer, ajudei a fazer.&lt;br /&gt;- Como é isso possível? Deste-me a certeza de que o meu querido Vitorino está morto.&lt;br /&gt;- Vitorino? Quem é o Vitorino senhor padre?&lt;br /&gt;- Vitorino era o morgado de Alfeizerão. Que reparo podes fazer? Que remédio tens tu para a morte?&lt;br /&gt;- Nenhum senhor padre. Mas posso tentar devolver os bens ao menino que eu raptei.&lt;br /&gt; O padre José Soares não aguentou mais. Virou-se repentinamente. Os olhos estavam endurecidos com a chama do desgosto e da raiva.&lt;br /&gt;- Foste tu que roubaste ao berço o pequenino Leandro? &lt;br /&gt;- Fui senhor padre, para o salvar da fúria do Barreto Raposo. Eu não matei ninguém. Vim enganado, era jovem. O ideal republicano fervia-me no sangue. &lt;br /&gt;- Que fizeste tu ao menino?&lt;br /&gt;- Levei-o para minha casa. Lá anda pelo Bombarral. Está um belo rapazinho.&lt;br /&gt;- Deus seja louvado - ria e chorava o padre - o pequenino Leandro está vivo e mora no Bombarral.&lt;br /&gt;- Mas senhor padre, ele não se dá por esse nome. Ele chama-se Carlos Avilar. Foi o nome que eu lhe dei.&lt;br /&gt;- Pois fica sabendo que esse rapazinho, quando tu o tiraste ali do solar, já se chamava Leandro Vital de Lourena Fernandes. Que alegria a Lucinda vai ter quando souber.&lt;br /&gt;- A Lucinda Matias?&lt;br /&gt;- Essa mesma - disse o padre.&lt;br /&gt;- É ela a mãe do pequeno?&lt;br /&gt;- Não, a mãe do pequeno morreu quando ele nasceu. Ele e o irmão.&lt;br /&gt;- O Helder - disse António Avilar.&lt;br /&gt;- Como sabes?&lt;br /&gt;- Eles são iguais senhor padre.&lt;br /&gt;- Confirmasse agora a tua história - disse o padre - efectivamente são gémeos. Tu a fugires com um para um lado e a Lucinda com outro para outro lado, concretizaram a separação dos dois.&lt;br /&gt;- A Lucinda apercebeu-se da nossa chegada?&lt;br /&gt;- Apercebeu. Na altura tinha o Helder ao colo e com ele fugiu. Dás-me então a certeza de que o responsável por tudo isto é o Barreto Raposo?&lt;br /&gt;- É verdade sim senhor. Quando ele descobriu que eu fugira, perseguiu-me. Fui obrigado a sair de Portugal.&lt;br /&gt;- Bem a Lucinda tinha razão ao dizer que reconhecera a voz desse Raposo. Qual foi o teu destino?&lt;br /&gt;- A guerra, a maldita guerra...(em continuação, pág.97, ex. XXXIII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3857158503968057721?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3857158503968057721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3857158503968057721' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3857158503968057721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3857158503968057721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/10/na-sombra-de-antonio-avilar-vem-o.html' title='NA SOMBRA DE ANTÓNIO AVILAR VEM O CAMINHANTE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6377229996401172417</id><published>2010-09-24T18:22:00.001+01:00</published><updated>2010-09-24T18:39:31.481+01:00</updated><title type='text'>REVELA-SE O SEGREDO DE UM CAMALEÃO</title><content type='html'>-... O Carlos nasceu em Alfeizerão e muito provavelmente deve ser filho de um morgado que por lá existiu.&lt;br /&gt;- Um morgado? O mesmo morgado que foi dono da herdade que o Barreto Raposo comprou e para onde levou muitos homens daqui?&lt;br /&gt;- Esse mesmo.&lt;br /&gt;- Mas, mas então porque razão mantiveste o Carlos todos estes anos aqui no Bombarral? Ainda antes disso, porque motivo é que o miúdo veio aqui parar? Onde está o pai?&lt;br /&gt;- Américo, tu estás a partir do princípio de que ali houve uma troca legal de donos. Mas tudo isso é falso. O Barreto Raposo tomou de assalto a herdade.&lt;br /&gt;- O quê? Que me estás a dizer?&lt;br /&gt;- E matou o morgado e o seu capataz. Os corpos estão enterrados aqui no Bombarral. Só o Barreto Raposo sabe onde.&lt;br /&gt;- Pára um pouco Luísa. Deixa-me respirar. Falas-me de assassinos e assassinados, toda uma história relacionada com aquele pequeno. Como veio então o Carlos aqui parar? Como sabes tu de tudo isso?&lt;br /&gt;- O António participou no assalto. Foi ele que raptou a criança sem os outros verem e fugiu com ela para a nossa casa. Como eu era muito nova, ninguém achou estranho eu ter um bebé. Nessa noite a nossa vida mudou para sempre. Ele teve de fugir da ira do Barreto Raposo. Cansou-se dessa vida, pelo que resolveu alistar-se na tropa. Assim foi parar a França. Assim lá ficou.&lt;br /&gt;- Que história dramática está por detrás do Carlos. Ele sabe de tudo isto?&lt;br /&gt;- Ele não sabe de nada. Eu não quero que ele saiba.&lt;br /&gt;- Enquanto for menor Luísa! Mas quando chegar a homem, tem o direito de saber, para poder lutar pelo que lhe foi roubado. Será uma deslealdade não lhe dar a conhecer a verdade.&lt;br /&gt;- Mas eu amo-o como se realmente fosse mãe dele. Fui eu que o criei.&lt;br /&gt;- Tu serás sempre a mãe espiritual dele. Mas há-de haver um dia em que ele deverá saber que não foste tu que o geraste. Quem é a senhora?&lt;br /&gt;- Não sei. O António nunca descobriu o seu nome nem viu qualquer mulher na casa do morgado, no momento do assalto.&lt;br /&gt;- Eu tinha do António uma concepção muito diferente.&lt;br /&gt;- Podes e deves mantê-la. O António era um homem às direitas. Foi enganado. Caiu no logro do Barreto Raposo.&lt;br /&gt;- Poderei eu fazer alguma coisa pelo rapazito?&lt;br /&gt;- Queres dizer pelo meu filho Carlos? Não sei. Isso já aconteceu há doze anos.&lt;br /&gt;- Hei-de sondar a Conservatória de Alcobaça. Alguma coisa lá deve haver. É espantoso como grandes histórias acontecem junto a nós e não damos por nada.&lt;br /&gt;- O Barreto Raposo soube camuflar bem toda a situação. Na herdade de Alfeizerão estão a trabalhar, entre os homens que foram daqui, os restantes seis que também fizeram parte do assalto. Mas o exemplo do António faz-lhes calar a boca - disse Luísa.&lt;br /&gt;- No dia em que falei aos meus pais sobre nós, cruzei-me com um pobre diabo aqui no Bombarral. Disse-me que trabalhava em Alfeizerão. Era um homem estranho. Estou a ver que Alfeizerão é uma terra de grande poder místico. É propícia a acontecimentos complicados.&lt;br /&gt;- Talvez seja uma terra de grande nobreza - respondeu Luísa.&lt;br /&gt;- É possível. Um dia destes vou até lá. Quero sentir a terra onde uma história triste como esta aconteceu e ainda se desenrola, e onde tu tiveste e tens participação directa. Afinal, o herdeiro daquela herdade mora aqui connosco. Alguma coisa tem de ser feita.&lt;br /&gt; Luísa dormia. Habituada que estava ao conhecimento da injustiça, o tempo foi esbatendo e tirando clarividência ao sentimento de revolta. Mas, para Américo Afonso, que acabara de tomar conhecimento do drama de Carlos Avilar, os factos eram muito fortes e muita matéria criminal estava por receber o devido tratamento. Essa mesma matéria, metamorfoseada em legalidade, vivia impune e fartamente em Alfeizerão, rindo-se e porventura gozando da sede de justiça de alguém, que decerto também por lá viveria. Impunha-se uma investigação. A ética profissional assim lho exigia... (em continuação, pág. 94, ex. XXXII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6377229996401172417?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6377229996401172417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6377229996401172417' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6377229996401172417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6377229996401172417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/09/revela-se-o-segredo-de-um-camaleao.html' title='REVELA-SE O SEGREDO DE UM CAMALEÃO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7957177855596574611</id><published>2010-09-21T22:08:00.002+01:00</published><updated>2010-09-21T22:31:31.266+01:00</updated><title type='text'>SERENATA NO PENEDO</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fv5KR3Aa1gs?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fv5KR3Aa1gs?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fado. O fado português, que canta a alma de todo um povo, que realça a sua nostalgia, que dá sentido à saudade...&lt;br /&gt;e o fado de Coimbra, que de amor faz a sua melodia. Em Coimbra, e só nela, está a sua alma, enobrecida pelas águas poéticas do Mondego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7957177855596574611?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7957177855596574611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7957177855596574611' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7957177855596574611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7957177855596574611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/09/serenata-no-penedo.html' title='SERENATA NO PENEDO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5257811829432791398</id><published>2010-09-17T22:52:00.003+01:00</published><updated>2010-09-17T23:14:24.471+01:00</updated><title type='text'>MALHAL DE SULA, ENTRADA DE UM PEQUENO PARAÍSO</title><content type='html'>...Malhal de Sula era uma pequena mas muito produtiva quinta. O meu pai, Manuel Passos Lopes, e a minha mãe, Beatriz de Sousa, haviam-na comprado três anos antes de eu nascer. Trabalharam arduamente para que, do terreno até então baldio, nascesse uma área agrícola muito fértil. A maior riqueza residia na produção vinícola, muito embora os currais da quinta estivessem atulhados de porcos e de vacas. Por essa razão, a quinta de Malhal de Sula apresentou-se-me com o aspecto de imensos vinhedos, o fervilhar de gente assalariada, e nunca outra coisa onde tivesse entrada a desolação.&lt;br /&gt; A casa onde eu nasci e me criei muito longe estava de ser um palácio, mas era uma casa enorme, nobre, nobreza que nada tinha a ver com sangue real, mas nobreza de carácter, respeito tanto por a quem se devia obediência, como por quem obedecia. Princípios valiosos estes. E era também uma casa cheia. Cheia de fartura e de amor. Os meus pais, pessoas educadas na terra, e que à terra pediam o sustento, para além do trabalho duro do braço na enxada, e mais tarde, na responsabilidade e preocupação em bem saber gerir a riqueza que criaram, tiveram a sensibilidade de fazer de mim uma criança feliz. &lt;br /&gt; Por alturas da terceira invasão francesa, aquando da batalha do Buçaco, que decorreu a poucos quilómetros da nossa casa, o meu pai escondeu-me a mim e mais a minha mãe num alçapão que tinha construído por debaixo da adega, enquanto ele e os seus assalariados patrulhavam a quinta, na tentativa de demover de más acções quem, eventualmente, ali penetrasse com intenções menos honestas. É que naquela época não eram somente os soldados franceses que pilhavam. Muitos salteadores, bem portugueses, aproveitando-se do caos e temor reinantes, também o faziam.&lt;br /&gt; O meu pai não quis que eu fosse lavrador como ele. Queria ver o seu único filho como médico. O rapaz havia de ser doutor. E assim me vi entregue aos cuidados de frei Lourenço, natural da Mealhada, frade muito letrado, do convento de Santa Cruz de Coimbra. Corria o ano de 1811.&lt;br /&gt; Durante os oitos anos que se seguiram, frei Lourenço transmitiu-me muito do seu saber. Aprendi latim, língua que me serviu de veículo para ter acesso ao conhecimento de toda a ordem. E como de ciências se tratava o meu futuro, estudei muitos compêndios de física e química, tendo-me maravilhado com os trabalhos sobre anatomia de Leonardo Da Vinci...(em continuação, pág. 16, ex VII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in Alma de Liberal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5257811829432791398?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5257811829432791398/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5257811829432791398' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5257811829432791398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5257811829432791398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/09/malhal-de-sula-entrada-de-um-pequeno.html' title='MALHAL DE SULA, ENTRADA DE UM PEQUENO PARAÍSO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3516387063149692793</id><published>2010-09-14T21:36:00.003+01:00</published><updated>2010-09-14T21:53:25.059+01:00</updated><title type='text'>UM INFANTE NO EXÍLIO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TI_flobmUpI/AAAAAAAAAV4/4KeAODA9nwM/s1600/D.+Miguel.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TI_flobmUpI/AAAAAAAAAV4/4KeAODA9nwM/s400/D.+Miguel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516873906153476754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Não sei que pensamentos, que sentimentos terão passado pela mente e coração do rei D. João VI, mas decerto que agradáveis não terão sido. Com poderia eu, conduzindo os destinos da minha casa, fazê-lo convictamente, sabendo que estava a ir contra a vontade da minha mulher e do meu filho? É certo que um rei, ao conduzir os destinos da sua casa, conduz também o destino de um povo; mas também não é menos verdade que aquela esposa era também rainha e que o jovem filho era infante!&lt;br /&gt; Ao rei talvez lhe tenha faltado convicção política no liberalismo, quem sabe se até força de carácter. O que é certo foi que perante a Vilafrancada D. João VI aboliu a Constituição de 1822, que jurara, e atribuiu o comando do exército ao infante D. Miguel. O absolutismo regressava a Portugal. O rei, que fora aclamado como o salvador do povo, tornava-se agora no seu principal repressor… mas assegurava o seu lugar no trono. Que importância tinha o povo?! Volvidos que são dois séculos, terá o povo adquirido a importância a que diz ter direito?&lt;br /&gt; A ambição terrena leva muitas vezes à perdição. No lugar em que me encontro é convicção que a riqueza aí na terra produz muita pobreza aqui, pois ser dono da riqueza material é a maior prova à elevação da alma; e quantas riquezas existem que não têm produzido qualquer elevação espiritual.&lt;br /&gt; D. Miguel já se mentalizara de que o trono de Portugal lhe havia de pertencer; por isso, mesmo com o pai a ceder ao absolutismo, sem no entanto ter abdicado do trono, o infante, com o apoio da sua mãe, continuava a conspirar. O seu objectivo não era agora o regresso do regime absoluto, que esse já o alcançara, mas o próprio trono. E existiam planos para que o rei fosse preso em Vila Viçosa. Essa conspiração foi descoberta apenas cinco meses depois da Vilafrancada, em 26 de Outubro de 1823. Perante este golpe D. João VI foi brando. Era marido e pai.&lt;br /&gt; Entretanto chegou o ano de 1824. Em Fevereiro desse ano, uma grande ameaça foi feita ao rei, quando o seu conselheiro, o Marquês de Loulé, foi assassinado. Dois meses depois ocorreu o segundo golpe militar absolutista – no dia 30 de Abril de 1824. Ficou conhecido como a Abrilada. O infante D. Miguel não pretendia repor o absolutismo, pois que continuava em vigor, mas somente obrigar o pai a abdicar do trono. As forças de D. Miguel chegaram a prender D. João VI. No entanto o corpo diplomático estrangeiro interveio, pelo que foi possível ao rei refugiar-se num navio inglês ancorado no Tejo. Desse navio, o rei D. João VI, tomou, finalmente, uma atitude: determinou o exílio de D. Miguel e intimidou a rainha D. Carlota Joaquina a que fizesse o mesmo. De novo, a coroa portuguesa, num momento politicamente crítico, era auxiliada por Inglaterra, a fim de manter a soberania do rei. &lt;br /&gt; E foi neste cenário politico, terrivelmente conturbado, que eu nasci, me criei na pacatez da quinta dos meus pais, Malhal de Sula, fui estudar para Coimbra sob a orientação do mui sábio, venerando e afável frei Lourenço de Santa Cruz, e me formei como médico, na universidade de Coimbra. Saí doutor em 1823, o doutor Joaquim Passos Lopes...(em continuação, pág. 14, ex. VI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3516387063149692793?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3516387063149692793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3516387063149692793' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3516387063149692793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3516387063149692793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/09/um-infante-no-exilio.html' title='UM INFANTE NO EXÍLIO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TI_flobmUpI/AAAAAAAAAV4/4KeAODA9nwM/s72-c/D.+Miguel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-4366680353420686025</id><published>2010-09-11T23:12:00.002+01:00</published><updated>2010-09-11T23:30:44.951+01:00</updated><title type='text'>O DESAFIO DE UM MORTAL A AMON-RÁ</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TIwBlep4E0I/AAAAAAAAAVw/Dt1xcz8vGyk/s1600/Amon-R%C3%A1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 137px; height: 181px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TIwBlep4E0I/AAAAAAAAAVw/Dt1xcz8vGyk/s400/Amon-R%C3%A1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515785387017507650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Mais uma vez a horda de siftos acabara de chegar do mundo dos homens, depositando em MassiftonRá a sua preciosa carga; mas fluídos negativos impregnavam o mundo dos deuses. À mente de Amon-Rá chegara uma mensagem, enviada telepaticamente pelo seu Sumo-Sacerdote Masahemba, em que o deus dos deuses era informado de que a sua sacerdotisa de cabelos de fogo, Nefertiti, havia sido levada do templo, pelo faraó, e que este se preparava para fazer de Nefertiti a sua rainha. Perante tal mensagem, Amon-Rá cerrou os olhos. Não era possível! Um faraó não teria a ousadia de mexer com o equilíbrio existente entre os deuses e os homens. Um faraó não podia ser capaz de se apoderar de uma sacerdotisa escolhida pelo deus supremo. Isso, a ser verdade, desafiava a própria lógica, que fundamentava o estatuto de um deus perante os homens. Tal aberração, nunca ocorrera em toda a história do Egipto. Mas, e se fosse verdade, se se viesse a concretizar a mensagem telepática, qual deveria ser a atitude que ele, Amon-Rá, deveria tomar em relação ao faraó? &lt;br /&gt; Os siftos chegavam da sua incursão ao mundo dos homens. Imediatamente Amon-Rá ordenou que o sifto encarregado de ir ao seu templo, em Tebas, se apresentasse a si.&lt;br /&gt; O sifto em questão, no mesmo momento captou a ordem de Amon-Rá, pelo que se dirigiu à sua presença.&lt;br /&gt;- Qual foi a tua recolha?- perguntou Amon-Rá ao sifto.&lt;br /&gt;- Nenhuma, divino Amon. O templo estava intoxicado com fluídos perversos. Tive de o abandonar rapidamente.&lt;br /&gt; O deus dos deuses fez sinal ao sifto de que se podia retirar. A informação recebida apontava para que a mensagem de Masahemba, correspondia a uma verdade amarga; mas tinha de se certificar de que Nefertiti não era mais sua sacerdotisa.&lt;br /&gt; Durante algum tempo Amon-Rá manteve-se imóvel. O seu olhar vagueava pela imensidão das águas profundas do Nilo, que rodeavam MassiftonRá, enquanto a sua mente estava em turbilhão. Perante a ousadia do faraó, Amon-Rá tinha a sensação de ser impotente para conseguir resolver tal questão, ou seja, reaver a sacerdotisa sem que o fizesse de forma a não prejudicar a maet. Sim, tinha de ser cuidadoso,  já que o faraó demonstrara uma irresponsabilidade gritante. É que não havia dúvida nenhuma de que poderiam entrar em confronto as duas mais fortes fontes de poder egípcio: de um lado o faraó, do outro lado o deus dos deuses. Uma coisa era certa: o reino do Egipto não poderia sair fragilizado desta contenda. Também era certo que uma sacerdotisa não seria um valor assim tão importante, pela qual se pusesse em risco a integridade da terra egípcia. Mas não era bem a sacerdotisa que estava em questão, embora lhe fosse extremamente grata, pois uma sacerdotisa com cabelos cor do fogo era raríssima, o que determinava o seu valor, bem digna de estar ao seu serviço, ele, que era o deus supremo; mas a verdadeira questão residia na ousadia que o faraó tivera, na coragem de que estava possuído para conseguir subtraí-la ao templo e levá-la para o seu palácio. Era com essa ousadia que Amon-Rá estava preocupado. De onde viera a força ao faraó, para conseguir cometer tal acto? No fundo, o faraó era um mortal, um mortal que tão frontalmente desafiava a vontade de um deus, ainda por cima o deus supremo. A solução para o problema tinha de ser muito bem ponderada...(em continuação, pág. 30- ex. X)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-4366680353420686025?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/4366680353420686025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=4366680353420686025' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4366680353420686025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4366680353420686025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/09/o-desafio-de-um-mortal-amon-ra.html' title='O DESAFIO DE UM MORTAL A AMON-RÁ'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TIwBlep4E0I/AAAAAAAAAVw/Dt1xcz8vGyk/s72-c/Amon-R%C3%A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-663868567591939207</id><published>2010-09-08T21:59:00.002+01:00</published><updated>2010-09-08T22:54:01.523+01:00</updated><title type='text'>DURA PRAXIS SED PRAXIS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TIf5gCK7RUI/AAAAAAAAAVo/XR3lYiGzIA4/s1600/PRAXE.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 112px; height: 157px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TIf5gCK7RUI/AAAAAAAAAVo/XR3lYiGzIA4/s400/PRAXE.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514650597472290114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coimbra, sete da tarde. Uma trupe, constituída por seis doutores, avança em direcção a um caloiro desprevenido. Sete da tarde! Há uma hora que deveria estar em casa. Amanhã irá aparecer no liceu (se for aluno a partir do 5º ano), ou na universidade, de cabelo todo rapado, pois não terá outra hipótese senão recorrer a um barbeiro, depois do corte ao cabelo a que a trupe o irá sujeitar, pois foi apanhado na rua depois das seis...a não ser que se refugie debaixo de um telhado e surja o seu padrinho de faculdade para o proteger.&lt;br /&gt;Este o cenário a que qualquer caloiro estava sujeito, em Coimbra, até 1974. As trupes, grupos de estudantes finalistas formados por acção da tradicional e velhissima praxe coimbrã(não sei se ainda existem), vigiavam assim a cidade, no sentido de obrigarem os estudantes ao recolhimento, no intuito de promover boas horas de estudo.&lt;br /&gt;Isto para dizer que, por estes dias, na minha cidade, me veio parar ás mãos um manifesto, um manifesto anti-praxe. Um manifesto escrito por estudantes universitários, da universidade de Coimbra. Fiquei banzado!&lt;br /&gt;Queixam-se eles de que a praxe retira toda e qualquer dignidade ao caloiro. A praxe Coimbrã, mãe de todas as praxes existentes hoje em dia nas universidades portuguesas,a meu ver, não pretende humilhar ninguém, apenas fazer sentir ao caloiro que um curso superior é algo de muito importante na vida de cada um, demonstrando-lhe, de forma gozona, quão despido de importância ele é antes de iniciar o seu curso, e a importância que virá a ter depois de ter o curso concluído. Evidentemente que ninguém pode levar a sério os tribunais de praxe, nem os nomes «carinhosos» com que se é presenteado. Há que ter o mínimo de senso de humor, e só alguém, que toda a vida viveu dentro de uma redoma de vidro é que se pode sentir ofendido com a sua «minimização» como pessoa.&lt;br /&gt;A Queima das Fitas é um símbolo da academia conimbricense, um emblema da cidade, e é impossível haver a «queima» sem existir a praxe. Mas decerto que quem subscreveu o manifesto passa bem sem a queima das fitas, sem capa e batina e sem o fado de Coimbra.&lt;br /&gt;É que quem escreveu o manifesto, de uma coisa eu tenho a certeza: não é de Coimbra, e depois do curso tirado, não assimilou a mais ínfima centelha do espírito coimbrão.&lt;br /&gt;É que, Coimbra, é para deixar saudades para toda a vida. Quem essas saudades não sentir, não foi merecedor de ter pisado  a histórica, ancestral e gasta calçada da Alta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-663868567591939207?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/663868567591939207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=663868567591939207' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/663868567591939207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/663868567591939207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/09/dura-praxis-sed-praxis.html' title='DURA PRAXIS SED PRAXIS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TIf5gCK7RUI/AAAAAAAAAVo/XR3lYiGzIA4/s72-c/PRAXE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3549832270627603460</id><published>2010-08-28T23:48:00.001+01:00</published><updated>2010-08-29T00:14:00.290+01:00</updated><title type='text'>MASSIFTONRÁ</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/THmX7Ise45I/AAAAAAAAAVY/sptFqvDiMrE/s1600/DELTA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 276px; height: 183px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/THmX7Ise45I/AAAAAAAAAVY/sptFqvDiMrE/s400/DELTA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510602661266645906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Longe de Tebas, bem perto da antiga capital do Egipto, Mênfis, o rio Nilo, que ao aproximar-se das águas do mar Mediterrâneo abria o seu caudal num imenso delta, guardava um descomunal segredo. Nas profundezas das suas águas existia algo de que os homens não suspeitavam- O Mundo dos Deuses. E a esse mundo, criado por Aton havia imensas gerações, o antigo deus, soberano de Mênfis e do Egipto, lhe dera o nome de MassiftonRá.&lt;br /&gt; No seio das águas do Nilo, MassiftonRá era delimitado por densas paredes de água, densidade maior do que a da restante água que se deslocava para o mar. E dentro dessas paredes, os deuses atingiam o auge da perfeição, do equilíbrio mental de que necessitavam ter, para poderem reger, também com equilíbrio, o dia a dia da mente humana que dava vida à gloriosa terra do Egipto. Cada deus tinha uma função específica no desenrolar do quotidiano egípcio. Mas, findo cada dia de trabalho, em MassiftonRá encontravam a paz desejada, que lhes trazia repouso ao espírito e sabedoria para fazerem frente aos enormes enigmas, com que todos os dias eram confrontados. A raça humana era composta por mentes complexas, algumas que, felizmente, aplicavam a sua complexidade na execução do bem, mas, infelizmente, uma grande maioria criava uma complicada teia, onde se vinculavam sentimentos de ódio, egoísmo, vingança. E a todos esses problemas os deuses tinham de estar aptos a darem uma resposta, pela qual o equilíbrio mental e sentimental regressassem ao seio dos homens. Por essa razão MassiftonRá era tão importante… e completamente desconhecido pela espécie humana.&lt;br /&gt; É claro que a grande maioria dos problemas existentes entre os homens, tinha a sua origem na nefasta intervenção do deus Seth, o único deus da míriade de deuses egípcios, que não habitava MassiftonRá. Seth, irmão de Osíris, bem cedo começou a revelar tendência para a excentricidade, a boémia, e por fim o mau carácter. Sendo assim, e já tendo por deus dos deuses Amon-Rá, este expulsou-o de MassiftonRá, com muita pena dos pais de Seth, a deusa Nut e o deus Geb, os quais, no entanto, compreenderam e aceitaram a decisão de Amon-Rá.&lt;br /&gt; Os deuses tinham de estar na base do desenvolvimento humano, não na sua destruição. Mas com a expulsão de Seth, Amon-Rá viu-se na necessidade de criar uma força que tornasse impossível o acesso a MassiftonRá, por parte de entidades indesejáveis, na eventualidade criadas por Seth, pois muito embora o irmão de Osíris tivesse sido expulso da comunidade divina, isso não queria dizer que tinha perdido as suas faculdades como ser divino. Assim, Amon-Rá elegeu Sobek, o deus crocodilo, como guardião de MassiftonRá. Para o ajudar na enorme tarefa, que era de velar pela segurança de MassiftonRá, o deus Sobek recrutou uma enorme legião de crocodilos do Nilo, que consigo passaram a trabalhar. Dois desses crocodilos, que Sobek considerou como os de maior inteligência e capacidade de liderança, promoveu-os ao posto de bhokurac. Aos restantes crocodilos que integravam a sua legião defensiva, deu-lhes o posto de Taaril. Os dois bhokurac, que mais próximos estavam do deus crocodilo Sobek, chamavam-se ptahmor e belthaknor.&lt;br /&gt; MassiftonRá tinha ainda ao seu serviço uma imensidão de obreiros, peixes naturais do rio Nilo, aos quais Amon-Rá concedera certos atributos. A estes peixes muito particulares, Amon-Rá deu o nome de siftos. A sua função crucial era a de, todas as noites, se dirigirem ao mundo dos homens, e quando estes dormiam, deslocavam-se aos seus locais de oração, onde atraíam para si todos os bons sentimentos e pensamentos, que haviam sido dedicados aos deuses. Por essa razão, todas as noites, uma enorme invasão de siftos tomava conta de Tebas, visitando todos os oráculos onde homens e mulheres haviam orado. Eram esses sentimentos de amor que serviam de alimento a todos os deuses. Para executarem essa função, os siftos, originariamente peixes, deslocavam-se em direcção ás margens do Nilo. Ali chegados, emergiam e automaticamente tomavam a forma de crianças. Depois, numa corrida silenciosa mas desenfreada, dirigiam-se para as zonas habitadas pelos homens. Recolhidos os bons sentimentos, que se lhes colavam à pele, que tinham por destinatários os vários deuses, os siftos, em forma de crianças, corriam estonteantemente em direcção ao Nilo; lá chegados, submergiam, voltando a tomar a forma de peixes; e logo nadavam na direcção de MassiftonRá, onde os deuses os aguardavam, ávidos pelo alimento. Os siftos emanavam um fluído especial, o qual era detectado por todos os guardiães de MassiftonRá, que assim os sabiam distinguir dos peixes normais, aos quais estava vedada a entrada. Esse fluído servia de repelente, caso um crocodilo comum visse num sifto uma potencial refeição...(em continuação, pág. 28, ex. IX)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3549832270627603460?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3549832270627603460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3549832270627603460' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3549832270627603460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3549832270627603460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/08/massiftonra.html' title='MASSIFTONRÁ'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/THmX7Ise45I/AAAAAAAAAVY/sptFqvDiMrE/s72-c/DELTA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1203339375843288331</id><published>2010-08-25T22:19:00.002+01:00</published><updated>2010-08-25T22:23:10.693+01:00</updated><title type='text'>MÚSICA DE UMA VIDA- INDIA</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/sWKkUZ9N3bw?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/sWKkUZ9N3bw?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gal Costa, uma das grandes vozes do Brasil, nesta India maravilhosa dos deliciosos anos 70, que ainda hoje me continua a deliciar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1203339375843288331?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1203339375843288331/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1203339375843288331' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1203339375843288331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1203339375843288331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/08/musica-de-uma-vida-india.html' title='MÚSICA DE UMA VIDA- INDIA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7266405195113085112</id><published>2010-08-22T00:18:00.004+01:00</published><updated>2010-08-22T00:32:02.590+01:00</updated><title type='text'>UM TOQUE DE LUZ</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/THBhYQpjegI/AAAAAAAAAVQ/0REJ0IZ0D5A/s1600/espiritual.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/THBhYQpjegI/AAAAAAAAAVQ/0REJ0IZ0D5A/s400/espiritual.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508009413688130050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Caminhava sozinho, atento ao delicioso silêncio de uma cidade adormecida. Como o céu estava estrelado! Subitamente, na Rua de S. Sebastião, a cerca de duzentos metros de sua casa, saltaram-lhe ao caminho quatro indivíduos. Tinham estado escondidos na profunda escuridão de um pequeno beco. Serôdio logo os reconheceu. Eram o Narciso Conde e o seu grupo. Aí estava a resposta ao que se passara três meses antes. Serôdio estacou o passo. A sensação de perigo iminente penetrou fundo nos seus sentidos, fazendo com que a adrenalina tomasse conta de si. O batimento cardíaco disparou. Serôdio observou atentamente aqueles quatro rostos. Somente Narciso Conde denotava raiva e ódio. Os outros três tentavam apenas mostrar agressividade.&lt;br /&gt;- Vocês aqui a esta hora?- perguntou Serôdio.&lt;br /&gt;- È verdade- respondeu Narciso Conde- eu amanhã vou para França, trabalhar na apanha do tomate. Estou aqui para te agradecer as ricas férias que me arranjas-te.&lt;br /&gt;- Eu?? Mas...&lt;br /&gt;Serôdio não teve tempo de dizer mais nada. Num movimento rápido, aprendido nas aulas de artes marciais, Narciso Conde atingiu-o violentamente no rosto, com um dos pés. De um instante para o outro Serôdio sangrava abundantemente do nariz. À voz de comando de Narciso, os outros três rapazes lançaram-se sobre Serôdio, agredindo-o com murros e pontapés. Recebendo golpes sobre golpes, Serôdio foi fortemente empurrado contra a esquina formada pelo beco onde os atacantes tinham estado escondidos, e a parede de um prédio. Entorpecido pelas dores, naquela esquina bateu violentamente com a cabeça, tendo de imediato perdido os sentidos.&lt;br /&gt;Breves foram os momentos da agressão, mas suficientemente poderosos para deixarem Serôdio inanimado, com profundas lesões.&lt;br /&gt;Narciso Conde e o seu grupo, ao verem Serôdio por terra, sem dar sinal de si, sangrando abundantemente, desataram a fugir.&lt;br /&gt;- Se calhar exagerámos- disse um dos do grupo.&lt;br /&gt;- Se morrer eu envio-lhe uma coroa de « fleures»- disse Narciso Conde cinicamente.&lt;br /&gt;Instintivamente, enquanto agrediam Serôdio, os quatro rapazes, possuídos por ancestrais sentimentos animalescos de caça, berraram e guincharam, pelo que acordaram algumas pessoas que dormiam nas casas vizinhas.&lt;br /&gt;Serôdio estava perplexo. As dores que sentira inexplicavelmente haviam desaparecido. Ainda correu alguns metros em perseguição dos seus agressores, mas eles já iam longe. Como viu que entretanto algumas pessoas chegavam ao local, resolveu voltar para trás.&lt;br /&gt;- Foi o Narciso Conde que me atacou. Por sorte estou bem- dizia ele para as pessoas que se aproximavam.&lt;br /&gt;Alguma coisa não estava bem. As pessoas parecia que o não viam. Duas senhoras, olhando para a entrada do beco, levavam as mãos ao rosto, enquanto pediam desesperadamente que fosse chamada uma ambulância. Serôdio olhou para onde elas olhavam... e ficou estarrecido. Ali, no chão, estava abandonado o seu corpo ensanguentado. O seu forte cabelo russo era agora uma horrível pasta de sangue, sangue esse que lhe cobria todo o rosto, o pescoço e lhe empapara a simples camiseta que vestia. Serôdio começou a apalpar-se... e sentia-se, estava vivo, mas se calhar também estaria ali morto. Foi quando estava possuído por aquela indescritível confusão, que sentiu a aproximação de luz com uma intensidade que nunca vira. A luz era imensamente forte, mas não iluminava a rua, nem as casas, nem as pessoas, nem o seu próprio corpo para ali atirado. Apenas ele era bafejado por aquela intensa e confortável luminosidade. Junto a si, sem que tivesse dado pela sua chegada, encontrava-se uma bela senhora, vestida com compridas vestes brancas.&lt;br /&gt;- Não tenhas receio, está tudo bem- disse a senhora.&lt;br /&gt;- Está?- perguntou Serôdio- mas eu estou ali cheio de sangue...&lt;br /&gt;- Não, tu estás aqui a falar comigo. Ali está apenas o teu corpo, a vestimenta de um tal Serôdio naquela vida.&lt;br /&gt;- Aquele e eu não somos o mesmo?&lt;br /&gt;- Em relação à vida terrena aquele è o Serôdio. Relativamente ao Cosmos, aquele è um corpo a quem deram o nome de Serôdio, corpo esse que tem servido de invólucro a um certo espirito que és tu, que antes de te chamares Serôdio, já tiveste outros nomes.&lt;br /&gt;- Minha senhora, eu estive com amigos junto à ria. Não bebi nada...&lt;br /&gt;- Sossega- disse a senhora exibindo um terno sorriso- daqui a pouco já vais entender muitas coisas- e pegando-lhe na mão guiou-o através da luz...(em continuação, pág. 50, ex. XV)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARÇO/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7266405195113085112?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7266405195113085112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7266405195113085112' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7266405195113085112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7266405195113085112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/08/um-toque-de-luz.html' title='UM TOQUE DE LUZ'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/THBhYQpjegI/AAAAAAAAAVQ/0REJ0IZ0D5A/s72-c/espiritual.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8607901864088426576</id><published>2010-08-17T14:34:00.002+01:00</published><updated>2010-08-17T14:44:01.382+01:00</updated><title type='text'>UMA METAMORFOSE</title><content type='html'>...Passaram-se três meses. O ano escolar chegara ao fim, os exames também. Naquele período de tempo, a vida de Narciso Conde não fora das melhores. Vivendo sob uma apertada vigilância do pai, o rapaz foi passando os dias distribuindo o tempo entre a casa e o liceu. Não que tivesse tido qualquer tipo de rebate de consciência! Nada disso. Tinha apenas medo de que a velha tivesse ido bater com a língua nos dentes à policia. Por essa razão sentia-se desconfortável na rua. Quando via um policia, « macaco cinzento» como ele chamava aos homens da Policia de Segurança Pública, evitava cruzar-se com ele. Tinha medo que o guarda ao olhar para ele descobrisse o assalto que ele fizera à casa da tia. Era um disparate, ele sabia disso. Aqueles débeis mentais nem o que estava à vista viam, quanto mais o que só existia na mente das pessoas. Era estúpida aquela sensação, mas era mais forte do que ele.&lt;br /&gt;Evitando despertar as atenções sobre si, optou por na escola tomar uma atitude passiva e despercebida. Ele e o seu grupo. Da noite para o dia Narciso Conde e os seus três amigos tornaram-se simpáticos, cordiais, buscando a amizade e companhia dos outros colegas. Narciso apenas se limitava a seguir as orientações do pai. Mas aquela forma de proceder não se coadunava à sua maneira de ser. Fazia-o apenas como disfarce, pois no seu verdadeiro intimo reinava a intenção de submeter os outros à sua vontade. E se para isso tivesse de dar meia dúzia de socos, tanto melhor. Era pois com imenso sacrifício que vestiu a pele de bonzinho e simpático.&lt;br /&gt;Havia ainda um outro factor que o trazia acabrunhado: o fantasma da campanha dos tomates em França. Esse seria o seu destino para as férias daquele verão. Sabia que o pai já havia tratado de tudo. E agora que os exames tinham chegado ao fim, a hora da partida estava para breve. Lá iam ficar as matas do Algarve desprovidas da sua presença. Lá ficariam também de coração desfeito todas as raparigas que por aquele Algarve ansiavam pelos seus quentes beijos de verão. Enfim, o dinheiro que não gastaria em Portugal iria ganhá-lo em França, no meio dos horríveis tomatais. Era uma tragédia que se abatera sobre a sua vida. Mas essa tragédia teve um construtor e esse era o seu colega Serôdio. Já tinha planeado uma acção de graças em agradecimento às belíssimas férias, que por vontade do Serôdio lhe calharam em sorte. Esse presente estava para muito breve.&lt;br /&gt;Todos os colegas de Narciso Conde estavam estupefactos com a mudança. O antigo rufião mostrava-se agora afável, comunicativo. Com a ano lectivo a terminar, muitas raparigas suspiravam com pena de o Narciso Conde em tempos se ter mostrado um rapaz insuportável. Ele até era um bonitão. Agora que a simpatia lhe banhava o rosto, estava mesmo apetecível.&lt;br /&gt;Muito desconfiado andava Serôdio. Sabia que D. Silvina fora falar com o irmão, o pai de Narciso Conde. Tomara conhecimento de que na altura não fora muito bem recebida. Sabia ainda que posteriormente D. Silvina recebera a pedido de desculpas por parte do irmão. O Narciso Conde confessara o seu delito ao pai. Tinha plena consciência de que o Narciso reconhecia nele toda a culpa pelo insucesso do assalto, e das más relações que daí advieram entre ele e o pai, o engenheiro Carlos Conde. E no entanto o Narciso não tivera uma palavra azeda para com ele, nem uma atitude agressiva, como ele esperara que viesse a acontecer. Isso era muito estranho.&lt;br /&gt;Pensando em tudo isto, numa quente noite de princípios de Julho do ano de 1977, Serôdio encaminhava-se para sua casa, depois de ter estado com alguns amigos numa boa cavaqueira, sentados no muro do canal central da ria, no Cais do Cojo, absorvendo a relativa frescura que emanava da água, naquela noite tão quente. Já que ali estavam, tinham conversado sobre a triste sorte daquela ria, que em tempos fora o fluxo de vida de Aveiro e agora se tornara no seu esgoto.&lt;br /&gt;A conversa fora agradável mas eram horas de procurar o aconchego da cama. Serôdio morava numa casa antiga, situada na Viela da Fonte dos Amores...(em continuação, pág. 48, ex. XIV)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in  FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARÇO/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8607901864088426576?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8607901864088426576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8607901864088426576' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8607901864088426576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8607901864088426576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/08/uma-metamorfose.html' title='UMA METAMORFOSE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-695355826639155679</id><published>2010-08-15T23:05:00.003+01:00</published><updated>2010-08-15T23:20:29.247+01:00</updated><title type='text'>QUANDO UMA CARÍCIA É BRIOSA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TGhm_U71ZTI/AAAAAAAAAVI/zEzRn2OryJ8/s1600/Briosa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 253px; height: 190px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TGhm_U71ZTI/AAAAAAAAAVI/zEzRn2OryJ8/s400/Briosa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505763782597895474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mais forte do que eu! Eu sabia que a minha Briosa ia hoje jogar à Luz. Pensei que não era a melhor forma de se começar o campeonato. Mal por mal que não perdessem por muitos, pois que isto de a Académica ir ganhar ao estádio do Benfica, que aconteceu em 2007 e 2008, foram dois rebuçados que tão depressa a mancha negra não iria provar. &lt;br /&gt;Pois não é que aqui estou eu a saborear este terceiro rebuçado?! A Académica foi ganhar ao Benfica por 2-1. Afinal esta é a melhor forma de se começar o campeonato!&lt;br /&gt;Grande Jorge Costa!!&lt;br /&gt;Na realidade, para este blogue, não há melhor cor de fundo do que o negro. Não há mesmo! E quando, de vez em quando, surge este emblema...é uma carícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-695355826639155679?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/695355826639155679/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=695355826639155679' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/695355826639155679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/695355826639155679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/08/quando-uma-caricia-e-briosa.html' title='QUANDO UMA CARÍCIA É BRIOSA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TGhm_U71ZTI/AAAAAAAAAVI/zEzRn2OryJ8/s72-c/Briosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5807178355651035354</id><published>2010-08-11T23:46:00.005+01:00</published><updated>2010-08-12T00:09:44.145+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='do blogue Momentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu obrigado à minha amiga Helena Graça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaivota-momentos.blogspot.com'/><title type='text'>NA HUMILDADE DO MARENOTO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TGMocS6YjNI/AAAAAAAAAVA/iFg8H2ojsA4/s1600/A+CARAVELA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TGMocS6YjNI/AAAAAAAAAVA/iFg8H2ojsA4/s400/A+CARAVELA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504287636155043026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho rosto, nem voz. Apenas uma alma portuguesa, que nas sombras do escuro anónimato me impeliu ao glorioso passado, contando em terra de sal uma magnífica história de mar,na simplicidade de mim a glória de um povo, esta lusitana paixão que emana da humildade do marenoto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5807178355651035354?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5807178355651035354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5807178355651035354' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5807178355651035354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5807178355651035354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/08/na-humildade-do-marenoto.html' title='NA HUMILDADE DO MARENOTO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TGMocS6YjNI/AAAAAAAAAVA/iFg8H2ojsA4/s72-c/A+CARAVELA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8525871999683152948</id><published>2010-08-01T22:27:00.002+01:00</published><updated>2010-08-01T22:42:37.798+01:00</updated><title type='text'>UM «BATE-ESTRADAS» IMPREGNADO DE SILÊNCIO</title><content type='html'>Á memória do Manuel da Conceição Lopes, combatente do ultramar, militar no Ninda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Por vezes Álvaro deixava transparecer, involuntariamente, a tristeza e a amargura que lhe ia na alma.&lt;br /&gt; « È de noite. Estou à porta desta cabana que ostenta o nome pomposo de messe de oficiais. Estou agitado, sofro de insónia. Saí da camarata e vim para aqui. Fui buscar uma mesa e um banco e aqui estou na rua, à luz frouxa duma lâmpada carcomida pelos dejectos dos imensos insectos, colocada sobre a porta de entrada por onde passam os nossos galões. E bem venturosa è esta fraca luz. Brevemente não terei mais nenhuma, pois à meia-noite o gerador è desligado. Aqui sentado deixo que a noite me envolva e me acaricie.