quinta-feira, 15 de agosto de 2013

II JANELA SOBRE O MEU PAÍS- NA ANTIGA LOTA DE AVEIRO

Na antiga lota de Aveiro, onde antes a manhã despertava com o reboliço das traineiras carregadas com o produto da faina, o piar persistente de bandos de gaivotas que ao peixe prateado acorriam num frenesim feito de mar e de ria, e o murmúrio gritado, de uma multidão de homens e mulheres, que faziam por vender e comprar pelo melhor preço o peixe da Costa Nova e da Barra, agora reina o silêncio das férias e o som tranquilizante da fraca ondulação a embater no cais.

Dir-se-ia que a ociosidade conquistou terreno ao trabalho!

sábado, 10 de agosto de 2013

ATRAVÉS DE UM SIFTO, O OXIGÉNIO DA VIDA

...Percorrida alguma distância, ambos chegaram à beira do tanque, onde Masahemba se purificava antes de se apresentar perante o tabernáculo.
- Neste tanque, a água dá-me pelo peito- explicava Masahemba- um pequeno riacho é canalizado do Nilo até aqui. A água entra no tanque através de uma abertura submersa e sai pelo lado oposto, por uma outra abertura também submersa, regressando a água ao caudal do Nilo. Por isso, neste tanque, a água está sempre em movimento. Inúmeras vezes me purifiquei nestas águas sagradas do Nilo; só há um problema.
- Qual é?- perguntou o sifto.
- No canal por onde se escoam as águas do tanque, cabe o meu corpo à justa. Isso quer dizer que até eu chegar à parte do canal, onde me posso esconder, levará algum tempo. Como irei eu aguentar sem respirar?
- Isso não é problema, meu caro Masahemba. Eu forneço-te o oxigénio de que vais precisar.
- E como, meu simpático jovem?
- Já vais ver. Vamos então?
- E a minha indumentária? Se eu sair daqui, não posso levar as vestes de Sumo Sacerdote. Seria logo reconhecido. Era conveniente um saiote de felas.
- Não te preocupes com isso, que eu também resolvo esse problema. Mas antes de irmos embora, diz-me porque razão insistes em tratar-me por rapazinho, quando na verdade sabes que o não sou.
- Por alguma razão, quando te encontras fora de água, escolheram para ti essa forma humana. Assim sendo, onde está o inconveniente em seres um rapazinho?
- Na verdade tens razão. Um sifto divide a sua existência entre a forma de peixe e a de criança.
- Eu conheci-te com a forma de rapazinho. Portanto, para mim serás sempre lembrado como tal.
         De repente, do lado do enorme pórtico, chegou o som cavo de uma forma dura a embater noutra.
- O faraó está a chegar. Não percamos tempo- disse o sifto.
          Masahemba e o seu amigo rapazinho desceram os degraus que conduziam à água.

Ao entrarem nela de imediato submergiram. Masahemba mantinha os olhos abertos, muito embora isso de nada lhe valesse, pois a escuridão era total. No entanto, a auréola que envolvia o sifto, manteve-se, mesmo debaixo de água, e Masahemba viu, extasiado, a metamorfose que se operou diante dos seus olhos. Num curto espaço de tempo, as pernas e pés do rapazinho uniram-se numa só silhueta, e tomaram a forma do dorso de um peixe e da barbatana anterior. Depois todo o tronco do rapazinho, os braços, mãos e cabeça foram aglutinados e transformados na cabeça de um peixe; e surgiu então uma tiláquia, peixe abundante nos rios africanos. Masahemba e o sifto praticamente não nadavam. Deixavam-se ir na suave corrente que os conduzia a outra extremidade do tanque, à abertura submersa, por onde a água se escoava. Então, o sifto, colocou-se de frente para Masahemba, usando as suas barbatanas peitorais e dorsais para se manter ao nível do rosto do Sumo Sacerdote e encostou a sua boca à boca dele. Depois abriu a boca, sendo imitado por Masahemba, e na boca do Sumo Sacerdote introduziu as suas próprias guelras, as quais expiravam para os pulmões de Masahemba o oxigénio que iam retirando da água. E assim conseguiram entrar na abertura por onde  seguia a água do Nilo. O Sumo Sacerdote apenas conseguia mexer os pés, pois os braços tinha-os estendidos ao longo do seu corpo, avançando lentamente por um túnel que pouco mais largo era do que o seu próprio corpo, tendo colado à sua boca o sifto, que o ia abastecendo do oxigénio necessário. O túnel fez então uma pronunciada curva. Masahemba continuou a avançar, completamente submerso. Percorrida uma distância considerável, o túnel terminou numa tumescência de rocha, dando lugar a um pequeno ribeiro, coberto por densa vegetação ribeirinha. Masahemba, encontrou-se subitamente sob o céu estrelado, tendo o corpo assente no chão todo coberto por água, apenas a cabeça estando acima do nível da água, podendo finalmente respirar o ar que a terra mãe lhe dava...(em continuação, pág. 50, ex XVII)
in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