&lt;br /&gt; Neste momento, nos seis abrigos de vigia que envolvem o Ninda, encontram-se de sentinela homens do pelotão que eu comando. Nunca a noite se me apresentou tão negra como neste minúsculo ponto de África. A escuridão è tão densa que consigo ver daqui a ponta incandescente de um cigarro que uma sentinela está a fumar. Hoje não há luar. O profundo silêncio è algo que aí na Metrópole nós não conhecemos. Nestas alturas estou convicto de que os corações dos que estão acordados latejam de saudade, pois a verdadeira natureza, entrando-nos pelos ouvidos e nariz, purifica a nossa alma, trazendo ao de cima o que de melhor há em nós. E decerto que o que de melhor há em mim è o amor, a paixão que sinto por ti. Como te beijaria, como te envolveria, como te amaria se neste momento estivesses a meu lado. O fogo desta paixão, que não tem como se consumir, torna-se aliado da saudade. Esta por sua vez pressiona-me o coração, o que faz com que as lágrimas corram ligeiras pelo meu rosto, agora que só Deus me vê e Dele eu não tenho vergonha. São essas lágrimas que acalmam aquele fogo. Com certeza que estes momentos de amargura são comuns a todos os que comigo coabitam no Ninda.&lt;br /&gt; A guerra è má, cruel, mas tem uma faceta boa: une os homens num abraço tão apertado, tão profundo, que os amigos da tropa têm para nós um sentido diferente, uma outra versão de amigo. E penso que ficarão para toda a vida. Pelo que tenho ouvido de veteranos, è bem possível que um dia mais tarde eu venha a ter saudades deste lugar de inebriante beleza, mas também de permanente perigo. Acontece que essa inexplicável saudade tem muito nexo. Ter saudades dos maus momentos da tropa è ter saudades de uma juventude que já foi nossa. E è sem dúvida nenhuma uma homenagem à solidariedade, ao sentimento de entre ajuda, à manifestação de uma verdadeira, sã e desinteressada amizade.&lt;br /&gt; Não sofras com esta carta. Já me sinto muito melhor. Tive a sensação de que algo de muito belo se aproximou de mim, me tocou e levantou o meu astral. Envio-te esta carta apenas para que, através dela, possas sentir a ambiência de uma verdadeira noite africana, porque este bate estradas vai impregnado de silêncio, de escuridão e de aroma de África.&lt;br /&gt; Como eu te amo Loirinha».&lt;br /&gt; E memorizando as notícias de Álvaro, envolvida por um amor tão distante, mas tão capaz de fazer o seu coração bater de emoção, Catarina chegou ao café Nicola, surpreendida por já ali se encontrar...(pág. 62- ex. XIII- em continuação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8525871999683152948?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8525871999683152948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8525871999683152948' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8525871999683152948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8525871999683152948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/08/um-bate-estradas-impregnado-de-silencio.html' title='UM «BATE-ESTRADAS» IMPREGNADO DE SILÊNCIO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-440938196924223003</id><published>2010-07-28T19:03:00.002+01:00</published><updated>2010-07-28T22:02:27.032+01:00</updated><title type='text'>PALAVRAS DE MOXICO</title><content type='html'>...Naquele dia de Novembro frio, de 1973, Catarina saíra de sua casa, no Alto da Conchada, após o almoço, e encaminhava-se para o café Nicola. Teria de caminhar pela rua íngreme que descia da Conchada, atravessaria o Beco de Montarroio, passaria junto ao Pátio da Inquisição, mais uma vez admiraria a imponência antiga de um Portugal velho, traduzida na magnífica fachada da Igreja de Santa Cruz, subiria a Rua Visconde da Luz, e já na Ferreira Borges o Nicola a esperava como acontecia quase todos os dias. &lt;br /&gt; O Nicola era por excelência o café que muitos estudantes, tal como Catarina, elegiam para seu refúgio de estudo e lazer. Ali se edificavam grandes exames, ali nasciam grandes amores platónicos, ali se choravam lágrimas vertidas por corações rasgados, penando uma desilusão amorosa.&lt;br /&gt; Catarina ia bela. Vestia calças vermelhas, justas às pernas, e muito largas junto aos pés. No «sino» das calças, a letras cinzentas, estava inscrita a frase «make flowers not war». Vestia ainda uma grossa camisola de lã preta, de gola alta, bem cingida ao corpo, e um pesado casaco preto, bordado à frente com caracteres vermelhos e cinzentos, que começavam junto aos ombros e desciam até ao peito, salientando o volume dos seios. O preto do casaco e o vermelho das calças contrastavam com o brilhante cabelo loiro, que lhe descia até meio das costas. Decerto não passava despercebida . Mas ela não dava atenção aos olhares provocadores que lhe eram dirigidos. Assim estava bem com a vida, e o sol frio mas radioso que beijava Coimbra naquele dia de Novembro, despertara nela o orgulho em ser bonita.&lt;br /&gt; De manhã recebera mais uma carta de Álvaro. Ela vivia das cartas e para as cartas. Desde que Álvaro partira para Angola, já havia nove meses, escrevera aerogramas sem conta e os recebera, os « bate estradas » como Álvaro chamava àquelas deliciosas cartas. Ele cumpria com o que prometera. Conseguira transmitir-lhe toda a envoltura de Angola.&lt;br /&gt; « Minha loirinha, após te ter escrito a última carta, percorri quatrocentos quilómetros. A minha companhia foi transferida para um aquartelamento no Distrito do Moxico. È uma zona densamente arborizada. Para meu espanto, vim encontrar este quartel bem no coração da floresta. Ao quartel chamam-lhe Ninda. A cerca de quinhentos metros passa o rio Cuango. Quando nos vamos abastecer de água, temos de montar uma forte vigilância, pois caso contrário podemo-nos tornar vulneráveis. Nunca sabemos quando o turra nos espreita. &lt;br /&gt; Perto do aquartelamento existe uma pista para aterragem de avionetas, que nos trazem o fornecimento de alimentos, tabaco e medicamentos, bem como os nossos adoráveis bate estradas, pelos quais as nossas ninfas da Metrópole nos aquecem os corações.&lt;br /&gt; Na selva existem árvores colossais, tanto em altura como em diâmetro. De manhã, sob o sol abrasador de África, somos envolvidos pelo som indescritível de milhares de aves a cantarem, e gritos de outros tantos macacos. Não fosse a guerra, diria que o local onde me encontro è decerto o paraíso. A cerca de um quilómetro do Ninda existe uma sanzala. Lá vivem nativos, pertencentes ao povo Nhemba. Não têm sido hostis. Um ou outro nativo fala um português rudimentar, que dá perfeitamente para nos entendermos. Há dias fomos à caça e apanhámos cinco facuqueros, javalis africanos. Levámo-lhes um. Eles ficaram muito agradecidos. È conveniente termos boas relações com esta gente. Entre tantos inimigos, se tivermos alguns amigos, teremos arranjado uma fonte de apoio que nos pode vir a ser de grande utilidade...» (pág. 60- ex. XII- em continuação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in Visitados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-440938196924223003?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/440938196924223003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=440938196924223003' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/440938196924223003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/440938196924223003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/07/palavras-do-moxico.html' title='PALAVRAS DE MOXICO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5953292000831712954</id><published>2010-07-25T21:48:00.003+01:00</published><updated>2010-07-26T10:29:20.041+01:00</updated><title type='text'>AO ENCONTRO DOS ÚLTIMOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TE1VQbgukGI/AAAAAAAAAU4/2U_G8swzKEQ/s1600/Templ%C3%A1rios+II.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 236px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TE1VQbgukGI/AAAAAAAAAU4/2U_G8swzKEQ/s400/Templ%C3%A1rios+II.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498144460840538210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estou de regresso de uma viagem fascinante, tendo tido por guia a jovem autora Robyn Young. Com mestria surpreendente, dada a sua idade, fui levado a conhecer os bastidores da maior, mais famosa e mais poderosa ordem militar que jamais existiu: a Ordem dos Templários.&lt;br /&gt;Nas 1465 páginas, distribuídas por três volumes (A Irmandade, A Cruzada e Requiem), o enredo desenrola-se em Inglaterra, França, Escócia e Palestina, aqui com maior incidência na cidade de Acre, último bastião Franco na Terra Santa- Outremer (havendo lugar a uma breve alusão à cidade de Tomar, cidade portuguesa templária por excelência).&lt;br /&gt;A partir de 1260, acompanhando o jovem sargento do Templo, William Campbell, fui de encontro ás cerimonias iniciáticas, pelas quais os sargentos do Templo eram iniciados como cavaleiros templários. Seguindo de perto a vida do jovem cavaleiro, fui conhecendo as tramas da alta política de então, onde se envolveram templários, reis, ministros e o papa, e em que Campbell se enredou, vindo a tornar-se num importante comandante. Não esqueceu a autora de me transportar ao seio da sociedade muçulmana da época, onde tive a oportunidade de contactar a outra perspectiva das cruzadas.&lt;br /&gt;Uma narrativa apaixonante, verdadeiramente arrebatadora, sobre os últimos quarenta e sete anos da existência de dois séculos, da Ordem dos Templários, extinta no dia 13 de Outubro de 1307, quando tinha por Grão-Mestre, o último grão-mestre, Jacques de Molay.&lt;br /&gt;Uma magnífica simbiose entre ficção e realidade, onde se sente ter havido um exaustivo trabalho de pesquisa, numa escrita de fluidez rica, simples, mas tremendamente eficaz. Uma obra que recomendo a todos os que sintam algum fascínio pela Ordem dos Templários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5953292000831712954?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5953292000831712954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5953292000831712954' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5953292000831712954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5953292000831712954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/07/ao-encontro-dos-ultimos-cavaleiros.html' title='AO ENCONTRO DOS ÚLTIMOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/TE1VQbgukGI/AAAAAAAAAU4/2U_G8swzKEQ/s72-c/Templ%C3%A1rios+II.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-9008953411676805856</id><published>2010-07-23T18:53:00.003+01:00</published><updated>2010-07-23T19:12:57.782+01:00</updated><title type='text'>NUM DOMINGO DE OUTUBRO...</title><content type='html'>...Os grilos cantavam a sua melodia estival. Eram acompanhados pelo coaxar macio e sereno das rãs. Num quadro de maravilha, as silhuetas de seis carvalhos recortavam-se contra a imagem luminosa e bela de uma lua, que sorrindo a uma noite de verão, subia para ocupar o seu lugar no céu. A doçura da natureza não combinava com a amargura do íntimo do Caminhante. Fora um dia duro. O luar iluminava-lhe o rosto, brilhante de lágrimas. O tempo de inactividade estava a chegar ao fim. Sem saberem, todos lhe pediam que agisse. Brevemente iria fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num Domingo de Outubro de 1922 realizou-se o casamento de Américo Afonso e de Luísa. A Casa das Leis foi o palco da cerimónia simples de união entre dois amantes. Casaram-se pelo civil. D. Vitoriana ficou muito triste por não poder ver o seu filho perante o altar católico, numa cerimónia religiosa que com certeza a encheria de alegria. Mas dado o estado civil de Luísa, essa cerimónia era de todo impossível. Foi este o único aspecto do casamento do filho que verdadeiramente a entristeceu. O povo falava. O povo escandalizava-se. Mas se o fazia, era mais por inveja do que por outra razão. Até aí, Luísa sempre fora estimada por todos. D. Vitoriana sentia que o filho lhe arranjara uma nora em condições. Na verdade, o dinheiro não era tudo na vida. Se as qualidades humanas já não tinham valor, para onde iria o mundo?&lt;br /&gt;Pela segunda vez Luísa abandonava a casa de seus pais. Comparando a simplicidade da casa da Quinta do Louro com a sumptuosidade da Casa das Leis, Luísa melhorara em muito a sua vida com aquele segundo casamento. Da riqueza assim oferecida beneficiavam também a pequena Rosa e o jovem Carlos Avilar. Os dois pequenos, partindo de uma vivência inadaptada ao novo ambiente, começaram progressivamente a ambientar-se ao luxo daquelas paredes e a conquistarem a verdadeira estima do padrasto e dos avós adoptivos.&lt;br /&gt;Passada que fora uma lua de mel cheia de encanto e romance, vivida no paradisíaco Hotel do Buçaco, onde desfrutaram da envolvência outonal de uma floresta matizada de ouro, regressaram ao Bombarral. Em finais desse mês de Outubro, no aconchego da intimidade do quarto, Luísa disse a Américo:&lt;br /&gt;- Chegou a altura de te revelar um segredo.&lt;br /&gt;- Um segredo? - perguntou Américo com perplexidade.&lt;br /&gt;- Sim, um grande segredo. Espero que me compreendas.&lt;br /&gt;- Diz Luísa, fala - dizia Américo deveras curioso, sem no entanto deixar de sentir um pouco de preocupação.&lt;br /&gt;- Com quem è que tu achas que o Carlos se parece?&lt;br /&gt;- O teu filho? Não sei, não tenho jeito para tirar parecenças, mas acho que contigo não é. Só se for com o António, mas eu nunca o conheci.&lt;br /&gt;- O Carlos não se parece nem comigo nem com o António, porque ele não é nosso filho.&lt;br /&gt;- O quê? O Carlos não é teu filho?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Mas eu sempre o conheci agarrado às tuas saias.&lt;br /&gt;- O António trouxe-o deveria ele ter um ano de idade.&lt;br /&gt;- Foi uma adopção?&lt;br /&gt;- Não, foi talvez um salvamento.&lt;br /&gt;- Mas então, quem são os pais do miúdo? Nasceu onde?... (pág. 93, ex. XXXI-em continuação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-9008953411676805856?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/9008953411676805856/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=9008953411676805856' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/9008953411676805856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/9008953411676805856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/07/num-domingo-de-outubro.html' title='NUM DOMINGO DE OUTUBRO...'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8053447191468146011</id><published>2010-07-20T18:52:00.002+01:00</published><updated>2010-07-20T19:04:34.905+01:00</updated><title type='text'>DA ESTRADA DA DANADA DA VIDA VEM O TI ZÉ</title><content type='html'>...A taberna do Ti Chico Bento ainda estava aberta. Mas o Caminhante passou ao lado. A conversa que tivera com o pároco concentrara-o apenas no grande propósito que o obrigava a manter-se em Alfeizerão. O diálogo com o padre reavivara as memórias do passado, levara lume às feridas espirituais que se recusavam a cicatrizar. O Caminhante vivia o presente de uma forma superficial. A sua força, o seu verdadeiro ser encontrava-se no passado, o mesmo que fazia naquele momento acelerar as batidas do coração. Que memórias tão profundas seriam aquelas?&lt;br /&gt;Entrou na herdade. Ao encaminhar-se para o minúsculo casebre que lhe servia de habitação, situado no meio do casario trabalhador, o Caminhante passou pela casa de Lucinda Matias. Aquela mulher era um mistério. A cor vermelha e alegre do seu farto cabelo, contrastava com a permanente tristeza do preto da roupa que usava. Que ele soubesse, àquela mulher não lhe morrera nenhum familiar. Porquê então o luto permanente?&lt;br /&gt;A noite já dava luz às estrelas e à lua. A porta de entrada da casa de Lucinda encontrava-se entreaberta. Cá fora, na soleira da porta, estava sentado um rapazinho. Era o Hélder. Com um pequeno pauzito desenhava rabiscos no chão arenoso. Estava triste e perdido, viajando sentado nos pensamentos velozes que o transportavam ao limite dos seus conhecimentos, sabedorias débeis, próprias de um tenro jovem.   &lt;br /&gt;- Boa noite Hélder- disse o Caminhante.&lt;br /&gt;- Boa noite Ti Zé da Estrada - respondeu Hélder.&lt;br /&gt;- É do meu olho são ou estás mesmo triste? - perguntou o Caminhante.&lt;br /&gt;- Pois estou sim senhor. E não é para estar? Sempre que eu faço anos, a minha mãe farta-se de chorar.&lt;br /&gt;- Não chorará ela de alegria? É sempre mais um ano que vingaste.&lt;br /&gt;- Não é nada disso não senhor. É mesmo um chorar de tristeza. Hoje faço treze anos e foram lágrimas até não mais acabar.&lt;br /&gt;- Ouve rapaz, a vida é uma coisa muito séria. A danada da vida, para alguns é muito boa, mas para outros pode ser muito difícil. Se a tua mãe chora sempre que fazes anos, é porque lá terá as suas razões, razões essas que talvez seja cedo para tu perceberes. Mas de uma coisa fica tu ciente, o amor que ela tem por ti é muito grande. Vai, vai ter com ela e abraça-a, acompanha-a. Ela está a precisar do teu apoio.&lt;br /&gt;- Ó Ti Zé da Estrada, quem o ouve falar até pensa que vossemecê está dentro da cabeça da minha mãe. Parece saber tudo.&lt;br /&gt;- Não meu rapaz, eu não sei nada. Se soubesse tudo não era agricultor. Mas há uma coisa de que eu sei muito, é de vida. Antes de tu nasceres já havia mundo e eu já por cá andava. É natural que conheça algumas coisas que tu ainda terás de aprender. Tem confiança em mim. Vai pelo que eu te digo. A tua mãe não tem prazer nenhum em chorar. Se o faz é porque o seu coração está magoado.&lt;br /&gt;- Comigo? - perguntou Hélder.&lt;br /&gt;- Não, não é contigo. É com a vida.&lt;br /&gt;- E porque razão é que isso acontece sempre que eu faço anos? A minha mãe não chora quando o meu irmão Pedro faz anos.&lt;br /&gt;- Não te martirizes com isso. Contenta-te com a certeza de que aquelas lágrimas nada têm a ver contigo. Fazem parte da vida, uma vida que tu um dia irás entender. Agora vai, vai dar um forte abraço à tua mãe. Ela merece. Boa noite Hélder.&lt;br /&gt;- Boa noite Ti Zé da Estrada.        &lt;br /&gt;O Caminhante seguiu o seu caminho, na ânsia de repousar o corpo cansado na enxerga humilde... (pág. 90- ex. XXX- em continuação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8053447191468146011?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8053447191468146011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8053447191468146011' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8053447191468146011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8053447191468146011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/07/da-estrada-da-danada-da-vida-vem-o-ti.html' title='DA ESTRADA DA DANADA DA VIDA VEM O TI ZÉ'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2796246239630822066</id><published>2010-07-18T22:14:00.004+01:00</published><updated>2010-07-18T23:00:10.953+01:00</updated><title type='text'>DUO OURO NEGRO- UM COMETA DE VIBRAÇÃO MUSICAL QUE NÃO MAIS REGRESSARÁ</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_rWMKhuuJsg&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_rWMKhuuJsg&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias, a desfolhar uma revista especializada em música,onde são apresentados todos os festivais rock que se vão fazendo por esse país, em que ao leitor são apresentadas as histórias desconhecidas das suas bandas favoritas, toda essa informação acompanhada por fotografias superproduzidas, surgiu-me, subitamente, uma fotografia antiga. No meio de toda a panóplia de músicos e músicas das mais variadas correntes, eis que ali, naquela página, o Milo Macmahon e o Raúl Indipwo, no sossego da sua arte, acompanhados pelas suas violas acústicas, cantavam uma das suas belíssimas canções. Naquela revista havia espaço para o DUO OURO NEGRO.&lt;br /&gt;Fui habituado a ouvir o Duo Ouro Negro. A nenhum português da minha geração esse nome passará despercebido.&lt;br /&gt;No artigo, que acompanhava a fotografia, tive oportunidade de conhecer um pouco melhor a história deste grupo emblemático da música popular portuguesa, de total influência africana, mais propriamente angolana, pois tanto o Raúl, como o Milo, eram naturais de Angola. E eles cantaram em todos os continentes, tendo actuado no Olympia de Paris em 1967.&lt;br /&gt;O Duo Ouro Negro, pode-se dizer terminou em 1985, aquando da morte de um dos seus membros- O Milo, muito embora o Raúl tenha perpetuado a sua memória e as músicas do Duo pelos anos fora, apresentando-se sempre vestido de branco, até a 2006, ano em que também ele faleceu. E foi para lembrar a sua morte que a revista que eu desfolhava publicou o artigo.&lt;br /&gt;Sensibilizou-me! Neste país ainda vai havendo quem tenha sensibilidade suficiente para conseguir olhar para trás, e reconhecer o mérito de quem, com simplicidade, muito justamente o ganhou.&lt;br /&gt;Termina o autor dizendo que «..nos últimos anos tornaram-se alvo da ignorância e do esquecimento. Mas, como todos os cometas, deixaram um rasto que é preciso seguir».&lt;br /&gt;A música que escolhi para acompanhar este texto- vou levar-te comigo- de 1984, foi a última música criada pelo Duo Ouro Negro.&lt;br /&gt;Ao autor do artigo- Jorge Pires, lhe faço companhia numa homenagem sincera aos dois elementos que constituíram o Duo Ouro Negro: Milo Macmahon e Raúl Indipwo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-2796246239630822066?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/2796246239630822066/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=2796246239630822066' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2796246239630822066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2796246239630822066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/07/duo-ouro-negro-um-cometa-de-vibracao.html' title='DUO OURO NEGRO- UM COMETA DE VIBRAÇÃO MUSICAL QUE NÃO MAIS REGRESSARÁ'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5576119969834153418</id><published>2010-07-16T23:55:00.002+01:00</published><updated>2010-07-17T11:19:59.939+01:00</updated><title type='text'>A VILAFRANCADA</title><content type='html'>...Entretanto, em 1822, no dia 23 de Setembro, é promulgada a Constituição Portuguesa que dá a liberdade de expressão aos cidadãos. Portugal afastava-se assim do regime absoluto. A Constituição foi a génese de todos os conflitos que estavam para chegar, muito embora, fosse, concomitantemente, um bálsamo para a repressão que até ali fora exercida sobre o povo.&lt;br /&gt; Pois é, a política é sempre um pau de dois bicos.&lt;br /&gt; E os problemas não se fizeram esperar. Enquanto que o rei D. João VI jurava a constituição, a rainha D. Carlota Joaquina recusou fazê-lo, colocando-se, ela própria, à frente de uma conspiração que devolvesse ao reino o regime absolutista.&lt;br /&gt; Nesse ano de 1822 eu estava a terminar o meu curso de medicina, em Coimbra. Em toda a universidade foi uma enorme alegria o juramento da Constituição por parte de Sua Majestade. E, se porventura, se aguardava a reacção da aristocracia mais conservadora, nunca se imaginou que essa reacção à implementação do liberalismo em Portugal, viesse de onde veio – da própria rainha D. Carlota Joaquina, e do seu filho D. Miguel. Eu, quando soube que, nesse mesmo ano, a rainha conspirava para depor o seu marido do trono e lá fazer sentar o infante D. Miguel, fiquei convicto de que tendo o liberalismo adversários deste calibre, Portugal iria ser invadido de novo, agora não por franceses, mas por portugueses.&lt;br /&gt; Aquela notícia caiu-me bem cá no fundo do meu ser. Portugal de uma guerra civil não se livrava. Mas eu iria ter a minha pacata actividade de médico. A minha guerra seria contra as infecções e os micróbios.&lt;br /&gt; Do lugar em que me encontro e onde escrevo estas linhas, olhando para esse já distante passado, e sendo agora o que sou, sei do poder da força da natureza humana, e o quanto pode alterar o rumo das vidas dos homens.&lt;br /&gt; Os primeiros sinais da guerra civil que o destino colocava em marcha para Portugal, logo se fizeram sentir. Reagindo à conspiração que contra o rei se organizava, nesse ano de 1822, os conspiradores absolutistas foram presos; mas volvidos quatro meses, a 23 de Fevereiro de 1823, uma nova acção antiliberal foi mais uma vez abafada pelo governo do reino, revolta essa liderada pelo general Manuel da Silveira. Era constante a movimentação de tropas de um e de outro lado. O general Manuel da Silveira, Conde de Amarante, fugiu para Espanha, enquanto a coroa confiscava todos os seus bens.&lt;br /&gt; Três meses depois, em 27 de Maio de 1823, teve lugar uma nova investida das forças absolutistas, esta, no entanto, muito mais perigosa do que a anterior, pois voltava a ter como cérebros da conspiração a própria rainha D. Carlota Joaquina e o seu filho, o infante D. Miguel. Dado o rei ter cedido a este contra-ataque, por parte da sua esposa e do seu filho mais novo, e porque foi perpetrado em Vila Franca de Xira, ficou conhecido para a história como a Vilafrancada...(pág. 12- ex. V- em continuação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5576119969834153418?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5576119969834153418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5576119969834153418' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5576119969834153418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5576119969834153418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/07/vilafrancada.html' title='A VILAFRANCADA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2402066926399642111</id><published>2010-05-05T19:02:00.002+01:00</published><updated>2010-05-05T19:42:46.826+01:00</updated><title type='text'>O GRITO DO IPIRANGA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S-G7b5cGDTI/AAAAAAAAAUw/K4t6L9xeQ10/s1600/ipiranga+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 336px; height: 305px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S-G7b5cGDTI/AAAAAAAAAUw/K4t6L9xeQ10/s400/ipiranga+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467857510554012978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Na universidade de Coimbra foi uma imensa alegria quando se soube que, nesse ano de 1820, o general Beresford, ao regressar do Brasil, fora impedido de desembarcar por militares revoltosos, que oriundos do Porto, marcharam sobre Lisboa, desafiando assim o regime absoluto inglês. O general Beresford não voltou a pisar solo português. O liberalismo ganhava consistência, até porque já tinha ganhado um mártir. Três anos antes, em 1817, fora descoberta uma conspiração, que pretendia o afastamento dos ingleses do controle militar do nosso exército. O cabecilha dessa conspiração, o general Gomes Freire de Andrade, foi executado nesse mesmo ano por enforcamento. Era imperioso que a coroa regressasse a Portugal, pois o reino queria andar para a frente, na senda de maior justiça social, o que se tornava difícil com o rei ausente. Assim, sob pressão do governo metropolitano de Lisboa, D. João VI, que abalara príncipe e regressava rei, retornou a Portugal em 1821, onde jurou as bases da Constituição, iniciando-se de imediato o exercício da monarquia constitucional.&lt;br /&gt; O rei regressara a Portugal, trazendo consigo o seu filho mais novo, o infante D. Miguel, enquanto o filho mais velho, o príncipe D. Pedro, ficou no governo da colónia brasileira.&lt;br /&gt; A política é também feita de oportunidades, e não se digna a respeitar os mais elementares preceitos de fidelidade que os filhos deverão ter para com os pais; e D. João VI  foi um pai e um marido completamente desrespeitado pelos seus filhos e pela sua esposa, a rainha D. Carlota Joaquina. E tudo isso apenas em nome da política! D. Pedro, havia o seu pai abandonado o Brasil há dois meses, tornou aquela colónia país independente, no que ficou célebre « O Grito do Ipiranga», tornando-se ele próprio o seu primeiro imperador, com o título de D. Pedro I do Brasil. Aguardar-se-ia outra coisa? Fazia sentido que um país tão frágil economicamente, como o era Portugal, tivesse poder para dominar um Brasil, que em território era imensamente maior?&lt;br /&gt; Nas primeiras duas décadas do século XIX Portugal perdera a cidade de Olivença para os espanhóis, sofrera três humilhantes e devastadoras invasões por parte da França, defendera-se delas com valentia e orgulho nacional, mas empobrecera ainda mais.  Comprometera-se com os ingleses, que após o auxílio prestado, exigiam agora contrapartidas, e desgraçadamente acabava de perder a colónia do Brasil, com que contava para combater a paupérrima economia...(em continuação, pág. 11- ex. IV)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-2402066926399642111?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/2402066926399642111/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=2402066926399642111' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2402066926399642111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2402066926399642111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/05/blog-post.html' title='O GRITO DO IPIRANGA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S-G7b5cGDTI/AAAAAAAAAUw/K4t6L9xeQ10/s72-c/ipiranga+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2178405347514392442</id><published>2010-04-28T20:13:00.004+01:00</published><updated>2010-04-28T20:40:08.671+01:00</updated><title type='text'>A MAET (ORDEM NATURAL DAS COISAS) POSTA EM CAUSA POR UMA RAINHA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S9iPAwNFjSI/AAAAAAAAAUo/SNRtaqrgFAw/s1600/maet+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 175px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S9iPAwNFjSI/AAAAAAAAAUo/SNRtaqrgFAw/s400/maet+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465275390916660514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...A sacerdotisa, ao ouvir aquelas palavras, por breves instantes susteve a respiração. Se bem interpretara as palavras do faraó, ele estava-lhe a dar a entender que a queria para sua rainha. Ela, rainha do Egipto?! Ela, uma humilde felas, que pela cor do seu cabelo fora escolhida por Amon-Rá para o servir como sacerdotisa, era agora alvo da atenção do faraó?! Isis decerto que intercedera junto de Amon, no sentido de a libertar dos votos de castidade, considerando que o seu corpo, sensual e esbelto, fora criado para ser fértil. Isis, a deusa do amor, da magia e da fertilidade, achava que o seu ventre estava predestinado a dar continuidade à linhagem dos faraós. Só assim se explicava o interesse que o jovem faraó estava a demonstrar por ela. Deixava de ser serva de Amon, para passá-lo a ser do descendente do grande faraó Menés. Ela, Nefertiti, rainha do Egipto!! Sim, o faraó a queria, o faraó a teria.&lt;br /&gt; No seu entusiasmo, suscitado por estes pensamentos, esboçou o gesto de levantar o olhar para o faraó, mas logo desistiu dessa intenção. No entanto, tal vontade não passou despercebida ao rei. Por isso, Amenhotep, o quarto, postado atrás da sacerdotisa, tirou as mãos de cima dos seus ombros e disse:&lt;br /&gt;- Levanta-te Nefertiti. Levanta-te e olha-me bem nos olhos.&lt;br /&gt; A sacerdotisa obedeceu. Levantou-se com extrema elegância da sua posição de ajoelhada. Depois, virando-se lentamente, com os braços estendidos ao longo do corpo, ficou bem de frente para o faraó. Percebera bem qual o sentido das suas palavras. Tal sentido não lhe desagradava. Muito lentamente levantou os olhos; percorreu com o olhar o corpo do seu rei, até que o olhou bem nos olhos. O faraó estremeceu.&lt;br /&gt;- Que bela rainha serás, Nefertiti. Deus nenhum poder terá para conseguir evitar que sejas rainha do Egipto. É essa a tua vontade?&lt;br /&gt;- Divino senhor, perante tal proposta, o que pode responder uma humilde mulher, cujos horizontes não vão além das paredes de um templo?&lt;br /&gt;- Mas responde-me, Nefertiti, serás rainha em corpo e sacerdotisa de Amon em alma?&lt;br /&gt;- Não, divino senhor. Não é por acaso que és deus na terra. As tuas palavras estão cheias de sabedoria, e conseguiram fazer-me entender que o faraó, na qualidade de deus e também de homem, exerce supremacia ao direito de possuir uma mortal, relativamente a um outro deus, mesmo que esse deus seja Amon-Rá. Por essa razão, caso assim o desejes, serei a tua rainha, tanto no corpo como na alma.&lt;br /&gt;- Então, Nefertiti, considera-te a próxima rainha do Egipto, a rainha do fogo, cuja beleza ensombra a grandiosidade da sagrada pirâmide. Vem, vamos embora.&lt;br /&gt;- Mas, assim, sem mais nem menos?- perguntou Nefertiti, um pouco aflita.&lt;br /&gt;- Assim mesmo! Os laços com o templo, cortados abruptamente, ficam definitivamente eliminados. Não vais ter uma abrupta mudança de condição? Pois então será assim mesmo.&lt;br /&gt; E o faraó pegou em Nefertiti ao colo, e com ela bem presa nos seus braços fortes, saiu da sala de reflexão. Quando ambos se dirigiam para o imenso pórtico, foram surpreendidos por Masahemba, que, entretanto, saíra do tanque sagrado.&lt;br /&gt; O Sumo-Sacerdote ao ver o faraó com a sacerdotisa ao colo, dirigindo-se ambos para o pórtico, estacou o passo… mas, o que era aquilo que os seus olhos viam?&lt;br /&gt; Apanhado de surpresa, Masahemba teve um momento de hesitação. Com o olhar perscrutou toda a área que a sua vista alcançava, mas não divisava as outras duas sacerdotisas.&lt;br /&gt; O faraó, alheio à presença do Sumo-Sacerdote, continuava a caminhar em direcção ao pórtico, transportando nos braços Nefertiti.&lt;br /&gt; O Sumo-Sacerdote tinha de tomar uma atitude. O faraó não tinha o direito de proceder daquela forma, com uma sacerdotisa de Amon. Nefertiti estava abençoada por Amon-Rá; nenhum homem lhe poderia tocar; aquela atitude era uma terrível afronta ao deus dos deuses, e ele, na qualidade de seu Sumo-Sacerdote, tinha a obrigação de intervir. Por isso, saindo da sua súbita inércia, caminhou com passo apressado, dirigindo-se para o faraó. Rapidamente o alcançou, colocando-se à sua frente, obrigando assim o faraó a parar.&lt;br /&gt;- Divino senhor, tens consciência do enorme erro que estás a cometer?&lt;br /&gt; O faraó, fixando o Sumo-Sacerdote com uma expressão de tremenda raiva, os olhos faiscando de ódio, fez com que a sacerdotisa saísse do seu colo, e num movimento tremendamente rápido, esbofeteou violentamente o rosto de Masahemba, obrigando-o a dar dois passos atrás.&lt;br /&gt;- Tu, estrangeiro, que ocupas o lugar que deveria pertencer a um egípcio, tiveste a ousadia de te atravessares à frente do faraó do Egipto. Agradece a Amon por a tua vida não terminar já aqui!&lt;br /&gt; Masahemba manteve-se imperturbável. O rosto doía-lhe, mas fez questão de não denunciar a dor. Fixava o faraó Amenhotep, o quarto, e com suavidade disse:&lt;br /&gt;- Divino senhor, eu zelo pela pureza deste templo. Fui escolhido pelo todo poderoso Amon-Rá para esta função…&lt;br /&gt;- Nunca o deverias ter sido- interrompeu o faraó- o Sumo-Sacerdote de Amon deveria ser um egípcio. Tu és somente um capricho de Amon-Rá, o que de certa forma nada abona em favor da maet. Se Amon-Rá se deu ao direito de escolher para seu Sumo-Sacerdote um estrangeiro, eu, que sou o senhor supremo do Egipto, tenho também o direito de escolher para minha rainha uma sacerdotisa de Amon-Rá.&lt;br /&gt; O Sumo-Sacerdote ficou lívido com tal revelação. Então, o erro era muito mais grave do que ele poderia imaginar. O faraó, ao eleger como rainha uma sacerdotisa de Amon, estava a provocar a ira do deus dos deuses.&lt;br /&gt;- Divino senhor, roubas a sacerdotisa a Amon? E depois?&lt;br /&gt; O faraó, instintivamente, levou a mão direita à cinta, onde geralmente transportava um punhal. Mas como fora ao templo, achara melhor não o levar, pois o templo de Amon era o local onde se procurava a paz e não a guerra. Afinal, com o surgimento de Nefertiti, aquele templo estava a ser tudo menos um local pacífico.&lt;br /&gt;- Estrangeiro, chamaste de ladrão ao faraó do Egipto. Muitos homens, por muito menos, apenas por terem ousado olhar o faraó nos olhos, pagaram esse erro com a vida. Não morres já aqui, porque o gume do meu punhal achou não ser  necessário acompanhar-me… pelo que se vê teve uma decisão errada. No entanto, a tua ofensa não será esquecida pelo faraó, sendo tu ou não Sumo-Sacerdote de Amon. Aconselho-te a que, a partir deste momento, aos meus ouvidos jamais volte a chegar o som dessa garganta, que se deveria estar a esvair em sangue. Toma nota, estrangeiro: olha pela última vez Nefertiti com as vestes e a postura de sacerdotisa, porque quando a voltares a ver, estarás a olhar para a rainha do Egipto, e aí deverás ter muito, mas muito cuidado, com a forma como a olhas.&lt;br /&gt; E o faraó abalou. Nefertiti, de mão dada com o faraó, lançou ainda um olhar ao Sumo-Sacerdote, pelo que este percebeu perfeitamente que a sacerdotisa aceitara de muito bom grado a sua nova condição, a de rainha do Egipto.&lt;br /&gt; O Sumo-Sacerdote não se mexeu. De costas para o pórtico, sentiu-os afastarem-se, ouviu Nefertiti dar uma gargalhada de prazer, apercebeu-se do pórtico a ser aberto e depois fechado.&lt;br /&gt; No meio do imenso átrio, ali estava o Sumo-Sacerdote Masahemba, desalentado, com uma guerra prestes a rebentar-se-lhe nas mãos; mas não tinha alternativa. Amon-Rá deveria ser avisado o quanto antes do sucedido; por isso regressou ao tanque sagrado. Muitas horas haveriam de passar até que estivesse purificado, apto para enfrentar o tabernáculo. A cara ardia-lhe ainda pela acção da bofetada recebida; a impureza impregnava-o, suscitando no seu íntimo ímpetos de violência. Só com o espírito em paz poderia comunicar-se com Amon-Rá.&lt;br /&gt; Entretanto apareceram as duas restantes sacerdotisas, que haviam estado escondidas. Masahemba ordenou-lhes que se recolhessem. Mais do que nunca o tanque sagrado, onde afluíam as águas do majestoso rio Nilo, servir-lhe-ia de bálsamo para as feridas abertas no seu amor próprio. Já se esquecera de que não era egípcio, e fora o faraó do Egipto que lho lembrara. Mas ser discípulo de Amon-Rá não seria garantia de que era um egípcio em toda a acepção da palavra? O faraó estava cego...(em continuação, pág. 24- ex. VIII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-2178405347514392442?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/2178405347514392442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=2178405347514392442' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2178405347514392442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2178405347514392442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/maet-ordem-natural-das-coisas-posta-em.html' title='A MAET (ORDEM NATURAL DAS COISAS) POSTA EM CAUSA POR UMA RAINHA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S9iPAwNFjSI/AAAAAAAAAUo/SNRtaqrgFAw/s72-c/maet+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3481128382630082087</id><published>2010-04-23T21:31:00.002+01:00</published><updated>2010-04-23T21:44:01.729+01:00</updated><title type='text'>NÓS, O POVO DO 25 DE ABRIL</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Zq61B2XgaD0&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Zq61B2XgaD0&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUITOS DE NÓS, QUE ALGURES NOS ENCONTRAMOS NO MEIO DA MULTIDÃO, QUE GRITA ATÉ À EXAUSTÃO POR IGUALDADE E FRATERNIDADE, FIZÉMO-LO NA ESPERANÇA DE QUE O NOSSO GRITO, FOSSE, DEFINITIVAMENTE, OUVIDO. FIZÉMO-LO ANSIANDO ESPERANÇOSAMENTE PELA CHEGADA DA DEMOCRACIA. 36 ANOS DEPOIS, NÓS, OS QUE NOS ENCONTRÁVAMOS NA MULTIDÃO, NO DIA 25 DE ABRIL DE 1974, SABEMOS HOJE, E SABÊMO-LO BEM, QUE A DEMOCRACIA É MUITO MAIS DO QUE LIBERDADE DE EXPRESSÃO. SE O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO, ONDE FALHÁMOS, POVO?&lt;br /&gt;MAS, ABRIL SEMPRE!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3481128382630082087?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3481128382630082087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3481128382630082087' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3481128382630082087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3481128382630082087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/nos-o-povo-do-25-de-abril.html' title='NÓS, O POVO DO 25 DE ABRIL'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5020630059914141335</id><published>2010-04-19T22:10:00.003+01:00</published><updated>2010-04-19T22:28:55.853+01:00</updated><title type='text'>UM TRONO PARA UMA SACERDOTISA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S8zKHDFhZgI/AAAAAAAAAUg/ZRw9eqvr4X0/s1600/Nefertiti.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S8zKHDFhZgI/AAAAAAAAAUg/ZRw9eqvr4X0/s400/Nefertiti.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461962670529930754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Apenas haviam passado três noites sobre a primeira estadia do faraó no templo de Amon-Rá, e já ele regressava. Tal visita surpreendeu, pela positiva, o Sumo-Sacerdote Masahemba. Era sinal de que o faraó se sentira bem no templo por si orientado.&lt;br /&gt; Masahemba foi receber o faraó, como era seu dever, e com muita satisfação cumpria esta sua obrigação. Mas notou que o faraó não o encarava com um semblante de simpatia.&lt;br /&gt;- Sumo-Sacerdote, tens preparadas as sacerdotisas para me acompanharem nas preces, tal como mostrei ser essa a minha vontade?&lt;br /&gt;- As sacerdotisas estão sempre prontas para o culto ao tabernáculo, divino senhor- respondeu Masahemba.&lt;br /&gt;- Pois muito bem, elas que me façam companhia na minha preparação para a oração.&lt;br /&gt;- Não será conveniente, divino senhor, que esse trabalho seja feito em harmonia contigo mesmo, em isolamento?&lt;br /&gt;- Não, Sumo-Sacerdote. Eu hoje preciso do apoio das sacerdotisas. Enquanto tu te vais preparar para o teu ritual de oração, eu reflectirei sobre quem sou, na companhia das três sacerdotisas.&lt;br /&gt;- Se é essa a tua vontade, assim se fará, divino senhor.&lt;br /&gt; Pouco tempo depois, o Sumo-Sacerdote Masahemba deixava o faraó na companhia das três sacerdotisas, na sala de reflexão, enquanto ele se dirigia ao tanque sagrado, onde se iria purificar.&lt;br /&gt; Havia algo de estranho. O faraó, assim que entrara, mal encarado… diga-se, logo se quis dirigir para a sala de reflexão, exigindo de imediato a presença das sacerdotisas. Parecia que viera ao templo, não para orar, mas para despachar quanto antes algo que tinha de fazer. Bem profunda teria de ser a sua purificação naquele dia, pois os fluidos trazidos pelo faraó eram espessos e pegajosos.&lt;br /&gt; No momento em que o Sumo-Sacerdote se dirigia para o tanque sagrado, encontrava-se o faraó com as três sacerdotisas na sala de reflexão. Vendo que Masahemba desaparecera, o faraó disse:&lt;br /&gt;- Apenas quero ficar na companhia de Nefertiti. Vocês as duas retirem-se.&lt;br /&gt; As duas restantes sacerdotisas nem pestanejaram. De cabeça baixa, em sinal de respeito e submissão, de imediato abandonaram aquela sala. Tiveram o ímpeto de irem avisar o Sumo-Sacerdote do que se estava a passar, mas não o podiam interromper, de forma alguma, enquanto ele estivesse a executar as suas abluções. Assim, resolveram aguardar no átrio pelo surgimento de Masahemba.&lt;br /&gt; Na sala de reflexão, o faraó reflectia; mas o objectivo da sua reflexão não era encontrar-se consigo mesmo; bem pelo contrário, buscava a forma correcta de ir ao encontro da sacerdotisa Nefertiti, sem ofender a sua susceptibilidade de serva de Amon-Rá, mas ao mesmo tempo tentando despertar a mulher que existia nela.&lt;br /&gt; A sacerdotisa estava ajoelhada no chão, de cabeça baixa e mãos postas junto aos joelhos. A sua túnica branca, de uma transparência perturbadora, fazia adivinhar as sedutoras formas do seu corpo, bem como os seus segredos.&lt;br /&gt; De pé, em silêncio, o faraó admirava aquela mulher com cabelos cor do fogo. Nunca vira nada assim. Nefertiti nascera para ser rainha… havia de ser a sua rainha.&lt;br /&gt; O faraó estava hesitante. Não sabia qual a forma correcta de iniciar a sua conversação. Mas, por Horus, ele era faraó! A sua mente superiorizava-se a qualquer mente de outro homem, no Egipto. Avançou para a sacerdotisa.&lt;br /&gt;- Em que pensas, Nefertiti ?- perguntou o faraó.&lt;br /&gt;- Eu não penso, divino senhor, eu oro.&lt;br /&gt;- Então, por um momento, desliga-te dos deuses e presta atenção ao teu faraó, que é o teu deus na terra.&lt;br /&gt;- Não posso, divino senhor. A minha vida é completamente canalizada para Amon.&lt;br /&gt;- Falso Nefertit, isso é falso!- ripostou o faraó com alguma ira – acima de tudo és uma mulher; uma mulher que se predispôs a servir um deus, mas que nunca deixou de ser uma mulher. Diz-me Nefertiti, como te alimentas?&lt;br /&gt;- Comendo, divino senhor- respondeu a sacerdotisa um pouco embaraçada.&lt;br /&gt;- E que comes tu?- perguntou-lhe o faraó.&lt;br /&gt;- Pão, aves, peixe…&lt;br /&gt;- Ah, então tu alimentas-te com comida de gente!- disse o faraó com ironia- na tua alimentação vales-te dos recursos dos humanos. Não terá medo Amon-Rá de que sejas contaminada com alguma impureza, que venha nos alimentos, tal como o são, muitas vezes, os meros mortais? Se és um pertence divino, porque razão não te alimenta Amon-Rá com a sua própria comida?&lt;br /&gt;- Divino senhor, diz-me onde foi que procedi mal, que de imediato me corrigirei.&lt;br /&gt;- Desculpa Nefertiti, não percebi o que queres dizer com isso- disse o faraó com semblante de uma certa angústia, enquanto colocava as suas mãos nos ombros da sacerdotisa, que mantinha a cabeça baixa.&lt;br /&gt;- Sinto ira nas tuas palavras, divino senhor. Estás zangado comigo e eu preciso de saber onde foi que errei, para corrigir o meu erro.&lt;br /&gt;- Não Nefertiti, eu não estou zangado contigo; aliás, eu não conseguiria estar zangado contigo. Eu estou zangado com a convicção que te incutiram na mente, de que és propriedade de Amon-Rá. Sê-lo-ás em relação a todos os homens, mas não em relação ao faraó, não para Amenhotep, o quarto, que sou eu. Eu sou um deus feito homem, senhor do Alto e Baixo Egipto. Sei muito bem que és uma sacerdotisa! Conheço perfeitamente qual a tua função; mas essa função terminará, se for essa a  vontade do teu faraó, pois que também ele é deus. Mas isso apenas ocorrerá se for esse o teu desejo.&lt;br /&gt;- Divino senhor, nunca me foi dado saber que o faraó tivesse uma sacerdotisa.&lt;br /&gt;- Não Nefertiti, o faraó não tem nenhuma sacerdotisa. Mas este faraó que te fala necessita de uma rainha...(em continuação, pág.19, ex. VII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5020630059914141335?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5020630059914141335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5020630059914141335' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5020630059914141335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5020630059914141335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/um-trono-para-uma-sacerdotisa.html' title='UM TRONO PARA UMA SACERDOTISA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S8zKHDFhZgI/AAAAAAAAAUg/ZRw9eqvr4X0/s72-c/Nefertiti.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2227846375391799140</id><published>2010-04-16T19:06:00.002+01:00</published><updated>2010-04-16T19:21:59.575+01:00</updated><title type='text'>FORMULAÇÃO DE UMA SENTENÇA</title><content type='html'>...O pai manteve-se por momentos em silêncio. Depois, levantando-se perguntou:&lt;br /&gt;- Porque razão è que de repente te lembraste da tua tia Silvina, se estávamos tão longe dela?&lt;br /&gt;- Acho que ela não gosta de mim.&lt;br /&gt;- Sim, e porque não gosta de ti, vai-se informar ao liceu que tu frequentas sobre a tua conduta e depois vem fazer-me queixa. È isso que queres dizer Narciso?&lt;br /&gt;- Pai, porque estás zangado comigo?&lt;br /&gt;- Achas que eu tenho motivos para estar zangado contigo?&lt;br /&gt;- Não, não acho.&lt;br /&gt;- Óptimo. Então diz-me porque razão te lembraste da minha irmã.&lt;br /&gt;- Pai, eu sempre achei que ela reprova a minha maneira de ser, e por esse motivo, mais cedo ou mais tarde, sempre senti que ela te viria encher os ouvidos a meu respeito.&lt;br /&gt;- Sou então assim uma pessoa tão influenciável, que dê crédito a qualquer coisa de ruim, que me venham dizer sobre o meu filho Narciso? È esse o conceito que fazes do teu pai?&lt;br /&gt;- Então qual a razão deste inquérito? Pareces um policia.&lt;br /&gt;- Pois muito bem, acabou o jogo do faz de conta que não sei de nada- disse o engenheiro Carlos Conde, fixando intensamente o filho- a minha irmã esteve aqui esta tarde. Veio-me pôr ao corrente de algo muito grave. Esta madrugada, cerca das duas horas da manhã, a casa dela foi assaltada por quatro indivíduos. Sabias disto?&lt;br /&gt;- Eu??... eu não pai, como havia eu de saber? Passei a noite em casa.&lt;br /&gt;- E eu passei a noite fora- disse o engenheiro Carlos Conde- mas como ia dizendo, ocorreu esse assalto em casa da tua tia, mas ela estava avisada de que esse assalto iria ocorrer. Um tal Serôdio, aquele mesmo colega com quem tu não te dás, avisou-a. E o mais grave de tudo foi ter-te acusado como o promotor do assalto. Que me tens a dizer a isto?&lt;br /&gt;- O Serôdio acusou-me de eu ter assaltado a casa da tia Silvina?&lt;br /&gt;- È verdade. E o que è mais extraordinário è que o assalto deu-se mesmo. Os assaltantes dirigiram-se com precisão para o cofre que está escondido atrás de um quadro, na sala africana da tia, sem nada terem vasculhado. Foram objectivamente ao sitio onde a minha irmã tem o mau hábito de guardar somas consideráveis de dinheiro. Como achas que os ladrões descobriram o local onde o cofre está escondido?&lt;br /&gt;- Pai, tu estás-me a perguntar algo ou a acusar-me de algo?&lt;br /&gt;- Eu não estive em Aveiro ontem. Eu só quero que tu me ajudes. Esse Serôdio deve ser um crápula, para conseguir inventar algo a teu respeito assim tão abominável. Foi a forma que arranjou para se vingar de alguma questão menos esclarecida que entre vós exista. Tu sabias ontem onde eu estava?&lt;br /&gt;- Sim, a mãe disse-me que possivelmente só hoje virias para casa.&lt;br /&gt;- Pois è meu filho- disse o engenheiro Carlos Conde, que subitamente agarrou o filho pela camisa- se nesta história há um crápula, esse, infelizmente, és tu. Sabias que eu não estava em Aveiro, pensavas que talvez só hoje eu regressasse. Mas surgiram alguns contratempos. Eu cheguei a casa era uma hora da manhã e contrariamente ao que há pouco disseste, tu não estavas em casa. Eu deitei-me eram duas e meia e tu sem apareceres. Planeaste o assalto para um dia em que sabias que eu não estaria em Aveiro. Isso fazia-te sentir muito mais à vontade.&lt;br /&gt;- Pai, tu só me podes acusar tendo provas.&lt;br /&gt;- Para mim não há prova maior do que a tua mentira. Eu ontem fui ao teu quarto e a cama estava vazia. Condenaste-te quando há pouco me disseste que ontem à noite não saíste de casa. Pensavas que eu não tinha cá estado para poder comprovar isso. È verdade ou não è que ontem à noite assaltaste a casa da minha irmã?- perguntou o engenheiro Carlos Conde num berro raivoso, ao mesmo tempo que dava um murro na sua secretária.&lt;br /&gt;Narciso nunca vira assim o pai. Naquele momento temia pela sua própria segurança. As contas tinham-lhe saído furadas. O pai regressara a casa na hora mais critica. Não havia por onde fugir. Errara ao dizer que não saíra de casa. Seria melhor confessar. Suando, disse então:&lt;br /&gt;- È verdade pai. Fui eu.&lt;br /&gt;- E quem tentou agredir a tua tia com uma lança?&lt;br /&gt;- Fui eu também. Mas era só para a assustar. Fiquei doido quando me senti descoberto.&lt;br /&gt;- Se era só para a assustar ou não, nunca o iremos saber, porque felizmente o tal Serôdio agarrou-te.&lt;br /&gt;- Foi pai, foi isso.&lt;br /&gt;- Tu não tens que chegue? O que è teu não te basta?&lt;br /&gt;- Queria mais um dinheirito para as minhas férias.&lt;br /&gt;- Férias?&lt;br /&gt;- Sim, no Algarve. Vou fazer campismo.&lt;br /&gt;- Um bom campismo te vou dar eu. Acabando as aulas, vais direitinho para o combóio, que te irá levar até França, onde vais trabalhar na campanha do tomate. Tenho alguns amigos que me tratarão da tua inscrição.&lt;br /&gt;- Mas pai...&lt;br /&gt;- Queres dinheiro, pois vais suar para o obteres. Nos próximos meses não te quero aqui. Tenho vergonha da tua tia. O que tu fizeste não sei se alguma vez poderá ser perdoado. Tu tentaste assaltar a minha única irmã, quiçá matá-la. Tiveste muita sorte em a tua tia ter decidido vir desabafar comigo, e não com a policia. Não digo mais nada, porque acho que um pai, em circunstância alguma, não deve dizer a um filho aquilo que me está a passar pela cabeça. A partir de hoje não sais mais de casa, excepto para ires ás aulas, até viajares para França. Vai para o teu quarto.&lt;br /&gt;Narciso Conde abandonou o escritório do pai, completamente derrotado. Mas impunha-se uma vingança, uma severa vingança. O Serôdio conseguira estragar-lhe o verão, mas não se iria ficar a rir...(em continuação, pág.45- ex. XIII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARÇO/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-2227846375391799140?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/2227846375391799140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=2227846375391799140' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2227846375391799140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2227846375391799140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/formulacao-de-uma-sentenca.html' title='FORMULAÇÃO DE UMA SENTENÇA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3124140685304504606</id><published>2010-04-13T19:06:00.002+01:00</published><updated>2010-04-13T22:24:36.250+01:00</updated><title type='text'>FRENTE-A-FRENTE</title><content type='html'>...Carlos Conde para ali ficara olhando o vazio. Sem energia, observava a irmã a entrar no carro e abalar. Como fora possível a sua única irmã vir acusar o seu filho de algo tão grave, como aquilo que ela descrevera? Mas por outro lado, ela tinha a noção perfeita do que estava a dizer. Não tinha conhecimento de que a sua irmã sofresse de alienação de qualquer espécie. Seria a viuvez a provocar-lhe alucinações? Não, a sua irmã sempre fora uma boa pessoa e muito ponderada. Ali estava um dilema: viver com a vontade de que a sua irmã não tivesse razão, mas se assim fosse não poderia de maneira nenhuma relacionar-se com ela amigavelmente, ou então concluía que a sua irmã tinha mesmo razão e então havia de tomar uma atitude dura e drástica para com o seu filho. E se o Narciso o tivesse feito? Seria possível um rapaz de dezassete anos ter a capacidade de camuflar do pai, de uma forma tão persuasiva, a sua má índole? &lt;br /&gt;Vestiu um casaco e saiu. Foi à empresa onde trabalhava, observar como decorria a produção de um novo material. Depois correu a cidade de lés a lés, mas não via a hora de poder ter o seu filho Narciso frente a frente, olhá-lo nos olhos e poder neles ler o engano da sua irmã Silvina.&lt;br /&gt;Anoitecia quando o engenheiro Carlos Conde entrou de novo em casa. Toda a família já lá se encontrava. Sentiu o coração palpitar-lhe na garganta. Era muito desagradável ter que questionar um filho sobre uma matéria como aquela, mas tinha de ser feito. Era preciso saber de que lado estava a razão e a culpa.&lt;br /&gt;De rosto fechado pelo aperto que sentia no coração, perguntou à esposa:&lt;br /&gt;- O Narciso está em casa?&lt;br /&gt;- Está.&lt;br /&gt;- Diz-lhe para ir ter ao meu escritório. Quero conversar a sós com ele.&lt;br /&gt;- Mas o que se passa, Carlos?&lt;br /&gt;- Não sei se se passa alguma coisa. È isso que eu quero descobrir.&lt;br /&gt;E dizendo isto, Carlos Conde dirigiu-se para o escritório, pensativo e em silêncio.&lt;br /&gt;Momentos depois Narciso Conde ali entrava. Tinha a certeza de que a velha havia falado com o pai. Tinha de manter a cabeça fria, pois não havia maneira de o poderem acusar.&lt;br /&gt;Impondo a si próprio a aparência mais natural e inocente que conseguiu ir buscar ao seu intimo, entrando no escritório, fixando o pai, disse:&lt;br /&gt;- Queres falar comigo pai?&lt;br /&gt;- Quero. Fecha a porta.&lt;br /&gt;- Eh pá, è coisa importante- disse Narciso tentando dar à situação um ar de brincadeira.&lt;br /&gt;- Esta tarde estive aqui sozinho e pensei um pouco em ti- começou o engenheiro Carlos Conde, recostando-se às costas almofadadas da cadeira- perguntei-me a mim próprio que tipo de homem será o meu filho Narciso?!&lt;br /&gt;- Pai, sou um homem normal. Tenho horas para estudar, tenho horas para me divertir...&lt;br /&gt;- Sim, isso eu sei Narciso. O que eu quero saber è se tu és uma pessoa considerada na cidade. E se te pergunto isto, è porque acho que cada um de nós deve zelar por ser um bom cidadão, e muitas mais responsabilidades nessa matéria têm aqueles, cujo nome herdaram de uma personalidade, como è o teu e o meu caso. O teu avô, o doutor Conde, foi um médico querido de todos. Desde o mais humilde ao mais rico, todos o estimavam. O teu avô foi um verdadeiro médico de província. Lembro-me de que quando eu tinha dez anos de idade, o meu pai percorria todas as freguesias das redondezas, no seu impecável Vauxhall de 1932, prestando assistência aos inúmeros doentes que solicitavam os seus serviços. E fazia-o fosse de dia ou de noite. Aos menos afortunados não lhes cobrava nada pelo domicílio e ainda os ajudava na obtenção dos medicamentos. O teu avô era assim. Eu não sou médico, mas sempre me preocupei em honrar o seu nome. Por isso primo pela cordialidade e faço questão em ter amigos, bons amigos. E tu?&lt;br /&gt;- Eu?!- perguntava o rapaz um pouco intrigado.&lt;br /&gt;- Sim, és cordial para com os teus colegas? Estima-los e eles estimam-te?&lt;br /&gt;- Mas è claro pai. Tenho bons amigos. Há só um ou dois...&lt;br /&gt;- Sim...- disse o engenheiro Carlos Conde observando o filho.&lt;br /&gt;- Bem, existem alguns rapazes que têm inveja de mim, por eu ter uma motorizada V5.&lt;br /&gt;- E fazes questão em lhes mostrares que eles não têm uma motorizada como tu?&lt;br /&gt;- Eu... não percebo o que queres dizer.&lt;br /&gt;- Armas-te em bom só porque tens uma motorizada e eles não?&lt;br /&gt;- Oh pai, eu não. A motorizada só me serve de meio de transporte.&lt;br /&gt;- Lembras-te do nome de algum desses teus colegas que te invejam?&lt;br /&gt;- Principalmente um, o Serôdio.&lt;br /&gt;- Quer dizer então que tu e o Serôdio não são amigos!!&lt;br /&gt;- Não, não somos. Mas porquê essas perguntas?&lt;br /&gt;- Porque me vieram aos ouvidos algumas queixas sobre a maneira como procedes com os teus colegas do liceu.&lt;br /&gt;- E quem foi que te fez essas queixas?&lt;br /&gt;- Um professor teu.&lt;br /&gt;- Um professor meu? Pai, isso è um disparate. Porque não dizes logo que foi a tia Silvina?- e dizendo isto, Narciso de imediato se arrependeu de o ter feito...(em continuação- pág. 41- ex. XII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3124140685304504606?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3124140685304504606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3124140685304504606' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3124140685304504606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3124140685304504606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/um-frente-frente.html' title='FRENTE-A-FRENTE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8973680917857768771</id><published>2010-04-08T18:20:00.004+01:00</published><updated>2010-04-08T18:46:01.236+01:00</updated><title type='text'>FLANDRES- LA LYS- SECTOR DA LA BASSÉ- 09 DE ABRIL DE 1918</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S74U_BQfzPI/AAAAAAAAAUY/t31gdl2pX3o/s1600/la-lys.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 286px; height: 334px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S74U_BQfzPI/AAAAAAAAAUY/t31gdl2pX3o/s400/la-lys.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457822871321562354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para que a memória nunca esqueça essa tragédia, a última batalha falada em português. &lt;br /&gt;À memória dos combatentes do Corpo Expedicionário Português, na I Guerra Mundial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8973680917857768771?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8973680917857768771/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8973680917857768771' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8973680917857768771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8973680917857768771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/flandres-la-lys-sector-da-la-basse-09.html' title='FLANDRES- LA LYS- SECTOR DA LA BASSÉ- 09 DE ABRIL DE 1918'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S74U_BQfzPI/AAAAAAAAAUY/t31gdl2pX3o/s72-c/la-lys.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8321465843666852621</id><published>2010-04-06T20:08:00.003+01:00</published><updated>2010-04-06T20:22:38.091+01:00</updated><title type='text'>MÚSICA DE UMA VIDA: DAY DREAM- WALLACE COLLECTION</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2AqR00loT9k&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/2AqR00loT9k&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia de 1970, o jovem de 14 anos, ao ouvir este Day Dream, dos Wallace Colection, sentiu uma febre musical inundá-lo. Esta música, desde então, preserva-a com muito carinho e emoção na sua memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8321465843666852621?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8321465843666852621/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8321465843666852621' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8321465843666852621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8321465843666852621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/musica-de-uma-vida-day-dream-wallace.html' title='MÚSICA DE UMA VIDA: DAY DREAM- WALLACE COLLECTION'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1501424744040469687</id><published>2010-04-01T15:33:00.002+01:00</published><updated>2010-04-01T15:42:38.554+01:00</updated><title type='text'>COIMBRA É SEMPRE UM ENCANTO...</title><content type='html'>- ...Um homem levar com esta chuva em cima, não deve ser pêra doce- disse o alferes Santa Cruz.&lt;br /&gt;- Então homem, chuva civil não molha militar- disse sorrindo o alferes Mendes.&lt;br /&gt;- Pois è, só que esta chuva de civil nada tem. Ela è bem militar, è uma chuva guerreira.&lt;br /&gt;- Anda daí pá, vamos beber uma cerveja. Deixa a chuva cair, guarda por momentos as recordações da tua Catarina, e entrega-te de alma e coração à felicidade infeliz de um dia em paz, no meio da guerra. Somos da infantaria não somos? Pois vamos beber em memória do nosso patrono, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, ao D. João I e aos duendes maus desta imensa floresta onde estamos mergulhados.&lt;br /&gt;- Qual è o teu primeiro nome?- perguntou o alferes Santa Cruz.&lt;br /&gt;- Chamo-me Rui e sou de Coimbra. E o teu?&lt;br /&gt;- O meu?&lt;br /&gt;- Sim, o teu primeiro nome, qual è?&lt;br /&gt;- Álvaro, e tal como tu, também nasci em Coimbra.&lt;br /&gt;- Ai sim, então vamos também beber à saúde das árvores do nosso querido choupal, que além de serem de mais confiança do que estas, não nos cagam com merda de macaco.&lt;br /&gt; E os dois alferes reentraram na messe dos oficiais. Bebiam para enganar os sentidos, distrair os sentimentos, solidários na sua juventude prisioneira. Aquela messe improvisada e tosca, era o local de Angola, onde os dois, através de recordações, mais próximos de casa se sentiam. Sob o barulho intenso da chuva que se abatia sobre o telhado de chapas de zinco da messe de oficiais, Álvaro e Rui, nascidos nos ecos do tempo de uma Aeminium esquecida, fortaleciam laços de amizade, enquanto se transportavam até Coimbra, deambulando por entre recordações da Académica, de bailes no Ateneu, das salutares bebedeiras construídas na estudantil tasca «Cantinho do Céu» à Rua Corpo de Deus, dos divinos manjares populares servidos pela figura castiça do «Zé Manel dos Ossos», na sua típica casa de pasto à Rua da Sota, de fugidios romances sofregamente consumidos no Penedo da Saudade, das simples e saudosas pevides do «Pianinho», do Liceu D. João III e as cómicas aulas de educação musical vividas com os professores «Cabeça de Apito» e «Porque Burriais», das fabulosas aulas de ciências com o professor «Tatão», das enfadonhas aulas de desenho com o professor «Certinho», da sempre deliciosa professora veterana, de português, a professora D. Lucinda Gomes.&lt;br /&gt; Coimbra do Mondego, tão perto estava do rio Cuango...(em continuação- pág. 58, ex. XI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1501424744040469687?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1501424744040469687/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1501424744040469687' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1501424744040469687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1501424744040469687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/04/coimbra-e-sempre-um-encanto.html' title='COIMBRA É SEMPRE UM ENCANTO...'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5898306617969808795</id><published>2010-03-30T19:32:00.001+01:00</published><updated>2010-03-30T19:44:22.890+01:00</updated><title type='text'>DOIS ALFERES NO MAIOMBE</title><content type='html'>...Na manhã seguinte a companhia bateu toda a área circundante do aquartelamento. Pelas manchas de sangue que se espalhavam pelo mato rasteiro, era evidente que se tinham feito estragos no seio do inimigo. A companhia apenas tivera alguns feridos ligeiros. Houve mérito na maneira como se souberam proteger, mas também tiveram uma grande dose de sorte. E lá encontraram mais três Kalachnikov a juntar ao imenso arsenal bélico capturado aos terroristas.&lt;br /&gt; O Ninda estava um pouco roto, mas nada que os bons «costureiros» não pudessem facilmente resolver.&lt;br /&gt; Sentado à porta da messe de oficiais, sob a protecção de um comprido alpendre, o alferes Santa Cruz recordava aquele ataque nocturno ao aquartelamento do Ninda, enquanto observava a chuva intensa que se abatia sobre o quartel improvisado. Furiosos pingos de água caiam do céu negro, empapando o chão térreo da parada. A chuva era de tal modo intensa que provocava uma espécie de neblina. A chuva trazia a benção da paz numa terra em guerra. O alferes Santa Cruz estava sentado sob o alpendre com o pé direito apoiado numa pequena cerca feita de troncos, cerca essa que dava consistência ao suporte do alpendre. Pela posição em que tinha o pé direito, obrigava a que a respectiva perna estivesse curvada e mais elevada do que a perna esquerda. No joelho direito apoiava a mão direita e com ela segurava uma carta, um aerograma da sua namorada. O próprio tempo, triste e monótono, era propício a que a nostalgia tomasse conta do seu espírito. &lt;br /&gt;- Que raio estás tu a fazer aí à chuva ?- perguntou o Alferes Mendes que entretanto viera do interior da messe de oficiais.&lt;br /&gt;- Vim reler a carta da minha namorada, que recebi ontem- disse o alferes Santa Cruz- tenho tantas saudades dela.&lt;br /&gt;- Esse è um tormento que eu consegui evitar.&lt;br /&gt;- Qual?- perguntou o alferes Santa Cruz.&lt;br /&gt;- Saudades de uma namorada. Não tenho nenhuma. Apenas me correspondo com uma madrinha de guerra...&lt;br /&gt;- Que se calhar, mais cedo ou mais tarde, vai dar no mesmo.&lt;br /&gt;- È possível. Numa ou noutra carta que lhe escrevo, sempre lhe vou dando a conhecer um pouco mais de mim. E não nego que isso já cria uma certa dependência de correspondência. Mas è só. Tu, és capaz de não sentir só dependência. Já è uma ânsia.&lt;br /&gt;- Sim è verdade Mendes. Na tropa, as cartas da namorada são esperadas tal como o pão o è para uma boca esfomeada. Eu era capaz de ser aqui mais feliz se não tivesse nenhuma namorada na Metrópole.&lt;br /&gt;- Não te enganes meu amigo- disse o alferes Mendes- eu não tenho namorada e no entanto a minha felicidade è tanta como a tua. Aqui não temos tempo para a felicidade. Preservar vivo o coirão è o nosso grande objectivo. &lt;br /&gt; O alferes Mendes sentou-se num banco ao lado do alferes Santa Cruz. Puxou de um cigarro e ofereceu outro ao camarada de armas. Ambos, em silêncio, contemplavam o imenso horizonte molhado que se espraiava à sua frente.&lt;br /&gt;- Em Fevereiro, três dias antes de virmos embora, a minha namorada, a Catarina, perguntou-me se eu achava bem vir combater os pretos, que lutam pela independência da sua terra. Na altura fiquei muito dividido na resposta a dar-lhe, mas ao fim de nove meses de guerra a indecisão não è nenhuma. Acho mal vir combatê-los, porque efectivamente esta terra nada tem a ver comigo. Mas quando entro em combate, esqueço-me do aspecto político e faço a guerra pela guerra. Ver companheiros meus serem mortos por esses estupores, faz-me esquecer o civismo, a decência e o meu ser quase explode de raiva. E tu Mendes, que sentes tu?&lt;br /&gt;- Essa pergunta que a tua namorada te fez è de muito difícil resposta. Felizes dos que vêm para aqui combater em perfeita ignorância. Sabem apenas que ao inimigo se dá o nome de turras, mas não sabem porque è que os turras são o inimigo. Eu sei que esta guerra è injusta. Sei o que os angolanos sentem por nós. Basta olharmos para nós próprios, para a nossa história, para a antipatia que geralmente sentimos pelos espanhóis, para percebermos o que vai no íntimo desta gente em relação aos portugueses. Mas tudo isto è política, e essa è dos políticos. Eu sou português. Se a Pátria me diz que quer a minha ajuda, eu prefiro ficar bem com a minha consciência do que ficar zangado com ela, e bem com a consciência dos angolanos. Eu só tenho vinte e dois anos de idade e a colonização já existe há cerca de quinhentos. Que culpa tenho eu? Que posso eu fazer? &lt;br /&gt;- Comungamos a mesma perspectiva- disse o alferes Santa Cruz- não lutamos por nenhum ideal, ao contrário dos turras. Mesmo sabendo que eles têm direito à sua liberdade, não me iria sentir bem na pele de traidor à Pátria.&lt;br /&gt;- E por vezes bastante patriotas temos de ser, para aguentarmos algumas situações. Gostaste do ataque nocturno de anteontem aqui ao Ninda?&lt;br /&gt;- Pulei de satisfação!! Foi o primeiro ataque nocturno que sofri desde que estou em Angola- respondeu o alferes Santa Cruz.&lt;br /&gt;- E por causa dele, ouvi o capitão Rebelo dizer que iremos bater a mata em missão de reconhecimento.&lt;br /&gt;- Neste maiombe denso, essas incursões são sempre uma porra. Terão os turras sido ajudados pela sanzala dos «Nhembas»?- perguntou o alferes Santa Cruz.&lt;br /&gt;- È possível. Angola tanto está nos partidos políticos como nos vários povos que habitam as sanzalas espalhadas pelas savanas. O capitão Rebelo considera ser urgente o reconhecimento à zona. Com chuva ou sem ela, com o rio Cuango vazio ou cheio, a operação terá início o mais tardar depois de amanhã...(em continuação, pág. 57, ex. X)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5898306617969808795?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5898306617969808795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5898306617969808795' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5898306617969808795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5898306617969808795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/03/dois-alferes-no-maiombe.html' title='DOIS ALFERES NO MAIOMBE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1512638797353080064</id><published>2010-03-15T20:20:00.001Z</published><updated>2010-03-15T20:29:48.917Z</updated><title type='text'>ALFEIZERÃO E BOMBARRAL: UMA BATALHA MUDA</title><content type='html'>...Havia já três meses que o caminhante trabalhava na herdade Vila de Ló. Mostrara-se um excelente trabalhador. Sentia que o dono da herdade, Barreto Raposo, estava satisfeito com a sua prestação. Uma boa força de trabalho, em troca de meia dúzia de tostões, era decerto um bom negócio. Fazendo tudo para cair nas boas graças do fivelas, o Caminhante pediu humildemente ao patrão que lhe desse descanso naquele dia 10 de Agosto, para descontar no pagamento e o permitisse ir na carroça que nesse mesmo dia o Barreto Raposo enviava ao Bombarral. O fivelas acedeu, na condição de independentemente descontar o dia, o Caminhante ter de trabalhar um Domingo. Era uma injustiça, uma prepotência, mas outra coisa havia a esperar? Os necessitados estarão sempre sujeitos à desumanidade dos poderosos, pelo menos até um dia. E o Caminhante precisava muito de sair daquele ambiente. Constrangia-o o facto de trabalhar no seio de homens que não conseguiam ser verdadeiros amigos no trabalho. Percebia-se nitidamente que ali existiam dois grupos distintos : os de Alfeizerão e os do Bombarral.Os Bombarralenses, por mais esforços que fizessem em ser simpáticos para com os de Alfeizerão, recebiam sempre destes más respostas e olhares antipáticos. Por vezes  davam-se até pequenas escaramuças. As coisas não chegavam a vias de facto, porque o controle patronal era apertado.&lt;br /&gt; A herdade era efectivamente muito grande e rica. Setenta homens regavam com o seu suor aquele chão, de modo a que fosse fértil em gado, milho e trigo. Quarenta eram do Bombarral, os restantes eram Alfeizerenses. O Caminhante sentia que ali existia muita mágoa afogada num impressionante mar de injustiça. Injustiça que não era cultivada pelos quarenta trabalhadores do Bombarral, que esses eram simples e honestos homens do povo. A injustiça nascia no sentir, no querer do Barreto Raposo. Mas a revolta amordaçada era debilmente manifestada pelos de Alfeizerão, através do azedume com que tratavam os do Bombarral. Não tinham força nem arte para mais.&lt;br /&gt;       Em três meses o Caminhante pôde aperceber-se de tudo isto. Sentia-se em terra de ninguém, no meio de fogo inimigo. Teve necessidade de, pelo menos por um dia, abandonar aquele ambiente triste e também porque precisou de confirmar uma suspeita. Agora que estava de regresso a Alfeizerão, não tinha dúvidas. O que a sua memória suspeitava, os seus sentidos deram como certo.&lt;br /&gt; Ao entrar em Alfeizerão pediu ao carroceiro que o deixasse apear-se. Quis fazer o resto do caminho a pé. A noite não tardaria. Talvez encontrasse a taberna do Ti Chico Bento ainda aberta. Notou então que uma figura vestida de negro vinha em sua direcção. Era o padre José Soares. Ia com certeza para casa. Até o padre comungava da tristeza e revolta do povo. O Caminhante sentia isso nas suas palavras, nos seus vazios relativamente ao fivelas.&lt;br /&gt;- Boa tarde senhor padre - disse o Caminhante.&lt;br /&gt;- Santas tardes. Foi bom encontrar-te. Ainda só te vi na missa uma única vez. Se pretendes  ser um dos meus paroquianos, tens de ouvir a palavra de Deus mais vezes.&lt;br /&gt;- Sabe senhor padre, os cuidados da terra roubam-me o tempo.&lt;br /&gt;- Ai sim? E os cuidados da alma não te preocupam?&lt;br /&gt;- Muito senhor padre, nem imagina quanto.&lt;br /&gt;- Mas homem, se tens tantos pecados, porque não fazes uma visita ao confessionário?&lt;br /&gt;- Acha o senhor padre que qualquer pecado que seja, tem remédio?&lt;br /&gt;- Homem, a grandiosidade e a bondade de Deus são infinitas.&lt;br /&gt;- Talvez um dia me entregue nas suas mãos.&lt;br /&gt;- Fico à tua espera. Mas estou a falar contigo e não tens um nome pelo qual eu te possa chamar. Recuso-me  chamar-te “Zé da Estrada". Afinal qual é o teu nome?&lt;br /&gt;- Senhor padre José Soares, eu ao senhor não posso mentir, como tenho feito por aí. Eu tenho nome sim. Mas preferia não o divulgar, pelo menos por enquanto.&lt;br /&gt;- Como queiras. Não insisto. Mas sinto que essa alma vive em sofrimento.&lt;br /&gt;- Tal como esta terra - respondeu o Caminhante - a sua benção senhor padre.&lt;br /&gt;- Deus te abençoe homem e te dê luz para seguires o teu caminho. Sabes muito mais do que aquilo que queres mostrar. Que idade tens?&lt;br /&gt;- Muito menos do que pareço, senhor padre. Agora que tenho a sua benção, cá me vou.&lt;br /&gt; O padre José Soares por um momento ficou a ver o Caminhante afastar-se. Por algo que não podia compreender, veio-lhe ao peito uma súbita e angustiante saudade do pequenino Leandro, do morgado Vitorino e do capataz José Chambão. E sobreveio o doloroso sentimento de culpa, pela sua atitude quase passiva perante o triplo rapto que ali tivera lugar, havia já doze anos...(em continuação, pág. 88- ex. XXIX)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in  QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1512638797353080064?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1512638797353080064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1512638797353080064' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1512638797353080064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1512638797353080064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/03/alfeizerao-e-bombarral-uma-batalha-muda.html' title='ALFEIZERÃO E BOMBARRAL: UMA BATALHA MUDA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-477830142726096595</id><published>2010-03-12T18:53:00.001Z</published><updated>2010-03-12T18:57:27.241Z</updated><title type='text'>UM CIGARRO POR ACENDER</title><content type='html'>...Américo Afonso dirigiu-se à casa de Luísa. Pelo caminho, cego pela felicidade que levava, tirou o chapéu à velha figueira, sem se aperceber de que ali perto se encontrava um ancião. Este, ficou de olho arregalado. Um advogado da Casa das Leis a tirar-lhe o chapéu, a ele, um velho agricultor?!&lt;br /&gt;Américo Afonso ao aproximar-se da casa de Luísa cruzou-se com um pobre mendigo. Este parou e disse-lhe:&lt;br /&gt;- Vossa senhoria tem a fineza de me dar lume para acender este cigarro?&lt;br /&gt;- Não fumo meu amigo.&lt;br /&gt;- Paciência. O cigarro terá de ficar para outra ocasião. Deus lhe dê sempre a felicidade que o envolve.&lt;br /&gt;- Como sabe? - perguntou Américo.&lt;br /&gt;- O seu rosto é como um livro aberto. Passe muito bem.&lt;br /&gt;- Espere bom homem - pediu Américo - deixe-me ajudá-lo. - E Américo foi com a mão direita à bolsa para retirar algumas moedas.&lt;br /&gt;- Não se mace vossa senhoria - respondeu o caminhante, pois era dele que se tratava - Deus não quis que eu fosse feliz. Não é de moedas que eu sinto falta. Tenho saudades de mim próprio.&lt;br /&gt;- E não se pode recuperar?&lt;br /&gt;- Com esta cara e este corpo, não. Tenho a alma suja. Enquanto não a lavar, nada por mim posso fazer. E quando isso acontecer, já será tarde demais.&lt;br /&gt;- Porquê bom homem?&lt;br /&gt;- Porque para infelicidade chegou uma vez. Seja feliz senhor doutor.&lt;br /&gt;- Qual é o seu nome? - perguntou Américo, perplexo por ver que o outro sabia qual a sua profissão.&lt;br /&gt;- Em Alfeizerão, onde trabalho, chamam-me " Ti Zé da Estrada" - disse o caminhante enquanto se punha a caminho, o bordão a tiracolo, o saco pendurado no bordão e o casaco pendurado no ombro direito, onde apoiava o bordão.&lt;br /&gt;Que encontro tão enigmático. Aquele pobre homem falava sem se revelar. Américo ficou a observá-lo até ele desaparecer numa curva do caminho. Sentia-se que ali existia um segredo. Américo caminhava perturbado, sem se aperceber que chegara à casa de Luísa.&lt;br /&gt;- Bom dia senhor doutor - saudou-o Carlos Avilar.&lt;br /&gt;- Bom dia Carlos. Viste passar por aqui um homem com trajes muito velhos?&lt;br /&gt;- Vi sim senhor. Parou, olhou para mim muito fixamente e disse: - “Deus te abençoe".&lt;br /&gt;- É tudo muito estranho - comentou Américo.&lt;br /&gt; Ele e o pequeno Carlos entraram na casa humilde do oleiro. Naquele dia, Carlos Avilar completava o seu 13º aniversário, mas ninguém ali o sabia...(em continuação, pág. 85- ex. XXVIII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-477830142726096595?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/477830142726096595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=477830142726096595' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/477830142726096595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/477830142726096595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/03/um-cigarro-por-acender.html' title='UM CIGARRO POR ACENDER'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-821960377053720090</id><published>2010-03-08T12:52:00.002Z</published><updated>2010-03-09T19:53:14.252Z</updated><title type='text'>O 11 DE MARÇO E OS SUV DE 1975</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S5TzT9sCttI/AAAAAAAAAUQ/huXUUebA7sg/s1600-h/1975.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 278px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S5TzT9sCttI/AAAAAAAAAUQ/huXUUebA7sg/s400/1975.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446245373700126418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo com bastante nítidez aquela manhã de 11 de Março de 1975. A viver na região das Caldas da Raínha havia apenas alguns meses, fui surpreendido por um ambiente de tensão no Liceu das Caldas, igual ao que vivera na manhã do 25 de Abril, no D. João III, em Coimbra.Foi-nos dito que não haveria aulas porque em Lisboa estavam a acontecer problemas. Em peso invadimos o café Taiti e por lá ficamos toda a manhã, enquanto em Lisboa o país estava ás portas de uma guerra civil. Os comandos e os pára-quedistas estavam em rota de colisão. Uma tentativa de golpe de Estado estava em curso. À noite, nesse dia, segui atentamente as notícias e as imagens pela televisão. Grande confusão com militares a correrem por todo o lado. O confronto eminente entre as duas forças especiais, a rebaldaria que se via naqueles soldados de cabelo enorme e calças à boca de sino, e subitamente, quando tudo parecia perdido, viu-se surgir um tenente-coronel, que ninguém conhecia, de nome Ramalho Eanes, que conseguiu apaziguar as emoções e fez com que os comandos e páras, quase inimigos, se abraçassem com lágrimas nos olhos. Foi por pouco!&lt;br /&gt;Dois anos depois eu iria pagar bem caro a indisciplina do exército, no tempo do movimento «Soldados Unidos Vencerão» (SUV), quando ingressei no meu serviço militar, em Mafra. O exército estava a recuperar a imagem perdida. Os novos militares, onde eu me incluia, amargaram o rigor de uma disciplina de ferro. Por essa razão nunca mais me esqueci dos SUV.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-821960377053720090?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/821960377053720090/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=821960377053720090' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/821960377053720090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/821960377053720090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/03/o-11-de-marco-e-os-suv-de-1975.html' title='O 11 DE MARÇO E OS SUV DE 1975'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S5TzT9sCttI/AAAAAAAAAUQ/huXUUebA7sg/s72-c/1975.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5958437622384373594</id><published>2010-03-05T18:49:00.002Z</published><updated>2010-03-05T19:09:41.472Z</updated><title type='text'>A DÍVIDA</title><content type='html'>Há dias, fazendo uma viagem, levava a Rádio Renascença sintonizada no carro. Por casualidade dei com uma entrevista que se estava a iniciar, que tinha por tema a situação económica do país, tendo por convidados quatro economistas, que suponho tenham algum protagonismo no panorama económico português, pois caso o não tivessem não estariam ali. E de palavra em palavra, tentando explicar porque razão somos quem somos, porque motivo seremos dos mais pobres da Europa (suponho que saibam então a razão para a nossa pobreza...é que eu pensava que não sabiam!), a dado passo um dos entrevistados disse que, no dia 31 de Dezembro de 2001, Portugal saldou uma dívida que contraiu em 1902, em pleno reinado do rei D. Carlos. Andámos 99 anos a pagar essa dívida. Eu fiquei banzado!&lt;br /&gt;Eu,como um cidadão comum, do mais banal que se possa encontrar,reflecti um pouco sobre o que acabara de ouvir. Não admira que, tendo o país dívidas de um século, a coisa custe a andar para a frente. Ainda gastamos dinheiro com compromissos monárquicos.&lt;br /&gt;Saberiam os revoltosos republicanos de 1910 da existência desta dívida?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5958437622384373594?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5958437622384373594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5958437622384373594' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5958437622384373594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5958437622384373594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/03/divida.html' title='A DÍVIDA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3497404355842672518</id><published>2010-03-02T21:12:00.002Z</published><updated>2010-03-02T21:25:14.559Z</updated><title type='text'>A REPÚBLICA- 3º ano III</title><content type='html'>...Dado o balanço a este período, temos de afirmar que houve progresso; duplicou a população, que tem melhor alimento, mais confortável vestuário e apropriada residência; desenvolveram-se a instrução e as ciências, aparecendo obras imortais em todas as manifestações do trabalho e da inteligência.&lt;br /&gt;É tudo o que a burguesia podia dar e é muito.&lt;br /&gt;E se deu tanto, foi por ser impulsionada por um progresso pasmoso e fatal, que ela não começou; e porque, com rótulos novos, governou quase sempre à antiga, em ditadura, que é uma forma do absolutismo para a qual a própria república está apelando e apelará ainda por muito tempo.&lt;br /&gt;Para governar assim, foi preciso encher a pança à corja dos políticos, desmoralizando os serviços públicos pela incompetência dos funcionários, arruinando as finanças pela comilonia dos empregos para engorda, acumulações, aposentações e arranjos ocultos.&lt;br /&gt;Assim também a dívida pública por aí aparece assombrosa por toda a parte; em Portugal é de 30 libras por cabeça, o que quer dizer que não há com que pagar e que estamos quebrados. Em face disto, o que nos sugere o patriotismo? Voltar ao antigo é impossível. As sociedades não recuam em política por deliberação própria; não há uma classe que mereça dirigir-nos à discrição ou que aceitasse tal incumbência...(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A REPÚBLICA NA BEIRA ALTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martins e Abreu&lt;br /&gt;revoltoso do 31 de Janeiro e cavador em Mortágua&lt;br /&gt;1913&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3497404355842672518?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3497404355842672518/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3497404355842672518' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3497404355842672518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3497404355842672518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/03/republica-3-ano-iii.html' title='A REPÚBLICA- 3º ano III'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-35951817437825842</id><published>2010-02-27T23:57:00.001Z</published><updated>2010-02-28T00:18:57.435Z</updated><title type='text'>ABRILADA- CONSPIRAÇÃO DE UMA RAINHA</title><content type='html'>...Na universidade de Coimbra foi uma imensa alegria quando se soube que, nesse ano de 1820, o general Beresford, ao regressar do Brasil, fora impedido de desembarcar por militares revoltosos, que oriundos do Porto, marcharam sobre Lisboa, desafiando assim o regime absoluto inglês. O general Beresford não voltou a pisar solo português. O liberalismo ganhava consistência, até porque já tinha ganhado um mártir. Três anos antes, em 1817, fora descoberta uma conspiração, que pretendia o afastamento dos ingleses do controle militar do nosso exército. O cabecilha dessa conspiração, o general Gomes Freire de Andrade, foi executado nesse mesmo ano por enforcamento. Era imperioso que a coroa regressasse a Portugal, pois o reino queria andar para a frente, na senda de maior justiça social, o que se tornava difícil com o rei ausente. Assim, sob pressão do governo metropolitano de Lisboa, D. João VI, que abalara príncipe e regressava rei, retornou a Portugal em 1821, onde jurou as bases da Constituição, iniciando-se de imediato o exercício da monarquia constitucional.&lt;br /&gt; O rei regressara a Portugal, trazendo consigo o seu filho mais novo, o infante D. Miguel, enquanto o filho mais velho, o príncipe D. Pedro, ficou no governo da colónia brasileira.&lt;br /&gt; A política é também feita de oportunidades, e não se digna a respeitar os mais elementares preceitos de fidelidade que os filhos deverão ter para com os pais; e D. João VI  foi um pai e um marido completamente desrespeitado pelos seus filhos e pela sua esposa, a rainha D. Carlota Joaquina. E tudo isso apenas em nome da política! D. Pedro, havia o seu pai abandonado o Brasil há dois meses, tornou aquela colónia país independente, no que ficou célebre « O Grito do Ipiranga», tornando-se ele próprio o seu primeiro imperador, com o título de D. Pedro I do Brasil. Aguardar-se-ia outra coisa? Fazia sentido que um país tão frágil economicamente, como o era Portugal, tivesse poder para dominar um Brasil, que em território era imensamente maior?&lt;br /&gt; Nas primeiras duas décadas do século XIX Portugal perdera a cidade de Olivença para os espanhóis, sofrera três humilhantes e devastadoras invasões por parte da França, defendera-se delas com valentia e orgulho nacional, mas empobrecera ainda mais.  Comprometera-se com os ingleses, que após o auxílio prestado, exigiam agora contrapartidas, e desgraçadamente acabava de perder a colónia do Brasil, com que contava para combater a paupérrima economia.&lt;br /&gt; Entretanto, em 1822, no dia 23 de Setembro, é promulgada a Constituição Portuguesa que dá a liberdade de expressão aos cidadãos. Portugal afastava-se assim do regime absoluto. A Constituição foi a génese de todos os conflitos que estavam para chegar, muito embora, fosse, concomitantemente, um bálsamo para a repressão que até ali fora exercida sobre o povo.&lt;br /&gt; Pois é, a política é sempre um pau de dois bicos.&lt;br /&gt; E os problemas não se fizeram esperar. Enquanto que o rei D. João VI jurava a constituição, a rainha D. Carlota Joaquina recusou fazê-lo, colocando-se, ela própria, à frente de uma conspiração que devolvesse ao reino o regime absolutista.&lt;br /&gt; Nesse ano de 1822 eu estava a terminar o meu curso de medicina, em Coimbra. Em toda a universidade foi uma enorme alegria o juramento da Constituição por parte de Sua Majestade. E, se porventura, se aguardava a reacção da aristocracia mais conservadora, nunca se imaginou que essa reacção à implementação do liberalismo em Portugal, viesse de onde veio – da própria rainha D. Carlota Joaquina, e do seu filho D. Miguel. Eu, quando soube que, nesse mesmo ano, a rainha conspirava para depor o seu marido do trono e lá fazer sentar o infante D. Miguel, fiquei convicto de que tendo o liberalismo adversários deste calibre, Portugal iria ser invadido de novo, agora não por franceses, mas por portugueses.&lt;br /&gt; Aquela notícia caiu-me bem cá no fundo do meu ser. Portugal de uma guerra civil não se livrava. Mas eu iria ter a minha pacata actividade de médico. A minha guerra seria contra as infecções e os micróbios.&lt;br /&gt; Do lugar em que me encontro e onde escrevo estas linhas, olhando para esse já distante passado, e sendo agora o que sou, sei do poder da força da natureza humana, e o quanto pode alterar o rumo das vidas dos homens.&lt;br /&gt; Os primeiros sinais da guerra civil que o destino colocava em marcha para Portugal, logo se fizeram sentir. Reagindo à conspiração que contra o rei se organizava, nesse ano de 1822, os conspiradores absolutistas foram presos; mas volvidos quatro meses, a 23 de Fevereiro de 1823, uma nova acção antiliberal foi mais uma vez abafada pelo governo do reino, revolta essa liderada pelo general Manuel da Silveira. Era constante a movimentação de tropas de um e de outro lado. O general Manuel da Silveira, Conde de Amarante, fugiu para Espanha, enquanto a coroa confiscava todos os seus bens.&lt;br /&gt; Três meses depois, em 27 de Maio de 1823, teve lugar uma nova investida das forças absolutistas, esta, no entanto, muito mais perigosa do que a anterior, pois voltava a ter como cérebros da conspiração a própria rainha D. Carlota Joaquina e o seu filho, o infante D. Miguel. Dado o rei ter cedido a este contra-ataque, por parte da sua esposa e do seu filho mais novo, e porque foi perpetrado em Vila Franca de Xira, ficou conhecido para a história como a Vilafrancada.&lt;br /&gt; Não sei que pensamentos, que sentimentos terão passado pela mente e coração do rei D. João VI, mas decerto que agradáveis não terão sido. Com poderia eu, conduzindo os destinos da minha casa, fazê-lo convictamente, sabendo que estava a ir contra a vontade da minha mulher e do meu filho? É certo que um rei, ao conduzir os destinos da sua casa, conduz também o destino de um povo; mas também não é menos verdade que aquela esposa era também rainha e que o jovem filho era infante!