CAMINHANDO PELA ESTRADA DO REI

De vez em quando a criança que vive em nós (para os que a conseguiram preservar), pede alimento.
E essa alimentação manifesta-se tanto no domínio da criatividade como no assimilar a criatividade de outros. Perante um mundo fantástico a criança que ainda somos rejubila.
Supus que nada tivesse a capacidade de superar Tolkien e «O Senhor dos Anéis». Enganei-me redondamente.
Eis que me veio ás mãos o mundo fantástico de George Martin, nas suas Crónicas de Gelo e de Fogo.
De forma magistral e super empolgante, sentindo-se ao fundo a influência do feudalismo da Idade Média, o autor criou, de raiz, toda uma sociedade, em que os interesses das várias casas senhoriais tentam igualar o poder central, na figura do rei e do primeiro ministro, a quem o autor deu o curioso nome de «mão do rei». Amor e ódio, carinho e crueldade, honra e traição, justiça e injustiça, são estes alguns dos muitos condimentos que me têm deliciado nos dois primeiros livros que já li, de um total de dez que tem a saga.
E claro, imenso mistério e magia que nos vem lá bem do Norte dos Sete Reinos, na Muralha, onde se encontram as benfazejas sentinelas da «Patrulha da Noite».
 A capital do Norte, Winterfell, domina tanto o mistério e o frio do norte, como a intriga e o calor do sul.
E longe dos sete Reinos espreitam os Dothraki e a sua Kaleesi.
Estou completamente rendido! Muito satisfeito, muito mesmo, se encontra este miúdo!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