&lt;br /&gt; Ao rei talvez lhe tenha faltado convicção política no liberalismo, quem sabe se até força de carácter. O que é certo foi que perante a Vilafrancada D. João VI aboliu a Constituição de 1822, que jurara, e atribuiu o comando do exército ao infante D. Miguel. O absolutismo regressava a Portugal. O rei, que fora aclamado como o salvador do povo, tornava-se agora no seu principal repressor… mas assegurava o seu lugar no trono. Que importância tinha o povo?! Volvidos que são dois séculos, terá o povo adquirido a importância a que diz ter direito?&lt;br /&gt; A ambição terrena leva muitas vezes à perdição. No lugar em que me encontro é convicção que a riqueza aí na terra produz muita pobreza aqui, pois ser dono da riqueza material é a maior prova à elevação da alma; e quantas riquezas existem que não têm produzido qualquer elevação espiritual.&lt;br /&gt; D. Miguel já se mentalizara de que o trono de Portugal lhe havia de pertencer; por isso, mesmo com o pai a ceder ao absolutismo, sem no entanto ter abdicado do trono, o infante, com o apoio da sua mãe, continuava a conspirar. O seu objectivo não era agora o regresso do regime absoluto, que esse já o alcançara, mas o próprio trono. E existiam planos para que o rei fosse preso em Vila Viçosa. Essa conspiração foi descoberta apenas cinco meses depois da Vilafrancada, em 26 de Outubro de 1823. Perante este golpe D. João VI foi brando. Era marido e pai.&lt;br /&gt; Entretanto chegou o ano de 1824. Em Fevereiro desse ano, uma grande ameaça foi feita ao rei, quando o seu conselheiro, o Marquês de Loulé, foi assassinado. Dois meses depois ocorreu o segundo golpe militar absolutista – no dia 30 de Abril de 1824. Ficou conhecido como a Abrilada. O infante D. Miguel não pretendia repor o absolutismo, pois que continuava em vigor, mas somente obrigar o pai a abdicar do trono. As forças de D. Miguel chegaram a prender D. João VI. No entanto o corpo diplomático estrangeiro interveio, pelo que foi possível ao rei refugiar-se num navio inglês ancorado no Tejo. Desse navio, o rei D. João VI, tomou, finalmente, uma atitude: determinou o exílio de D. Miguel e intimidou a rainha D. Carlota Joaquina a que fizesse o mesmo. De novo, a coroa portuguesa, num momento politicamente crítico, era auxiliada por Inglaterra, a fim de manter a soberania do rei. &lt;br /&gt; E foi neste cenário politico, terrivelmente conturbado, que eu nasci, me criei na pacatez da quinta dos meus pais, Malhal de Sula, fui estudar para Coimbra sob a orientação do mui sábio, venerando e afável frei Lourenço de Santa Cruz, e me formei como médico, na universidade de Coimbra. Saí doutor em 1823, o doutor Joaquim Passos Lopes...(em continuação- pág. 14, ex. IV)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-35951817437825842?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/35951817437825842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=35951817437825842' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/35951817437825842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/35951817437825842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/blog-post.html' title='ABRILADA- CONSPIRAÇÃO DE UMA RAINHA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3906068774431676798</id><published>2010-02-24T19:57:00.002Z</published><updated>2010-02-24T20:09:53.601Z</updated><title type='text'>INVASÕES, FRANCESES, INGLESES E ALMEIDA GARRETT</title><content type='html'>...1807 foi o ano em que a França, que ajudara um outro país a tornar-se independente, tudo fazia para nos retirar a nós a independência. Cabia-nos a nós, portugueses dessa época, como o caberia aos portugueses do século XXI, se tal fosse necessário, dar o que de mais precioso tínhamos, para defender a nossa pátria – a vida. E foi o que se fez.&lt;br /&gt; A corte, constituída pela Rainha D. Maria I, o príncipe D. João, a princesa D. Carlota Joaquina, os infantes D. Pedro e D. Miguel, e a infanta D. Isabel Maria, abandonaram Portugal e foram-se exilar na colónia portuguesa do Brasil. Embarcaram no dia 29 de Novembro de 1807. Politicamente foi um acto correcto. Mas como a politica é feita de cinismos, falsidades, deslealdades e também de cobardias, humanamente falando, considero que a corte partiu, abandonando o reino e o povo à sua sorte.&lt;br /&gt; Entre pilhagens e violações, de tudo um pouco os franceses foram fazendo por esse país fora. Mas, nos momentos decisivos, os momentos dos confrontos entre os exércitos francês de um lado, luso – britânico do outro, os franceses foram sempre derrotados. Eram os nossos avós a transmitirem aos braços lusos aquela força, aquela têmpera que nos estava a fazer falta, e que na hora exacta chegou.&lt;br /&gt; Aconteceu a 2ª invasão francesa comandada pelo general Soult, que em poucos meses foi rechaçada.&lt;br /&gt; E por fim chegou a 3ª e última invasão. O exército francês, constituído por oitenta mil homens, entrou em Portugal em Junho de 1810, pela Beira Alta, comandado pelo general Massena. Tem um especial significado para mim esta invasão, pois nela teve lugar a Batalha do Buçaco, no dia 27 de Setembro de 1810, em que o exército francês mais uma vez foi derrotado, tendo ficado bastante fragilizado, pelo que pouco tempo depois, tentando invadir Lisboa, não conseguiu passar das linhas de Torres, em Torres Vedras, onde foi finalmente aniquilado, tendo o espectro francês, que pairava sobre Portugal, se extinguido nas linhas de Torres. A Batalha do Buçaco deu-se na Serra do Bussaco (Buçaco como se escreve hoje em dia), perto da qual se localizava a pequena quinta do meu pai, «Malhal de Sula», pelo que, eu, com dez anos de idade, lembro-me muito bem da movimentação das tropas portuguesas e inglesas, a quem o meu pai providenciou alimentos. E recordo as coisas horríveis que vi, após o desenlace da batalha. Dois soldados franceses, em pânico, fugindo dos nossos, vieram a ser apanhados nas nossas terras, e ali mesmo foram executados. Demos àqueles dois soldados franceses uma sepultura cristã. Quando começou a assentar o barulho dos canhões, os disparos das espingardas e o longínquo trovoar de vozes humanas, começou a chegar um silêncio profundo das serranias do Bussaco, um silêncio de morte, que trazia consigo um cheiro putrefacto, que nos impregnava as narinas de nojo. Era o cheiro de muitas centenas de cadáveres em putrefacção.&lt;br /&gt; Ainda hoje, passados que são cento e noventa e seis anos sobre essa batalha, muitos dramas se continuam a desenrolar, sem que os seus protagonistas se tenham apercebido dos anos que já passaram sobre o dia em que ocorreram.&lt;br /&gt; Durante os três anos, pelos quais decorreram as três invasões, os franceses foram cruéis vândalos, ladrões e assassinos. Por esse país, desde o Minho ao Algarve, praticaram todo o tipo de actos criminosos. Se Portugal, no final do século XVIII, era um país pobre e desacreditado, no início do século XIX passou a ser um país miserável, despojado das poucas riquezas que aqui e ali existiam, fruto da mão criminosa de uma França, que no seu próprio território lutava por uma maior igualdade entre os homens. Que enorme contradição!&lt;br /&gt; Portugal era um país devastado, mas continuava a ser uma nação soberana. Pudemos e soubemos fazer do tratado de Fontainebleau um tratado de letra morta.&lt;br /&gt; Entretanto, os nossos aliados ingleses, que nos deram um precioso auxílio na expulsão dos franceses, e porque de politica se tratava, não nos auxiliaram apenas por respeito à antiga aliança. Teriam em mente alguns planos, quem sabe se não fazer de Portugal uma colónia britânica?! Haviam perdido recentemente a sua enorme colónia na América. Que mais não fosse, para sarar um pouco o orgulho ferido. Era apelativa a ideia de conseguirem uma nova colónia em plena Europa, depois de haverem tido os seus exércitos envolvidos em encarniçados combates contra o seu maior inimigo – a França. Mais uma vez, no meu sempre questionável ponto de vista, penso que esta hipótese passou pela mente dos governantes britânicos; e digo isto pelas medidas a que se propuseram tomar, em território português, tais como pretender submeter o exército português ao comando de oficiais superiores ingleses, e mesmo, pelo facto de em Portugal, terem prendido portugueses sob a acusação de jacobinismo. &lt;br /&gt; Em 1815 grassava em Portugal o sentimento anti –britânico.&lt;br /&gt; No ano seguinte, em 1816, morreu a rainha D. Maria I, pelo que o príncipe D. João foi proclamado rei de Portugal, com o título de D. João VI; mas encontrava-se no Brasil, não em Portugal, apesar da ameaça francesa se ter extinguido havia já seis anos.&lt;br /&gt; Com o rei fora do reino e a presença britânica em Portugal a manifestar-se cada vez mais opressiva, começou a germinar no seio do povo uma necessidade latente de liberdade. Chegavam os primeiros ventos do liberalismo. Um reino sem rei, era atractivo para as tais intenções colonialistas por parte dos ingleses. Sentindo que Portugal reagia ao crescendo da opressão inglesa, o governo britânico enviou, em 1820, o general Beresford ao Brasil, para que obtivesse do rei português uma maior concentração de poderes, no intuito de melhor poder reprimir acções de revolta, de índole liberal.&lt;br /&gt; Em Portugal o liberalismo deixara de ser uma intenção e passara a ser um conceito.&lt;br /&gt; E por essa altura eu já frequentava a faculdade de medicina, na universidade de Coimbra. Respirava liberalismo. A faculdade inflamava-se com os poemas de incitação à revolta de Almeida Garrett, então um jovem como eu.&lt;br /&gt; No que concerne aos requisitos, que aí na terra, o homem considera serem importantes para que o nome de alguém se torne famoso e imortal, Almeida Garrett preencheu-os todos, pois ainda hoje, passados que são duzentos e sete anos sobre o seu nascimento (era um ano mais velho do que eu), o homem que foi Almeida Garrett, prosador e poeta, continua a ser lido e estudado. Nos parâmetros terrestres eu não atingi qualquer popularidade, pelo que faço parte do imenso rol de gente cujo nome não atravessou a espessa barreira da expressão «povo». Não sei se a mesma situação nos foi destinada aos dois, aqui onde me encontro. Aquele que aí na terra materializou Almeida Garrett, não o tenho visto por aqui. Não faz parte do meu grupo espiritual, portanto também é difícil que o veja...(em continuação, pág. 9- ex. III)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3906068774431676798?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3906068774431676798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3906068774431676798' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3906068774431676798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3906068774431676798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/invasoes-franceses-ingleses-e-almeida.html' title='INVASÕES, FRANCESES, INGLESES E ALMEIDA GARRETT'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-4930179317067470703</id><published>2010-02-18T19:55:00.002Z</published><updated>2010-02-18T20:09:49.687Z</updated><title type='text'>OS SIFTOS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S32ehAeNpqI/AAAAAAAAAUI/1-CSQasWT9k/s1600-h/SIFTO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 118px; height: 101px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S32ehAeNpqI/AAAAAAAAAUI/1-CSQasWT9k/s400/SIFTO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5439678214833022626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Nessa mesma noite, pequenos seres com aspecto de crianças, penetraram as paredes do templo e atravessando a escuridão e o silêncio sagrados, entraram na sala do tabernáculo onde o faraó prestara o seu tributo a Amon-Rá.&lt;br /&gt; Ali, em plena escuridão, sem proferirem um som, fecharam os olhos, estenderam os braços, abriram as mãos e sentiram os fluidos reais colarem-se-lhes à pele. Nesses fluidos estavam todos os sentimentos de amor que o faraó ali deixara, dirigidos ao deus Amon-Rá. Repletos desses fluidos, as três crianças abandonaram o templo, passando de novo através das paredes e muros que encontravam pela frente. E correndo numa velocidade impossível de alcançar a qualquer ser humano, dirigiram-se para o rio Nilo, submergindo-se nas suas águas. Assim que entraram em contacto com a água, transformaram-se em peixes. Eram os «siftos», obreiros do magnífico e sobrenatural palácio dos deuses- MassiftonRá...(em continuação, pág. 16, ex. VI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-4930179317067470703?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/4930179317067470703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=4930179317067470703' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4930179317067470703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4930179317067470703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/os-siftos.html' title='OS SIFTOS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S32ehAeNpqI/AAAAAAAAAUI/1-CSQasWT9k/s72-c/SIFTO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6146334081513742251</id><published>2010-02-15T19:23:00.002Z</published><updated>2010-02-15T19:54:15.307Z</updated><title type='text'>FOGO NUM OLHAR DE ESMERALDA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S3mmVEHYvII/AAAAAAAAAUA/e_TvHIbYDqQ/s1600-h/SACERDOTISA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 101px; height: 127px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S3mmVEHYvII/AAAAAAAAAUA/e_TvHIbYDqQ/s400/SACERDOTISA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438560905838771330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Terminada a longa oração, o faraó levantou-se do trono que para si fora propositadamente construído. O Sumo Sacerdote, que em frente ao tabernáculo se mantivera em silêncio absoluto, como que despertando de um transe, ao ver o faraó levantar-se dirigiu-se a ele, ajoelhou-se e beijando-lhe as mãos disse:&lt;br /&gt;- Amon-Rá receberá as tuas preces, divino senhor.&lt;br /&gt;- Sinto-me muito bem, Sumo Sacerdote. A união do faraó com o deus dos deuses é fundamental para a harmonia do reino. Abandono este local sagrado com imenso júbilo. Pela primeira vez entrei neste templo na condição de rei; pela primeira vez estive nesta sala, reservada apenas à presença de reis. Estou imensamente feliz.&lt;br /&gt;- O meu peito exalta de alegria, divino senhor- disse Masahemba- pois é meu humilde dever canalizar as preces do faraó para Amon-Rá. A tua felicidade é sinónimo de que cumpri bem o meu dever. Segue-me divino senhor.&lt;br /&gt; E Masahemba guiou o faraó até ao imenso átrio, banhado pela luz solar. Ali, encontravam-se três sacerdotisas, que ao verem o faraó despontar do interior das salas destinadas ao tabernáculo sagrado, se ajoelharam.&lt;br /&gt;- As sacerdotisas do templo te saúdam- disse o Sumo Sacerdote.&lt;br /&gt; O faraó contemplou as três jovens mulheres. Quedou-se por momentos, extasiado. Depois perguntou ao Sumo Sacerdote:&lt;br /&gt;- São virgens?&lt;br /&gt;- Divino senhor, as sacerdotisas têm a sua iniciação ainda muito jovens, quando crianças, quando tocadas pela bênção de Amon-Rá. Quando chegam à idade adulta, os únicos homens que vêem são o Sumo Sacerdote e o faraó. Uma sacerdotisa tem de ser pura, na alma e no corpo.&lt;br /&gt;- Qual é especificamente a missão delas?- perguntou o faraó.&lt;br /&gt;- Ao nascer do sol, agradecem a Amon a gentileza de mais um dia a sua luz fecundar a terra. Ao pôr do sol, agradecem a Amon todos os benefícios que a sua luz, durante mais um dia, trouxe aos homens.&lt;br /&gt; Recebida a resposta à sua pergunta, muito lentamente aproximou-se das três sacerdotisas. Fixando-as, passou pela primeira, passou pela segunda, e ao chegar à terceira, parou. O seu olhar, de súbito ganhara um intenso brilho. A terceira sacerdotisa tinha o cabelo da cor do fogo, intensamente vermelho. O faraó ordenou-lhe que se levantasse. Ela assim fez, mantendo, no entanto, o olhar dirigido ao chão. O faraó ordenou que ela o olhasse. Muito lentamente, com relutância, ela começou a elevar o olhar, percorrendo o corpo do faraó, até lhe fixar o rosto. O rei estremeceu. Diante dele estava um rosto ardente, pintalgado de deliciosas sardas, e uns olhos de um profundo verde esmeralda, que produziam nele uma onda de paixão.&lt;br /&gt;- Como te chamas?- perguntou o faraó à sacerdotisa.  &lt;br /&gt;- Nefertiti, divino senhor- respondeu Masahemba.&lt;br /&gt;- Eu não te perguntei coisa alguma, Sumo Sacerdote. Quero que seja ela a responder-me- disse o faraó com um tom de voz traduzindo irritação.&lt;br /&gt;- Ela está proibida…&lt;br /&gt;- Quem aqui tem voz activa para proibir, sou eu! E eu ainda a não proibi de nada- disse o faraó rispidamente ao Sumo Sacerdote- sacerdotisa, o teu faraó quer saber o teu nome- disse o rei, fixando os encantadores olhos verdes da sacerdotisa.&lt;br /&gt;- Nefertiti, divino senhor- respondeu a sacerdotisa.&lt;br /&gt;- Que belo nome de mulher…&lt;br /&gt;- Ela não é uma mulher, divino senhor, é uma sacerdotisa.&lt;br /&gt;- Sumo Sacerdote, interrompeste o teu faraó, quando este falava. Não o repitas. Quando eu regressar a este templo, quero que as minhas sacerdotisas me acompanhem nas orações.&lt;br /&gt;- Com todo o respeito e submissão, divino senhor, te informo de que as sacerdotisas não são tuas. Amon-Rá é o seu senhor.&lt;br /&gt;- Sumo-Sacerdote, tudo o que existe no Egipto, vivo ou morto, é propriedade do faraó. As sacerdotisas entregam a alma a Amon, mas o seu corpo é do faraó.&lt;br /&gt;- Divino senhor, o corpo de uma sacerdotisa está purificado pela bênção de Amon. Logo, é como se a sacerdotisa fosse apenas alma.&lt;br /&gt;- Por hoje chega de conversa contigo. Abre o pórtico para eu sair… e não te esqueças, Sumo-Sacerdote, quero ser acompanhado pelas sacerdotisas nas minhas orações.&lt;br /&gt; O enorme pórtico foi aberto; o faraó saiu do templo; o pórtico fechou-se de novo.&lt;br /&gt; Masahemba observara atentamente o momento em que o faraó ficara frente a frente com a sacerdotisa Nefertiti. Sentira a sua agitação. O faraó era bastante jovem. Que Horus iluminasse o faraó, no sentido de lhe fazer compreender as repercussões negativas, que poderiam advir do facto de uma sacerdotisa despertar ímpetos mundanos...(em continuação- pág. 15- ex. V)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6146334081513742251?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6146334081513742251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6146334081513742251' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6146334081513742251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6146334081513742251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/fogo-num-olhar-de-esmeralda.html' title='FOGO NUM OLHAR DE ESMERALDA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S3mmVEHYvII/AAAAAAAAAUA/e_TvHIbYDqQ/s72-c/SACERDOTISA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8200032674655924680</id><published>2010-02-11T18:01:00.002Z</published><updated>2010-02-11T18:27:44.465Z</updated><title type='text'>MÚSICA DE UMA VIDA- LOGO QUE PASSE A MONÇÃO</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/eJkPM5z7S9k&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/eJkPM5z7S9k&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa altura em que o nosso Navio Escola Sagres percorre, neste momento, as rotas marítimas que os marinheiros portugueses percorreram na Epopeia dos Descobrimentos, é pertinente recordar esta faixa- Logo Que Passe a Monção, do álbum «Auto da Pimenta», de 1991, encomendado para celebrar os 500 anos sobre os Descobrimentos Portugueses. É, na minha opinião, uma das mais belas melodias cantadas em português. Claro, tinha de ter por autor o nosso enorme Rui Veloso, com letra de um outro talentoso- Carlos Tê, uma dupla que nos tem presenteado com letras fabulosamente recheadas de emoção poética e musical. É sem qualquer dúvida uma música para ouvir toda uma vida, tanto pela beleza melódica como pelo conteúdo da letra, que evoca bem o sentimento de um marinheiro português perdido no Oriente das monções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8200032674655924680?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8200032674655924680/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8200032674655924680' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8200032674655924680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8200032674655924680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/musica-de-uma-vida-logo-que-passe.html' title='MÚSICA DE UMA VIDA- LOGO QUE PASSE A MONÇÃO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3138339032184275013</id><published>2010-02-08T22:39:00.001Z</published><updated>2010-02-08T22:47:48.223Z</updated><title type='text'>NA BEIRA MAR, ENTRE IRMÃOS</title><content type='html'>- ...Esperem por mim seus sacanas- berrava Narciso Conde, enquanto a correr se afastava da casa Lobito de Benguela- isso è que vocês são uns amigos.&lt;br /&gt;- Ah, nós è que somos maus amigos!!- retorquia um dos outros três rapazes- quase nos meteste numa grande trapalhada. Asseguraste-nos que não ia haver qualquer perigo na casa da tua tia, e afinal tínhamos uma comissão de recepção.&lt;br /&gt;- E vocês não viram porquê? Como podia eu adivinhar que o animal do Serôdio estava lá em casa?&lt;br /&gt;- E ele estava lá em casa a fazer o quê?&lt;br /&gt;- È verdade!!  Ele estava lá em casa a fazer o quê?- questionava-se Narciso- ele não conhece a velha, nunca esteve naquela casa. Sabem de uma coisa? Aquele gajo estava à nossa espera. Ele sabia que nós íamos ali esta noite.&lt;br /&gt;- Mas sabia como? Só se o tipo for bruxo.&lt;br /&gt;- Isso eu não sei- dizia Narciso- mas que ele estava ali por nossa causa, disso não tenho dúvidas. Aquele tipo vai-me pagar isto bem pago.&lt;br /&gt;- Será que nos conheceram?&lt;br /&gt;- È possível, mas nada podem provar- respondeu Narciso cheio de confiança- fiquem calmos. Temos de ter a cabeça fria. Eu irei de mansinho sondar a velha e o tição, para ver se desconfiam de alguma coisa.&lt;br /&gt;E os quatro seguiram cada um para sua casa, tendo-se livrado previamente dos garruços de lã preta, que abandonaram num contentor do lixo.&lt;br /&gt;No dia seguinte, depois do almoço, D. Silvina dirigiu-se a casa do seu irmão. Não estaria nas melhores condições psíquicas para ter uma conversa do género daquela que iria desenvolver, mas não podia deixar cair em esquecimento o que lhe acontecera na noite anterior. E o que acontecera fora muito grave! Não tivesse sido a oportuna intervenção de Serôdio, talvez a sua vida já não existisse. Como o rapaz ficara com a cara. Estava inchada e na zona da vista esquerda tinha uma enorme nódoa de um negro muito feio. Fora uma noite esgotante. Teria agora de ter muito tacto para conversar com o seu irmão. Sim, porque não se acusa um filho de alguém de uma coisa tão má como aquela, assim de ânimo leve, sem provas, mesmo a acusadora sendo uma tia.&lt;br /&gt;O seu irmão, Carlos Conde, era dois anos mais novo do que ela. Formara-se em engenharia. O pai dos dois fora um benemérito médico aveirense. Numa educação respeitando os princípios cristãos e as leis da moralidade, criou os seus dois filhos. Ao rapaz deu um curso de engenharia e à rapariga deu um nome respeitável, nome esse que veio a atrair a atenção de um jovem alferes. Por isso mesmo, D. Silvina contava com o discernimento do irmão para poder resolver aquele assunto tão delicado.&lt;br /&gt;Previamente ligara para o seu irmão, certificando-se de que ele estaria em casa.&lt;br /&gt;Carlos Conde vivia numa tradicional casa ribeirinha, na zona da beira mar plantada, virada para um braço da ria que passava num canal a que puseram o nome de S. Roque. Daquela casa se já havia assistido ao esforço de centenas e centenas de marnotos, na árdua faina do sal. Se a casa de D. Silvina evocava os tempos da colonização portuguesa em África, a casa de Carlos Conde recordava o tempo em que a ria fora o coração de Aveiro, exibindo painéis de azulejos onde se representavam barcos moliceiros cortando as águas da ria, uns carregados de montes de escuro moliço e outros a abarrotar com a alvura de montes de sal.&lt;br /&gt;Nem foi preciso fazer-se anunciar. O irmão aguardava-a ao topo de uma pequena escadaria.&lt;br /&gt;- Então Silvina, o teu tom de voz ao telefone deixou-me preocupado- dizia Carlos Conde, um homem quase a entrar nos cinquenta, de cabelo e pêra grisalhos.&lt;br /&gt;- Não è para menos Carlos, não è para menos- dizia D. Silvina, enquanto saía do carro conduzido pelo criado negro- ainda há quem se aproveite do facto de uma mulher ser viúva.&lt;br /&gt;- Que me dizes? Fizeram-te alguma coisa?- perguntava o irmão de D. Silvina, enquanto a acompanhava.&lt;br /&gt;Depois de comodamente instalados numa sala, onde o primordial motivo de decoração era a faina da ria, Carlos Conde disse:&lt;br /&gt;- Mas então irmã, que te aconteceu?&lt;br /&gt;- Gostaria de ter esta conversa a sós contigo.&lt;br /&gt;- Podes falar Silvina, a minha mulher e os miúdos saíram e a empregada está a estender roupa no quintal.&lt;br /&gt;- Pois muito bem, meu querido irmão, o que te tenho para dizer não è nada simpático. Também não tenho provas, mas não podia ficar a viver nesta situação, sujeita sabe Deus a quê.&lt;br /&gt;- Silvina, quando te pões com essas evasivas, è porque o caso è mesmo sério.&lt;br /&gt;- Sim è sério. Eu podia estar morta neste momento...&lt;br /&gt;- Morta?- questionou o engenheiro Carlos Conde- morta como?&lt;br /&gt;- Morta como? Sem vida, como è que querias que eu estivesse morta a não ser dessa maneira?&lt;br /&gt;- Não è isso que eu quero dizer. Correste mesmo perigo de vida?&lt;br /&gt;- Sim Carlos, ontem pelas duas horas da manhã a minha casa foi assaltada por quatro meliantes.&lt;br /&gt;- Que me dizes?&lt;br /&gt;- È verdade. Um deles atacou-me com uma daquelas lanças que o Raul trouxe de Angola. Não fosse a pronta intervenção de um rapaz que lá estava em casa...&lt;br /&gt;- Tu tinhas um rapaz em tua casa às duas da manhã?&lt;br /&gt;- A história começa nesse rapaz. Durante a tarde de ontem esse moço chamado Serôdio veio-me bater à porta, para me alertar de que eu à noite iria ser assaltada.&lt;br /&gt;- Essa agora!! E foste mesmo- dizia o engenheiro Carlos Conde.&lt;br /&gt;- E fui mesmo! Mas o mais grave ainda não te disse. Esse rapaz, que è colega de turma do teu filho Narciso, foi acusá-lo de que seria ele o cérebro do assalto.&lt;br /&gt;O irmão de D. Silvina ficou uns momentos em silêncio. Depois disse calmamente:&lt;br /&gt;- Tu estás a acusar o meu filho de ser um assaltante?&lt;br /&gt;- Que te hei-de eu dizer irmão? Aquele rapaz veio denunciar uma situação que acabou por acontecer. Os assaltantes foram direitinhos ao quadro da parede que esconde o cofre. Retiraram o quadro da parede e já se preparavam para abrir o cofre, quando foram descobertos. Que te hei-de dizer?&lt;br /&gt;- Tens provas da acusação que estás a fazer?&lt;br /&gt;- Não, não tenho, porque os quatro assaltantes estavam encapuçados e nunca falaram.&lt;br /&gt;- E esse tal... como se chama...?&lt;br /&gt;- Serôdio?&lt;br /&gt;- Sim, esse tal Serôdio, estará ele por detrás desse assalto?&lt;br /&gt;- Depois de em voo se ter lançado contra o indivíduo que para mim corria com a lança em riste, e depois de por esse mesmo bandido ter sido agredido a pontapé no peito e no rosto, acho muito difícil.&lt;br /&gt;- Silvina, faz-me compreender a razão pela qual acreditas que o meu filho Narciso seria capaz de te fazer tal barbaridade.&lt;br /&gt;- Talvez o modo desprezível com que me olha. Sinto nele que por mim não nutre qualquer sentimento.&lt;br /&gt;- Eu estou muito magoado contigo Silvina.&lt;br /&gt;- Meu irmão, Deus me perdoe se estou a cometer uma injustiça. No entanto, vivendo todas as minhas incertezas e pavores, aqui me tens a dizer-te tudo isto e não na esquadra de policia. Eu não poderia fazer isso ao meu querido irmão, nem mesmo se tivesse a certeza da presença do Narciso ontem em minha casa.&lt;br /&gt;- E esse Serôdio, porque enxovalhou ele o nome do meu filho?&lt;br /&gt;- Porque disse ter descoberto o plano, e porque estava farto da conduta do Narciso para com os colegas de turma e ele próprio.&lt;br /&gt;- A conduta? Que conduta?&lt;br /&gt;- Olha Carlos, não sei... vai lá ao liceu e informa-te. Eu fui assaltada, quase agredida, tive de ir com o rapaz ao hospital, foi uma noite para esquecer. Estou exausta. Não tenho provas para acusar o teu filho, mas... disse-te o que sinto. Se ele não tiver culpa, eu a ti e a ele pedirei desculpas. Boa tarde.&lt;br /&gt;E D. Silvina abandonou a casa do irmão, mais angustiada do que entrara. Ele ficara revoltado com ela. Era natural. Nenhum pai gosta de ouvir más palavras em relação a um filho. Mas, infelizmente, ela sentia que Serôdio tinha razão na acusação que fizera...(em continuação- pág. 38- ex. XI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3138339032184275013?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3138339032184275013/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3138339032184275013' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3138339032184275013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3138339032184275013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/na-beira-mar-entre-irmaos.html' title='NA BEIRA MAR, ENTRE IRMÃOS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6647698705002725604</id><published>2010-02-05T21:38:00.002Z</published><updated>2010-02-05T21:48:24.204Z</updated><title type='text'>O ATAQUE</title><content type='html'>- O que è que se passa aqui?- perguntou D. Silvina.&lt;br /&gt;- Infelizmente não me enganei D. Silvina. Estes tipos ainda não disseram absolutamente nada. Estão com medo que eu lhes reconheça a voz- disse Serôdio com voz exaltada, sintoma da excitação.&lt;br /&gt;- Qual de vocês è o meu sobrinho Narciso?- perguntou D. Silvina.&lt;br /&gt;Como resposta, o assaltante que mais próximo se encontrava de Serôdio, num gesto rapidíssimo, pegou numa das lanças que se encontravam no chão e com ela em riste correu na direcção de D. Silvina. Serôdio apenas teve tempo de se lançar em voo, fazendo-lhe uma autêntica placagem de rugby. Ambos caíram por terra.&lt;br /&gt;Armando, tendo pressentido as intenções daquele indivíduo, quando o viu dirigir-se para a sua patroa, desinteressou-se dos outros e foi em auxílio de Serôdio, tendo então pegado, também ele, numa lança. Serôdio, suplantado em força física pelo oponente, tentava desesperadamente que ele o não atingisse com a ponta metálica e afiada da lança. Com uma força que ele foi buscar sem saber onde, conseguiu desarmar o intruso. Este, furioso, pontapeou o peito e o rosto de Serôdio. Vendo no entanto aproximar-se o criado negro com a lança em riste, preferiu fugir. Quando o fez a sala estava vazia.&lt;br /&gt;Serôdio tinha as costelas doridas e desenhava-se-lhe um hematoma no rosto.&lt;br /&gt;- Armando, vai tentar ver por onde saíram- ordenou D. Silvina.&lt;br /&gt;- Sim, senhora- respondeu o criado negro, que logo abalou, levando a lança bem agarrada numa das mãos.&lt;br /&gt;- Tens de ir ao hospital, Serôdio.&lt;br /&gt;- Não vale a pena D. Silvina. Isto não è nada.&lt;br /&gt;- È, è. Esse hematoma na cara está a ficar muito feio.&lt;br /&gt;- Foram só dois pontapés.&lt;br /&gt;- E eu vi com que violência foram dados. Aquele indivíduo è mesmo mau.&lt;br /&gt;- E è esperto. Nunca abriu a boca- retorquiu Serôdio, que com muita dificuldade se levantava, ajudado por D. Silvina.&lt;br /&gt;- Se não fosses tu, ele tinha-me atingido com a lança e não sei o que teria sido de mim- disse a senhora, apoiando Serôdio.&lt;br /&gt;- Ele realmente atacou-a cheio de raiva.&lt;br /&gt;- Ficámos sem saber se isto teve relação com o que o teu colega ouviu na casa de banho do café.&lt;br /&gt;- D. Silvina, eu não tenho grandes dúvidas- disse Serôdio- se eles nunca falaram, por alguma razão foi. È estranho que não tenham comunicado verbalmente entre si. Eles não o fizeram porque receavam que eu, a senhora ou mesmo o Armando lhes reconhecêssemos as vozes.&lt;br /&gt;- Sim, tu tens razão, mas no fundo não passam de conjecturas da nossa parte. Não existem certezas.&lt;br /&gt;- Uma certeza há D. Silvina. Eles sabiam onde o cofre estava escondido. Mesmo às escuras o encontraram. E a senhora não acha grande coincidência, o facto de ter sido assaltada na mesma noite em que eu a vim avisar de que isso iria acontecer?&lt;br /&gt;- Tens razão Serôdio. Amanhã vou falar com o meu irmão. Não sei bem o que lhe irei dizer, mas não posso, a partir de agora, viver com esta desconfiança.&lt;br /&gt;- Eles fugiram pela porta lá de trás- disse Armando, que entretanto regressara.&lt;br /&gt;- Mas essa porta estava fechada, não estava Armando?&lt;br /&gt;- Estava sim , senhora. Mas a porta foi aberta com a chave que falta no molhe. Eram três chaves e só lá estão duas.&lt;br /&gt;- E quando è que essa chave faltou?- perguntou Serôdio.&lt;br /&gt;- Não sei jovem moço- respondeu o criado negro.&lt;br /&gt;- Aquela è uma porta que tem pouca utilização- retorquiu D. Silvina.&lt;br /&gt;- Alguém que frequenta esta casa apercebeu-se disso, apoderou-se de uma das chaves e...&lt;br /&gt;- Será que o meu sobrinho Narciso pode ser assim falso como Judas?&lt;br /&gt;- Pelo menos com os colegas ele nunca soube ser leal- disse Serôdio.&lt;br /&gt;- Bem, vamos então ao hospital.&lt;br /&gt;- Mas D. Silvina, isto...&lt;br /&gt;- Tu não tens querer, meu rapazinho. Precisas de tratamento. Armando, vai tirar o carro da garagem.&lt;br /&gt;- Sim senhora, vou já- disse o criado negro abalando rapidamente.&lt;br /&gt;- Eu posso ligar para o meu pai...&lt;br /&gt;- Não ligas coisíssima nenhuma. Vais agora apoquentar a pobre criatura, a uma hora destas!! Já basta entrares em casa com esse hematoma no rosto. Vamos indo, que o Armando num instante prepara o carro...(em continuação- pág. 33- ex. X)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6647698705002725604?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6647698705002725604/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6647698705002725604' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6647698705002725604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6647698705002725604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/o-ataque.html' title='O ATAQUE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3373904889077579703</id><published>2010-02-02T17:39:00.006Z</published><updated>2010-02-02T19:41:33.768Z</updated><title type='text'>A REPÚBLICA- 3º ANO II</title><content type='html'>...O primeiro resultado de tudo isto foi uma sensível melhoria nas relações internacionais, facilitadas pelo vapor, electricidade e imprensa; ganharem força as ideias de paz universal, pela arbitragem e trabalhar-se, à porfia, na resolução do grave problema da distribuição das riquezas naturais e do trabalho.&lt;br /&gt;Sendo uma época de transformações, nenhum partido conseguiu realizar o seu programa, apesar de aparecerem muitos homens cheios de tino politico e de austeridade moral.&lt;br /&gt;Tinha de ser assim, porque só os governos absolutos estão dentro da lógica, para povos sem preparo para os regimes de liberdade.&lt;br /&gt;As velhas dinastias estavam, porém, gastas e todos os regimes novos se fundam antes de a maioria poder compreendê-los.&lt;br /&gt;Como, porém, os governos representativos atribuem voto de igual quilate ao sábio e ao ignorante, ao sério e ao troca-tintas, fez-se em cem anos uma política suja, mandando as maiorias arrebanhadas a vinho e bacalhau frito pela corja audaz dos políticos, ficando, ás vezes, fora do governo os homens que mais podiam contribuir para a boa marcha dos negócios....(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A REPÚBLICA NA BEIRA ALTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martins e Abreu&lt;br /&gt;revoltoso do 31 de Janeiro e cavador em Mortágua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1913&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3373904889077579703?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3373904889077579703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3373904889077579703' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3373904889077579703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3373904889077579703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/republica-3-ano-ii.html' title='A REPÚBLICA- 3º ANO II'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5748528053269058109</id><published>2010-02-01T19:21:00.004Z</published><updated>2010-02-01T19:37:08.965Z</updated><title type='text'>A REPÚBLICA- 3º ANO</title><content type='html'>Neste ano em que se comemora o 1º centenário da implantação da República em Portugal, penso que será interessante conhecer-se a perspectiva que um cidadão português tinha sobre a República, apenas três anos após a sua implantação. Curiosamente, muitas questões que ele colocava, mantêm-se actuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Na evolução das sociedades modernas, a voz dos produtores ergue-se mais alta que todas, mostrando que passou o tempo do privilégio em política; que a força e a energia estão com os que trabalham e que a vida dos velhos regimes está gasta e só poderá ainda arrastar-se contemporisando com as ideias revolucionárias.&lt;br /&gt;No último século estabeleceram-se governos constitucionais em toda a Europa continental e numa parte da Ásia; na América unificou-se o sistema democrático com a transformação do Brasil em república; os hábitos de despotismo abrandaram mesmo em países atrasados; tomou-se o pulso aos tempos e concedeu-se à opinião pública muito do que ela exigia...(continua)»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A REPUBLICA NA BEIRA ALTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martins e Abreu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1913&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5748528053269058109?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5748528053269058109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5748528053269058109' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5748528053269058109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5748528053269058109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/02/republica-3-ano.html' title='A REPÚBLICA- 3º ANO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5424458870755685312</id><published>2010-01-29T19:46:00.001Z</published><updated>2010-01-29T19:53:28.914Z</updated><title type='text'>O NINDA</title><content type='html'>...Ao longe avistava-se o verde denso da floresta equatorial. Naquela imensa clareira, onde o maciço arvoredo fora rasgado, estava situado o aquartelamento do Ninda. Camaratas feitas de madeira perfilavam-se longitudinalmente sobre quatro linhas imaginárias, formando um rectângulo com as dimensões de um campo de futebol. No lado interior das camaratas estendia-se a parada, onde os militares faziam as suas formaturas diárias. No lado exterior era a vastidão de Angola, a área onde o perigo espreitava a qualquer momento, onde uma mira traiçoeira podia apontar a qualquer um. A cerca de cinquenta metros das camaratas existia uma vala que circundava todo o aquartelamento, com um metro e meio de profundidade por dois metros de largura. Tinha aquela vala por objectivo dificultar o acesso ao aquartelamento. Acompanhando toda a linha interior da vala, era visível a arrepiante vedação defensiva em arame farpado. Para reforçar a defesa, em toda a volta do aquartelamento rectangular, foram construídos seis abrigos, feitos de tábuas e argamassa, envoltos com pilhas de sacos de areia. No interior de cada abrigo posicionava-se uma sentinela, que permanentemente vigiava a exuberante floresta. De um desses abrigos, numa noite, partira um alerta. Uma rajada de metralhadora avisara toda a companhia ali aquartelada que do lado de fora existia perigo.&lt;br /&gt; Fora uma bela noite de luar. Um soldado, que acabara de sonhar com um beijo macio e ardente da sua distante namorada, percepção essa trazida por aquela lua brilhante, desassossegadora do coração dos homens, viu subitamente alguns vultos mancharem a luz azulada do luar. Firmou bem a visão e a audição. Sentindo que havia movimento a aproximar-se da vala, não hesitou. A sua G3 cuspiu fogo e anunciou a chegada dos «turras» , o inimigo, o «in». De imediato a noite no  exterior do arame farpado se encheu de inúmeros  pontos vermelhos de fogo. As Kalachnikov terroristas disparavam . &lt;br /&gt; Por entre vozes de comando e berros de surpresa e aflição, a companhia corria pela parada térrea, aparentemente atarantada. Mas a defesa estava montada e pré concebida. Apenas no Ninda haviam explodido duas granadas, lançadas pelas bazucas inimigas, e já a companhia dava a sua resposta. Muitos « very-lights » foram lançados. Iluminando na sua queda lenta de pára-quedas toda a área envolvente do aquartelamento, as luzes da noite afugentaram os inimigos para mais longe, para a protecção da floresta. Mas o ataque continuou, pois as armas soviéticas do «in» tinham um longo alcance. Balas e granadas fustigaram o Ninda por um período que aos soldados portugueses pareceu eterno. Rastejando, colados ao chão, oprimidos pela humidade e o calor, tentavam ser imunes ao fogo terrorista, ao mesmo tempo que tentavam o mais possível serem dissuasivos. Depois, a calma regressara. As balas deixaram de zumbir e assobiar. As granadas pararam de espalhar o seu enxame mortífero. Lentamente a companhia recompunha-se do ataque. O soldado que sonhara com a namorada, mantinha-se deitado, espreitando pela pequenina abertura do abrigo, protegido pelos sacos de areia. No meio da sua história de amor, fora acordado, quem sabe, se por alguma farpa do deus Marte, e tivera tempo e discernimento para dar o alerta. Sabia agora que tudo na vida tinha o seu espaço e o seu tempo. Ali, no seio daquela floresta bela, luxuriante, fervilhante de vida, mas também inóspita, traiçoeira, perigosa e letal, não havia lugar para o amor, porque o amor è doçura, carinho, suavidade, vida. E ali era a guerra. E na guerra só existe brutalidade, bestialidade, e o perigo sempre eminente de perder a vida e ganhar a morte. Como escaldava o cano da G3 daquele jovem soldado...(em continuação- pág. 54, ex. IX)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5424458870755685312?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5424458870755685312/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5424458870755685312' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5424458870755685312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5424458870755685312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/o-ninda.html' title='O NINDA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1028901427640595551</id><published>2010-01-26T18:27:00.002Z</published><updated>2010-01-26T18:42:33.442Z</updated><title type='text'>ENTRADA PARA O DESCONHECIDO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S183eNzZSqI/AAAAAAAAAT4/PKmigNr3ACY/s1600-h/embarque.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 149px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S183eNzZSqI/AAAAAAAAAT4/PKmigNr3ACY/s400/embarque.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431120667872938658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... Quando eu e a minha mulher regressámos a casa, apenas encontrámos o nosso filho. A Catarina já se tinha ido embora. Ele estava possuído por uma angústia profunda.&lt;br /&gt;- Sei bem o quanto essa angústia doeu senhor Victor. Disse o senhor que essa confraternização se passou três dias antes do embarque para Angola. Eu embarquei para África no mesmo dia e no mesmo navio que levou o Álvaro. Portanto, três dias antes, nesse mesmo dia, o meu estado de espírito era muito idêntico ao do seu filho. Sentíamos a nossa vida parar. Já no porto de Lisboa, quanta amargura não inundou aquelas pedras, amargura encerrada em cada lágrima que ali foi derramada pelas milhares de pessoas que ali afluíram. Choravam, os que partiam e os que ficavam. Que sensação estranha e vazia foi aquela que sentimos, quando o porto de embarque se vestiu de um branco ondulante, o branco dos lenços com que nos acenavam. Para muitos um último adeus. Para todos a fervorosa esperança no regresso. Ao entrarmos naquele imenso navio, o Vera Cruz, foi como se entrássemos por uma porta que ocultava o desconhecido. Entrámos num espaço sem horas nem dias. Ali não havia passado nem futuro. E o presente que vivíamos não era nosso. Era um presente emprestado, pois o nosso presente ficara aqui. Por essa razão a nossa vida parara. Éramos muitas centenas que ali estavam, sulcando as ondas de um Atlântico cada vez mais desconhecido...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ... E em cerca de quinze dias o Vera Cruz transpôs a distância entre Lisboa e Luanda.&lt;br /&gt; Bravos Lusitanos. Que destino o vosso. Fostes o apêndice mais avançado da história. Não tivessem os Portugueses de Quinhentos sonhado com um império, não estaríeis vós agora a chegar a Luanda.&lt;br /&gt; De vermelho lusitano se tingiu muita da história sangrenta de África. Não deixeis, vós, bravos lusitanos, que Alcácer-Quibir faça parte das vossas vidas, porque há muito sol para ver, muito luar para apreciar, muito amor para amar, muitos filhos para nascerem, muito para dar a Portugal, muitos dias para se viver português. &lt;br /&gt; Só Portugal é nosso...(em continuação- pág. 51- ex. XVIII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1028901427640595551?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1028901427640595551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1028901427640595551' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1028901427640595551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1028901427640595551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/entrada-para-o-desconhecido.html' title='ENTRADA PARA O DESCONHECIDO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S183eNzZSqI/AAAAAAAAAT4/PKmigNr3ACY/s72-c/embarque.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1850065093547391802</id><published>2010-01-24T19:11:00.003Z</published><updated>2010-01-24T19:26:26.225Z</updated><title type='text'>SOLIDÃO SALGADA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S1ybkokyDVI/AAAAAAAAATw/YUT0kynFK4A/s1600-h/PESCADOR.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 225px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S1ybkokyDVI/AAAAAAAAATw/YUT0kynFK4A/s400/PESCADOR.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430386304371264850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nesta solidão salgada&lt;br /&gt;Que me purifica a alma&lt;br /&gt;Busco o equilíbrio do meu ser&lt;br /&gt;Que me transmita calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mar que me abençoa&lt;br /&gt;Tão velho, mas sempre igual&lt;br /&gt;É um pregão que apregoa&lt;br /&gt;A alma do meu Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste Portugal sem idade&lt;br /&gt;Tendo o mar por companheiro&lt;br /&gt;Nasceu a palavra saudade&lt;br /&gt;Tesouro de um povo altaneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos negros penedos onde me sento&lt;br /&gt;Olho a imensidão da história&lt;br /&gt;Ouço segredos do vento&lt;br /&gt;Orgulhos da nossa memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser lusitano me preenche&lt;br /&gt;Numa vela ao vento enfunada&lt;br /&gt;Em mim, um marinheiro que&lt;br /&gt;O meu coração sente&lt;br /&gt;Nesta solidão salgada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06/01/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao JSimão, que me corre nas veias, o meu obrigado por este momento de sal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1850065093547391802?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1850065093547391802/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1850065093547391802' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1850065093547391802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1850065093547391802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/solidao-salgada.html' title='SOLIDÃO SALGADA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S1ybkokyDVI/AAAAAAAAATw/YUT0kynFK4A/s72-c/PESCADOR.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5182187400249903772</id><published>2010-01-21T22:24:00.001Z</published><updated>2010-01-21T22:37:18.253Z</updated><title type='text'>UM COMPADRE OLEIRO</title><content type='html'>...Américo Afonso encontrava-se sozinho na sala de jantar da Casa das Leis. Pedira aos pais para comparecerem ali, pois precisava de ter uma conversa com eles. Enquanto aguardava a sua chegada, memorizava as palavras e o modo que concebera para lhes transmitir o que pretendia. Era assunto sério e delicado. Américo estava nervoso, mas também determinado a levar por diante as suas intenções.&lt;br /&gt;- Então que temos, menino?- perguntou D. Vitoriana com o seu ar bem disposto, arrancando Américo às suas reflexões.&lt;br /&gt;- Enfim chegaram - disse Américo.&lt;br /&gt;- Pareces estar um pouco agitado - observou o Doutor Sebastião.&lt;br /&gt;- Sim, é verdade meu pai. Não o posso negar. Estou um pouco nervoso.&lt;br /&gt;- Então o caso é mais sério do que eu supunha - disse D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- Sim, o caso é sério porque se trata da minha vida e a de mais alguém - respondeu Américo.&lt;br /&gt;- Não me digas que o assunto é “rabo de saias” - disse o pai de Américo.&lt;br /&gt;- Pois é isso mesmo. Eu quero-me casar...&lt;br /&gt;- Mas filho, isso é uma notícia extraordinária - disse D. Vitoriana - ao tempo que eu esperava por essas palavras...&lt;br /&gt;- Com a Luísa Avilar - disse Américo.&lt;br /&gt;- Luísa Avilar? Eu já ouvi este nome. Quem é? - perguntou o Doutor Sebastião a uma estupefacta D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- Tu queres casar com a nossa criada? - perguntou a mãe de Américo.&lt;br /&gt;- Minha mãe, onde está a sua alegria? - perguntou Américo receosamente.&lt;br /&gt;- Eu estou a entender bem? - perguntou o pai de Américo - tu queres casar com a criada cá de casa?&lt;br /&gt;- Quero. O meu pai vê problema nisso?&lt;br /&gt;- Se vejo problemas? Andaste a estudar em Coimbra para casares com uma criada?&lt;br /&gt;- Não meu pai. Andei a estudar em Coimbra para me formar em direito. O seu raciocínio não é lógico.&lt;br /&gt;- Não é lógico? Um prestigiado advogado como eu, ser sogro de uma criada... bonito o caso!&lt;br /&gt;- Meu pai, eu caso-me para o fazer feliz ou para ser eu feliz?&lt;br /&gt;- Mas que pergunta é essa meu filho? É óbvio que eu só pretendo o melhor para ti. E é por isso que estou estupefacto. Para mim, uma noiva tem de ser uma donzela. E a Luísa, como mãe de dois filhos, já não pode aspirar a ser donzela. Isso não te entristece?&lt;br /&gt;- Meu pai, por vezes numa donzela pode-se esconder uma mulher reles. Vi muito disso nos anos que passei em Coimbra. A Luísa não é propriamente uma carta fechada. Já deu provas do que vale. Além de bela, é uma verdadeira mulher. Que melhor posso eu pretender?&lt;br /&gt;- Das tuas palavras posso depreender então que a opinião do teu pai não conta!&lt;br /&gt;- O meu pai merece-me todo o respeito - disse Américo - mas não vivemos propriamente na Idade Média. Eu caso-me somente com a mulher que eu sinto que me fará feliz. E aí só o meu sentimento manda.&lt;br /&gt;- Mas filho, o casamento é a projecção da nossa posição social - disse o Doutor Sebastião.&lt;br /&gt;- Um casamento feliz é a projecção da nossa posição social, meu pai. Com a Luísa Avilar a meu lado, toda a vida se me abre em esperançosas perspectivas. Sem ela não tenho alento para coisa alguma. Não era a minha felicidade que os meus pais almejavam?&lt;br /&gt;- Ora uma destas! - dizia o pai de Américo.&lt;br /&gt;- Então Sebastião, vamos ser compreensivos - disse D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- Tu também?! - retorquiu o Doutor Sebastião.&lt;br /&gt;- Eu quero o bem e a felicidade do nosso filho. E mais a mais, a Luísa Avilar é uma boa rapariga. É trabalhadora, honesta...&lt;br /&gt;- É a mulher perfeita minha mãe - disse Américo - ou ela ou nenhuma. E como eu não abdico da sua companhia, será com ela que me vou casar. Os dotes e as riquezas, ela oferecermos-à com a abundância de bons sentimentos que possui.&lt;br /&gt;- A tua decisão é então irreversível? - perguntou o Doutor Sebastião.&lt;br /&gt;- Não pode ser de outra maneira meu pai. Além do mais sou um homem de honra.&lt;br /&gt;- Isso quer dizer o quê? - perguntou o pai de Américo.&lt;br /&gt;- Quer dizer que os meus pais, brevemente, vão ser avós. Por isso resolvi conversar convosco mais depressa do que desejava.&lt;br /&gt;- A Luísa está grávida? - perguntou D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- Assim é, minha mãe.&lt;br /&gt;- Então o caso já vai adiantado - disse o Doutor Sebastião.&lt;br /&gt;- Por isso mesmo, meu pai, pelo tempo que já tive para poder ajuizar, estou tão certo das minhas convicções.&lt;br /&gt;- Que podemos nós fazer Vitoriana? É o nosso único filho. Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé. Que venha o meu compadre oleiro, por amor do meu filho.&lt;br /&gt;- Meu pai, a diferença entre esta casa e a casa de Luísa, é que aqui há mais dinheiro do que lá. Aqui existem livros e lá não. Mas tal como aqui, lá reside a dignidade, a educação e o respeito pelo seu semelhante. Meu pai, como mulher eu não encontraria melhor do que a Luísa por essas famílias abastadas que para aí vivem.&lt;br /&gt;- Está bem meu filho. Convenceste-me. A inesperada notícia de que vou ser avô tirou força a todos os meus argumentos. Que dizes Vitoriana?&lt;br /&gt;- A Luísa não é uma estranha para mim. Se ela representa a felicidade do meu filho, é com carinho que a recebo como mãe do meu neto. Uma boa dona de casa ela será. Boa mãe já o é. Que seja bem vinda. &lt;br /&gt;Que pais maravilhosos Américo Afonso tinha. A natural oposição à ideia de terem Luísa Avilar como nora, depressa se desvaneceu perante a inabalável determinação de Américo. Era o dia 10 de Agosto de 1922. Américo saiu de casa em busca de Luísa. Encheu o peito com o ar do meio-dia. O sol estava escaldante. Magnífica luz a do sol, que quase torna transparentes as almas boas que se encontram felizes...(em continuação- pág. 84, ex. XXVII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5182187400249903772?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5182187400249903772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5182187400249903772' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5182187400249903772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5182187400249903772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/um-compadre-oleiro.html' title='UM COMPADRE OLEIRO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3584644207011547400</id><published>2010-01-19T11:39:00.005Z</published><updated>2010-01-22T18:11:23.251Z</updated><title type='text'>Á DESVENTURA LADRAM OS CÃES</title><content type='html'>...Percorrendo a distância despovoada que ia do Alto da Estrada à herdade, chegou o caminhante ao solar. Quatro torres erguidas aos céus davam-lhe uma aparência de fortaleza. Ao lhe perpassar este pensamento pela mente, ficou imóvel. Olhou fixamente a casa senhorial. Era decerto uma fortaleza bastante vulnerável. À visão do solar, o seu rosto escurecido pela barba espessa e negra, endurecera. O sangue corria-lhe forte nas veias, agitando os seus sentimentos. Que segredos em comum existiriam entre o solar e o caminhante?&lt;br /&gt; Com a sua aparição dois cães começaram a ladrar furiosamente, pelo que surgiu um homem a averiguar a causa da agitação. Era o verruga. Detectando a presença do estranho, de imediato se dirigiu a ele ameaçadoramente, dizendo:&lt;br /&gt;- Que queres daqui farrapeiro?&lt;br /&gt;- Procuro trabalho - disse o caminhante sem denunciar medo - quero falar com o senhor Barreto Raposo.&lt;br /&gt;- O “nhor” Barreto Raposo tem muitos cuidados para estar a perder tempo contigo. “Desparece” daqui antes que eu te empurre.&lt;br /&gt;- Empurrar alto lá - respondeu o caminhante - só quero pedir trabalho. Não estou a ofender ninguém.&lt;br /&gt;- Estás-me a ofender a mim, que já te disse para ires embora e “inda” aqui estás.&lt;br /&gt;- Ainda não fiz ao que vim. Se o senhor Barreto Raposo não está, voltarei cá noutro dia.&lt;br /&gt;- Não vai ser preciso - disse o fivelas que estando dentro do solar, ao som da discussão veio ver o que se passava - se è para pedires esmola já cá não devias estar.&lt;br /&gt; O caminhante olhou para aquele homenzarrão que acabara de surgir.&lt;br /&gt;- O senhor é que é o dono da herdade?&lt;br /&gt;- Eu mesmo. Que queres?&lt;br /&gt;- Venho pedir trabalho.&lt;br /&gt;- Que sabes tu fazer? - perguntou o fivelas.&lt;br /&gt;- Faço todos os trabalhos da lavoura.&lt;br /&gt;- Bom, um par de braços nunca é demais. Se eu não gostar do que fazes vais embora. Como te chamas?&lt;br /&gt;- Já me chamaram tanta coisa, que já esqueci o meu nome.&lt;br /&gt;- Não me digas que vieste da mesma terra aqui do verruga e do meu outro empregado, o mouro, a terra onde não põem nomes aos homens.&lt;br /&gt;- Não posso afiançar isso ao senhor Barreto Raposo, porque também já esqueci a terra onde nasci. Ando sozinho neste mundo. Preciso de trabalho para poder comer uma côdea de pão.&lt;br /&gt;- Se queres comer essa côdea tens de mostrar o que vales. Vai para aquele casario ali mais abaixo e procura lá um buraco para ficares. Lá moram os jornaleiros da minha herdade. Mas ouve Zé Ninguém, nada de graças nas minhas terras. O mouro e o verruga conhecem algumas habilidades que não são muito do gosto daqueles que me desagradam. Percebes?&lt;br /&gt;- Pode o senhor Barreto Raposo ficar descansado, que este seu criado apenas se vai preocupar em o servir bem.&lt;br /&gt;- Pois que assim seja Zé Ninguém. Pergunta por lá onde fica o pasto sul. Quero-te lá ao romper do dia. Alguém te há-de dizer o que deves fazer.&lt;br /&gt;- Muito agradecido fico senhor Barreto Raposo. Com sua licença cá vou.&lt;br /&gt; E o caminhante dirigiu-se para o casario, doendo-lhe a mão direita da força com que apertara o bordão. Aquele diálogo extenuara-o. Era humilde mas não ignorante. Sabia perfeitamente quando era tratado sem o mínimo de respeito. “Zé Ninguém” chamara-lhe o outro. E não se enganava. Perdera tudo na vida. Mas a dignidade, essa havia de a recuperar. Não podia morrer sem ser de novo um homem honrado.&lt;br /&gt; Apreciando a paisagem, o caminhante chegou ao casario. Três porcos foçavam num charco. Um cão ladrava à sua passagem. Muito ladram os cães aos desventurados da vida! Uma mulher surgiu à porta de uma das casas. Ficou com ar assustado ao vê-lo. Toda ela estava coberta de preto.&lt;br /&gt;- Procura alguém? - perguntou a mulher.&lt;br /&gt;- Sou um novo jornaleiro cá da herdade. Procuro um sítio para ficar.&lt;br /&gt;- Vá à seara, para o lado daqueles carvalhos. Lá encontrará alguns homens. Fale com o meu marido, o Daniel Matias, que ele há-de ajudá-lo.&lt;br /&gt;- Obrigado santinha. Que Deus a guarde.&lt;br /&gt; E o caminhante seguiu pela direcção que Lucinda, pois era dela que se tratava, lhe indicou...(em continuação- pág. 80, ex. XXVI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3584644207011547400?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3584644207011547400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3584644207011547400' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3584644207011547400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3584644207011547400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/desventura-ladram-os-caes.html' title='Á DESVENTURA LADRAM OS CÃES'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-366483881807171868</id><published>2010-01-17T15:51:00.002Z</published><updated>2010-01-17T16:02:33.799Z</updated><title type='text'>MÚSICA DE UMA VIDA- VIENS, VIENS</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PnkJVL76dnQ&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PnkJVL76dnQ&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1973- vivendo sofregamente os meus 17 anos, ainda calcorreando Coimbra, me apaixonei por esta Viens, Viens, de Marie Laforet.&lt;br /&gt;Não a ouvia há 37 anos. Continua bela!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-366483881807171868?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/366483881807171868/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=366483881807171868' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/366483881807171868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/366483881807171868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/musica-de-uma-vida-viens-viens.html' title='MÚSICA DE UMA VIDA- VIENS, VIENS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1570049348243924450</id><published>2010-01-14T18:49:00.003Z</published><updated>2010-01-15T21:38:55.105Z</updated><title type='text'>DUAS BALADAS TRISTES: ROSSILHÃO E OLIVENÇA</title><content type='html'>...Portugal, o país a que pertence o meu grupo espiritual, começou por ser constituído por gente de rija tempera, desde o mais humilde servo ao mais ilustre senhor. E todos estavam impregnados de um forte sentimento nacional, defensores acérrimos da terra que era a sua, como o comprova a história.&lt;br /&gt; Descoberto meio mundo por este pequeno país ibérico, que é o nosso Portugal, em que a sua força não residia no território (que é actualmente tão grande como o era nesse tempo de enorme reputação internacional), mas antes na vontade férrea de vencer das suas gentes, e no formidável espírito empreendedor dos seus governantes, subitamente algo aconteceu que nos foi tornando lentos de raciocínio, nada crentes nas nossas potencialidades como povo, transformando-nos tão pequenos como pequeno é o país. E essa infeliz mutação, uma vez mais no meu sempre questionável ponto de vista, deu-se na infeliz campanha de Álcacer-Quibir, no reinado de D. Sebastião. O país foi de tal forma ferido, que ainda hoje, passados que são quatrocentos e vinte e oito anos, se fala, mesmo que por graça seja, que se aguarda que D. Sebastião regresse numa manhã de nevoeiro, para trazer a esperança ao país.&lt;br /&gt; O povo nunca mais foi o mesmo. As inteligências governativas tornaram-se muito pouco perspicazes, más gestoras do universo português. E fomos decaindo, decaindo. De grande potência no mundo, passámos a país mundialmente ignorado. Este meu pequeno devaneio acontece na relação directa das minhas recordações, enquanto português que fui, na minha última vivência carnal.&lt;br /&gt; Em resultado da execução do rei francês Luís XVI, a coroa espanhola escandalizou-se com esse acto de barbárie, pelo que resolveu afrouxar os ânimos aos revoltosos franceses. Para tal convenceu a   coroa portuguesa a embarcar nessa aventura, pelo que a rainha D. Maria I, já então não muito senhora das suas faculdades mentais, mandou um grupo expedicionário, que incorporado no exército espanhol, foi combater o exército revoltoso francês, na que ficou chamada « a campanha de Rossilhão», que teve lugar no ano de 1794. Foi uma completa vitória para o exército francês, derrota total para Portugal e Espanha. Dado o mérito dos políticos portugueses daquela época, que não entendo como o não perceberam,  Espanha, depois da derrota, negociou a paz com a França, mas a França não quis ficar em paz com Portugal, ou se ficasse, seria na condição de Portugal fechar os seus portos aos navios ingleses, que por seu turno andavam em guerra com  França. Não esqueçamos que por essa época os Estados Unidos haviam alcançado a sua independência da coroa britânica, com o auxílio da França. Que França nos teria feito frente no tempo dos reis D. Afonso Henriques, D. João I, D. João II ou D. Manuel I?&lt;br /&gt; Portugal, pequeno que era, pequenino ficou. A França e a Espanha agigantaram-se e nós… mediocridade das mediocridades, perdemos a cidade de Olivença para os Espanhóis, na que ficou chamada e  inofensiva «guerra das laranjas», ainda em resultado da nova aliança franco-espanhola, não tendo sido sequer levado em conta o facto de o príncipe D. João, herdeiro do trono de Portugal, estar casado com a infanta Carlota Joaquina, filha dos reis de Espanha.&lt;br /&gt; Portugal terminava mal o século Dezoito e começaria pior ainda o século Dezanove.&lt;br /&gt; A diplomacia portuguesa caiu numa inércia constrangedora, apesar dos políticos portugueses pressentirem o que aí vinha. E veio!&lt;br /&gt; A esta distância temporal de todos esses acontecimentos, revela-nos a história quão fracos foram os nossos políticos e diplomatas do início do século XIX. Enquanto se faziam convenções entre Portugal e França, que iludiam os portugueses na falsa certeza de que esses acordos de paz eram para ser cumpridos, a França, conjuntamente com Espanha, arquitectava o plano de invasão de Portugal. Não tínhamos qualquer crédito. Apenas um mérito nos pode ser reconhecido: o de não termos cedido ás exigências do governo francês, de fecharmos os nossos portos aos navios britânicos e de não termos confiscado os bens aos súbditos ingleses residentes em Portugal. O nosso país soube ser leal à sua antiga aliança com a coroa inglesa. Nesse particular, Portugal foi bem português. A Inglaterra, pressentindo o que se preparava, em 1806 enviou uma esquadra a Portugal para negociar a forma como iria decorrer o apoio militar e politico ao nosso país, num provável confronto contra a França. Nessa época eu era ainda uma frágil criança. Não tinha consciência do terror que estava prestes a abater-se sobre o meu reino; e o povo também o não sabia.&lt;br /&gt; Um general francês que dois anos antes estivera em Portugal desempenhando o cargo de embaixador francês, o general Junot, rebentando pelas costuras de cinismo e hipocrisia, invadiu Portugal em 1807 à frente de um poderoso exército. Através de um tratado que se realizara pouco tempo antes, em Fontainebleau, a terra lusa tinha o seu destino traçado: ser dividida em três partes - uma  a ser oferecida ao rei da Etrúria, outra parte para a coroa espanhola e a terceira parte para ficar em poder do grande Napoleão, chefe supremo da França do início do século XIX.&lt;br /&gt; Quantos sacrifícios passaste, Afonso Henriques, para conseguires fazer do Condado Portucalense um país, um reino orgulhoso de si, do povo que o constituía, que veio a criar páginas belas de relatos heróicos, onde, do orgulho nacional sobressaiam nomes como Egas Moniz, D. Nuno Álvares Pereira  O Condestável, D. João I, D. João II, D. Manuel I, o Infante D. Henrique, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Luís Vaz de Camões… próximos estavam os tempos em que iria ser necessário recordarmos os grandes acontecimentos da nossa história, como a batalha de S. Mamede, a batalha de Aljubarrota ou a revolução de 1640, e neles obtermos o alento necessário para fazermos frente à ignomínia que aí vinha, porque caso contrário, Afonso Henriques, o teu sonho de fazer deste pequeno território ibérico um país livre, ir-se-ia esfumar ao fim de seiscentos e sessenta e quatro anos...(em continuação- pág. 6- ex. II)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;próxima edição estimada para finais de Março/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1570049348243924450?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1570049348243924450/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1570049348243924450' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1570049348243924450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1570049348243924450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/duas-baladas-tristes-rossilhao-e.html' title='DUAS BALADAS TRISTES: ROSSILHÃO E OLIVENÇA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7354561669103211616</id><published>2010-01-11T19:00:00.002Z</published><updated>2010-01-11T19:06:02.085Z</updated><title type='text'>ECOS DE GUERRA</title><content type='html'>Do lugar em que me encontro, ao qual os homens não têm acesso, recordo a última vez que passei por esse mundo de verdadeiro purgatório, em que os espíritos que nele existem lutam e trabalham pela sua ascensão, sem disso terem consciência. Acredito que para muitos, melhor dizendo, para imensos, muito estranho significado terá o teor destas palavras; talvez mesmo não tenham elas qualquer significado. Mas não é para agradar aos homens que as escrevo. Este é o caminho que encontrei para melhor me compreender, reflectindo sobre esse percurso e mais me aproximar de Deus. Não sei se , efectivamente, Deus encontrará em mim uma maior elevação pelo facto de as ter escrito, mas impelido a fazê-lo pelo meu «eu superior», apenas me resta escrever, ou melhor dizendo, ditar para que alguém escreva por mim, convicto de que, ao fazê-lo, estou no caminho certo, percorrendo a estrada que Deus traçou.&lt;br /&gt; Aqui onde me encontro, aos interesses mundanos não é dado qualquer valor. No entanto, como não é de mim, na actualidade, que estou a escrever, mas antes de quem fui na última vez que por aí passei, terei obrigatoriamente de falar dos interesses que aos homens dizem respeito.&lt;br /&gt; Nunca fui grande político; aliás, não fui político de qualquer espécie. Mas a política, que é a actividade humana mais abominável para o vulgar cidadão, deste tempo e de todas as eras, é também ela que lhe determina a vida, que interfere profundamente na existência de todos os homens, quer eles queiram quer não queiram. Por isso a política é abominável! Má, hedionda, cruel, porque foi criada por mentes perversas, talvez quando os homens deixaram de ser nómadas. O mundo inteiro era a sua casa. A partir do momento em que se sedentarizaram, fizeram da sua casa um espaço muito mais exíguo, obrigando-se a viver uma existência com muito mais regras. Os mais inteligentes, porventura, tiveram então a oportunidade de se superiorizarem aos mais modestos de intelecto. E assim terão nascido os primeiros líderes, que se rodearam dos que lhes eram mais próximos, relegando para segundo e terceiro planos os restantes. Os rejeitados, vendo que a vida lhes iria ser mais difícil no interior dos grupos, arquitectaram planos de alianças com aqueles que os líderes protegiam, promovendo a intriga e a suspeita, numa tentativa desesperada de se tornarem mais fortes, no intuito de derrubarem os líderes e virem a ser eles os donos de uma vida mais rica, mais divertida e muito mais fácil. Esta, no meu sempre questionável ponto de vista, terá sido a forma como nasceu a política.&lt;br /&gt; Como disse, nunca fiz política, muito longe estive dos grandes centros onde ela decorria cínica, falsa, perigosa, até assassina. Mas em mim senti bem os seus efeitos. E nesta malha, qualquer um de nós, embora não seja político, pratica a política todos os dias, pois ela nasce-nos debaixo dos pés.&lt;br /&gt; Nasci em Portugal, há duzentos e seis anos, no ano de 1800. Muito má época para um homem nascer. O meu pai, um lavrador abastado, tinha uma pequena quinta, muito próxima da Mealhada, quinta essa conhecida na zona como «Malhal de Sula».&lt;br /&gt; O bom povo da Mealhada não o sabia, mas no ano em que nasci haviam passado onze anos sobre um acontecimento, ocorrido muito longe, que iria determinar uma mudança profunda no viver das gentes da Europa - falo da Revolução Francesa, A Tomada da Bastilha, que teve lugar no dia 5 de Setembro de 1789. No seguimento dessa revolução, o rei francês Luís XVI foi executado na guilhotina, no ano de 1793, o que provocou um choque terrível em todas as cortes europeias, incluindo no reino de Portugal, onde foi decretado quinze dias de luto nacional pela morte do rei de França. Acho que na Mealhada o povo não andou de luto pela morte daquele rei, pois tal não lhe chegou ao conhecimento; pelo menos o meu pai não se recordava de ter andado de luto pelo falecimento desse monarca, de quem ele nunca ouvira falar. Mas das consequências dessa morte já o meu pai se lembrava bem, pois sentiu-as na carne...(em continuação, pág. 3- ex. I)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in ALMA DE LIBERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7354561669103211616?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7354561669103211616/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7354561669103211616' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7354561669103211616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7354561669103211616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/ecos-de-guerra.html' title='ECOS DE GUERRA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2440618413936925046</id><published>2010-01-08T19:19:00.004Z</published><updated>2010-01-09T00:31:37.139Z</updated><title type='text'>CORRECTO E AFIRMATIVO</title><content type='html'>Nos últimos dias de 2009 estive num pequeno lugar, encarrapitado no cume de um monte, chamado Antas, ás portas das Caldas da Rainha. Ali travei conhecimento com um senhor simpático,chamado Manuel Bento. O senhor Manuel Bento, homem baixinho, um típico português do antigamente, que faz de tudo um pouco, uma espécie de homem dos sete ofícios, que também trata caprichosa e carinhosamente a sua horta e lavra o seu pedaço de chão, onde se inclui a verdejante vinha, anda aí pelos sessenta e tal. Em dia frio, com o natal a despontar, a lareira crepitava deliciosamente, e pelo meio de dois dedos de conversa, a saborear a doçura tradicional e nostálgica da velhoz e do belharaco, lá se bebeu um copo da bela pinga palheta que o meu anfitrião orgulhosamente me ofereceu, saída ainda de pipa de madeira, com sabor a Portugal invernoso.&lt;br /&gt;Durante a conversa que mantivemos, o senhor Manuel Bento, de quando em vez, usava a expressão «correcto e afirmativo». Aquilo soava-me a linguagem militar. Com vontade de lhe perguntar porque razão repetia tantas vezes a expressão, mas sem o fazer, obviamente, como que me lendo a mente, o senhor Manuel Bento explicou-me que se habituara a usá-la. Durante dois anos servira-lhe como código. Como código? Sim, um código pelo qual se ficava a saber que uma coisa tinha sido bem compreendida, explicou-me ele. E onde fora usado essa código? Angola, entre 1967 e 1969. E depois afeiçoara-se ao código, que o começou a usar no seu dia-a-dia. Já lá vão 41 anos!&lt;br /&gt;O encontro com o senhor Manuel Bento fez-me reflectir. Quem diria, quem adivinharia que na figura daquele homem de aspecto frágil repousa um guerrilheiro português?&lt;br /&gt;Este encontro, caso o não soubesse, provou-me que por aí, por esse Portugal, no mais recôndito lugar, podemos dar de caras com um desses heróis, envergando a roupagem de um simples agricultor.&lt;br /&gt;Neste preciso momento, na faixa etária compreendida entre os 56 e os 70 anos, vive a juventude que entre 1961 e 1974 não teve direito a ser jovem. São os milhares de soldados, que na guerra do ultramar aprenderam a ser homens. Foram para África quase meninos e de lá vieram martirizados veteranos. São as milhares de namoradas e esposas desses soldados, que durante anos enviaram mensagens de esperança e de amor nos aerogramas- os «bate-estradas» na gíria militar, e rezavam preces em sufocos de alma, muitas preces... são as milhares de viúvas cujas preces não foram ouvidas.&lt;br /&gt;Mas nós, 35 anos depois, não pensamos nestas coisas. A guerra do ultramar, a guerra colonial, como agora se lhe chama, pois proferir a palavra «ultramar» é quase uma heresia, é apenas história. Mas não é! Ainda vive, pois que os seus protagonistas ainda são gente.&lt;br /&gt;Gente desiludida por certo, por sentir que no país que amam, e pelo qual tanto sofreram, não existe por eles o menor apego, a menor consideração, a mais singela homenagem.&lt;br /&gt;Ao senhor Manuel Bento e aos muitos milhares, como ele, portugueses como eu, que em Angola, Moçambique e Guiné ofereceram a juventude e a vida a todos nós, eu presto a minha enorme e emocionada homenagem.&lt;br /&gt;A sociedade portuguesa tem uma abissal divida para com os combatentes do ultramar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-2440618413936925046?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/2440618413936925046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=2440618413936925046' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2440618413936925046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/2440618413936925046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/correcto-e-afirmativo.html' title='CORRECTO E AFIRMATIVO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5760160123588079702</id><published>2010-01-05T19:33:00.003Z</published><updated>2010-01-05T20:02:44.500Z</updated><title type='text'>MASAHEMBA- O SUMO SACERDOTE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0OaWoxrmVI/AAAAAAAAATY/li7zVSYxM5w/s1600-h/Masahemba.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 116px; height: 95px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0OaWoxrmVI/AAAAAAAAATY/li7zVSYxM5w/s400/Masahemba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423348089977805138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...Aquele era o templo com maior expressão de todo o Egipto. E só a ele era dada a possibilidade de entrar na casa do deus supremo, Amon-Rá; claro está que não se podia contar com o Sumo-Sacerdote, nem com as sacerdotisas, pois esses eram parte integrante do templo.&lt;br /&gt; A liteira parou. O cortejo real chegara mesmo junto ao pórtico. Escravos colocaram-se de cócoras, servindo de degraus, para que o divino rei pudesse sair da liteira comodamente. Alguns escravos, que previamente se haviam colocado junto ao colossal pórtico, munidos de compridas trombetas, vendo chegar o cortejo real, haviam tocado os seus instrumentos, pelo que, à chegada do faraó, já o Sumo-Sacerdote abrira as enormes portas, de par em par, no que foi ajudado pelos escravos, que para fazerem tal tarefa, teve o Sumo-Sacerdote de lhes vendar os olhos, para que olhares ímpios não tornassem impuro o purificado ambiente do templo.&lt;br /&gt; O faraó, nas duas ou três vezes que acompanhara o pai ao templo, já vira aquele Sumo-Sacerdote. Era pois aquele o tal Masahemba, protegido de Amon-Rá. Era um homem bastante jovem, não ultrapassando as setenta e cinco estações. Era alto. Não utilizava qualquer tipo de adorno no corpo. Como vestes envergava apenas uma peça de linho puro, que lhe estava cingido à cintura, caindo até aos pés, surgindo de tronco completamente nu. Notava-se que nas veias lhe corria sangue de preto e de branco. Desde a cabeça aos pés, não tinha o Sumo-Sacerdote um único cabelo. A pele brilhava-lhe. O Sumo-Sacerdote untara-se de óleos purificantes. Convinha fazê-lo, pois recebia o faraó.&lt;br /&gt; Amenhotep, O Quarto, avançou em direcção ao Sumo-Sacerdote. Conforme caminhava, via os súbditos ajoelharem-se e encostarem a testa ao chão. Não seria de boa conduta olhar o faraó de cabeça levantada.&lt;br /&gt; Chegado o faraó junto do Sumo-Sacerdote, este ajoelhou-se e beijou os pés do seu rei. Era-lhe permitido tocar o faraó, na condição de sacerdote de Amon-Rá. O Sumo-Sacerdote só se ergueu quando recebeu a ordem do faraó para o fazer.&lt;br /&gt;- Como te chamas?- perguntou o faraó ao Sumo-Sacerdote, como se não soubesse a resposta.&lt;br /&gt;- Masahemba, divino senhor- respondeu o Sumo-Sacerdote, com um sorriso, observando o rosto do faraó.&lt;br /&gt;- Como te atreves a olhar-me nos olhos ?- perguntou o faraó, com expressão de desagrado.&lt;br /&gt;- Tu és jovem, meu divino senhor. Decerto que ainda não tiveste tempo de te informares sobre o que me é permitido fazer. Mas eu digo-te: sou um homem, mas não um simples homem. Estou um degrau acima da condição humilde de qualquer homem, em relação a ti, pois tenho a capacidade de me comunicar com Amon-Rá. A tua veneração ao magnânimo deus Sol, a ele chegará, mas terá de ser obrigatoriamente através de mim. Por essa razão ganhei o direito de te poder olhar nos olhos.&lt;br /&gt;- És então uma espécie de deus !&lt;br /&gt;- Não, divino senhor. O meu ser, por mais radioso que seja, não conseguiria aniquilar a sombra do mais humilde dos deuses. Sou apenas um homem a quem Amon-Rá dá ouvidos.&lt;br /&gt;- És influente ?&lt;br /&gt;- Não, divino senhor. Nem tu, feito de realeza, podes ter influência sobre as decisões divinas, quanto mais eu, um humilde servo.&lt;br /&gt;- Acho-te arrogante, Masahemba. Não simpatizo contigo.&lt;br /&gt;- Entristecem-me as tuas palavras, divino senhor. Eu estou aqui para te servir.&lt;br /&gt;- Já que aqui estás para me servires, eu quero que tu substituas um dos meus escravos no transporte da minha liteira.&lt;br /&gt;- Não o posso fazer, divino senhor. As minhas funções de teu servo, baseiam-se exclusivamente na tua devoção a Amon. Fora disso não te poderei servir.&lt;br /&gt;- E se eu te obrigar ?&lt;br /&gt;- Eu fá-lo-ei… mas talvez tenhas algumas explicações a dar a Amon-Rá.&lt;br /&gt;- Eu estava a brincar contigo- disse o faraó com um sorriso.&lt;br /&gt;- Ainda bem, divino senhor. Quando quiseres entrar no templo…está sempre tudo preparado para o teu tributo a Amon.&lt;br /&gt; E ambos se internaram pelas sombras do templo. O Sumo Sacerdote guiou o faraó até a um enorme salão, onde as paredes estavam juncadas de pinturas que referiam a junção do Alto e do Baixo Egiptos. Ali, o faraó foi deixado sozinho, para que pudesse entrar num período de reflexão, e assim, espiritualmente, se aproximar do deus Amon-Rá.&lt;br /&gt; Por seu turno, o Sumo Sacerdote Masahemba dirigiu-se a um tanque sagrado, no qual, por intermédio de canais, a água entrava, vinda directamente do rio Nilo.&lt;br /&gt; Depois de descer uma pequena escadaria, tocou com os pés a água. Fechou os olhos e submergiu-se até ao peito. Durante algum tempo procedeu ás abluções. Com as mãos servindo de conchas, lançou água por todo o seu tronco; depois, purificado, foi ter com o faraó. Em pleno silêncio fez-lhe sinal para que o seguisse, e na sala mais isolada do templo, em frente a um tabernáculo, envolto em fumos provenientes da combustão de plantas sagradas, deu início ao ritual de oração a Amon-Rá, em que, tendo os braços estendidos na direcção do tabernáculo, dizia que ali ficariam depositados todos os sentimentos de amor e preces, que naquele dia o deus na terra Amenhotep, o quarto, ali viera oferecer...(em continuação, pág. 13, ex. IV)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5760160123588079702?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5760160123588079702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5760160123588079702' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5760160123588079702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5760160123588079702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/masahemba-o-sumo-sacerdote.html' title='MASAHEMBA- O SUMO SACERDOTE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0OaWoxrmVI/AAAAAAAAATY/li7zVSYxM5w/s72-c/Masahemba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1561096084995557675</id><published>2010-01-02T23:51:00.004Z</published><updated>2010-01-03T15:24:21.602Z</updated><title type='text'>A COROA DUPLA- ALTO E BAIXO EGIPTO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sz_gsaY_XxI/AAAAAAAAASw/N_Nn7ZSYiYw/s1600-h/coroa+dupla.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 157px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sz_gsaY_XxI/AAAAAAAAASw/N_Nn7ZSYiYw/s400/coroa+dupla.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422299529980370706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;...E os deuses abandonaram o palácio do faraó. Ao passarem a ombreira da porta do salão real, tornaram-se transparentes e voláteis, seguindo o seu destino- MassiftonRá, o eloquente palácio dos deuses, localizado nas profundezas do rio Nilo, bem perto da antiga capital, Mênfis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas passadas sete noites após a sua coroação, o faraó resolveu sair e mostrar-se ao seu povo. Foi-lhe preparada uma enorme escolta, a qual era formada por elementos do exército, alguns escribas que  iam anotando as reacções do povo à primeira aparição em público do novo faraó, e dezenas de escravos, que ás costas carregavam a enorme e luxuosa liteira, em que o faraó se fazia transportar. Percorria as ruas, sentado no seu trono, fixo à enorme liteira, usando uma túnica azul e adornado convenientemente, com colares preciosos. Na cabeça ostentava, orgulhosamente, a coroa dupla. Dos seus dois metros a cima do nível do chão, ia observando o seu povo, que à sua passagem se ajoelhava, em sinal de submissão e adoração.&lt;br /&gt; Tinha por destino o templo de Amon-Rá. Não era capaz de aceitar com bom grado o facto de um estrangeiro ocupar um cargo tão elevado, como era o de Sumo- Sacerdote. Mas essa era a vontade de Amon. E Amon era o deus supremo, e era egípcio. Se assim o queria, decerto estava consciente das qualidades do tal Masahemba, que embora não sendo egípcio no nascimento, era-o decerto na alma. E ter alma egípcia era o que realmente importava. Iria agradecer a Amon-Rá e ao deus da terra- Geb, o facto de o Nilo ter depositado no solo tão enorme quantidade de nutrientes. Segundo informação dos escribas, a próxima estação de Shemu iria ser extremamente generosa para com o Egipto.&lt;br /&gt; O cortejo real ia percorrendo as empedradas ruas de Tebas, cidade juncada por inúmeros e belos templos, como o de Karnak , dos quais se destacava tanto na grandiosidade, como em beleza, o templo de Amon-Rá. As ruas fervilhavam de povo, que ocupado nas suas fainas diárias, parava por momentos para prestar homenagem ao seu faraó, que passava.&lt;br /&gt; Percorridas algumas centenas de metros, o faraó divisou finalmente o templo que tinha por destino. Era um edifício soberbo. De altura media mais do que vinte homens colocados uns sobre os outros; uma quadriga do exército, com os seus quatro cavalos em alto galope, levaria tempo para percorrer toda a dimensão do templo, na sua largura. O edifício, era todo ele construído com maciços e vigorosos blocos de pedra.&lt;br /&gt; Toda a frontaria do templo  estava pintada de amarelo, vermelho, e preto (tintas feitas a partir de um mineral chamado ocre). Na parede haviam sido desenhadas, em tamanho natural, figuras de variadas cores, que representavam o faraó nas suas inúmeras actividades, entre a vida no seio dos homens, e o mundo dos deuses, em que o faraó surgia como um seu igual. A entrada do templo era composta por um pórtico enorme, ladeado por dois colossais obeliscos, de pedra de alabastro, (símbolo de oração, a mesma simbologia que tem a cruz nas igrejas cristãs) recheados de hieróglifos, que explicavam a razão de ser daquele templo, e onde se podia ler que apenas a família real o podia frequentar. Por essa razão o faraó já por várias vezes nele entrara, quando acompanhava o seu pai, o anterior faraó, Amenhotep, O Terceiro. Mas era a primeira vez que o jovem rei entrava naquele espaço, na qualidade de faraó, o que lhe transmitia uma inebriante sensação de poder... (em continuação- pág. 10- ex. III)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1561096084995557675?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1561096084995557675/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1561096084995557675' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1561096084995557675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1561096084995557675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/coroa-dupla-alto-e-baixo-egipto.html' title='A COROA DUPLA- ALTO E BAIXO EGIPTO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sz_gsaY_XxI/AAAAAAAAASw/N_Nn7ZSYiYw/s72-c/coroa+dupla.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6222702630546179822</id><published>2010-01-01T00:54:00.004Z</published><updated>2010-01-01T01:53:36.242Z</updated><title type='text'>NA AURORA DE 2010</title><content type='html'>Estas são as primeiras palavras que escrevo no ano de 2010, que tem neste momento 55 minutos de existência. Completar-se-á este ano um século sobre a implantação da República em Portugal, depois de 767 anos de monarquia. Um século depois, pergunto: valeu a pena? &lt;br /&gt;O «reviralho», que muito contribuiu para que o sentimento republicano ganhasse força na sociedade portuguesa do final do século XIX, em que o partido do governo passava para a oposição, e a oposição passava a ser governo, e seguidamente se assistia ao inverso, repetidas vezes, e o país mantinha-se imutável, na cauda da Europa, tem uma nova versão, modernizada, é certo, mas igualmente ineficaz. Vivemos o reviralho do século XXI. A coisa joga-se entre o PS e o PSD, mas estando um ou outro, os resultados práticos são os mesmos- o enorme crescimento do país!&lt;br /&gt;Com tantos ultrajes à decência moral, que têm acontecido ultimamente, por vezes considero que faço uma má gestão deste espaço. Mas eu vivo num penedo por onde passa a poesia coimbrã, o penedo da saudade. Não é a política que me move. Nunca foi e nunca o será. Se o tivesse sido, hoje, provavelmente, quem sabe, poderia muito bem ser uma figura do Estado. Por essa razão não quero transformar este pedaço de mim numa coisa árida.&lt;br /&gt;Sou, com muito orgulho, um jovem de Abril. A 25 de Abril de 1974, pelas ruas da minha adorada Coimbra, enrouqueci de tanto gritar as palavras de ordem da liberdade. Uma persistentemente me persegue: O Povo Unido Jamais Será Vencido. Onde pára esse ideal? Foi para isto que o 25 de Abril foi feito? Que povo é esse que jamais será vencido? Apenas 35 anos depois quem somos nós? Que coisa horrível, torpe, facínora, criminosa é esta que dá pelo nome de BPN e BPP? Esta fraude, corrupção, o que lhe queiram chamar está muito acima do meu limitado entendimento. Não tenho a verdadeira noção do que aquilo é, nem quero ter, para evitar uma vergonha maior. Mas tive uma pequena noção, quando ouvi, há uns tempos, um comentador na televisão dizer que o caso Alves dos Reis, comparado com o caso BPN era uma brincadeira. Deu para perceber a profunda gravidade da situação. &lt;br /&gt;Na minha triste ingenuidade, há 35 anos, eu, fazendo parte do povo, estava convencido que ao depormos o fascismo,nos iamos tornar invencíveis- unidos jamais iriamos ser vencidos. Era novo demais para saber que a lei do dinheiro está acima de qualquer coisa, principalmente em países em que os lobos vestem o fato e a gravata de inocentes e honestas ovelhas, escondendo o nefasto parasitismo que lhes empapa a alma. E parece que não há lei que os detenha.&lt;br /&gt;2143- data em que Portugal completará mil anos como país independente. Iremos comemorar essa data, ou, pelo contrário, vamos deixar que a alcateia nos parasite e esvazie a nossa vitalidade, a ponto de chegados a essa data nada sermos, nada termos para comemorar? &lt;br /&gt;Desculpem este disparate. O que se pode esperar de um ano que apenas tem uma hora de vida?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6222702630546179822?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6222702630546179822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6222702630546179822' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6222702630546179822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6222702630546179822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2010/01/estas-sao-as-primeiras-palavras-que.html' title='NA AURORA DE 2010'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3644214060020402346</id><published>2009-12-30T12:39:00.003Z</published><updated>2009-12-30T14:13:09.228Z</updated><title type='text'>FELIZ ANO DE 2010</title><content type='html'>A todos os que têm visitado e comentado este blogue, desejamos as maiores felicidades para 2010. &lt;br /&gt;Uma palavra muito especial para os autores dos blogues Mari Amorim Brincando com a Rima, Pouso da Verdade, Oficina de Estética, Observatório 234, 3vial, Coimbra B, A Alma e a Rosa, Arte Poética e Viajar Pela Leitura, com quem fiz um excelente intercâmbio de idéias em 2009,e que me fizeram sentir intelectualmente vivo.&lt;br /&gt;Em 2009,neste blogue, viajámos pelo mundo e o mundo por nós viajou.&lt;br /&gt;Que esta profusão de idéias e ideais se mantenha em 2010.&lt;br /&gt;A todos, bem hajam!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3644214060020402346?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3644214060020402346/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3644214060020402346' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3644214060020402346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3644214060020402346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/feliz-ano-de-2010.html' title='FELIZ ANO DE 2010'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8730596576072865028</id><published>2009-12-27T19:33:00.002Z</published><updated>2009-12-27T19:50:59.882Z</updated><title type='text'>DA PERSPECTIVA DO ASSALTO AO ASSALTO EM EXECUÇÃO</title><content type='html'>...- Fico contente por isso. Mas falemos agora um pouco do motivo pelo qual aqui estamos reunidos. Se o meu sobrinho aparecer, o que faremos?&lt;br /&gt;- Eu fico aqui sentado com o jovem moço. A senhora vai para a sua cama. Isto è assunto de homem- opinou o criado negro.