UM RAPAZINHO DAS PROFUNDEZAS DO NILO

...Vamo-nos deixar de evasivas. Tu, na qualidade de Sumo Sacerdote de Amon-Rá, tens a obrigação de rapidamente assimilares esta informação, de a compreenderes e de a guardares em profundo sigilo.
- Sim… compreendo… MassiftonRá… o local onde vivem os deuses- dizia Masahemba, enquanto endireitava o tronco, na tentativa de melhor compreender, de uma assentada, o que naquele momento lhe fora transmitido e de que ele nunca ouvira falar.
-É assim tão difícil para ti aceitares a ideia de que os deuses também têm direito a viver em algum lugar?
- Não, claro que não; só que nunca pensei que os deuses tivessem necessidade de algo tão primário como isso.
- Os homens foram feitos à semelhança dos deuses. Isso determina que exista uma certa reciprocidade entre os homens e os deuses. Um homem é um deus numa escala muito, muito reduzida. Mas nos deuses alguns traços têm semelhanças com os homens; e a necessidade de se ter a sua casa é um deles. Mas já perdi imenso tempo.
- Como é que te chamas?- perguntou Masahemba, com a incredulidade estampada no rosto.
- Eu não tenho nome. Eu não me chamo, eu sou um sifto. Fora da água tomo esta forma, pois as missões de que sou incumbido baseiam-se sempre no bem, tal como no bem vivem as crianças. Mas estou aqui numa missão muito especial.
- Sim, está bem, mas eu gostaria de saber…
- Ouve Masahemba- disse o sifto, interrompendo o Sumo Sacerdote- já reparei que estás extremamente curioso em relação à estrutura social dos deuses, estrutura essa que tu desconhecias existir. Mas a tua curiosidade não te leva a questionares-te porque razão aqui me encontro?
- Sabes rapazinho, tu és de tal forma misterioso, que na verdade eu apenas me sinto maravilhado perante a tua presença. Mas já que fizeste essa observação, penso que a tua presença terá algum significado para mim. És uma dádiva dos deuses?
- Não, não sou uma dádiva. Sou um aviso, um alerta!
- Um aviso?- perguntou Masahemba intrigado.
- Um aviso vindo directamente de Amon-Rá.
- Amon-Rá, o meu divino mestre?
- Exactamente. Amon-Rá avisa-te de que corres um grande perigo. Neste preciso momento decorre uma reunião no palácio do faraó, em que está a ser decidido que tu vais passar à condição de prisioneiro, como tal, escravo.
- Mas porquê? Que fiz eu de errado? Já percebi que o faraó não simpatiza comigo, mas daí a transformar-me em escravo?!
- O que fizeste de errado foi seres o Sumo Sacerdote de Amon-Rá.
-Como?
- É isso mesmo que ouviste. Por um lado o faraó não aceita que tu, um estrangeiro, ocupes um cargo tão elevado como o de Sumo Sacerdote do deus supremo. Por outro lado, o faraó abandonou o culto a Amon-Rá, por ter sabido que o deus supremo não aceita que Nefertiti, a sua sacerdotisa, venha a ser rainha do Egipto. Por essas razões o faraó decidiu encerrar este templo e enviar-te para o nível mais baixo da estrutura social dos homens- a escravatura. Mas Amon-Rá não aceita que isso te aconteça. És demasiado querido para o deus supremo, para que te veja transformado num escravo. Por isso tens de abandonar este templo ainda esta madrugada.
- E vou para onde?
- Recorre a toda a tua capacidade de sobrevivência e astúcia, para escapares ao rancor que o faraó nutre por ti.
- Terei a protecção de Amon-Rá?
- Na medida do possível.
- Na medida do possível? A vontade do faraó é mais forte do que o poder do deus supremo?
- Amon-Rá é senhor na espiritualidade. No que diz respeito ao ambiente dos homens- o factor material, o deus supremo pouco pode fazer. Dar-te-á o apoio que lhe for possível oferecer-te.
- Então se eu for apanhado, espera-me a miserável condição de escravo, e Amon-Rá não terá meios de me resgatar, é isso?
- Não te posso responder peremptoriamente a essa questão, Masahemba. Acho que algo o deus supremo poderia fazer, mas decerto que, essencialmente, terias de contar quase exclusivamente contigo mesmo. Mas para evitar essa situação é que eu fui enviado. Tens ainda algum tempo. Para onde fores, eu acompanhar-te-ei. Amon-Rá precisa de saber exactamente onde te vais esconder.
- E eu sei lá!!
- Procura em ti esse conhecimento. Amon-Rá tem a total certeza de que a indomável força dos reinos do sul, adormecida em ti, vai despertar e dar-te a resposta.
- Bem, sendo assim- dizia Masahemba, reflectindo, enquanto olhava em todas as direcções- quando o faraó entrar no templo e me não encontrar, logicamente me irá procurar no exterior. Se eu estiver escondido no interior do templo, ele não me encontra, certo?
- Certo. E esse esconderijo existe no templo?- perguntou o sifto.
- Espero que sim, acho que vai ter a capacidade de iludir o olhar observador do faraó.
- E onde é?