&lt;br /&gt;- O Armando tem razão D. Silvina. Se alguém aparecer, irá ter uma boa surpresa.&lt;br /&gt;- Se vocês me fazem esse favor, eu então vou-me deitar. Não sei se conseguirei dormir, logo se verá. Obrigado pelo teu apoio, Serôdio.&lt;br /&gt;- Não tem que agradecer D. Silvina. Apenas faço o que acho que está certo.&lt;br /&gt;- Sim, mas tão jovem e com esse sentido de justiça...&lt;br /&gt;- Fartei-me da arrogância e má educação do seu sobrinho. È só isso.&lt;br /&gt;- Então boa noite- disse D. Silvina, que de imediato abandonou a sala africana.&lt;br /&gt;Com a ausência de D. Silvina, Armando Mapuchi teve o ensejo de, pela primeira vez desde que chegara a Portugal, poder conversar amistosamente com um branco. E foi isso mesmo que aconteceu. Serôdio falou das suas experiências europeias. Armando expôs as suas aventuras africanas. E mais uma aliança ali nasceu. Serôdio sentia-se feliz. A sua aposta em se deslocar àquela casa, deslocação essa feita com tanta relutância, acabou por o premiar com a obtenção de duas almas amigas. Aquele momento havia de vir a ser precioso para a sua vida. Mas era impossível ao jovem Serôdio saber disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa estava em profundo silêncio. Os pêndulos de um antigo relógio de parede marcavam ritmada e monotonamente a passagem do tempo. &lt;br /&gt;Eram duas horas da madrugada. Na sala africana, mergulhada agora na escuridão, Serôdio e Armando dormitavam, sentados nos enormes sofás. A noite confundia-os com os objectos existentes no grande salão. O cansaço vencera a expectativa de que ambos estavam imbuídos. Mas, naquele momento, sem que se apercebessem disso, não estavam realmente sozinhos. Narciso Conde e os seus três amigos punham em prática aquilo que o colega de Serôdio ouvira na casa de banho do café.&lt;br /&gt;Perfeito conhecedor de toda a casa Lobito de Benguela, Narciso galgara o gradeamento exterior e silenciosamente deslocara-se com o seu grupo para as traseiras da casa, onde sabia existir uma porta que dava para a cave. Maquinando havia muito aquele acto, um dia conseguira apropriar-se de uma de três chaves daquela mesma porta. A sua tia nunca dera pela falta da chave, nem tão pouco o tição que lá trabalhava em casa. Ele sabia que aquela porta quase nunca era utilizada. Por outro lado, a vida pouco ocupada da tia não lhe trazia grandes preocupações de segurança.&lt;br /&gt;Junto à porta, cada um dos rapazes enfiou um capuz de lã preta na cabeça, que lhes dava até ao final do pescoço. Apenas tinha três orifícios: para os olhos e para a boca.&lt;br /&gt;Narciso meteu a chave na fechadura. Com máximo cuidado, tentando fazer o mínimo barulho possível, rodou a chave na fechadura e a porta abriu-se. De imediato os quatro penetraram na cave No interior havia um forte cheiro a bafio. Com uma pequena lanterna Narciso Conde procurou a porta interior que dava acesso à casa propriamente dita. Em busca da tal porta, foi iluminando montes de objectos que ali se foram impregnando de pó: uma cómoda velha, cadeiras muito usadas, duas camas desmontadas cujas peças se amontoavam no chão, uma enorme pilha de jornais velhos e duas bicicletas com os pneus vazios. Finalmente a circunferência luminosa passou pela tal porta. Daí a um instante estavam os quatro no primeiro andar. Pé ante pé, percorreram o longo corredor e finalmente entraram na sala africana. Narciso de imediato se dirigiu para o quadro que representava a caçada ao leão, nas savanas africanas. Nenhum dos quatro dera pelas presenças de Serôdio e Armando, que recostados nos sofás, lentamente entravam cada vez mais num profundo sono.&lt;br /&gt;O quadro que escondia o tão desejado cofre, estava a ser retirado da parede por dois dos rapazes do grupo de Narciso. Ao poisarem-no no chão, não se aperceberam de que um jogo de lanças indígenas se encontravam ali perto, cruzadas e colocadas na vertical, pelo que, com um dos lados da enorme moldura, embateram nas lanças. Com um grande estrépito as armas caíram ao chão. Os momentos que se seguiram foram de grande confusão. Acordados pelo barulho das lanças, Serôdio e Armando saltaram dos sofás, como que espicaçados por um alarme interior.&lt;br /&gt;- Eles já cá estão, eles já cá estão- gritava Serôdio.&lt;br /&gt;Assustados e espavoridos com aquelas inesperadas presenças, os quatro intrusos atropelavam-se uns aos outros, na ânsia de fugirem, enquanto Armando, ainda meio atarantado, tentava desesperadamente encontrar o interruptor da luz.&lt;br /&gt;Passado o momento da surpresa, os intrusos verificaram que se encontravam em vantagem. Embora os olhos estivessem habituados à escuridão, foi um pouco a tactear que tentaram a fuga. Armando barrou-lhes o caminho, pelo que dois deles se envolveram numa luta corpo a corpo com o criado negro. Nesse momento a sala africana foi inundada pela luz. D. Silvina, alertada pelo barulho dos berros de Serôdio e Armando, de imediato acorreu ao salão e ligou a luz num interruptor existente próximo da porta da sala africana, que dava acesso aos quartos. O que viu deixou-a pregada ao chão. O cofre embutido na parede encontrava-se exposto, desprotegido, enquanto que o quadro que o escondia estava no chão. Quatro encapuçados, com garruços pretos enfiados na cabeça, encontravam-se no meio da grande sala, estando dois deles a lutar com o pobre Armando. Serôdio, também ele colocado ao centro do salão, tentava fazer frente aos restantes dois. Por um momento todos se imobilizaram... (em continuação- pág. 30- ex. IX)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8730596576072865028?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8730596576072865028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8730596576072865028' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8730596576072865028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8730596576072865028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/da-perspectiva-do-assalto-ao-assalto-em.html' title='DA PERSPECTIVA DO ASSALTO AO ASSALTO EM EXECUÇÃO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-9114197256954735815</id><published>2009-12-25T22:58:00.000Z</published><updated>2009-12-25T22:59:26.701Z</updated><title type='text'>ESTAÇÃO VAZIA</title><content type='html'>No meu calendário da vida&lt;br /&gt;De dias e meses já esquecidos&lt;br /&gt;Tive esperança de encontrar&lt;br /&gt;Uns sonhos há muito perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa estação vazia&lt;br /&gt;Tirei um bilhete sem préstimo&lt;br /&gt;Mais um caminho sem rumo&lt;br /&gt;Mais um favor&lt;br /&gt;Que à vida eu peço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá-me um pouco do teu sol&lt;br /&gt;Felicidade fugidia.&lt;br /&gt;Abraça-me com o teu carinho&lt;br /&gt;Faz da minha noite o teu dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela estação vazia&lt;br /&gt;Sem passageiros nem bagagens,&lt;br /&gt;Perdi o comboio da vida.&lt;br /&gt;Cansado e desiludido&lt;br /&gt;Me abandono á tristeza&lt;br /&gt;De inóspitas imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um sorriso me aqueceu&lt;br /&gt;Um carinho me iluminou&lt;br /&gt;E numa ansiada promessa&lt;br /&gt;De um amanhã de esperança,&lt;br /&gt;Um novo comboio chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela vida já viajo.&lt;br /&gt;Afinal alguém me espera.&lt;br /&gt;Coração em sobressalto,&lt;br /&gt;Não sejas tão pessimista.&lt;br /&gt;Sê flor, sê airoso,&lt;br /&gt;Sê a própria Primavera.&lt;br /&gt;Olha o mundo com candura.&lt;br /&gt;E nele sente o bem&lt;br /&gt;Que na esperança perdura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29/09/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-9114197256954735815?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/9114197256954735815/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=9114197256954735815' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/9114197256954735815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/9114197256954735815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/estacao-vazia.html' title='ESTAÇÃO VAZIA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3231862092658176313</id><published>2009-12-23T21:58:00.003Z</published><updated>2009-12-23T22:11:40.484Z</updated><title type='text'>ARMANDO- MEMÓRIA DE GUERRA</title><content type='html'>...- Mas como pode a senhora confiar assim em mim, se apenas me conhece há meia dúzia de horas?&lt;br /&gt;- Há coisas na vida que nunca hão-de ter explicação. Acontecem num segundo e duram uma vida inteira. A minha confiança em ti è uma dessas coisas. Para mim, és alguém que eu sempre conheci. És decerto o amigo que me fazia falta.&lt;br /&gt;- Mas eu só tenho dezassete anos...&lt;br /&gt;- E então? Eu não te estou a pedir em casamento- disse D. Silvina sorrindo, o que fez com que Serôdio ficasse corado- apenas sei que és alguém onde eu me posso apoiar, caso precise, como faria com um filho.&lt;br /&gt;- A senhora D. Silvina pode contar que eu a ajudarei até onde puder.&lt;br /&gt;- Obrigado Serôdio. Mas falemos um pouco de ti. Tão jovem como és, com certeza que terás inúmeros projectos para a tua vida.&lt;br /&gt;- Sim, realmente assim è. Não são assim tantos projectos como isso, mas os suficientes, caso se realizem, para me garantirem um bom futuro.&lt;br /&gt;- E que projectos são esses?&lt;br /&gt;- Quero tirar medicina.&lt;br /&gt;- Queres ser médico então!&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Estás em que ano?- perguntou D. Silvina.&lt;br /&gt;- Estou a terminar o segundo ano do curso complementar. Mais um mês fica pronto. Depois terei um ano de propedêutico. Se tudo correr bem, para Outubro de 1978 entrarei na faculdade de medicina.&lt;br /&gt;- Os teus pais devem estar muito orgulhosos de ti.&lt;br /&gt;- Sim, penso que sim- respondeu Serôdio com um pouco de timidez, que lhe era peculiar sempre que falava de si próprio- eu não lhes tenho dado problemas, cumpro com as minhas obrigações, dou-lhes o meu afecto, só há razão para sermos felizes.&lt;br /&gt;- Não tens irmãos?&lt;br /&gt;- Não, sou filho único. Quando um dia tiver a minha vida bem orientada, os meus pais hão-de viver comigo.&lt;br /&gt;- És um filho de ouro!&lt;br /&gt;- Eu gostaria que a senhora D. Silvina fosse a nossa casa, conhecer os meus pais. Pelo que vejo a senhora vive muito sozinha. Os meus pais sabem ser bons companheiros.&lt;br /&gt;- Com certeza que irei Serôdio. Tu tens razão. Desde a morte do meu marido, a minha vida tem sido uma completa solidão.&lt;br /&gt;- Mas, a senhora e o seu marido nunca tiveram amigos? &lt;br /&gt;- Sim, muitos. Esta casa esteve muitas vezes cheia deles. Mas com a morte do Raúl, talvez prevendo que recorresse a eles para sobreviver, ou talvez porque só fossem mesmo amigos do Raúl, o que è certo è que com o seu desaparecimento desapareceram também os amigos. Sobrou apenas o Armando. &lt;br /&gt;- Ele chama-se só Armando?&lt;br /&gt;- Não, ele chama-se Armando Mapuchi. È muito bom criado e muito bom homem também.&lt;br /&gt;- Ele não sente saudades da família?&lt;br /&gt;- Essencialmente ele sente saudades de Angola. A família já a esqueceu, porque com a guerra civil que grassa por lá, ele convenceu-se de que toda a família morreu.&lt;br /&gt;- Porquê?- perguntou o rapaz.&lt;br /&gt;- O pai dele foi soldado do exército português. Ele está convicto de que por causa disso todos os seus familiares terão sofrido represálias por parte dos soldados da UNITA e do MPLA. Angola mergulhou num banho de sangue. O Armando teve muita dificuldade em adaptar-se à forma de viver dos europeus. Somos uma sociedade com demasiadas regras. O facto de há muitos anos trabalhar para nós, ajudou-o na adaptação à vida em Portugal.&lt;br /&gt;- Ele nunca arranjou nenhuma mulher?&lt;br /&gt;- Penso que não. È um homem dócil, extremamente servil e vive amargurado com o sofrimento do seu povo. Está-nos imensamente agradecido por o termos trazido para Portugal.&lt;br /&gt;- No entanto vivem cá tantos angolanos e angolanas...&lt;br /&gt;- Que não gostam de mim por inveja- interrompeu o criado negro que naquele momento entrava na sala- sabem que eu não tenho dificuldades, nem sou explorado como eles são. Para me ofenderem , dizem-me que eu continuo a ser criado de quem ajudou a manter o colonialismo. Mas eu não me ofendo. Eles só è mesmo dor de cotovelo. O meu lugar è nesta casa, porque o senhor coronel e a senhora salvaram-me da catana da UNITA ou do MPLA. Por isso è nesta casa que eu tenho de fazer a minha vida. O jovem moço perguntou se eu tinha mulher. Eu digo-lhe. A mulher que estava para viver comigo morreu no Lobito, numa poça de sangue.&lt;br /&gt;- Armando, tu nunca me disseste isso- retorquiu D. Silvina.&lt;br /&gt;- Pois não senhora, não valia a pena. Eu não quero mais mulher.&lt;br /&gt;- Desculpe Armando, por minha causa estamos a recordar coisas tristes.&lt;br /&gt;- Não faz mal jovem moço. Todo o dia eu penso nela um bocadinho.&lt;br /&gt;- Bem, mas è melhor realmente falarmos de outras coisas, senão não tarda estamos os três a chorar- disse D. Silvina.&lt;br /&gt;- Eu não tenho razão para chorar, senhora. Aqui eu sou feliz- disse Armando...(em continuação, pág. 26- ex. VIII)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3231862092658176313?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3231862092658176313/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3231862092658176313' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3231862092658176313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3231862092658176313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/armando-memoria-de-guerra.html' title='ARMANDO- MEMÓRIA DE GUERRA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-4640284291689793400</id><published>2009-12-18T18:19:00.002Z</published><updated>2009-12-18T18:34:22.964Z</updated><title type='text'>VOTOS DE BOAS FESTAS</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0A8KT365wlA&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/0A8KT365wlA&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos os que têm tido a simpatia de visitar este blogue desejamos um Santo Natal.&lt;br /&gt;Uma palavra muito amiga, em particular, para os blogues Viajar Pela Leitura, Mari Amorim Brincando Com A Rima, Coimbra B, Observatório 234, Pouso da Verdade e Oficina De Estética, que comigo têm interagido de forma extremamente divertida e salutar. &lt;br /&gt;Que este Natal seja o pronúncio de uma vida mais risonha, mais justa, mais saudável e mais solidária para a humanidade. Seria decerto a melhor prenda de Natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-4640284291689793400?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/4640284291689793400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=4640284291689793400' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4640284291689793400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4640284291689793400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/votos-de-boas-festas.html' title='VOTOS DE BOAS FESTAS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-778331098644731748</id><published>2009-12-11T21:52:00.005Z</published><updated>2009-12-11T22:26:56.646Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='olhares.aeiou.pt/utilizadores/?chave=ahenriques'/><title type='text'>MISTÉRIO NAS FOLHAS CAÍDAS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SyK_ckcq-vI/AAAAAAAAASo/NBNzGlsSvt8/s1600-h/nevoeiro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SyK_ckcq-vI/AAAAAAAAASo/NBNzGlsSvt8/s400/nevoeiro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414100199593933554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre testemunhas carcomidas pelo tempo, a memória dos homens sussurra lembranças há muito esquecidas, atrozes ecos guardados no silêncio das folhas caídas.&lt;br /&gt;São mistérios de um povo.&lt;br /&gt;São murmúrios de Alcácer-Quibir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-778331098644731748?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/778331098644731748/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=778331098644731748' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/778331098644731748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/778331098644731748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/misterio-nas-folhas-caidas.html' title='MISTÉRIO NAS FOLHAS CAÍDAS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SyK_ckcq-vI/AAAAAAAAASo/NBNzGlsSvt8/s72-c/nevoeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8786925499537442037</id><published>2009-12-09T18:35:00.004Z</published><updated>2009-12-09T18:52:47.291Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O meu muito obrigado ao meu grande amigo Paulo Santos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que tornou possível este vídeo.'/><title type='text'>VOCCES CARMELI</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Kt-t3uUfQmo&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Kt-t3uUfQmo&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocces Carmeli é um grupo de Aveiro, composto por vozes e instrumental, do qual nos orgulhamos de ter pertencido.&lt;br /&gt;Porque o Natal se aproxima, e na esperança que uma meiga e humilde memória contribua para a pacificação dos homens, este blogue decidiu dar-vos a conhecer a música que os Vocces Carmeli dedicaram à memória do Santo Padre João Paulo II.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8786925499537442037?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8786925499537442037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8786925499537442037' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8786925499537442037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8786925499537442037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/vocces-carmeli.html' title='VOCCES CARMELI'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-4567521541622094994</id><published>2009-12-06T18:10:00.001Z</published><updated>2009-12-06T18:23:39.864Z</updated><title type='text'>CONTACTO- O LIVRO DA ESPERANÇA NO REGRESSO</title><content type='html'>...O escritório era pequeno. Ali existia uma secretária feita em madeira, uma estante e três cadeiras. Na parede encontravam-se três fotografias penduradas e emolduradas por molduras de madeira, onde se podia ver o pai de Álvaro, o enfermeiro Victor, em três momentos de confraternização com colegas seus, momentos esses que para ele deveriam ter um significado especial. Em cima da secretária estava um pequeno candeeiro curvo, pintado de preto e uma outra moldura, esta poisada no tampo da secretária, onde Álvaro exibia todo o seu franco e amistoso sorriso, na companhia dos pais, por ocasião do vigésimo aniversário do casamento deles.&lt;br /&gt; Na estante existiam três prateleiras que estavam repletas de livros. Catarina abriu as duas portas envidraçadas de par em par, e com o olhar começou a percorrer as quarenta ou cinquenta lombadas que ali existiam. Deteve o olhar numa lombada preta onde se podia ler a palavra « Contacto ». Catarina retirou o livro, enquanto Álvaro colocado atrás dela, com o rosto colado ao rosto dela, a envolvia com os seus braços, que se cruzavam por cima dos seios dela. Catarina perguntou:&lt;br /&gt;- Que livro è este?&lt;br /&gt;- Desde que me lembro de ser gente, que vejo esse livro aí. O meu pai deve-o ter comprado há muitos anos.&lt;br /&gt;- È um livro técnico, è um romance ou o que è?&lt;br /&gt;- Penso que è um romance. Um dia tive curiosidade em o folhear. È uma história sobre o espaço.&lt;br /&gt;- O espaço? Então è ficção científica!&lt;br /&gt;- Acho que sim. Mas existe aí uma coisa nada normal.&lt;br /&gt;- O que è?&lt;br /&gt;- Esse livro não tem o nome do autor.&lt;br /&gt;- Não? Será que foi o teu pai que o escreveu?&lt;br /&gt;- O meu pai? Não, nunca foi muito dado à escrita. A sua especialidade são as injecções e os pensos.&lt;br /&gt;- Então o livro não è teu, pois não?&lt;br /&gt;- Não, mas se quiseres podes levá-lo. Nunca vi o meu pai demonstrar grande interesse por esse livro. Aliás, penso que nos últimos vinte anos eu fui a única pessoa que lhe mexeu. E depois, o livro ao estar contigo não pode ficar em melhores mãos.&lt;br /&gt;- Obrigado Álvaro. Eu adoro ficção cientifica.&lt;br /&gt; E Catarina abriu o livro. Depois da página de rosto, na página seguinte surgiu uma pequena dedicatória, que dizia: « para Alexandra que atinge a maioridade no milénio. Possamos nós deixar à tua geração um mundo melhor do que a nós foi deixado ». &lt;br /&gt;- Misteriosa esta dedicatória- disse Catarina.&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;- Este milénio será o ano 2001, presumo eu. Se esta Alexandra atinge a maioridade no ano 2001, quer dizer que nesse ano irá fazer dezoito anos, pelo que se presume que terá nascido em 1983. Como pode isto ser possível, se ainda faltam dez anos para chegarmos a 1983? E se tu dizes que o livro já aqui está pelo menos há vinte anos, è verdadeiramente incrível. Como pode alguém indicar tão peremptoriamente o ano de nascimento de outra pessoa décadas antes de esse ano chegar?&lt;br /&gt;- O que leva a crer que aí dentro estará magnífica ficção cientifica. Lê-o e manda-me dizer o que de mais espectacular encontrares. Vou ficar ansioso pelo teu contacto acerca do « Contacto ».&lt;br /&gt; Enquanto ela escolhia outros livros, ele embrenhava-se mais e mais no corpo dela. Os lábios dele passeavam-se pelo pescoço dela, as mãos dele estavam frenéticas e exploradoras. Mansamente, imperceptivelmente, desabotoaram os botões da camisa dela. Ele sentiu a pele dela aveludada, quente, sensual. Catarina fingia manter-se interessada nos livros, mas a sua voluptuosidade traiu-a. Repentinamente se virou para Álvaro e loucamente se beijaram. &lt;br /&gt; Por algum tempo todo o mundo teria de esperar. Até África, até Angola, ali não representavam nada. O amor sempre os transportara para um mundo diferente. Mas naquele momento, o amor era infinitamente mais intenso. Tinha o poder de alcançar para lá do corpo, porque no fundo, bem lá no abismo dos seus sentimentos, eles sentiam não ter a certeza se mais alguma vez se voltariam a amar. Iriam ser separados por um oceano de dúvidas, um mar inteiro de preces...(em continuação- ex. XVII- pág. 50)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-4567521541622094994?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/4567521541622094994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=4567521541622094994' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4567521541622094994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4567521541622094994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/contacto-o-livro-da-esperanca-no.html' title='CONTACTO- O LIVRO DA ESPERANÇA NO REGRESSO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-398071305046877264</id><published>2009-12-03T18:24:00.004Z</published><updated>2009-12-03T21:07:29.921Z</updated><title type='text'>PROMESSAS...APENAS PROMESSAS, JÁ QUE ANGOLA É UMA CERTEZA</title><content type='html'>...A tarde foi-se escoando. A pouco e pouco a sala ficou vazia. Depois de fortes abraços, molhados por lágrimas de dúvida sobre o destino daquele bom amigo, que a maldita guerra chamava, Álvaro e Catarina ficaram sós. Os próprios pais de Álvaro saíram para poderem proporcionar aos dois namorados alguns momentos de intimidade. Álvaro, apoiando os cotovelos no parapeito de uma das janelas da sala, fumava um cigarro e observava o horizonte, encontrando-se demasiado deprimido para poder falar, agora que a sala estava em silêncio. Catarina passava os olhos pelos inúmeros discos, que formavam uma pilha desordenada. Ela quebrou o silêncio.&lt;br /&gt;- O Demis Roussous è o meu cantor preferido.&lt;br /&gt;- Porquê?- perguntou Álvaro.&lt;br /&gt;- Porque è belo, è suave, è melódico, è humano, e através dele pude, abraçada a ti, viver alguns minutos  incríveis. Não vou mais esquecer aquela canção...- e chorando correu para os braços de Álvaro.&lt;br /&gt;- Então Catarina...minha loirinha, onde está a tua coragem?- perguntava Álvaro, que com a cara levemente apoiada na cabeça de Catarina, via possíveis imagens de guerra, onde o vermelho do sangue se misturava com o extraordinário verde de uma vegetação luxuriante. De coração apertado afastou-a de si e agarrando-lhe os braços disse- porquê essas lágrimas Catarina? Choras por eu me ir afastar de ti ou choras com medo de me perderes?&lt;br /&gt;- Álvaro, por amor de Deus não digas isso.&lt;br /&gt;- Então minha querida, por amor de Deus te peço que não chores. Em todas as pessoas e especialmente em ti, o que eu preciso de ver é um sorriso de confiança e de esperança. Lágrimas não. Essas só escurecem o meu horizonte.&lt;br /&gt;- Desculpa Álvaro, foi uma pieguice. Chora-se por tanta coisa. Chora-se às vezes por coisas sem importância. É evidente que chorei apenas por já sentir saudades tuas. Se calhar, durante vinte e quatro meses não te vou ver. È muito tempo. Apenas chorei por isso.&lt;br /&gt; Álvaro sorriu e acariciando com as mãos as faces de Catarina disse:&lt;br /&gt;- Desculpa minha loirinha. Fui um pouco rude. São os nervos. Não posso negar que estou um pouco apreensivo, mas acho que é natural.&lt;br /&gt;- Claro que é natural- dizia Catarina enquanto o beijava nos lábios- tu não vais propriamente para uma festa. Ninguém põe cobro à guerra! Há quantos anos existe guerra no Ultramar?&lt;br /&gt;- Começou em 1961. Já passaram doze anos.&lt;br /&gt;- Caramba, ou a ganham ou a perdem, mas manter-se a situação assim indefinidamente...&lt;br /&gt;- É o preço do colonialismo. Os povos autóctones evoluíram um pouco, já conseguem pensar em independência. Além dessa evolução, há que contar com o apoio que recebem de forças externas, que no fundo apenas querem suceder a nós, portugueses, à frente dos destinos das colónias. Graças a esses apoios externos, a guerra tem-se arrastado por todos estes anos e está para durar.&lt;br /&gt;- Achas bem ou mal ires combater os pretos que querem a independência da sua terra?&lt;br /&gt;- Se eu digo que não está certo ir combatê-los, sinto trair a Pátria. Se eu digo que está certo combatê-los, sinto que não gostaria de ver os espanhóis entrarem pelo meu país dentro e subjugarem a minha vontade e a minha liberdade. Mas depois penso que toda esta situação começou há cerca de quinhentos anos. África foi colonizada pela Europa. De então para cá milhões de brancos são tão africanos como os negros descendentes daquelas primitivas e remotas tribos. No contexto actual, não consigo sentir outra coisa que não seja responder afirmativamente à ajuda que o país me pede.&lt;br /&gt;- Que o país te impõe...- corrigiu Catarina.&lt;br /&gt;- Prefiro sentir que o país me pede ajuda. Mas, esta conversa está demasiado política. As paredes têm ouvidos e a Pide chega a todo o lado. Esqueçamos agora a guerra e pensemos em nós. Quando olho para ti, como o faço agora, percebo que me vai ser muito difícil suportar a tua ausência. Escreves-me sempre está bem?&lt;br /&gt;- Vou-te escrever todos os dias meu amor. Se calhar até mais do que uma vez por dia. Que mais me resta fazer senão tentar estar em permanente contacto contigo?&lt;br /&gt;- E eu, minha loirinha, nem sempre terei tempo para te escrever, mas ocuparás por completo o meu coração e a minha mente. E hei-de ver se através de cartas conseguirei transportar África até junto de ti.&lt;br /&gt;- Mas não te esqueças de mandar também o teu amor.&lt;br /&gt;- Juro que não, minha loirinha. Hei-de te enviar um amor ardente, inflamado pela saudade e pelo calor tropical. Mas tentarei revelar-te também as maravilhas naturais de Angola, que eu penso existirem, porque sei que és uma óptima leitora.&lt;br /&gt;- Podes daqui levar alguns livros para os eventuais momentos de ócio. &lt;br /&gt;- Já pensei nisso, mas decidi não levar nenhum livro. O meu espírito vai estar demasiadamente ocupado e preocupado com outras coisas, para que possa ter serenidade, pedida a uma boa leitura. Mas tu podes levar todos os livros que eu aí tenho. Lê-os por mim. Cada livro que tenhas lido terão sido um ou dois meses que passaram. Manda-me dizer quais os livros que estás a ler, quando começas e quando acabas, está bem?&lt;br /&gt;- Prometo-te meu querido.&lt;br /&gt;- Vamos então ao escritório do meu pai. Os livros estão lá arrumados...(em continuação- ex. XVI- pág. 47)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-398071305046877264?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/398071305046877264/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=398071305046877264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/398071305046877264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/398071305046877264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/12/promessasenquanto-durar-angola.html' title='PROMESSAS...APENAS PROMESSAS, JÁ QUE ANGOLA É UMA CERTEZA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-536598044660739809</id><published>2009-11-30T12:35:00.002Z</published><updated>2009-11-30T13:56:27.832Z</updated><title type='text'>AI MONDENGO...MONDENGO...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SxO8YRSZDuI/AAAAAAAAASc/r1lzRe0ntDk/s1600/BEBADO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 238px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SxO8YRSZDuI/AAAAAAAAASc/r1lzRe0ntDk/s400/BEBADO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409874702545522402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, numa povoação nos arredores de Aveiro, morava um homem, que, segundo reza a história, dialogava constantemente com Baco. Em bom português, era um borrachola inveterado. Esse homem tinha um cão- o Mondego. Num dia de festa na terra, chegou a casa, pela noite, mais bêbado do que era costume. A mulher, cansada de lhe aturar as bebedeiras, que felizmente eram compostas por um vinho fácil, agarrou-o por um braço e pô-lo na rua, ordenando-lhe que fosse cozer a bebedeira para onde a tinha apanhado. O homem saiu, numa amargura cambaleante, sem antes ter dedicado umas carícias ao seu velho e fiél amigo, o Mondego, que ao aspirar o bafo que vinha do dono se afastou rapidamente. Raio de vida, até o cão o abandonava!&lt;br /&gt;O homem regressou ao recinto da festa, tendo-o encontrado completamente vazio. A falar com os seus botões, amaldiçoando, em segredo, a mulher que daquela forma desumana o tratava, para ali se encostou na barraca dos frangos, procurando por alguma garrafa de pinga esquecida, mas não encontrando nada, pois tudo andava com uma sede desgraçada, que as garrafas era um ver se te avias,deitou-se num comprido banco de suma a pau e adormeceu.&lt;br /&gt;Pela manhã, compondo a gravata sebenta de nódoas de vinho, tentando aparentar boa figura, enchendo o peito para absorver o ar da manhã, ganhando coragem para assim enfrentar o previsível mau humor da esposa, tomou a direcção de casa. Ao chegar, foi recebido pelo seu fiél cão, que aos saltos e abanando freneticamente a cauda, demonstrava a sua alegria por ver o dono. O homem, sensibilizado por aquela demonstração de carinho, disse:&lt;br /&gt;- Ai Mondengo, Mondengo, largas terras tem o mundo. Ainda te lembras de mim, cãozinho?&lt;br /&gt;O herói chegava a casa, depois da sua extenuante, longa e perigosa jornada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-536598044660739809?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/536598044660739809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=536598044660739809' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/536598044660739809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/536598044660739809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/ai-mondengomondengo.html' title='AI MONDENGO...MONDENGO...'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SxO8YRSZDuI/AAAAAAAAASc/r1lzRe0ntDk/s72-c/BEBADO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7340475196358139239</id><published>2009-11-26T21:49:00.000Z</published><updated>2009-11-26T21:57:30.170Z</updated><title type='text'>O CAMINHANTE</title><content type='html'>...Andava com passos sofridos e desalentados. O fardo da vida era enorme. Chegara a Lisboa havia dois meses, em Março último, no dia em que dois portugueses partiam de avião, numa viagem de aventura atravessando o Oceano Atlântico. Não se admirara com o avião. Já anteriormente vira alguns. Que onda de alegria varria a capital nesse dia. A vida era assim mesmo. Para uns a glória, para outros a humilhação, a tristeza. Saboreara um pouco a felicidade do povo lisboeta e logo de seguida metera pés ao caminho, por esse Portugal dentro. Dinheiro não tinha, por isso caminhava. De vez em quando carroceiros aliviavam-lhe a caminhada, transportando-o por alguns quilómetros. Visitara o seu primeiro destino. Corria o ano de 1922. Como tudo mudara. Não tivera forças para alterar o percurso da vida, a vida de quem o amara. Ele não sabia até que ponto estaria à altura de voltar a ter uma vida normal. Na dúvida, preferiu deixar as coisas ficarem como estavam. As feridas da alma podem fazer desaparecer o tino a um homem.&lt;br /&gt;Envergava umas calças amarelas muito largas e remendadas. Vestia uma camisa aos quadrados vermelhos e castanhos, com o colarinho e os punhos coçados. Por cima usava um casaco castanho de fazenda, com muitos anos. Calçava uns socos com falhas na madeira. Um chapéu preto com minúsculos rasgões completavam o traje. Estava cego do olho esquerdo, por isso usava uma venda.  Tinha uma cicatriz muito pronunciada no rosto abundantemente barbado, que começava na sobrancelha esquerda, atravessava obliquamente o rosto e terminava junto à orelha direita. A tiracolo levava um bordão apoiado no ombro direito. Na ponta do bordão tinha atado um saco onde transportava os seus parcos haveres. Procurava trabalho. Encaminhava-se para o seu segundo destino - Alfeizerão. Finalmente lá chegara. As poucas pessoas que foi encontrando no caminho olhavam-no desconfiadas. Ele não se importava. De que outra maneira as pessoas se poderiam sentir ao verem um estranho, com uma tão estranha aparência?&lt;br /&gt;Atravessou a pequena aldeia. Viu uma taberna aberta. Nela entrou. Que enorme pipa ali existia. Estavam dois homens encostados ao balcão de pau cru. Do lado interior do balcão encontrava-se o taberneiro.&lt;br /&gt;- Santas tardes a todos - disse o caminhante.&lt;br /&gt;- Santas tardes - responderam os três homens com ar desconfiado.&lt;br /&gt;- Podem-me dizer se aqui é Alfeizerão? - perguntou o caminhante.&lt;br /&gt;- É aqui mesmo - respondeu o taberneiro.&lt;br /&gt;- Ponha-me aí um copo de três. A garganta está seca - disse o desconhecido.&lt;br /&gt;- Tem dinheiro para pagar? - perguntou o taberneiro.&lt;br /&gt;- Ainda vou tendo uns centavos.&lt;br /&gt;- Quer tinto ou branco?&lt;br /&gt;- Tinto, dá mais força ao sangue.&lt;br /&gt;- Tiozinho, vem de muito longe? - perguntou um dos dois fregueses.&lt;br /&gt;- Venho, venho de muito longe - respondeu o caminhante fixando o seu único olho no interlocutor - venho aqui a Alfeizerão para procurar trabalho. Ouvi dizer que existe aqui uma herdade valente, que está a precisar de braços para trabalhar.&lt;br /&gt;- É verdade - respondeu o taberneiro.&lt;br /&gt;- Quem é o dono? - perguntou o caminhante.&lt;br /&gt; O taberneiro não respondeu. Fixou atentamente o caminhante, perplexo com a pergunta, sem alento para dar a resposta.&lt;br /&gt;- O dono é o senhor Barreto Raposo - respondeu um dos fregueses.&lt;br /&gt; O caminhante fixou o chão. Depois disse para o taberneiro:&lt;br /&gt;- Qual é a sua graça?&lt;br /&gt;- E porque razão quer saber?&lt;br /&gt;- Eu espero ficar seu freguês, caso o senhor Barreto Raposo me dê trabalho, e mal ficará o freguês não saber o nome do homem que lhe vende o vinho - respondeu o caminhante.&lt;br /&gt;- Pois seja. Chamo-me Chico Bento. E o seu nome qual é?&lt;br /&gt;- O meu... eu lá sei se tenho nome. Chame-me o que quiser. Para que lado é a herdade?&lt;br /&gt;- O tiozinho desce por essa estrada fora. Há-de passar junto a uma capelinha. Continue em frente que o caminho o há-de levar até lá. Logo verá um solar. Chama-se Vila de Ló - respondeu um dos fregueses.&lt;br /&gt;- São todos cá de Alfeizerão? - perguntou o caminhante.&lt;br /&gt;- Só eu sou de cá - respondeu o taberneiro - eles são do Bombarral.&lt;br /&gt;- Bem me pareceu - respondeu o caminhante.&lt;br /&gt;- Bem lhe pareceu? Alto lá com a conversa - disse um dos fregueses.&lt;br /&gt;- Não se zangue. Não falei por mal. Também passei pelo Bombarral e achei que vocês falam à moda de lá. Mas incomodei-os com alguma coisa?&lt;br /&gt;- Não, não - responderam os dois homens.&lt;br /&gt;- Ainda bem. Vou então procurar a tal Vila de Ló. Tenho que ver se ganho algum dinheiro para o deixar na sua taberna, senhor Chico Bento. Vale a pena. A pinga é boa. Até mais ver.&lt;br /&gt; Ti Chico Bento veio à porta ver o desconhecido afastar-se em direcção ao solar. Limpava as mãos a um pano cheio de nódoas de vinho. Aquele homem intrigara-o.&lt;br /&gt;- É um pobre diabo - disse o taberneiro.&lt;br /&gt;- Acha? Cá a mim aquela cicatriz diz-me que é sujeito de brigas, tal qual o mouro e o verruga.&lt;br /&gt;- Não me pareceu - respondeu o taberneiro.&lt;br /&gt;- Não sei se o fivelas o aceitará.&lt;br /&gt;- Ora, ora, o fivelas quer é bons braços. As cicatrizes não o incomodam - respondeu Ti Chico Bento - mas aquele homem não há-de ser mau diabo...(em continuação- pág. 78)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7340475196358139239?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7340475196358139239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7340475196358139239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7340475196358139239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7340475196358139239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/o-caminhante.html' title='O CAMINHANTE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-3119944551287607734</id><published>2009-11-24T13:36:00.002Z</published><updated>2009-11-24T13:42:16.555Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gentileza do artista António Henriques'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que faz o favor de ser meu amigo.'/><title type='text'>PASSAGEM DE AUSÊNCIAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SwvhlfnMJEI/AAAAAAAAASU/1vP1Hr4z0ic/s1600/NOITE.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SwvhlfnMJEI/AAAAAAAAASU/1vP1Hr4z0ic/s400/NOITE.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407663811845694530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No reboliço adormecido da cidade, na noite que molhada acontece, sobre as águas plàcidas da ria os candeeiros inúteis iluminam a passagem da ausência dos homens. A solidão impera!&lt;br /&gt;A noite se abandona ao Outono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-3119944551287607734?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/3119944551287607734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=3119944551287607734' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3119944551287607734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/3119944551287607734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/passagem-de-ausencias.html' title='PASSAGEM DE AUSÊNCIAS'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SwvhlfnMJEI/AAAAAAAAASU/1vP1Hr4z0ic/s72-c/NOITE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5369665900282808033</id><published>2009-11-19T19:14:00.001Z</published><updated>2009-11-19T19:27:39.403Z</updated><title type='text'>QUANDO AO PEQUENO ALMOÇO SE SERVE...PAIXÃO</title><content type='html'>...Com a chegada do novo ano, o de 1922, as ocupações profissionais de Américo Afonso tomaram um novo rumo. Um caso em que ele trabalhava adquiriu subitamente contornos que exigiram de Américo um maior dispêndio de tempo. Teria realmente a matéria do facto sofrido alterações ou, pelo contrário, não teria sido antes o advogado a sofrer modificações? Teria a certeza do amor de Luísa influenciado a perspicácia de Américo? Teria ele ganhado maior profundidade na sua pesquisa? É possível que sim. A serenidade de espírito transformou-o num advogado mais eficiente. Por isso a sua alegria no trabalho era muito maior. E por tudo isto, passava menos tempo em casa.&lt;br /&gt; Já se estava em Fevereiro de 1922. Sobre aquela transformadora noite de Natal se haviam passado dois meses. Mas o romance de Luísa e Américo parara à porta da casa do oleiro. Nem mais um passo os dois avançaram. Tendo aberto os corações um ao outro, alimentavam a paixão com olhares breves mas intensos. Era o silêncio amordaçado de duas bocas... que falavam sem palavras. Ocasionalmente se encontravam. Mas em cada dia que passava, para  Américo e Luísa existiam dois momentos de verdadeira expectativa e delícia: para ela, quando de manhã arrumava o quarto ocupado por ele durante a noite. Para ele, quando à noite ocupava o quarto arrumado por ela durante o dia. E por estes momentos solitários, mas arrebatadamente vividos, se foram espraiando os dias.&lt;br /&gt; Numa radiosa manhã de Março Luísa dirigiu-se bem cedo, como sempre, para a Casa das Leis. Ao entrar deparou-se com D. Vitoriana e o Doutor Sebastião Afonso, prontos para saírem.&lt;br /&gt;- Bom dia Luísa - disse D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- Bom dia minha senhora.&lt;br /&gt;- Estás admirada de nos veres prontos para sair, não é?&lt;br /&gt;- Realmente estou - respondeu Luísa.&lt;br /&gt;- Pois é. Eu e o senhor Doutor Sebastião temos de ir às Caldas da Rainha tratar de assuntos. Só voltaremos à noitinha. Por isso, tu em arrumando os quartos podes ir embora.&lt;br /&gt;- Muito obrigada senhora D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- O meu filho ainda dorme. Esteve até tarde a trabalhar no escritório. Mas não deve almoçar em casa.&lt;br /&gt; Luísa sentiu então o seu coração bater mais forte. Sem o saber, pela segunda vez, D. Vitoriana dava oportunidade a que Américo Afonso e Luísa se encontrassem. &lt;br /&gt;Finalmente os patrões saíram. Dois meses de reflexões sobre a sua condição de mulher jovem, viúva e de novo apaixonada, conscientemente apaixonada, desinibiram-na relativamente à relação com Américo Afonso, a qual no seio de intensos fogos silenciosos que consumiam o seu ser, tentava florescer. Ela voltava a não ter controle sobre si mesma. Na ânsia de não fazer barulho, logo bateu com um pé na perna de uma cadeira, fazendo com que aquela fizesse barulho ao cair. Rasgou o pleno silêncio em que a casa ficara mergulhada, depois da saída dos patrões, dando a sensação a Luísa de que a queda da cadeira ecoara por toda a casa, parecendo-lhe que quase fizera estremecer as paredes. Américo estava ali. Luísa foi arrumar o quarto dos patrões. Passou pela porta do quarto de Américo. Parecia que tinha íman, tal era a força atractiva que a puxava para ali. Depois do quarto arrumado, passou pelo escritório. Arrumou a papelada o melhor que pôde. Embora não soubesse ler, demorou os olhos nos rabiscos feitos por Américo. Não pôde esperar mais. Ele tinha de saber que ambos estavam sozinhos. E que melhor maneira havia do que levar-lhe o pequeno almoço ao quarto? &lt;br /&gt;Como todos os dias, só com a diferença de que naquele momento ia muito mais apressada, foi à padaria comprar pão fresco e à leitaria o costumeiro litro de leite. Ao reentrar em casa, tudo se mantinha em silêncio. Na cozinha preparou um lindo tabuleiro forrado com uma pequena toalha de linho. Nele colocou uma chávena com um pires, dois bules, um de café e outro de leite, dois pães, um açucareiro, uma bonita colher de prata e dois potes, um com manteiga e outro com compota de pêssego. Aquele tabuleiro estava um regalo. Olhá-lo abria de imediato o apetite ao pequeno-almoço.&lt;br /&gt;  A Casa das Leis era bastante grande. No andar térreo encontravam-se a cozinha, um grande espaço que servia de antecâmara de acesso à casa, onde se tinha desenrolado a patética cena entre Luísa e Américo Afonso, momentos antes de iniciarem a histórica jornada até casa de Luísa, na anterior noite de Natal, o escritório do Doutor Sebastião e a sala de jantar. Através de umas largas escadas se subia ao primeiro andar onde se situavam os quartos dos hóspedes e dos residentes, e o escritório de Américo Afonso. Todas as divisões possuíam generosas janelas que davam uma forte luminosidade a toda a casa.&lt;br /&gt; Luísa segurando o magnífico tabuleiro subiu as escadas e dirigiu-se ao quarto de Américo. Bateu levemente. Não obteve resposta. Bateu de novo. Continuava o silêncio. Insistiu com mais força, equilibrando o tabuleiro numa só mão. Finalmente uma voz roufenha disse:&lt;br /&gt;- Minha mãe, que quer?&lt;br /&gt;- Não é a sua mãe, seu mandrião. - De dentro do quarto não se ouviu qualquer resposta. No entanto existia movimento. Ouviu-se um arrastar de chinelos. Luísa mantinha-se imóvel, com um leve sorriso nos lábios de deusa. A maçaneta da porta rodou e surgiu o rosto de Américo, com os olhos entreabertos, lutando contra a agressividade da luz matinal.&lt;br /&gt;- És tu Luísa?&lt;br /&gt;- Sou eu sim senhor. Vim trazer-lhe o pequeno-almoço. O Américo não tem fome?&lt;br /&gt;- Eu... fome? Sim, sim, estou esfomeado - disse Américo ainda atónito.&lt;br /&gt;- Américo, será que eu posso entrar? Este tabuleiro já pesa!&lt;br /&gt;- Entrar? No meu quarto? Mas claro... pois... eu vou tomar o pequeno-almoço no quarto!!&lt;br /&gt; Depois de Luísa ter entrado, Américo espreitou o exterior com ar intrigado. Estava admirado por a mãe ter mandado Luísa trazer-lhe o pequeno-almoço ao quarto.&lt;br /&gt;- Estou admirado com a minha mãe. Mandar-te aqui com o pequeno-almoço?!&lt;br /&gt;- Os seus pais não estão em casa. Foram às Caldas. Como sei que o Américo trabalhou até tarde, lembrei-me que talvez lhe fosse agradável tomar o pequeno-almoço no quarto. Fiz mal?&lt;br /&gt;- Ò anjo da minha vida, como podes perguntar se fizeste mal?! Eu ainda não estou em mim. Além de nós, mais ninguém está em casa?&lt;br /&gt;- Mais ninguém. O Américo tome o seu pequeno-almoço, que depois eu virei arrumar o quarto - disse Luísa enquanto abria as portinholas de madeira das janelas, que mantinham o quarto resguardado da luz solar.&lt;br /&gt;- Não meu amor, talvez Deus não me torne a dar uma oportunidade como esta de te poder ter nos braços.&lt;br /&gt; Luísa estava estática. Os seus grandes olhos fixavam os olhos de Américo Afonso. Os lábios entreabertos suplicavam por um beijo. Ele aproximou-se. Envolveu-a com os seus braços. Luísa não esboçou resistência. Américo Afonso aproximou os seus lábios dos dela, embrenhou-se nos seus longos e belos cabelos negros e o mundo reduziu-se ao espaço daquele quarto. O belo tabuleiro ficou abandonado, inútil. O café e o leite arrefeceram nos bules. Numa dança de corpos escaldantes, onde a roupa não tinha lugar, Luísa e Américo caminhavam no reino de Cupido. Tudo era belo e simples. Quanto mais conheciam daquele reino mais queriam conhecer. Percorreram todos aqueles caminhos até à exaustão. O mundo era perfeito...(em continuação- pág. 75)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5369665900282808033?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5369665900282808033/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5369665900282808033' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5369665900282808033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5369665900282808033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/quando-ao-pequeno-almoco-se-servepaixao.html' title='QUANDO AO PEQUENO ALMOÇO SE SERVE...PAIXÃO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7600543422295028116</id><published>2009-11-16T19:34:00.002Z</published><updated>2009-11-16T19:43:25.358Z</updated><title type='text'>O POVO É SOBERANO</title><content type='html'>Nestes dias em que, em Portugal, se assiste a esta espectacular mostra de decência moral, a voz do povo, mesmo que vinda da profundidade do século passado, é de uma actualidade impressionante. A voz do povo, embora seja do povo, sempre foi e continuará a ser uma voz genuína, verdadeira e incomodativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto do preto no branco,&lt;br /&gt;como costumam dizer.&lt;br /&gt;Antes perder por ser franco&lt;br /&gt;que ganhar por não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas sedas aí vão,&lt;br /&gt;quantos colarinhos.&lt;br /&gt;São pedacinhos de pão&lt;br /&gt;roubados aos pobrezinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que pareço um ladrão...&lt;br /&gt;Mas há muitos que eu conheço&lt;br /&gt;que, não parecendo o que são,&lt;br /&gt;são aquilo que eu pareço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Aleixo (1899-1949)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7600543422295028116?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7600543422295028116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7600543422295028116' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7600543422295028116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7600543422295028116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/o-povo-e-soberano.html' title='O POVO É SOBERANO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1422219213931701220</id><published>2009-11-13T19:03:00.002Z</published><updated>2009-11-13T19:25:07.112Z</updated><title type='text'>FARAÓ, DEUSES- O EGIPTO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sv2vscg0LRI/AAAAAAAAASE/86SaX9JLlsU/s1600-h/AKH-E-NEFER.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 370px; height: 289px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sv2vscg0LRI/AAAAAAAAASE/86SaX9JLlsU/s400/AKH-E-NEFER.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403668306017398034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Naquela específica estação de Peret, em que, desde então, já se passaram dez mil e cinquenta e nove estações, ocorreu um evento da mais alta importância para o meu país: um novo faraó chegava ao poder. Intitulou-se Amenhotep, O Quarto. E aqui se iniciam as minhas memórias muito particulares, aquelas mesmas que apenas existem na minha textura de pedra semi-preciosa.&lt;br /&gt; Antes de se apresentar aos homens, o novo faraó deveria apresentar-se aos deuses. Sim, era conveniente. O faraó, se queria ter um reinado feliz, em que perspectivava vir a reinar com justiça e sabedoria, a fim de trazer a prosperidade ao seu povo, teria de se encontrar sempre em harmonia com os deuses, pois neles iria beber os conhecimentos que dele fariam um faraó amado por todo o Egipto.&lt;br /&gt; A apresentação aos deuses era feita de forma extremamente secreta. O faraó, na condição de deus entre os homens, era o único homem à face da terra, que tinha a possibilidade de contactar, fisicamente, os seres divinos. Assim, numa noite dessa específica estação de Peret, o salão real de Amenhotep, O Quarto, recebeu a visita dos deuses preponderantes na vida egípcia: Aton, Amon-Rá, Nut, Geb, Osíris, Ísis, Hórus e Ánubis. Existia ainda um deus de que todos falavam, mas do qual apenas queriam distância- Seth, o deus maldito, o deus que apenas trazia confusão e caos. Por essa razão, Seth não se encontrava no salão real. Não é que o próprio não quisesse estar presente, pois Seth adoraria abençoar o novo faraó com a sua maléfica sombra, mas tal não lhe era permitido pelo deus mais poderoso - Amon-Rá.&lt;br /&gt; À luz de pequenos archotes, que iluminavam as paredes do palácio real, plenamente pintadas com ilustrações alusivas à relação existente entre o faraó e os deuses, estes iniciavam o novo rei no seu reinado, com a simbólica cerimónia da coroação do faraó, coroação essa efectuada por Amon-Rá, que na cabeça do novo faraó colocava a coroa dupla, simbolizando a união do Alto e do Baixo Egipto.&lt;br /&gt; Amon-Rá, alto, bem entroncado, de cabelo loiro e olhos de um azul profundo, todo ele transmitindo energia, a própria energia do sol, envergando apenas uma leve túnica de azul celeste, pegando com ambas as mãos a coroa dupla, se aproximava do novo faraó, dizendo:&lt;br /&gt;- A ti, Amenhotep, O Quarto na escala dinástica, te confiro os poderes de, nesta abençoada terra do Egipto, seres o meu representante, bem como dos restantes deuses, no mundo impuro dos homens. É teu dever e obrigação velares para que aos homens nunca falte o pão e a justiça. O pão, como símbolo da prosperidade e felicidade do povo por quem és responsável; a justiça, como garante da aplicação de todas as leis universais, ás quais tens acesso, para que a «maet» esteja sempre presente em cada dia do teu reinado. Apenas através dela conseguirás uma boa harmonia entre os homens, e como tal, entre ti e a sabedoria dos deuses a quem deves lealdade. Se tudo isto for legado do teu reinado, abençoado faraó serás.&lt;br /&gt; E proferidas as palavras divinas, Amon-Rá colocou coroa dupla na cabeça do novo faraó. Este, vestindo uma túnica de um branco quase transparente, bordada a ouro, e tendo como adorno um enorme colar ao pescoço, feito de peças de marfim e pedras preciosas, que lhe cobria os ombros, parte das costas e do peito, levantou-se do seu trono, ajoelhou-se em frente de Amon-Rá e beijou-lhe as mãos. Seguidamente ergueu-se, dirigiu-se aos restantes deuses ali presentes, e um a um, pegou-lhes nas mãos, beijando-as também. Depois regressou ao seu trono e sentou-se. Olhou para todos os deuses que se encontravam na sua presença. Depois, fixando apenas o deus supremo- Amon-Rá, o novo faraó disse:&lt;br /&gt;- Aqui me tens, divino e mestre Amon. O teu conhecimento e a tua vontade servirão de orientação para a minha conduta. O meu reinado irá representar a tua verdade. Que Horus me auxilie em tão enorme tarefa.&lt;br /&gt;- Horus, o rei solicitou o teu auxílio. Tens algo a responder-lhe ?- perguntou Amon-Rá ao deus Horus, ali presente.&lt;br /&gt;- Pelas atribuições designadas pelo concelho de Massiftonrá, cabe-me velar pela integridade moral, ética e intelectual de todos os reis, que no Egipto reinem. Amenhotep, O Quarto, podes  ter a certeza de que sempre estarei atento à tua conduta, não só como rei, mas também como homem. O meu auxílio será prestado sempre que necessário; para isso bastará ao rei solicitar-mo.&lt;br /&gt;- Já és faraó- disse Amon-Rá, dirigindo-se ao novo rei- reina com amor, sabedoria e justiça. Se assim o fizeres, terás ajudado a que o Egipto seja o Império dos Impérios. Toma por exemplo todo o trabalho desenvolvido pelo teu ancestral Menés, faraó a quem deves a coroa que usas neste momento. E lembra-te Amenhotep, O Quarto, não julgues que é pelo simples facto de seres coroado faraó que ganhas o estatuto de deus na terra. Chegaste a faraó por herança, mas para chegares a representante dos deuses na terra, tens de mostrar que o mereces. Os homens consideram-te o representante dos deuses no seu seio, mas nós, que somos os deuses, poderemos não ser dessa opinião. Por isso te abençoou-o e te revelo a minha confiança em ti. Em relação ao culto a que a mim farás, determino que o sumo-sacerdote do Templo de Tebas, ao deus Amon-Rá, continue a ser Masahemba.&lt;br /&gt;- E porquê esse Masahemba?- perguntou o faraó.&lt;br /&gt;- Amenhotep, O Quarto, a palavra de um deus não é para ser questionada - disse o deus Hórus.&lt;br /&gt;- Perdão-  retorquiu o jovem faraó, baixando o olhar.&lt;br /&gt;- A tua interpelação não foi maldosa, eu sei. Apenas curiosidade- disse Amon-Rá em tom paternal- mas eu não quero que no trono do Egipto esteja um faraó, em cuja mente possa existir uma minúscula semente, que seja, de dúvidas. Por isso te respondo. Masahemba é filho de um homem que veio de um reino do sul, trabalhar para o Egipto. Esse homem dedicou-me toda a sua vida, a ponto de a perder, quando numa discussão, esbirros de Seth desonraram o meu nome. Já no Rio dos Mortos, em domínios de Osíris e Ánubis, eu prometi a esse homem que lhe protegeria o filho- Masahemba. O meu Sumo- Sacerdote não é egípcio, mas o seu bem estar tornou-se no juramento de um deus- o meu juramento; por essa razão Masahemba, enquanto for vivo e tiver forças para o fazer, será o meu Sumo- Sacerdote e um egípcio da mais alta estirpe. É esta a minha vontade. Nós, deuses, também temos destas coisas. Faraó Amenhotep, O Quarto, que a próxima estação de Shemu te seja extremamente favorável. Seria um óptimo sinal iniciares o teu reinado com colheitas abundantes...(em continuação- pág. 6)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1422219213931701220?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1422219213931701220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1422219213931701220' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1422219213931701220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1422219213931701220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/farao-deuses-o-egipto.html' title='FARAÓ, DEUSES- O EGIPTO'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sv2vscg0LRI/AAAAAAAAASE/86SaX9JLlsU/s72-c/AKH-E-NEFER.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-5933454100638302379</id><published>2009-11-10T18:05:00.003Z</published><updated>2009-11-10T18:24:06.028Z</updated><title type='text'>A AMETISTA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SvmrjaneAoI/AAAAAAAAAR8/PZK1wy_E-Fk/s1600-h/ametista.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 301px; height: 248px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SvmrjaneAoI/AAAAAAAAAR8/PZK1wy_E-Fk/s400/ametista.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402537852936258178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou uma pedra. Tal afirmação parece ser uma estupidez, mas não é. É que eu sou mesmo uma pedra! É claro que não sou uma pedra qualquer; nem tão pouco sou apenas uma pedra especial. Sou muito, mas muito mais do que isso. Começo por ser uma pedra semi-preciosa, mas não é a semi-preciosidade que me transmite este carácter tão peculiar. As pedras não têm o dom da memória e da comunicação; no entanto eu tenho memória, uma longa memória, e como se está a ver, consigo comunicar. Assim fossem todas as pedras e a história do mundo seria muito rica e completa. Se todas as pedras tivessem memória e pudessem comunicar as suas recordações, cada templo, cada monumento, transformar-se-iam num relato vivo das vidas humanas e dos acontecimentos importantes ou não, que se escondem na mudez das pedras de que são feitos os templos e os monumentos.&lt;br /&gt; Eu tenho memória, e na minha textura, encerro a memória de um homem a quem eu acompanhei pela profundidade dos tempos. Esse homem foi a causa da minha existência; por tal razão o protegi.&lt;br /&gt; Estou a escrever em português, mas a minha língua original é muito, muito diferente desta. É verdade, tenho também a capacidade de ser poliglota. Por tudo isto imagine-se o incomensurável poder do meu criador- conseguir dar vida e identidade a um elemento, ainda que semi-valioso, não passa, no entanto, de um elemento inerte.&lt;br /&gt; Espreguiço-me de tanta inactividade. Fui criada há dez mil e cinquenta e nove estações, tendo passado a esmagadora maioria delas apenas observando. Bem, quando me refiro a inactividade, refiro-me à física, pois no que concerne à actividade mental e intelectual, tenho sido uma moira de trabalho. Observei, interpretei, interiorizei e compreendi todo o ambiente que me rodeia; por outras palavras, acrescentei ás memórias da minha própria identidade as recordações históricas que pertencem ao chão onde me depositei há dez mil e trinta e oito estações, ou seja, vinte e uma estações depois de ter sido criada.&lt;br /&gt;A memória das minhas origens é fértil em beleza, capacidade criativa, inteligência, amizade, amor e magia; mas também tem o seu lado sórdido: a inveja, a cobiça e a maldade. E no meio de tudo isso, existem acontecimentos de que os homens de hoje em dia são sabedores, mas também existem os acontecimentos que tiveram lugar paralelamente aos anteriores, que apenas são substância na estrutura fria de mim própria; e são os acontecimentos, vizinhos dos que constam na história universal, que constituem a minha memória. E só em mim existem; escusam de os procurar nas vossas enciclopédias, porque lá não os encontram. Tal é a força do meu ser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro momento destas minhas recordações, tem início precisamente há dez mil e cinquenta e nove estações, em plena estação de Peret, quando as águas do rio Nilo regressavam ao seu leito. Mais uma estação das cheias que terminava. Como sempre acontecia, era a época em que os «felas», nome dado aos camponeses do Egipto, iniciavam as sementeiras. As terras estavam moles pela saturação de água do rio Nilo, e impregnadas de sedimentos que o rio nelas depositara, tornando-as extremamente férteis. Era uma imensa azáfama. Os homens, de tronco nu, apenas envergando um saiote de linho, que lhes rodeava a cintura, curvados sobre a terra amiga, manuseando as suas alfaias. Eram milhares e milhares, que se iam distribuindo pelas margens do Nilo, rodeados sempre por exóticas palmeiras e tamareiras, próprias dos climas tropicais. Ali residia uma das grandes riquezas do Egipto- a sua agricultura. &lt;br /&gt; É verdade, eu sou egípcia; é sobre o Egipto que vos quero falar, que convosco quero partilhar as recordações daquele meu país distante, geograficamente falando, mas muito mais distante no tempo...(em continuação, pág. 3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-5933454100638302379?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/5933454100638302379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=5933454100638302379' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5933454100638302379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/5933454100638302379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/ametista.html' title='A AMETISTA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/SvmrjaneAoI/AAAAAAAAAR8/PZK1wy_E-Fk/s72-c/ametista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7304123949036171971</id><published>2009-11-06T23:32:00.005Z</published><updated>2009-11-07T21:59:43.850Z</updated><title type='text'>LARANJAS AMARGAS EM OLIVENÇA</title><content type='html'>Da minha consulta ao médico galego a que fiz menção no tópico «sopram bons ventos da Galiza», ficou-me o espanto que ele denotou pelo facto dos seus amigos portugueses não demonstrarem qualquer interesse pela questão de Olivença. No entanto, isso não quer dizer que todos os portugueses assim procedam. Ainda hoje Olivença é assunto de conversa em Portugal; ainda hoje é fonte de algum azedume em relação a Espanha, muito embora o governo português considere que Olivença é folclore. Possivelmente é pelo facto de folclorizarmos questões internacionais, que fomos empurrados para a cauda da Europa e de lá não saímos. Ganhámos gosto à «lanterna vermelha» e não há quem nos consiga fazer sentir que estar-se sempre no fim do comboio pode não ser grande ideia. E se porventura alguém surge com um pouco mais de iluminação, é um «bota-abaixismo» que é de fugir.&lt;br /&gt; Corria o ano de 1792 quando a revolução francesa decapitou o rei Luís XVI. Este acto pôs em polvorosa as grandes potências monárquicas europeias, que em uníssono decidiram fazer guerra à jovem república francesa. Nesse sentido a Península Ibérica comungou do sentimento de afronta, pelo que Portugal e Espanha enviaram os seus exércitos para combaterem a barbárie francesa, na que ficou conhecida como a Campanha do Rossilhão...que correu muito mal para espanhóis e portugueses. Durante os três anos seguintes, as batalhas que então aconteceram tiveram sempre como derrotados os Ibéricos. &lt;br /&gt;E porque nessa altura já estava instituída a nacional pasmaceira, o ministro e general espanhol Manuel de Godoy, ao serviço se Suas Majestades os reis espanhóis Carlos V e a rainha Maria Luisa,assinou, em segredo, a paz com os franceses, em 1795, através do Tratado de Basileia. Em resultado desse tratado, o ingénuo governo português viu-se a braços com um gravíssimo problema: estava sózinho em guerra com a França. Portugal tudo fez para fazer a paz, mas Napoleão Bonaparte determinou que a paz apenas seria possível com uma condição: Portugal deveria fechar os seus portos a todos os navios ingleses, exigência que, pela aliança de séculos, era impraticável e foi-o.&lt;br /&gt;Mas que grande Rossilhão arranjámos! A França manteve-se como potência inimiga de Portugal, e vendo que a Inglaterra continuava, impávida e serena, a utilizar os nossos portos, fez com que a Espanha nos invadisse. E assim, Godoy, à frente do exército espanhol, em Maio de 1801, entrou em Portugal pelo Alentejo, tomando algumas localidades, entre elas Olivença. Essa invasão foi plenamente pacífica. Mesmo sem o recurso às armas, Portugal deixava-se invadir. Tempos viriam, que não tardariam, em que os portugueses se iriam tornar em exímios soldados. Espanha fez uma invasão pacífica, porque os reis espanhóis eram pais da rainha portuguesa, à época D. Carlota Joaquina. Manuel Godoy, em demonstração da sua pacifica conquista e lealdade para com os seus soberanos, enviou à coroa de Espanha um ramo de laranjeira, cortado de uma laranjeira alentejana. Esse acto apelidou essa guerra como a guerra das laranjas. Assim ficou conhecida para a história.&lt;br /&gt;Em Junho desse ano de 1801 foi assinada a paz entre os dois países ibéricos, no Tratado de Badajoz, com a obrigação de Portugal fechar os seus portos aos navios ingleses, obrigando-se Espanha a entregar todas as localidades tomadas. Portugal continuou a não fechar os portos aos ingleses e Espanha entregou todas as localidades tomadas, excepto Olivença. Não contente com isso, poucos anos depois uniu-se aos franceses no decurso das invasões francesas a Portugal.&lt;br /&gt;Em 1808, o general inglês Beresford entrou em Olivença, à frente de tropas portuguesas, reconquistando a cidade para a bandeira portuguesa, mas, incompreensivelmente, entregou-a à administração espanhola. Já nessa altura a corte portuguesa se encontrava no Brasil.&lt;br /&gt;Poucos anos depois Napoleão foi, finalmente, derrotado, pelo que capitulou no Tratado de Viena. Nesse Tratado foi reconhecida a nulidade do Tratado de Badajoz, pelo que Olivença deveria ser entregue a Portugal, o que não aconteceu. Por essa altura, Portugal tomou Montevideu, pretendendo com essa conquista fazer uma moeda de troca- Montevideu por Olivença. Aconteceu então a independência do Brasil e Portugal deixou de ser a potência dominante naquela zona do mundo. Naturalmente Montevideu regressou à posse de Espanha...adeus Olivença.&lt;br /&gt;Olivença, hoje Olivenza, conta uma história apenas portuguesa, bem patente nos seus monumentos: um castelo eregido por D. Dinis, uma torre mandada construir por D. João II, o palácio do Conde de Olivença, Rui de Melo, que ostenta um magnífico portal carregado de símbolos portugueses- a Cruz de Cristo, Esferas Armilares e as Cinco Quinas, a Igreja de Santa Maria Madalena, construída por Frei Henrique de Coimbra, o prelado que disse a primeira missa em terras de Santa Cruz.  Guarda-se o Foral Manuelino datado de 1510.&lt;br /&gt;Dizemos que o tempo tudo resolve. A experiência diz-nos que esta expressão é muito verdadeira. Se assim é, em relação a Olivença, o tempo já resolveu.&lt;br /&gt;Mas a história, que muito se traduz no que as pedras nos têm para contar, continua a dizer-nos que o que o tempo resolveu, resolveu-o mal.&lt;br /&gt;O meu médico galego disse-me que a língua portuguesa é proibida em Olivença. Se assim for, percebe-se bem porquê. &lt;br /&gt;Quando o corpo não fala a língua da alma, corre-se o risco de perigosas incompatibilidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7304123949036171971?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7304123949036171971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7304123949036171971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7304123949036171971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7304123949036171971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/laranjas-amargas-em-olivenca.html' title='LARANJAS AMARGAS EM OLIVENÇA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8904219996541413030</id><published>2009-11-05T22:19:00.002Z</published><updated>2009-11-05T22:38:23.137Z</updated><title type='text'>ENTRE LOBITO E AVEIRO SE CONTA UMA AMIZADE</title><content type='html'>...- Dos três filhos do meu irmão, o Narciso è o sobrinho por quem nutro menos simpatia, isso è certo. De certa forma a opinião que tenho dele vai de encontro à descrição que tu dele fizeste. Acho-o pouco simpático, muito exibicionista e demasiado convencido. Resumindo, deve muito à boa educação. Mas de forma alguma responsabilizo o meu irmão por isso. Aos seus três filhos ele deu, por igual, uma boa educação. Mas as pessoas não são todas iguais. Os filhos são uma fonte de alegrias, mas também podem criar grandes problemas aos pais.&lt;br /&gt;- Onde estão os filhos da senhora?&lt;br /&gt;- Eu não tive filhos meu caro jovem. Deus não me concedeu essa graça- disse a senhora tristemente.&lt;br /&gt;- Foi pena, porque a senhora D. Silvina teria dado uma excelente mãe.&lt;br /&gt;- Porque dizes isso? Tu não me conheces.&lt;br /&gt;- Habituei-me a viver com um sexto sentido, que me informa sempre  quem são as boas e as más pessoas. E para fazer essa distinção não preciso de muito tempo. A senhora è uma óptima pessoa.&lt;br /&gt;D. Silvina sentada no sofá, com as mãos sobre as pernas, sorriu levemente. Quando ia falar, foi interrompida pela entrada do criado negro. Armando segurava um enorme tabuleiro, onde transportava um bule, duas chávenas e um prato repleto de convidativos bolos secos. Ao colocar o tabuleiro numa pequena mesa, feita também de pau preto, situada entre a patroa e Serôdio, D. Silvina disse:&lt;br /&gt;- Sabes Armando, este jovem veio-me avisar de que o meu sobrinho Narciso se prepara para esta noite vir assaltar esta casa, na companhia de mais três rapazes.&lt;br /&gt;- Senhora, isso não pode ser verdade.&lt;br /&gt;- E porque não?- perguntou D. Silvina.&lt;br /&gt;- Porque eu nunca conheci ninguém que fosse roubar a própria família.&lt;br /&gt;- Isso não è razão para não dar crédito ao que este jovem veio cá dizer. Infelizmente há por ai muitos casos desses.&lt;br /&gt;- O menino Narciso è mau, mas acho que não faz isso à tia dele.&lt;br /&gt;- Porque è que tu dizes que ele è mau, Armando?&lt;br /&gt;- Porque ele trata-me sem respeito nenhum, por eu ser preto.&lt;br /&gt;- Eu nunca me apercebi disso- disse a senhora.&lt;br /&gt;- Pois não, porque trata-me mal e chama-me nomes só quando a senhora está longe.&lt;br /&gt;- Já me devias ter contado isso.&lt;br /&gt;- E ir aborrecer a senhora? Nem sei porque è que eu disse isto agora.&lt;br /&gt;- Come jovem- disse D. Silvina, dirigindo-se a Serôdio- está à tua vontade. Podes-me repetir o teu nome?&lt;br /&gt;- Chamo-me Serôdio.&lt;br /&gt;- Serôdio? È fora do vulgar.&lt;br /&gt;- Sim, não se vêem muitos- respondeu o rapaz.&lt;br /&gt;- Agora não sei que medidas hei-de eu tomar para prevenir a minha segurança, numa hipotética situação como essa.&lt;br /&gt;- A senhora chama a policia- disse Armando.&lt;br /&gt;- Policia? Não! Caso esta história esquisita se venha a tornar realidade, eu não posso fazer isso ao meu irmão. Mandar o seu filho para a prisão, Deus me livre.&lt;br /&gt;- Eu compreendo- disse Serôdio depois de beber um pouco de chá e de já ter comido dois bolos- mas como se irá sentir o seu irmão se o Narciso vier a fazer algum mal à senhora?&lt;br /&gt;- Antes de fazer mal à senhora ele tem de passar por mim. As catanas ainda...&lt;br /&gt;- Armando, proíbo-te de teres pensamentos violentos. Se ele cá vier tudo se há-de resolver.&lt;br /&gt;- Se a senhora D. Silvina não se importar, eu posso cá pernoitar. Ficamos os três acordados, com as luzes apagadas. Se eles entrarem, acendemos as luzes e recebêmo-los.&lt;br /&gt;- E os teus pais não se importam que chegues tarde a casa?&lt;br /&gt;- Eu telefono-lhes. Eles compreenderão. Estão habituados a confiarem em mim- respondeu o rapaz sorrindo.&lt;br /&gt;- Então assim seja. Jantas cá em casa e conversamos um pouco. Se nada acontecer tanto melhor. Não haverá razões para preocupações, e eu com certeza terei encontrado um amigo.&lt;br /&gt;- Já encontrou D. Silvina, já encontrou- disse Serôdio com um expressivo sorriso a inundar-lhe o rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O pai de Serôdio não ficara nada satisfeito ao saber que o filho se encontrava quase na qualidade de guardião de uma viúva. Mas como também achou aquela história um perfeito disparate, sem o mínimo de credibilidade, não insistiu para que o filho se viesse embora. Se tinha cabimento um sobrinho ir assaltar a tia! Uma imaginação fértil por parte dos rapazes, bem ao jeito das histórias do Robin dos Bosques… e uma viúva, que por certo se sentiu seduzida pela ideia de ter um jovem rapaz a velar por ela, eis no fundo ao que ficava confinada aquela questão. Mas servia este assunto para demonstrar a nobreza de carácter que o seu filho Serôdio possuía. Sim, porque o seu filho Serôdio no fundo estava plenamente convencido de que na realidade existia um ladrão, que naquela noite iria atacar a casa da viúva, onde o seu filho corajosamente o aguardava. Deixá-lo viver aquela fantasia!  Era inofensiva e fortalecia-lhe o ego.&lt;br /&gt; Entretanto na casa « Lobito de Benguela» o jantar decorrera magnificamente. O criado negro, Armando, cozinhara um suculento frango de caril. Serôdio achara a comida fortemente apaladada, com sabor africano. Bebera quase duas garrafas grandes de gasosa. Depois do jantar, o rapaz e a senhora de preto instalaram-se na sala africana. Ao fim de algumas horas de convívio, ela considerava Serôdio como uma pessoa muita amiga. No fundo do seu intimo, nascia a vontade de o adoptar como seu filho, um filho que ela nunca pudera ter.&lt;br /&gt;- A senhora D. Silvina tem esta sala deslumbrantemente decorada- disse Serôdio.&lt;br /&gt;- Mas olha que a decoração não è minha- disse D. Silvina tratando o rapaz por um tu muito mais cordial e afectuoso- eu vivi muitos anos em África, mas sempre abominei a selvajaria. Acho pouco cristão caçarem-se os bichos por mero desporto. Mas fui-me habituando. O meu falecido marido adorava tudo isso. Para a Metrópole foi enviando os trofeus de caça que ele considerava serem os mais bonitos. Numa casa que tenho perto de Vagos encontram-se lá muitos mais. Esta casa onde estamos, foi toda desenhada por ele. E esta sala, que è o salão nobre, decorou-a ao seu inteiro gosto. Depois da sua morte eu não toquei em nada, respeitando assim a sua vontade. &lt;br /&gt;- Viveram então muitos anos em África?!&lt;br /&gt;- Sim, mais propriamente em Angola. Fizemos quase toda a nossa vida no Lobito, por isso o nome da nossa casa. Casámo-nos na igreja pequenina que se encontra ao lado do Museu de Santa Joana, em 1944. Eu tinha vinte anos de idade. O Raúl era mais velho do que eu dois anos. Nessa altura era alferes da Academia. Quando rebentou a guerra em Angola, em 1961, o Raúl tinha sido recentemente promovido a major. Ele foi mobilizado e eu quis ir com ele. O meu marido gostou tanto daquela terra, que pediu ao Estado Maior para lhe prolongarem a comissão de serviço. Por lá ficamos até ao vinte cinco de Abril. Durante esses anos, muitos carregamentos o meu marido enviou para aqui. Hoje temos um grande espólio africano, que em muito enriquece o nosso património.&lt;br /&gt;- Na sua opinião, senhora D. Silvina, caso o seu sobrinho aqui venha mesmo, o que terá ele em mente? Algo desse espólio?&lt;br /&gt;- Não, dinheiro, apenas dinheiro- respondeu a senhora- tenho ainda o mau hábito de guardar uma certa quantia em casa, e o meu sobrinho Narciso sabe perfeitamente que guardo esse dinheiro num cofre que se encontra embutido na parede, por detrás daquele quadro- e apontou para um enorme quadro, onde indígenas se espalhavam por uma savana de África, de lança em riste, na caça a um leão, que no meio deles, de juba alvoroçada, tentava escapar ao cerco que lhe era montado- reparaste Serôdio, com que naturalidade eu te revelei a existência do cofre?&lt;br /&gt;- Realmente, eu nem sei que diga...&lt;br /&gt;- Não digas nada. Isto è sintoma de que confio em ti...(em continuação- pág. 23)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8904219996541413030?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8904219996541413030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8904219996541413030' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8904219996541413030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8904219996541413030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/entre-lobito-e-aveiro-se-conta-uma.html' title='ENTRE LOBITO E AVEIRO SE CONTA UMA AMIZADE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1674644403220392871</id><published>2009-11-02T18:46:00.002Z</published><updated>2009-11-02T19:01:29.175Z</updated><title type='text'>A LOBITO DE BENGUELA- UMA MIGALHA DE ÁFRICA</title><content type='html'>...- O jovem moço acompanhe-me- disse o criado negro sorrindo.&lt;br /&gt;Quando ambos entraram no interior da casa, por momentos Serôdio perdeu-se nos motivos exóticos que se viam por toda a parte: eram peças de mobiliário em pau preto, desde magníficas estantes exibindo cenas em baixo relevo de uma qualquer mashamba, passando por belas estatuetas de arte indígena, que colocadas junto às paredes, contavam ao visitante histórias de Angola. Depois existiam ainda os soberbos troféus de caça. Logo à entrada uma cabeça de impala com a magnífica pelagem castanha e compridos chifres, dava as boas vindas a quem entrava. Ao fundo de um comprido corredor, o visitante deparava-se com uma enorme cabeça de búfalo africano, que com a armação de poderosos cornos e um olhar vítreo e feroz, fazia nascer um arrepio na espinha a quem pela primeira vez olhava para aquele troféu. Serôdio passou pela cabeça do búfalo, mas instintivamente desviou-se dela o mais que pôde.&lt;br /&gt;Guiado pelo criado negro entrou finalmente num enorme salão. África inteira explodia ali. Por cima de uma lareira, uma portentosa e quase viva cabeça de leão vigiava todo o salão, ostentando as suas poderosas mandíbulas, cravejadas de arrepiantes e enormes dentes, e ainda uma imponente juba. Por toda aquela divisão eram visíveis ainda uma cabeça de javali africano, um suricata embalsamado, mantendo-se na vertical como se na realidade estivesse em posição de vigilância, dois enormes dentes de elefante, que se posicionavam cruzados, exibindo o branco sujo do marfim, e imensos artefactos africanos, desde alfaias agrícolas até armas de guerreiros tribais, tais como lanças e compridos escudos de couro forrados a pele de leopardo e de chita.&lt;br /&gt;Maravilhado com tanto exotismo, Serôdio não dera pela presença da senhora vestida de negro. Ela, de imediato simpatizara com aquele moço. Alto, magro, olhos de um azul profundo, cabelo curto espetado de um loiro escuro, irradiava bondade e simpatia. Apercebendo-se de que ele não dera conta da sua presença, deixou-o deleitar-se um pouco com aquela fechada e silenciosa migalha de África. Depois perguntou:&lt;br /&gt;- Aprecias motivos africanos?&lt;br /&gt;Ao som daquela voz feminina, Serôdio caiu em si com um pequeno tremor.&lt;br /&gt;- Desculpe-me minha senhora, não reparei que a senhora estava presente.&lt;br /&gt;- Sim, eu notei isso. Chamo-me Silvina, Silvina Conde de Mendonça- disse a senhora estendendo a mão direita para um cumprimento.&lt;br /&gt;- Eu chamo-me Serôdio Almeida César Velasques- disse o rapaz, retribuindo o cumprimento.&lt;br /&gt;- Aprecias África?&lt;br /&gt;- Sim, embora nunca lá tenha estado. Deve ser um continente maravilhoso. Segundo parece, serviu de berço à espécie humana. Estava longe de imaginar que houvesse em Aveiro um espaço com sabor tão forte a África.&lt;br /&gt;- Todas estas peças são memórias do meu falecido marido. Tomas qualquer coisa?&lt;br /&gt;- Não... muito obrigado...&lt;br /&gt;- Talvez um chá e uns bolinhos secos?&lt;br /&gt;- Bem, se não for incómodo...- retorquiu Serôdio, cujo vazio do estômago não deixou que recusasse tal oferta.&lt;br /&gt;- Não è incómodo nenhum- depois a senhora dirigiu-se ao criado negro dizendo- Armando, vai fazer um chá preto e traz também um tabuleiro de bolos de mel.&lt;br /&gt;- Sim senhora, è só um momento- disse o criado negro abandonando a sala.&lt;br /&gt;- O Armando è outra recordação de África- disse a senhora quando o criado abandonou a sala- è quase uma herança. Começou a servir-nos em 1963, tinha ele treze anos apenas. Quando se deu o 25 de Abril, o meu marido quis trazê-lo. Fiel como o Armando foi a um militar colonialista, o meu marido temeu pela sua vida.&lt;br /&gt;- O marido da senhora foi militar?&lt;br /&gt;- Sim, era o coronel Silva Mendonça. Morreu há um ano. Um antigo ferimento de guerra, que nunca se curou definitivamente, degenerou e matou-o. Mas não falemos disso. Qual è a razão que te fez vir conversar    com uma velha viúva? Já sei que és colega do meu sobrinho Narciso. È algo relacionado com ele?&lt;br /&gt;- Bem, senhora D. Silvina... não sei se será um disparate o que eu vou dizer- começou o rapaz, falando pouco à vontade- efectivamente o que me traz aqui è algo que se relaciona com o Narciso.&lt;br /&gt;- Muito bem. E também se relaciona comigo?&lt;br /&gt;- Sim, a senhora está envolvida.&lt;br /&gt;- Mas em que mistério me terá envolvido o meu sobrinho?! Nós quase não nos vemos. E eu tenho a impressão de que ele não morre de amores por mim- disse a senhora com um ligeiro sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;- Também me parece que não.&lt;br /&gt;- O que te leva a dizer isso?&lt;br /&gt;- Bom, esta manhã um colega meu ouviu uma conversa entre o Narciso e o grupo dele. Combinavam vir assaltar a casa da senhora esta noite.&lt;br /&gt;- O quê?! O meu próprio sobrinho vir assaltar a minha casa? Isso è um perfeito disparate.&lt;br /&gt;- Pois... eu também achei que talvez fosse disparate... mas...&lt;br /&gt;- Diz-me uma coisa meu caro jovem, o que te leva a supor que o meu sobrinho seja capaz de cometer um acto desses?&lt;br /&gt;- Minha senhora, desculpe-me. Eu já estou arrependido de cá ter vindo, mas preocupei-me com a senhora...&lt;br /&gt;- Mesmo sem me conheceres?&lt;br /&gt;- Sim, porque mesmo não a conhecendo, senti que alguém podia estar em perigo. E se amanhã eu viesse a saber que algo tinha acontecido aqui? Eu não iria ficar bem com a minha consciência, pois nada fizera para evitar o que quer que fosse.&lt;br /&gt;- Compreendo. Mas não respondeste à minha pergunta. Quais as razões que te induzem a pensares que o meu sobrinho Narciso seja capaz de tal acto?&lt;br /&gt;- Na turma ninguém gosta dele, excepto três rapazes que com ele formam um grupo. Eles exigem que as raparigas trabalhem por eles. Permanentemente exibem uma postura agressiva, sempre prontos para a violência. Não respeitam quem quer que seja. São uns autênticos rufiões. E depois, o meu colega que ouviu a conversa, não conhecendo a senhora, nem esta casa, disse-me que a senhora vive aqui apenas na companhia de um criado negro.&lt;br /&gt;- Caramba, esse teu tal colega disse-te isso?&lt;br /&gt;- È verdade, ouviu-o da boca do seu sobrinho, D. Silvina.&lt;br /&gt;- E tu ao veres o Armando consideraste como provada a veracidade dessa história, è isso?&lt;br /&gt;-   È isso mesmo minha senhora...(em continuação- pág. 19)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1674644403220392871?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1674644403220392871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1674644403220392871' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1674644403220392871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1674644403220392871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/11/lobito-de-benguela-uma-migalha-de.html' title='A LOBITO DE BENGUELA- UMA MIGALHA DE ÁFRICA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-223470559450309724</id><published>2009-10-30T23:15:00.003Z</published><updated>2009-10-31T00:23:26.145Z</updated><title type='text'>A NOITE DO OVNI</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sut0EXLhSJI/AAAAAAAAARs/7Yg2fmMgBvg/s1600-h/ovni.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 301px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sut0EXLhSJI/AAAAAAAAARs/7Yg2fmMgBvg/s400/ovni.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398536196624304274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque li numa noticia online que Barack Obama, para o final do ano, irá revelar alguns segredos relacionados com o fenómeno ovni (UFO em inglês), lembrei-me daquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfeizerão, 10 de Agosto de 1977, dez e meia da noite. &lt;br /&gt;Suponho que seria um Sábado. Lá em casa decorria um jantar que os meus pais ofereceram a amigos. Para um jovem de 21 anos, estava a tornar-se uma verdadeira seca. Decidi vir à rua fumar um cigarro. Decidi, ou alguém, ou alguma coisa, decidiu por mim. Foi uma dúvida que sempre permaneceu e se mantém. &lt;br /&gt;Iniciava a descer as escadas exteriores quando senti necessidade de olhar para o céu. Na noite escaldante, o céu encontrava-se divinamente estrelado. Imediatamente me apercebi de umas luzes em movimento, que a principio tendiam confundir-se com as estrelas. Mas os meus olhos não mais se despegaram daquele movimento de luzes. Gradualmente as luzes foram-se desprendendo da teia estrelar, ganhando intensidade, aumentando de tamanho. O que quer que fosse ia-se aproximando de mim.&lt;br /&gt;Eu estava imóvel, com um pé num degrau e o outro pé no degrau mais abaixo, agarrando firmemente o corrimão, com a cabeça completamente inclinada para cima. As luzes foram-se aproximando, até que construíram uma forma- uma forma oval. &lt;br /&gt;Decididamente o que se aproximava de mim, lá em cima, era um aparelho. Aproximou-se...aproximou-se, até que parou. Ficou completamente imóvel, tanto quanto eu. Deduzo que não estaria a mais de cem metros de altura. A forma oval era composta por  dez focos luminosos, luzes intermitentes, que iam do vermelho ao verde, passando pelo azul. Subitamente, do meio dessas luzes acendeu-se um foco de luz amarela, muito maior, que projectava um raio de luz espessa. Não o sei definir de outra forma. O aparelho emitia aquele raio de luz que descia alguns metros para baixo e era literalmente sugado pela fonte, repetindo-se de novo a projecção daquela luz estranha, e uma outra vez, e mais uma. &lt;br /&gt;O aparelho estava no maior silêncio. Tive então consciência de que estava na presença de um ovni. Senti, ou fizeram-me sentir, que eu também estava a ser observado. Meu Deus, eu tinha que compartilhar aquele momento maravilhoso com outras pessoas. E em minha casa estavam algumas. Abri a boca para gritar, chamá-los...não tinha voz! Tentei de novo. Articulava palavras sem som. E o raio de luz amarela continuava a ser projectado e a ser recolhido. Não sei, mas este meu encontro imediato terá durado cerca de um minuto. Depois, a luz amarela deixou de ser emitida, o aparelho pôs-se em movimento, lentamente, e com uma velocidade louca fundiu-se de novo nas estrelas, para lá dos montes do Casal Pardo. &lt;br /&gt;E eu já falava. Bem me adiantava!! Já nada havia para mostrar.&lt;br /&gt;É claro que  contei a minha experiência. É claro que só vi sorrisos de quem, no seu cepticismo, sorria apenas para ser simpático e evitar de me chamar maluco,sorrisos esses que devem existir, neste momento, nos rostos de muitos dos que estão a ler estas palavras. &lt;br /&gt;Mas este momento extraordinário vivi-o na minha juventude, e guardei-o ciosamente, responsavelmente, para que nenhum pormenor dele se perdesse no tempo. Já lá vão 32 anos e relatei-o como se o tivesse vivido há minutos.&lt;br /&gt;Nesse mês de Agosto de 1977, pelo mundo fora, foram muitos os relatos de experiências com naves extraterrestres.&lt;br /&gt;Ao ver o filme Encontros Imediatos do 3º Grau, senti que ali existia muito mais realidade do que a grande maioria poderia ou poderá pensar, porque eu vivi algumas cenas do filme.&lt;br /&gt;Há 32 anos que procuro no céu uma outra visita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-223470559450309724?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/223470559450309724/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=223470559450309724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/223470559450309724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/223470559450309724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/noite-do-ovni.html' title='A NOITE DO OVNI'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/Sut0EXLhSJI/AAAAAAAAARs/7Yg2fmMgBvg/s72-c/ovni.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-4653212788122499150</id><published>2009-10-28T21:06:00.002Z</published><updated>2009-10-28T21:17:56.878Z</updated><title type='text'>DANÇAREMOS...DEPOIS DE ANGOLA</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/JqIfXyzpwE8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/JqIfXyzpwE8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Era uma bela tarde de Sábado. A sala, comprida, estava apinhada de gente. Ao centro existia uma longa mesa cheia de bolos, sanduíches, muitas fatias de carne assada, e duas caçoilas de barro preto contendo chanfana. Pela mesa fora estavam distribuídas muitas garrafas de « laranjina c», gasosa da « canada dry», cerveja « sagres», « topázio » e « onix» e garrafas de vinho. Os convidados eram rapazes e raparigas. Num dos cantos da sala existia uma aparelhagem de som « philips». No gira-discos passava um long play dos Pink Floyd, o álbum « Dark Side of the Moon». Aquela sonoridade nova, aquela mensagem, aquele fogo de vida envolvia aqueles jovens, transmitindo-lhes sensações inebriantes, transformando-os em pequenos gnomos de uma floresta onde o amor e a magia impregnavam tudo. Quem estivesse do lado contrário àquele onde se encontrava a aparelhagem, podia sentir a música entrelaçar-se e rodopiar pelo meio do sussurro das vozes.&lt;br /&gt; Álvaro estava deleitado. Não se lembrava, nem se queria lembrar, de que daí a três dias embarcaria no navio Vera Cruz, que o levaria a África, até Angola. Todos lhe demonstravam a sua amizade e a sua solidariedade. Abraçada a ele, sem o largar, estava uma moça maravilhosa, divinalmente loira, com olhar de esmeralda, que de vez em quando deitava carinhosamente a cabeça no seu ombro. Era Catarina, a Catarina Martins, sua namorada e madrinha de guerra. De quando em vez beijavam-se, o que provocava uma explosão de aplausos, gritos e assobios. Álvaro então sorria e não permitia que uma lágrima mais indisciplinada lhe aflorasse aos olhos, pois isso a acontecer iria revelar o turbilhão de sentimentos em que a sua alma estava mergulhada, por viver aquela festa...de um adeus temporário... ou um adeus definitivo.&lt;br /&gt;  Que juventude tão sofrida aquela! Que grande ponto de interrogação existia na vida daqueles jovens! Formar um futuro, que maravilha! Vamos depressa que a vida não espera! Vamos... alto, espera aí! Tens de parar. Recua um pouco, toma balanço, muito balanço... corre agora, isso, com velocidade, passa por cima desse fosso. Não olhes para baixo, olha sempre em frente. Tem confiança, tem fé. Esse fosso chama-se guerra... guerra colonial. Se o conseguires transpor, se fores capaz de chegar ao outro lado, isso quer dizer que a tua paragem  no tempo terminou e vais voltar a ser tu próprio, com a tua personalidade, os teus ideais, caminhando em direcção ao futuro que esperou por ti. Se por azar tropeçares e caíres no fosso... olha amigo, talvez um dia as gerações futuras saibam reconhecer a tua dádiva, mas só talvez! Não te prometo!&lt;br /&gt; Álvaro encontrava-se bem no meio da pequeníssima multidão que a sua casa viera, para com imensa energia o impregnarem de bons fluídos, que o ajudassem a ultrapassar as armadilhas da guerra, o protegessem das sombras esquivas e letais da guerrilha. A todos Álvaro sorria e de todos já sentia saudade. Principalmente da sua querida Catarina, que o não largava, agarrando-se a ele ansiosamente, sentindo o pulsar de todas as suas células. Ela queria manter aquela sensação por muito e muito tempo. Seria uma forma de o sentir permanentemente junto a si. A saudade já martirizava e ele ainda ali estava.&lt;br /&gt; Álvaro era um rapaz de altura mediana, com ombros largos e maciços. De cabelo bem preto e rosto comprido e magro, irradiava simpatia. Nos seus olhos profundamente castanhos e leais, residia o amor. Era sem dúvida uma agradável companhia, que sabia honrar uma amizade. Puxara ao seu pai, o enfermeiro Victor.&lt;br /&gt; No gira discos alguém pusera a tocar o single « We shall Dance» de Demis Roussos, e como obedecendo a um impulso ordenado por aquele música, todos os casais se uniram num enlace perdidamente inflamado de paixão. Quase estáticos dançavam.