- Vamos para lá- disse Masahemba, começando a dirigir-se para o tanque sagrado...(em continuação, pág. 48, ex. XVI)

in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005

domingo, 21 de julho de 2013

I JANELA DO MEU PAÍS- AVEIRO

Em Aveiro, a um canto da Europa, numa pequena feira de artesanato, sob a sombra de velhos eucaliptos, África reflecte.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A PERSPECTIVA DE UM FOSSO DESCOMUNAL

...-         È isso mesmo rapaz- retorquiu o pai de Serôdio- um homem enrascado è pior do que sei lá o quê!
-         Tu falas muito bem, mas o Serôdio está aqui está a acabar a tropa. E depois?
-         Depois- disse D. Silvina-  depois alguma coisa se há-de arranjar. Os amigos servem para as ocasiões e eu tenho a certeza de que ainda existirão amigos do meu marido, que a meu pedido poderão arranjar um emprego interessante para o Serôdio.
-         Eu agradeço a sua disponibilidade D. Silvina, mas com um pouco de sorte vou resolver o meu próprio problema- disse Serôdio convictamente, dando assim a entender que tinha encontrado uma solução. Por isso o pai perguntou-lhe:
-         Mas então tens alguma coisa em mente?
-         Sim pai, tenho. Vou concorrer à PSP!
-         Vais o quê?- perguntou a mãe de Serôdio, com uma expressão facial que demonstrava estar-se a sentir escandalizada.
-         Vou tentar entrar na Policia de Segurança Pública.
-         Ai meu Deus... Serôdio, não faças uma coisa dessas- dizia D. Amélia- tu mereces coisa bem melhor do que isso...
-         Mãe, è um emprego do Estado. Eu não estou em condições de ser esquisito.
-         Manuel, vê se tiras esta ideia da cabeça do teu filho- suplicava D. Amélia ao marido.
-         Sabes qual è o tipo de serviço na PSP e quais as pessoas que lá estão nos quadros, não sabes?- perguntou o senhor Manuel ao filho.
-         Sei pai!
-         Tu já és um homem, Serôdio. Pondera bem antes de te decidires, porque depois será tarde para te arrependeres- continuou o pai de Serôdio.
-         Qual è a tua opinião sobre a minha ida para a policia?
-         Não fico a saltar de alegria, tal como a tua mãe. O serviço que a policia desempenha não è nada simpático, e depois ver-te misturado com homens sem nenhuma formação, vai-me custar muito.
-         Mas pai, se a nossa sociedade está a evoluir, obrigatoriamente que a evolução há-de chegar à Policia de Segurança Pública.
-         Evolução? Com aqueles basbaques? Eu bem sei o que senti quando tive de ir à esquadra por causa do que te aconteceu- dizia D. Amélia- parecia que tinha entrado num antro de estupidez. Só via homens de aspecto rude, grosseiros, a olharem para nós. Aqueles serão incapazes de evoluir.
-         Esses talvez não evoluam, mas outros que virão a entrar, tal como o Serôdio...- disse por sua vez D. Silvina- eu apoio o Serôdio nesta sua decisão. A falta de emprego, hoje em dia, è muito grande. Isso fará com que os quadros da policia sejam preenchidos com pessoas mais capazes.
-         Para a admissão ao curso não tenho que ter grandes preocupações, pois apenas preciso de prestar provas físicas, já que estou isento das provas escritas.
-         E porquê- perguntou D. Amélia.
-         Porque tenho habilitações demasiado altas para o nível mínimo exigido, que è a quarta classe, como sabem.
-         És quase considerado um doutor- disse D. Silvina sorrindo.
-         Se realmente vier a fazer parte dos quadros da PSP, empenhar-me-ei para melhorar a imagem da corporação. Já que me vão pagar um ordenado, è o mínimo que posso fazer em retribuição.
-         Talvez tenhas razão. È possível que a policia evolua- disse o senhor Manuel.
-         Pai, alguém tem de fazer aquele trabalho. A segurança è indispensável à estabilidade de qualquer país. Um dia, o nosso governo terá de apostar no serviço e nos homens da Policia de Segurança Pública.
-         Amélia, teremos de nos conformar. Um filho policia não será assim tão mau.
-         Está calado homem, não me digas nada. Sonhava vê-lo médico. O destino desfez esse sonho e agora quer vestir ao meu menino uma farda cinzenta. De médico a policia vai um fosso enorme.
-         Mas nas suas fileiras, a policia terá homens cujo valor os poderia um dia ter levado a tirarem um curso de medicina, e que têm opinião formada sobre a vida. Deixarão assim de existir na policia apenas homens desprovidos de qualidades, tais como a moral, a solidariedade, o respeito pelo seu semelhante, qualidades essas que enobrecem o espirito humano e que realmente fazem falta à nossa policia. Vai Serôdio, enverga aquela farda e sê dos primeiros a dar um sopro de mudança à Policia de Segurança Pública. Vai descansado, que os teus pais terão orgulho em ti.
De médico a policia vai na realidade um fosso descomunal. Serôdio teria oportunidade de sentir a dimensão desse fosso, fosso esse que se viria a revelar num imenso vale, onde numa das encostas, banhada por um auspicioso dia de sol, lugar de sonhos, êxitos e direitos cívicos, estava a figura fictícia de um Serôdio doutor, brilhante, inchado pela importância que lhe era atribuída pelo sistema social. E como um vale tem obrigatoriamente duas encostas, na outra, sombria, votada a um permanente céu cinzento, carregado de nuvens de má fé social, se encontrava a figura real de um Serôdio policia, baço, desprezível e desprezado, humilhado por um sistema social, que irresponsavelmente o considerava um mal necessário.
Pobre Serôdio, tivesse eu te conhecido a tempo...(em continuação, pág. 72, ex. XXIII)