&lt;br /&gt; Catarina, com os braços rodeava o pescoço de Álvaro. Levemente lhe roçava o rosto com os lábios. Álvaro abraçava-a com avidez, enquanto o seu rosto se embrenhava no belo cabelo loiro dela. Naquele momento, em que aquela louca canção, emanando do gira discos, era o único som ali audível, Álvaro recuou alguns anos. Recordava os dias em que despreocupadamente percorrera as ruas de Coimbra. Quando em criança, na companhia de outros miúdos, formava grupos por altura dos finados, e andava à noite pelo bairro onde morava, com uma caixa de sapatos na qual se fizera alguns furos, que formavam um rosto disforme, e no interior da caixa se depositara uma vela acesa. A luz da vela fluindo pelos « olhos, nariz e boca» da caixa de sapatos, construía um certo cenário macabro. E era esse cenário o mais ideal para, de porta em porta, se cantarem os « bolinhos e bolinhós ». E assim, nos dias 30 e 31 de Outubro de cada ano, os grupos de miúdos andavam numa saudável competição em busca das casas mais ricas, pois quanto mais próspera fosse « a senhora que está lá dentro assentada num banquinho faz favor de cá vir fora p’ra nos dar um tostãozinho », mais esperanças havia de que esse tostãozinho se transformasse em cobiçados escudos.&lt;br /&gt; Recordou os tempos em que a adolescência irreverentemente o possuíra e em que, na companhia dos aventureiros dos « bolinhos e bolinhós », passeavam agora pelas Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, onde gostosamente faziam as suas tão ansiadas « piscinas », enquanto discutiam as dificuldades que o poder organizado levantava à propagação do amor, o amor livre.&lt;br /&gt; Lembrou-se dos inúmeros bailes particulares em que participara, onde eles alunos do Liceu D. João III, e elas alunas do Liceu D. Maria, durante a semana privados de se comunicarem, naqueles bailes aos fins de semana, feitos em garagens e por vezes em quartos, se desforravam da frustrante privação.&lt;br /&gt; Lembrou-se do delírio que se viveu em Coimbra, quando no Teatro Gil Vicente foi passada durante algumas semanas a ópera rock « Jesus Christ Superstar ». Foi nesse louco e estranho ambiente de união entre o sentimento cristão e uma excepcional música rock, que Álvaro conhecera Catarina. Ela sentara-se à frente dele e ambos se observaram. Quando no ecrã, Madalena cantava a faixa « I Don’t know how to love him », Álvaro aproximou-se da nuca dela e sussurrou-lhe aos ouvidos:- « deliciosa e desconhecida loirinha, não queres ser a Madalena da minha vida? ». Ela nada respondeu, mas no final do filme, quando abandonava o seu lugar, olhou-o com os seus celestiais olhos verdes e sorrindo perguntou-lhe:- « tens coragem para seres Cristo? ». Nesse momento Álvaro teve a certeza de que ali, numa incógnita tarde de Domingo, encontrara uma diva que queria enriquecer os seus dias. &lt;br /&gt; Abraçado a Catarina, inspirando o cheiro do seu cabelo, flutuava com ela ao sabor da música que docemente lhes inflamava a paixão, já de si arrebatadora. Vagueou com os olhos pelos outros jovens que como ele cativos estavam da canção sedutora, que do gira discos fluía numa harmoniosa alegria de viver. E lembrou-se que muito brevemente iria deixar de usar calças « à boca de sino », a moda que os jovens adoravam. E não as vestiria por  um longo período, porque todo o tempo futuro seria uma época, apenas e só do camuflado. Com ele iria viver a guerra, iria ver matar, iria ver morrer, iria matar e poderia... para quê pensar?&lt;br /&gt; Recuou ao passado recente em que pela primeira vez conhecera Mafra e tomara contacto com o imenso « Calhau ». Fora no « Calhau » , no Convento de Mafra, onde estava instalada a Escola Prática de Infantaria, também conhecida pela sigla « EPI», que fora incorporado no C.O.M, o Curso de Oficiais Milicianos, de que muito se orgulhava. Mafra ficara sem segredos para si. No Alto da Vela, na extensa planície onde estava o velho e ferrugento carro de combate, no vale escuro, na pista do P.D.I., nos quatro caminhos e na Tapada Real conquistara a patente de aspirante, da qual se despedira havia poucos dias, quando às portas de viajar até Angola, fora promovido a alferes. Recordação pouco consentânea com o ambiente de festa que o envolvia. Mas se todos ali estavam, era porque ele estava na tropa e a tropa o levava para longe. Se o amor o envolvia, a tropa também. Afinal, talvez aquela recordação não fosse tão desajustada assim.&lt;br /&gt; A agulha correu pelo disco e foi-se aninhar no seu lugar de descanso. A música acabara. Os amantes, que mutuamente viveram aqueles poucos minutos de magia, separaram-se, e todos sorriam...(em continuação pág. 45)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-4653212788122499150?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/4653212788122499150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=4653212788122499150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4653212788122499150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/4653212788122499150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/dancaremosdepois-de-angola.html' title='DANÇAREMOS...DEPOIS DE ANGOLA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-1126056333755675251</id><published>2009-10-23T17:45:00.005+01:00</published><updated>2009-10-23T21:47:26.325+01:00</updated><title type='text'>À MESA, O DÉFICE DE PORTUGALIDADE</title><content type='html'>...- Foi uma boa opção ter escolhido este restaurante, senhor Victor. Há muito tempo que eu não comia leitão tão saboroso.&lt;br /&gt;- Então meu caro Rui, para leitão só mesmo o príncipe dos restaurantes da Mealhada. Vim aqui muitas vezes com o Álvaro.&lt;br /&gt;- Toma um cafézinho?&lt;br /&gt;- Sim e também um digestivo. Hoje apetece-me cometer uma infracção aos meus hábitos alimentares. Venha de lá um velho brandy Constantino. Mas se não se importa Rui, vamos tomar a bica para o bar do restaurante. Estamos mais à vontade para conversarmos.&lt;br /&gt;- Vamos sim. Estou ansioso por ouvir o muito que tem para me contar. &lt;br /&gt;- Um dia passado com um velho não o aborrece?&lt;br /&gt;- Senhor Victor, ser-se velho è sinónimo de uma anterior juventude. Os novos têm de aprender a ouvir os velhos. A velhice è o curso superior da vida. Que seria de toda a juventude se não tivesse uma velhice em quem se apoiar?&lt;br /&gt;- Engraçada essa imagem Rui. Você tem razão. Eu aprendi muito com o meu avô. Embora conheça jovens excepcionais, outros há, desprovidos de valores, medíocres, idiotas, nada civilizados, pseudo-educados, filhos de uma mentalidade anárquica que se diz democrática, emergente, que consideram que os velhos são um produto do passado e que por tal motivo não têm lugar no presente. Sabe, além dessa forma nova de se viver Portugal, existe a outra, a omnipresente, essa secular mentalidade tão nossa inimiga. Somos um povo apaixonado. Apaixonamo-nos pelo estrangeiro que nos visita, sem nos ofendermos com a falta de interesse que ele revela por nós, quando esporadicamente visitamos o seu país. Apaixonamo-nos pelos dramas de outros países, quantas vezes não reparando nos dramas que ocorrem à nossa porta. Somos apaixonados pelo produto estrangeiro, desprezando por completo o produto nacional. Apaixonamo-nos por tudo quanto è consumo, quantas vezes sem nos vir à ideia se a nossa carteira terá capacidade para tanto. E os problemas surgem...sofrerá o nosso povo de um recalcamento colectivo? Ainda andaremos nós à procura de algo que perdemos? Será que nos sentimos ainda confusos e órfãos?&lt;br /&gt;- Órfãos??&lt;br /&gt;- Sim, não se esqueça Rui, de que sofremos um colapso com a perda do nosso rei D. Sebastião, e que não tem havido nevoeiro suficientemente poderoso para o devolver a Portugal. Em 1578, na batalha de Álcacer-Quibir, ficámos terrivelmente mutilados. O nosso poderio diluiu-se. Passámos do topo do mundo para os seus arredores. Não lhe parece estranho que um país como Portugal, que nos séculos XV e XVI foi uma potência mundial, seja hoje totalmente desconhecido para muitos, e para outros considerado uma província espanhola?&lt;br /&gt;- Bem, de facto, as coisas vistas por esse prisma parecem realmente não terem muita lógica. Mas sabe senhor Victor, isso nunca me preocupou muito...&lt;br /&gt;- Pois aí reside muito do nosso mal, caro Rui. È precisamente pelo facto de os portugueses não se identificarem com a sua história, que o nosso país è pouco considerado no estrangeiro. Não sabemos preservar, nem tão pouco cultivamos o orgulho pelos nossos notáveis antepassados. O meu amigo vai a Verona, em Itália, e lá encontra um túmulo muito visitado, o qual pertence ao par amoroso Romeu e Julieta. E no entanto esse par nunca existiu. È pura ficção. Mas os italianos honram a memória e o talento de William Shakespeare, que nem sequer era italiano. Aqui, em Portugal, temos a memória de um par verdadeiro, tragicamente apaixonado e pertença da nossa história, o nosso rei D. Pedro I e Inês de Castro, sepultados no Mosteiro de Alcobaça, e quase ninguém os visita. Pergunte à maioria dos portugueses se sabem quem foi Inês de Castro, onde está sepultada, e verá que respostas obtém.&lt;br /&gt;- Mas isso será assim tão importante senhor Victor?&lt;br /&gt;- Para quem è português sem ter sentimentos de patriotismo, è evidente que a história nada tem de interessante nem de importante. Mas para quem è orgulhosamente português, vivendo com a esperança e a preocupação de que o seu país suba no conceito do mundo, è óbvio que a vida dos portugueses do passado tem muita importância.&lt;br /&gt;- Pensando assim, não se cairá num nacionalismo doentio?&lt;br /&gt;- Gostar do que è nosso não è doença nenhuma. Desprezar a nossa memória colectiva è quebrar o vínculo ao que de mais profundo existe em nós, enquanto povo. E isso pode ser perigoso. Talvez por essa razão existam tantos portugueses que não estão minimamente preocupados em colaborarem no progresso do país. Ser nacionalista, gostar do que è nacional, è apenas e só manter bem viva a alegria de ser ter nascido num determinado país. Olhe o exemplo das grandes potências: todos eles estimam a sua história.&lt;br /&gt;- O senhor Victor è uma pessoa muita crítica. Eu talvez não seja tão radical, mas reconheço que o conhecimento da história portuguesa não è motivo de interesse para a maioria dos portugueses. E vejo agora que o senhor teve muita influência no seu filho. Era assim que ele pensava.&lt;br /&gt;- Sim, eu sei. Eu e o Álvaro conversávamos muito.&lt;br /&gt;- Porque razão não tirou ele um curso superior?&lt;br /&gt;- Por causa da tropa.&lt;br /&gt;- Da tropa?&lt;br /&gt;- È verdade Rui. Ele dizia que na vida de um homem as coisas têm de acontecer no tempo certo. Ele pedir espera à tropa, tirar um curso...ia levar alguns anos. Seria depois chamado já com vinte e muitos... ele preferiu assim.&lt;br /&gt;- Foi sempre um óptimo amigo.&lt;br /&gt;- E um querido filho. Nasceu em 1951. Foi criado no Calhabé. Mal me descuidei, já tinham passado vinte e dois anos. Escondido, chorei na festazita que se fez lá em casa para amigos e familiares, que lhe quiseram desejar muita saúde, muitas felicidades e muita sorte. Como o meu coração estava apertado. Ele fora mobilizado para Angola. Partia dali a três dias. Estávamos em Fevereiro de 1973...(em continuação- pág. 40)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in VISITADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro/1999&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-1126056333755675251?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/1126056333755675251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=1126056333755675251' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1126056333755675251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/1126056333755675251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/mesa-o-defice-de-portugalidade.html' title='À MESA, O DÉFICE DE PORTUGALIDADE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6881000678984415801</id><published>2009-10-21T16:22:00.008+01:00</published><updated>2009-10-22T11:15:13.286+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='por esta simpatia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obrigado amigo António Henriques'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mais uma vez'/><title type='text'>A TRONCALHADA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/St9ZYYDvYfI/AAAAAAAAARk/ya-OzCRia5Q/s1600-h/TRONCADALHA.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 260px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/St9ZYYDvYfI/AAAAAAAAARk/ya-OzCRia5Q/s400/TRONCADALHA.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395129153923015154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como que recatadamente inserida numa campânula que a protege do reboliço citadino, imune ao avanço do betão que ao tempo dá forma disforme, cinzenta, fria, a contra relógio, a Troncalhada vive a sua paz salgada, já as sombras se avizinham e o marnoto adormece. &lt;br /&gt;Refastelada de paz e natureza, enquanto ao longe Aveiro se apressa no perfume do monóxido de carbono, a Troncalhada observa, placidamente, as salinas suas irmãs que a rodeiam.&lt;br /&gt;Calma...que amanhã o irmão sol nascerá de novo para que a brancura cristalina da flor de sal seja possível, e o horizonte se pontilhe de minúsculas serras brancas, a razão a que a Troncalhada, sempre na pacífica existência, deve a razão de ser. &lt;br /&gt;Mesmo hoje, neste alvoroço apressado, A Troncalhada mantém-se na quietude de outros tempos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6881000678984415801?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6881000678984415801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6881000678984415801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6881000678984415801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6881000678984415801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/troncalhada.html' title='A TRONCALHADA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/St9ZYYDvYfI/AAAAAAAAARk/ya-OzCRia5Q/s72-c/TRONCADALHA.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6324619735265111106</id><published>2009-10-20T19:21:00.001+01:00</published><updated>2009-10-20T19:39:35.198+01:00</updated><title type='text'>NA QUIETUDE DA ALDEIA PORTUGUESA, UM DISTANTE NATAL</title><content type='html'>...- Perdoe-me Luísa se a ofendi. Não era essa a minha intenção...&lt;br /&gt;- Não Américo, não me ofendeu. Eu já suspeitava. Vossemecê foi muito digno ao dizer que uma das razões pela qual se apaixonou por mim, foi a forma como eu vivo a viuvez do António. Que pensaria vossemecê de mim, se soubesse que eu me apaixonara de novo?&lt;br /&gt; Américo estremeceu. Apaixonada? Quem seria o maldito? O mundo começou a esboroar-se debaixo dos seus pés. E apreensivamente respondeu:&lt;br /&gt;- Eu pensaria que estava certo. A Luísa tem direito à vida. A viuvez não é deformação. É somente um estado civil que pode ser alterado como qualquer outro. Penso que seria fazer uma ofensa a Deus, uma mulher como a Luísa não voltar a ser amada. Mas... está apaixonada?&lt;br /&gt;- Por si! - E ao dizer isto recomeçou a andar. Américo ficou especado. Os seus sentidos, o seu ser, acabavam de receber um impacto capaz de desmoronar um homem.&lt;br /&gt;- Luísa, espere - gritou Américo. Cães nas redondezas começaram a ladrar, alertados por aquele grito saído de garganta louca de felicidade. Américo deu uma corrida.&lt;br /&gt;- Luísa, espere.&lt;br /&gt;- Não posso. Não me force a parar. Jurei que vossemecê nunca haveria de saber disto. Não compreendo o que me aconteceu.&lt;br /&gt;- Ora Luísa, é a felicidade de novo a bater à porta.&lt;br /&gt;- Felicidade? Qual felicidade? Acha que uma criada e um advogado têm futuro?&lt;br /&gt;- Luísa, um homem e uma mulher que se amam têm sempre futuro. A criada e o advogado são somente as roupas que vestem. Eu tenho trinta e três anos. Sei o que quero da vida.&lt;br /&gt;- E o que dirão os seus pais?&lt;br /&gt;- Os meus pais querem ver o filho feliz.&lt;br /&gt;- Não sei se iria ter coragem de os enfrentar.&lt;br /&gt;- Luísa, esqueça agora os meus pais. Olhe para mim... olha para mim - rectificou Américo.&lt;br /&gt;- Não Américo, não estou preparada. Desculpe, vou ter de me colocar toda em ordem. Por esta cabeça está a passar uma tempestade. A casa dos meus pais já se avista.&lt;br /&gt;- Ao fim de tantos meses de angústia o mundo sorri de novo para mim - retorquiu Américo - dá-me ao menos um pequeno sinal do teu amor.&lt;br /&gt;- Esse sinal já lho dei ao dizer-lhe que o amo. Nada mais lhe posso dar neste momento. Preciso de ficar bem comigo mesma. Desculpe Américo, não insista, pelo amor que me tem.&lt;br /&gt;- Nem ao menos me podes tratar por tu?&lt;br /&gt;- Farei tudo isso quando o momento chegar, se a minha consciência se não opuser. Hoje já fiz o que nunca imaginei ser capaz.&lt;br /&gt;- E esta escuridão que me não deixa ver esse teu rosto divino. Que abençoada noite de Natal! - disse Américo Afonso.&lt;br /&gt; Luísa apressou muito o passo. Por isso rapidamente percorreram a distância que os separava da casa dos seus pais. Uma casa térrea, bem simples, como simples era a vida das pessoas que ali moravam. Ao lado da casa existia um pequeno alpendre, que guardava alguma lenha para a lareira do inverno, meia dúzia de utensílios de lavoura, enxadas, forquilhas e ancinhos. Entre o alpendre e a casa existia uma casota minúscula. Era a oficina de oleiro, onde o pai de Luísa elaborava as peças de cerâmica tão apetecidas. Tal como as outras casas por onde tinham passado, também a casa de Luísa irradiava espírito de Natal, como se fosse possível que uma casa ganhasse vida e transmitisse sentimentos. Mas era isso mesmo que acontecia. A mística do Natal era tão forte e profunda, que ao transformar por completo o mundo e as pessoas, dando clarividência ao coração humano, tornando pois possível o perdão e colocando amor onde antes existia mal querer, prolongava essa dádiva do céu até às casas.&lt;br /&gt; As duas janelas que ladeavam a porta de pau da casa do oleiro estavam brilhantes com a luz que por elas transbordava. Pela chaminé fluía um fumo calmo. Cheiro de lenha de pinheiro queimada, misturado com os aromas natalícios que andavam no ar, eram um condimento da quietude da aldeia portuguesa.&lt;br /&gt; Luísa e Américo chegaram junto à porta. Com os nós dos dedos Américo Afonso bateu no pau rijo que escondia a intimidade daquele lar.&lt;br /&gt;- Quem é? - perguntou uma voz de rapazinho.&lt;br /&gt;- Sou eu, a mãe - respondeu Luísa.&lt;br /&gt; A porta logo se abriu. À luz das candeias de azeite surgiu um rapazinho loiro.&lt;br /&gt;- Boas noites Carlos. Aqui te trago a tua mãe.&lt;br /&gt;- O senhor Doutor Américo veio acompanhar a minha mãe? - perguntou o pequeno Carlos Avilar.&lt;br /&gt;- É verdade. Estás admirado?&lt;br /&gt;- Há por aí muitos senhores doutores que em calhando, não o faziam - disse o pequeno.&lt;br /&gt; À porta surgiram os pais de Luísa e também a pequenita Rosa. Fizeram pressão para que o senhor Doutor entrasse, mas este recusou, pois a família esperava-o na Casa das Leis.&lt;br /&gt; Após os votos mútuos de uma santa noite, Américo abandonou a casa de Luísa, não sem antes lhe ter enviado um suplicante e apaixonado olhar, ao que ela correspondeu. Américo inspirava o Natal que existia no ar frio. Pensava que tal como o caminho do calvário, em Jerusalém, ficara célebre porque ali vivera Jesus Cristo os seus últimos minutos de vida terrena, também o caminho que levava de sua casa à casa de Luísa deveria ficar conhecido, porque fora através dele que Américo chegara à felicidade. Ao passar pela figueira à beira do caminho, tirou-lhe o chapéu. Ela merecia esta reverência. Só uma árvore respeitável como aquela poderia ter perfil para ser testemunha de uma declaração de amor, como fora a dele e também a de Luísa Avilar.&lt;br /&gt; Pelo resto do caminho foi andando ligeiro, saltitando de quando em vez, assobiando ao ar, às casas, ao céu estrelado, à capacidade que o homem tem em conseguir ser feliz. Enfim, rejuvenescera.&lt;br /&gt; Ao entrar na Casa das Leis perdera o ar macilento e sem vigor que o acompanhava havia bastantes meses.&lt;br /&gt;- Minha mãe, venha de lá esse bacalhau cozido que tenho fome de lobo.&lt;br /&gt;- Ai menino, que a noite transformou-te. Isto só pode ser milagre - dizia feliz D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- Pois foi minha mãe, foi milagre! Mas, demora o bacalhauzito?&lt;br /&gt;- Não filho, num ápice estaremos todos à mesa.&lt;br /&gt; Já noite dentro, quando todas as lareiras se haviam apagado, depois de muita alegria se ter espalhado, após muitos espíritos se terem aquecido e afogueado em altos ideais filosóficos, sob a inspiração do suor vermelho-tinto da terra, qual fragrância de baco, Américo encontrava-se deitado no seu leito, pensando, iluminado pelo luar suave, o mesmo luar que iluminava o belo rosto de Luísa. Quase se adivinhava que entre as duas casas se formara uma corrente telepática. Américo ansiava pelo momento em que pela primeira vez abraçaria Luísa Avilar.&lt;br /&gt; Luísa tentava pôr um pouco de racionalidade em toda aquela situação. E mais do que os medos de enfrentar os preconceitos sociais, era o remorso latente em colocar na sua vida um outro homem, no lugar de António Avilar, que a afligiam. Iria finalmente compreender que António não passava de uma bela recordação, ecos de uma guerra distante, apenas e só uma saudade...(em continuação- pág. 70)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6324619735265111106?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6324619735265111106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6324619735265111106' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6324619735265111106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6324619735265111106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/na-quietude-da-aldeia-portuguesa-um.html' title='NA QUIETUDE DA ALDEIA PORTUGUESA, UM DISTANTE NATAL'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-8129723479949126863</id><published>2009-10-17T09:41:00.002+01:00</published><updated>2009-10-20T18:56:05.600+01:00</updated><title type='text'>O AMOR, O NATAL E UMA FIGUEIRA</title><content type='html'>...D. Vitoriana procurou o filho e encontrou-o na sala, junto à lareira acesa, conversando com um tio, irmão do Doutor Sebastião.&lt;br /&gt;- Américo, filho, seria muita ralação para ti se fosses acompanhar a Luísa até casa ? Sabes, já é noite.&lt;br /&gt;Ò providencial noite!&lt;br /&gt; Américo sentiu um vazio no estômago. Que pretendia Deus fazer, ao dar-lhe aquela oportunidade, de por alguns momentos poder estar a sós com Luísa? Seria um teste? Um teste à sua capacidade de poder penetrar naquele espírito inexpugnável? Talvez Luísa não fosse assim tão inacessível. Por um ou outro momento, Américo suspeitara haver naquele olhar uma candura, que antes lhe não conseguía reconhecer. Era Natal. Com certeza o Menino Jesus condoera-se desta criatura apaixonada e intercedera por Américo Afonso junto de Deus, Seu Pai.&lt;br /&gt; Estas reflexões perpassaram a mente do jovem advogado, levando o tempo que ele demorou a refazer-se da surpresa causada pela pergunta da mãe.&lt;br /&gt;- A minha mãe refere-se à Luísa Avilar?&lt;br /&gt;- Américo, pois a quem há-de ser? Conheces aqui outra Luísa?&lt;br /&gt;- Não minha mãe... pensei que... olhe, não pensei nada.&lt;br /&gt;- Mas vai filho, faz-me esse obséquio.&lt;br /&gt;- É claro que vou. Não há-de a rapariga ir por esses caminhos, cheia de frio.&lt;br /&gt;- Bom, não é bem o frio que me preocupa.&lt;br /&gt;- Pois, eu sei minha mãe. Mas que está frio, está!&lt;br /&gt;- O cunhado deu de beber ao Américo? - perguntou D.Vitoriana.&lt;br /&gt;- Não, ele apenas bebeu um cálice de Porto - respondeu o irmão do Doutor Sebastião.&lt;br /&gt;- Parece que estás esquisito rapaz - disse D. Vitoriana ao filho.&lt;br /&gt;- Talvez tenha enchido demais o cálice - respondeu Américo.&lt;br /&gt;- Então anda se fazes o favor, que se faz tarde. - E os dois, mãe e filho, dirigiram-se à cozinha onde Luísa os esperava. Ali chegados D. Vitoriana disse:&lt;br /&gt;- Esperem aqui um pouco que me lembrei agora mesmo de uma coisa.&lt;br /&gt; Ali, entre a porta da cozinha e a porta de saída, o mundo parou para Américo e Luísa. Os dois atraíam-se sofredoramente. E na atrapalhação de um desejo escondido, recalcado, queriam quebrar aquele silêncio opressivo, provocado pela súbita ausência de D. Vitoriana. Ali estavam, como duas múmias, ela olhando para o chão e tomando um súbito interesse por um botão do casaco de lã que ameaçava cair, e ele, vigiando a janela próxima, vendo o reflexo do seu rosto no vidro da janela, iluminado pela luz das velas, admirando a sua expressão facial denunciadora de mortificante ansiedade. Para salvação dos dois, aquela animada conversa foi interrompida com o regresso de D. Vitoriana. Trazia nas mãos dois saquinhos de pano.&lt;br /&gt;- Pensei que se tinham ido embora. Não vos ouvia - disse D. Vitoriana.&lt;br /&gt;- Que tenho eu para falar com o senhor Doutor Américo? - perguntou Luísa.&lt;br /&gt; A esta pergunta Américo olhou muito sério para Luísa e D. Vitoriana encolheu os ombros.&lt;br /&gt;- Bem Luísa - disse a senhora - estão aqui dois saquinhos para os teus filhos. Vai uma boneca de porcelana para a tua Rosa e um peão para o Carlos. Pões na chaminé. Prenda do Menino Jesus. Tive pena de hoje os não poderes trazer, mas como viste o movimento foi muito.&lt;br /&gt;- Muito obrigada senhora D. Vitoriana. O Menino Jesus lá lhes há-de entregar estes presentinhos.&lt;br /&gt;- Dá cumprimentos nossos aos teus pais. Boas Festas para todos.&lt;br /&gt;- Muito obrigada senhora D. Vitoriana. Também uma santa noite para todos vós.&lt;br /&gt; E finalmente a porta de saída foi aberta. A noite estava realmente fria. Mas era uma benção para os rostos escaldantes de Luísa e Américo.&lt;br /&gt; Luísa tentava apressar o passo. Américo fazia por o retardar. No ar havia o cheiro de lenha queimada em lareiras domésticas. Muitas chaminés expeliam o fumo com sabor a Natal. Aqui e ali divisavam-se janelas iluminadas por velas que alimentavam chamas aconchegadoras, mais brilhantes do que nunca, que sorriam àquela abençoada escuridão. Era noite de Natal.&lt;br /&gt;- A Luísa gosta do Natal? - perguntou Américo, interrompendo finalmente o silêncio.&lt;br /&gt;- Gosto sim senhor Doutor. O Natal é a época do amor entre os homens.&lt;br /&gt;- Acha o amor bonito?&lt;br /&gt; Luísa considerou a pergunta perigosa. Cautelosamente respondeu:&lt;br /&gt;- Para quem der valor ao amor acho que o deve achar bonito.&lt;br /&gt;- E a Luísa dá valor ao amor?&lt;br /&gt;- Já fui casada senhor Doutor. Estava apaixonada pelo meu marido.&lt;br /&gt;- Conseguirá a Luísa apaixonar-se de novo?&lt;br /&gt;- Senhor Doutor Américo, essa pergunta é muito despropositada. Na minha posição não posso ter este tipo de conversas com o Senhor Doutor.&lt;br /&gt;- Luísa, peço-lhe, não me trate mais por senhor doutor. Sinto-me ficar a léguas de si.&lt;br /&gt;- Mas é falta de respeito da minha parte se o tratar de outra maneira.&lt;br /&gt;- E quem foi que lhe disse que eu quero de si esse tipo de respeito, frio, distante, sem nada de íntimo?&lt;br /&gt;- Íntimo? - perguntou Luísa, dando força a uma palavra carregada de intenção.&lt;br /&gt; Américo estancou o passo. Suavemente agarrou um braço de Luísa, pelo que esta também parou. O céu estava paradisiacamente estrelado. O frio fazia-os aproximarem-se um do outro. Uma grande figueira, havia muito plantada à beira do caminho, era testemunha deste jogo de vontades, do alvorecer daquilo que de mais belo existe na criação.&lt;br /&gt;- Sim, íntimo, pessoal, um sentimento partilhado a dois.&lt;br /&gt;- Senhor Doutor...&lt;br /&gt;- Então Luísa, o que lhe pedi?&lt;br /&gt;- Senhor Américo...&lt;br /&gt;- Retire o senhor!&lt;br /&gt;- Américo? - perguntou Luísa.&lt;br /&gt;- Américo! - respondeu Américo.&lt;br /&gt;- Pois seja. Américo, eu não devia estar aqui consigo. Sei que não há nada de mal, mas um homem e uma mulher no meio da noite...&lt;br /&gt;- Luísa - interrompeu Américo - eu amo-a. A sua beleza, a sua bondade e a lealdade para com a memória do seu marido, desfizeram alguns preconceitos que eu tinha sobre o casamento. Desculpe-me a franqueza, mas este fogo que há muito me consome tinha de o partilhar consigo.&lt;br /&gt; Luísa chorava baixinho...(em continuação- pág. 66)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in QUANDO UM ANJO PECA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-8129723479949126863?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/8129723479949126863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=8129723479949126863' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8129723479949126863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/8129723479949126863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/o-amor-o-natal-e-uma-figueira.html' title='O AMOR, O NATAL E UMA FIGUEIRA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7299302468646346430</id><published>2009-10-14T11:25:00.005+01:00</published><updated>2009-10-14T19:44:20.303+01:00</updated><title type='text'>A PÉROLA DA ESTREMADURA OESTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/StWnQTnc1qI/AAAAAAAAARc/ueMs6_nEAbA/s1600-h/Parque+D.+Carlos+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/StWnQTnc1qI/AAAAAAAAARc/ueMs6_nEAbA/s400/Parque+D.+Carlos+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392400027431524002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corria o ano de 1974. Portugal saudava o primeiro Outono de liberdade. Depois de ter estudado na Cidade do Conhecimento, a minha Aeminium, a Coimbra que me comprimia o coração de tristeza por já lá não viver, mergulhado na penumbra da saudade, uma saudade profunda, cantada pelos poetas do penedo, esse lugar onde as musas moram, único no mundo- O Penedo da Saudade, preparei-me para entrar num outro ambiente estudantil, sem tradição, sem praxes, que se me afigurava um deserto de ideias. Felizmente que, muito em breve, iria reconhecer que me enganara.&lt;br /&gt;Chegava ao Liceu das Caldas da Rainha, localizado num encantador cadinho de magia- o parque D. Carlos I.&lt;br /&gt;O parque, portas meias com o hospital termal mais antigo do mundo, revelou-se-me um verdadeiro encanto. Densamente arborizado, estava repleto de enormes relvados, onde nós, estudantes dos anos 70, nos deitávamos, aos magotes,sob as sombras das copas maciças, nos dias escaldantes de verão, discutindo sobre a liberdade, o amor livre, Pink Floyd, Deep Purple... e edificando paixões platónicas. &lt;br /&gt;No inverno, a brisa fresca roçando os ramos agora despidos, transmitia-me paz interior ao meu espírito revolto.&lt;br /&gt;O lago artificial era o coração do parque. Belíssimo. As suas margens atapetadas de relva, com ramagens de árvores a descerem até à água, como que sedentas sob o sol abrasador,eram o sítio eleito para soltar a jovialidade. De vez em quando algum de nós lá ia para a aula a escorrer água.&lt;br /&gt;O liceu, embora ficasse muito aquém, a nível de instalações, do Liceu D. João III que eu frequentara em Coimbra, era agradável. Constituído por três enormes naves, do exterior, no parque, proporcionava uma visão arquitectónica de excelente qualidade.&lt;br /&gt;Toda a cidade se me abria em simpatia. Adorava ver o reboliço da feira da fruta, ás segundas-feiras, no centro da cidade. Explorei os segredos do café Thai-Ti (já não existe), na Rua das Montras, espaço por excelência da estudantada. Conheci a velhinha e agora já extinta Casa da Cultura, onde tomei contacto com a arte da dramatização. A arte, nas Caldas, encontrava-se ao virar da esquina. &lt;br /&gt;Conheci as Caldas da Rainha ainda como uma cidade tipicamente provinciana, que já não é hoje. O seu romantismo fez com que me não lembrasse tantas vezes das pedras da Sé Velha. E porque sinto nas Caldas uma frescura que me lava a alma, e porque nela se contaram páginas muito felizes da minha juventude, é pois, para mim, a Pérola da Estremadura, a zona Oeste actualmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7299302468646346430?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7299302468646346430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7299302468646346430' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7299302468646346430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7299302468646346430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/perola-da-estremadura-oeste.html' title='A PÉROLA DA ESTREMADURA OESTE'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/StWnQTnc1qI/AAAAAAAAARc/ueMs6_nEAbA/s72-c/Parque+D.+Carlos+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-6591414560213190698</id><published>2009-10-12T20:49:00.002+01:00</published><updated>2009-10-12T21:01:11.115+01:00</updated><title type='text'>Á PORTA DA LOBITO DE BENGUELA</title><content type='html'>...Os seus pais não gostaram muito da possibilidade de ele poder chegar tarde a casa. E ainda eles não sabiam quais os seus objectivos. Mas confiavam nele. Sabiam que ele era um rapaz ponderado.&lt;br /&gt; O seu pai, Manuel César Velasques, era além de tudo um bom amigo. Funcionário dos Correios, sempre o tratara com imenso carinho. Uma vez disse-lhe: « tu és o meu filho mais novo, um cadinho de amor que Deus me ofereceu ». Na altura ele ficou confuso. O filho mais novo? Mas se ele era filho único! Então perguntou ao pai:- « sou o teu filho mais novo? Onde è que está então o meu irmão mais velho? ». O pai ficou um momento em silêncio e depois respondeu: - « Eu disse que tu és o meu filho mais novo? Estava a delirar com certeza. Apenas quis dizer que és o único filho que tenho e que me enches o coração de amor ».&lt;br /&gt; A mãe, Maria Amélia Almeida César Velasques, doméstica, era simplesmente a mãe. Embora ele estivesse a entrar na idade adulta, a sua mãe continuava a senti-lo como se ele ainda fosse pequenino, o que por vezes o fazia sentir-se ridículo. Mas sabia que as mães eram mesmo assim. E ainda bem que o eram. Através dos pais ele estava bem com a vida.&lt;br /&gt; Ali estava a alfaiataria. Mesmo ao lado existia uma soberba casa de arquitectura colonial, em cuja parede estava incrustado a letras de ferro o nome « Casa Lobito de Benguela ». A casa estava rodeada por um extenso muro, encimado por um robusto gradeamento de ferro pintado a verde escuro. A casa apresentava uma comprida fachada onde se contavam quatro enormes janelas. Possuía ainda um grande alpendre que tinha por acesso umas escadas. Era ali decerto a porta de entrada. A casa, era toda ela ladeada por altas palmeiras. Serôdio nunca estivera em África, mas sem dúvida que aquele pedacinho de Portugal transmitia uma ambiência bem africana.&lt;br /&gt; Serôdio estava hesitante. Parado no passeio, observava um combóio que passava do outro lado da rua. A Estação da CP era muito próxima dali. Fazia de conta que parara ali apenas por casualidade, enquanto o seu cérebro tentava aflitivamente coordenar ideias e pensamentos. Iria bater à porta de alguém que nunca vira na vida para anunciar um tremendo disparate. Mas, e se no dia seguinte viesse a saber que naquela casa se cometera um crime? Como poderia ele viver com o remorso de poder ter evitado esse crime e nada ter feito? Seria o Narciso Conde tão pérfido, a ponto de conseguir executar aquela barbaridade? Estava decidido! Iria contar à senhora que ali morava que o seu sobrinho planeava assaltá-la. Se ela corresse com ele, paciência. Pelo menos cumpriria com a sua obrigação moral.&lt;br /&gt; Ao centro do muro que isolava aquela casa do resto do mundo, existia um gigantesco e sólido portão de ferro, também ele pintado de verde escuro. Ali existia um pequeno sino. Serôdio empurrou o badalo e ouviu-se então um som estridente e metálico, que lhe fez sobressaltar o coração. Aguardou alguns momentos. Lá ao fundo surgiu então a figura de um homem negro. Aparentava ter cerca de trinta anos de idade. O homem desceu as escadas do alpendre e dirigiu-se para o portão onde se encontrava Serôdio. Ao chegar junto ao rapaz, o homem sorriu exibindo naquele sorriso a brancura dos dentes, em contraste com a pele escura do rosto.&lt;br /&gt; Ao vê-lo, Serôdio sentiu que o seu colega Zé não mentira nem inventara nada. Como poderia ele adivinhar que naquela casa havia um criado negro?&lt;br /&gt;- Boa tarde- disse o homem.&lt;br /&gt;- Muito boa tarde- respondeu Serôdio à saudação, mostrando-se um tanto ou quanto atrapalhado.&lt;br /&gt;- Em que posso ajudar o senhor?- perguntou simpaticamente o homem negro.&lt;br /&gt;- Bem... sabe... eu nem sei como hei-de dizer. Mora nesta casa uma senhora que è tia de um rapaz da minha idade chamado Narciso Conde?&lt;br /&gt;- Sim, sim. Mas o menino Narciso não está cá em casa.&lt;br /&gt;- Sim, eu sei. Não è com ele que eu quero falar. Eu preciso de conversar com a senhora.&lt;br /&gt;- O senhor conhece o menino Narciso?- perguntou o homem.&lt;br /&gt;- Conheço sim, somos colegas de turma.&lt;br /&gt;- E como se chama o senhor?&lt;br /&gt;- Eu... eu chamo-me Serôdio, Serôdio Almeida César Velasques.&lt;br /&gt;- Pois senhor Serôdio, espere aqui que eu vou ver se a senhora o recebe.&lt;br /&gt;E dizendo isto o homem negro voltou costas, sem ter aberto o portão. Serôdio ali ficou, aguardando impacientemente. Mas que raio de situação aquela. Se o professor não tivesse faltado naquela aula da parte da manhã, não estaria ele agora ali a fazer aquela figura ridícula.&lt;br /&gt;Entretanto o homem negro atravessou a casa e entrou numa sala imensa, onde sentada num enorme sofá forrado a veludo azul, uma senhora vestida toda de preto, que deveria rondar os cinquenta anos de idade, lia rodeada de imensa paz e silêncio.&lt;br /&gt;- Senhora D. Silvina, está lá fora um senhor alto, magro e loiro- disse o homem negro.&lt;br /&gt;- Um senhor loiro? Que tipo de senhor?&lt;br /&gt;- Diz que è colega de turma do menino Narciso.&lt;br /&gt;- Do meu sobrinho? Armando, então não è um senhor. Será talvez um jovem moço, não?&lt;br /&gt;- Sim, talvez seja- respondeu o homem sorrindo, voltando a mostrar a sua alva dentadura.&lt;br /&gt;- E o que deseja esse moço?&lt;br /&gt;- Quer falar com a senhora.&lt;br /&gt;- Comigo? Mas que assunto terá um desconhecido adolescente para falar comigo?&lt;br /&gt;- Não sei senhora, ele não me disse.&lt;br /&gt;- Que entre então, Armando. Acompanha-o até aqui.&lt;br /&gt;- Sim, senhora- e o homem abandonou a sala...(em continuação, pág. 15)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in FILHOS POBRES DA REVOLTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março/2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-6591414560213190698?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/6591414560213190698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=6591414560213190698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6591414560213190698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/6591414560213190698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/porta-da-lobito-de-benguela.html' title='Á PORTA DA LOBITO DE BENGUELA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-7432597210320867960</id><published>2009-10-09T22:19:00.008+01:00</published><updated>2009-10-09T23:25:40.360+01:00</updated><title type='text'>SOPRAM BONS VENTOS DA GALIZA</title><content type='html'>Desde que me conheço que ouço, quando alguém pretende demonstrar que outra pessoa é explorada, dizer que essa pessoa «trabalha como um galego». O que quer dizer que a figura do galego, aquele que é natural da Galiza, está bastante enraizada na nossa cultura. E em consonância com esta particularidade ibérica, tomei nota de várias reportagens que têm passado, de quando em vez, no Telejornal da RTP, sobre a grande aproximação, quase identificação, dos galegos connosco, tanto a nível linguístico, como até cultural. Compreende-se perfeitamente: o território nacional que vai até Coimbra fazia parte, antes da nacionalidade, do reino da Galiza. &lt;br /&gt;No entanto eu nunca tinha estado na presença de um galego. E comecei a nutrir uma especial atenção por ele, porque senti que entre o galego e o português existe uma recíproca simpatia, embora ele seja espanhol ( o que acho uma coisa fantástica), ou, pelo menos, eu considerasse que fosse espanhol. Não conhecia nenhum... até há poucos dias, quando fui a uma clínica a uma consulta. &lt;br /&gt;O médico que me atendeu, rondando os quarenta, ar bonacheirão, de trato afável, não era português. Mas que raio de língua era aquela, que eu percebia perfeitamente, com uma levíssima influência espanhola. E disse-lhe:&lt;br /&gt;- O sr. dr. não é português?!&lt;br /&gt;- Pois não.&lt;br /&gt;- Suponho que seja espanhol, mas...&lt;br /&gt;- Não, não sou espanhol. Sou orgulhosamente galego- respondeu-me ele convictamente (eh pá!).&lt;br /&gt;Foi o bastante para despoletar uma interessantíssima conversa. Muitos de nós, portugueses, andamos a dizer por aí que preferiríamos ser espanhóis. Pois o meu médico não vê a hora para se poder naturalizar português, porque tem alma portuguesa...ele e a Galiza inteira, segundo ele.&lt;br /&gt;Depois de um diálogo extremamente enriquecedor, ele fez-me uma observação que, francamente me surpreendeu:&lt;br /&gt;- Intriga-me bastante que em Portugal se dê tão pouca importância a Olivença, pior, que nem saibam do que se trata. Sabia que os espanhóis que sabem falar português estão proibidos de o fazer em Olivença?&lt;br /&gt;Por aí, quantos de nós sabemos do que se trata a questão de Olivença, que este meu médico galego defende de forma tão entusiástica a nosso favor, essa questão que já leva 208 anos?&lt;br /&gt;Esta amena e agradabilíssima cavaqueira foi interrompida por uma enfermeira, avisando que já existiam doentes a reclamarem pela demora da minha consulta. &lt;br /&gt;Um aperto de mão apressado e um sorriso sem fronteiras.&lt;br /&gt;Só em casa, depois de abrir o envelope que me foi entregue, é que soube o veredicto do médico, porque na consulta não houve tempo para mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4281588756649112403-7432597210320867960?l=olhar-aeminium.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/feeds/7432597210320867960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4281588756649112403&amp;postID=7432597210320867960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7432597210320867960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4281588756649112403/posts/default/7432597210320867960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhar-aeminium.blogspot.com/2009/10/sopram-bons-ventos-da-galiza.html' title='SOPRAM BONS VENTOS DA GALIZA'/><author><name>Poeta do Penedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14525403466576405986</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_OHEqChpctP0/S0DDQAk0PsI/AAAAAAAAAS4/53Hsoe1WeNg/S220/JG+Penedo+da+Saudade.10.+54.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4281588756649112403.post-2803139105412611025</id><published>2009-10-08T21:48:00.002+01:00</published><updated>2009-10-08T22:04:55.431+01:00</updated><title type='text'>UM ASSALTO EM PERSPECTIVA</title><content type='html'>...Nessa manhã, no final das aulas, um colega de turma de Serôdio abordou-o, dizendo:&lt;br /&gt;- Serôdio, preciso de falar contigo.&lt;br /&gt;- Fala.&lt;br /&gt;- Precisamos de nos afastar.&lt;br /&gt;- È assim uma coisa tão séria?&lt;br /&gt;- È.&lt;br /&gt;- Vamos então sair daqui.&lt;br /&gt;Afastaram-se do recinto do Liceu. Ambos caminhavam sérios e apreensivos.&lt;br /&gt;- Aqui já dá para falares?- perguntou Serôdio ao seu colega.&lt;br /&gt;Este, antes de falar, observou bem as redondezas, certificando-se de que não havia perigo. Depois disse:&lt;br /&gt;- Sim, aqui estamos em segurança.&lt;br /&gt;- Quase que aposto que o assunto tem a ver com o Narciso Conde!- disse Serôdio.&lt;br /&gt;- Tem mesmo- retorquiu o outro- há bocado, durante o furo, eu fui até às máquinas de flippers, mas de repente tive necessidade de ir à casa de banho, com uma dor de barriga...&lt;br /&gt;- E então?&lt;br /&gt;- Estava eu sentado na sanita, à porta fechada, quando o Narciso entrou na casa de banho com o grupinho dele. Reconheci-lhe a voz. Eles pensavam que estavam sozinhos. O que ali conversaram è muito grave.&lt;br /&gt;- E o que foi?- perguntou Serôdio em expectativa.&lt;br /&gt;- O Narciso combinou com os outros irem esta noite assaltar uma casa.&lt;br /&gt;- O quê Zé? Isso è verdade?&lt;br /&gt;- È. Mas há mais. A casa pertence a uma tia rica do Narciso. Parece que vive apenas com um criado negro. O Narciso disse que se for preciso até a matam.&lt;br /&gt;- Zé, isso já è muita fantasia, não achas?- perguntou Serôdio.&lt;br /&gt;- Olha Serôdio, isto foi o que eu ouvi. Não achas o Narciso Conde capaz de o fazer?&lt;br /&gt;- Que ele è um rufião com pretensões a besta, disso não duvido. Mas daí a roubar a tia e até matá-la ainda vai um pedaço. Eles disseram onde mora essa tia?&lt;br /&gt;- Parece que mora na Rua João de Moura, numa casa ao lado de uma alfaiataria.&lt;br /&gt;- E o que è que pensas fazer Zé?&lt;br /&gt;- Eu? Eu nada. Já fiz o que devia, contei-te.&lt;br /&gt;- E se isso vier a acontecer, resolve o problema da senhora?&lt;br /&gt;- Não... mas... pensei que tu...&lt;br /&gt;- Estás-me a passar a batata quente para as mãos, è isso?&lt;br /&gt;- Serôdio, eu não sou do género aventureiro. Tu és muito mais corajoso e afoito do que eu. Com certeza que irás pensar em alguma coisa. Por aquela senhora eu fiz o que podia.&lt;br /&gt;- Está bem Zé, eu vou ver o que se pode fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serôdio percorria a Rua João de Moura à procura da tal alfaiataria. Ao certo não sabia porque motivo estava ali. Que tinha ele a ver com a possibilidade do Narciso ir assaltar a própria tia? Mas por outro lado, encontrara nesta possibilidade de assalto um forte argumento para fazer frente ao Narciso Conde, e mostrar-lhe que nem todos andavam amedrontados com a sua arrogância. Estava perfeitamente consciente de que corria alguns riscos, pois o Narciso e os seus amigos tinham instintos violentos. Mas tudo não passaria de uns murros e uns olhos negros. Talvez assim a turma pudesse respirar de alívio.&lt;br /&gt; Ainda se lembrara de ir à policia, mas pôs essa hipótese de lado. Que iria dizer? Que uma casa iria ser assaltada à noite? E como explicaria ele o conhecimento desse facto futuro? Isso era muito complicado. Preferiu agir por sua conta e risco. Se algo estivesse para acontecer, isso só o beneficiaria a ele. Parecia-lhe que já estava a ver o ambiente no liceu, com todos os colegas a observarem-no com admiração e dizendo:- « o Serôdio è um herói. Sozinho fez frente ao grupo do Narciso Conde e evitou que uma velhinha fosse ro