in FILHOS POBRES DA REVOLTA
Março/2003




sexta-feira, 12 de julho de 2013

POVO PORTUGUÊS...UM PERIGOSO CARRASCO

Ontem, dia 11 de Julho de 2013, as minhas fibras democráticas foram violentadas…as fibras democráticas que ainda resistem a este ambiente virulento que mina o nosso estado democrático.
Via na televisão um resumo de uma sessão da Assembleia da República, que discutia a restruturação da função pública, quando das galerias subiu um grito de desespero que pedia «demissão». Uma palavra de ordem gritada do fundo da alma de quantos ali marcavam presença, os verdadeiros representantes do povo naquela assembleia. Lançaram papéis para cima dos deputados. A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, a segunda figura na hierarquia do Estado, logo a seguir ao Presidente da República, mandou evacuar as galerias. Até aí nada a opor. O que veio a seguir é que foi moralmente deplorável. Assunção Esteves, com a voz embargada, vestindo a roupagem de vítima, qual injustiçada a subir ao cadafalso, tomou a palavra, dirigiu-se aos deputados e disse-lhes que não temessem…não tinham sido eleitos para serem desrespeitados, nem ofendidos, e que não podiam deixar que os seus carrascos lhes dessem maus costumes.
A presidente de uma assembleia que representa o povo, considerou o povo seu carrasco.
O povo deveria ter o poder de ser o carrasco político de tantos e tão maus políticos, porque, possivelmente, se assim fosse, talvez muitos dos nossos problemas se resolvessem.
No cimo da sua altivez e de toda a sua competência que a levou áquele cargo, no cimo da sua muito difícil vida, não teve a presidente da assembleia da república a sensibilidade para perceber os dramas que obrigaram aquele povo a manifestar-se da forma como se manifestou.
Para chegarmos ao estado da nação a que chegámos, em que andamos, pelo conjunto de razões políticas e de competência postas em prática, a mendigar, e a dar satisfações á troika invasora, somos forçados a concluir que a Assembleia da Republica, caso tivesse estado de portas fechadas, não se sentiria a diferença.

Em Portugal, um povo de sangue na venta precisa-se.