domingo, 15 de maio de 2016

NOTAS AMADORAS DE UMA HISTÓRIA QUE TAMBÉM É MINHA- 1127- INVASÃO, O EMBRIÃO DE UMA NOVA NAÇÃO

Corria o ano de 1127 quando Afonso VII, rei de Leão e Castela, invadiu Guimarães.
Desde a morte do Conde D. Henrique, em 1112, que o Condado Portucalense passava por momentos bastante conturbados. Contribuiu para esse estado bastante intranquilo do Condado, a suposta união de D. Teresa com o nobre galego Fernão Peres de Trava, que em 1121, assumiu o controle político do Condado Portucalense. Em face dessa ascensão, os principais nobres nacionais foram afastados da corte, o que levou à sua revolta, apoiados pelo infante Afonso Henriques. Ainda nesse ano de 1121, o Condado Portucalense sofreu uma invasão e saque por parte  do exército de Leão e Castela. Quatro anos depois, em 1125, o infante Afonso Henriques foi armado cavaleiro em Zamora.

Com a segunda invasão, desta feita em 1127, a que Afonso Henriques, investido já de outros poderes se opôs, com a colaboração da nobreza portucalense, estavam lançadas as sementes para uma nova nação…uma colheita que não iria demorar muito! 

sábado, 7 de maio de 2016

UMA REACÇÃO INESPERADA E DESAGRADÁVEL

...- Meu pai, é verdade que a Maria Adélia e o noivo apareceram mortos?
- Sim, é verdade. Quem lhe contou?
- A… a Maria do Carmo.
- Melhor fora que estivesse calada. A senhora não tem que se preocupar com questões populares.
- Mas… meu pai… a Maria Adélia… eu poderia dar algum conforto àquele desgraçado pai.
- A senhora preocupe-se com os seus afazeres, que muitos cuidados lhe dão por certo. Faça-me o favor de se retirar, e fique descansada que essa palavra de conforto ao Francisco Carvalho lha darei eu.
         E Maria Clara retirou-se, sem antes me ter olhado. Os seus olhos suplicavam algo. Eu estava atónito perante esta reacção do Conde de Cértima, ao pedido da sua filha de ir prestar um acto de caridade. Eu tinha de dizer alguma coisa… e disse.
- Excelência, achei a senhora sua filha muito pálida. É possível que a senhora D. Maria Clara seja muito impressionável a estes assuntos de morte. Talvez uma beberagem que a acalmasse fosse conveniente.
- Doutor, conheço bem a minha filha. Deixe. Se sinais de doença lhe surgirem, eu saberei conhecê-los e então o chamarei. Agora vou-me retirar que tenho assuntos para resolver. Havendo um matador à solta, há que lhe dar caça.

         E eu fui-me embora. Desta vez não tive direito a escolta, pois o ambiente em casa do Conde de Cértima fervilhava de actividade, com todos os homens ocupados em tarefas: uns de levar os corpos à igreja do Luso, outros de limparem o local do crime de qualquer vestígio de sangue, e outros ainda de irem avisar o regedor...(em continuação, pág. 45, ex. XXII)

in Alma de Liberal
Junho/2009

sábado, 23 de abril de 2016

TIVESSE D. SEBASTIÃO DADO OUVIDOS AO VIDENTE...

Acabei de ler o romance «D. Sebastião e o Vidente», da escritora Deana Barroqueiro. Excelente escritora, conclusão a que eu já tinha chegado no seu magistral romance «O Espião de D. João II». E na busca de umas páginas de maravilha comprei este livro, cujas expectativas me não saíram goradas, muito embora confesso que suspeitava que o tema me não fosse propriamente agradável, como na realidade aconteceu. Deana Barroqueiro escreve romances históricos, baseando-se num trabalho profundo de pesquisa, pelo que tomamos por verdade os factos que vai narrando. Por essa razão não me foi fácil ler a sua descrição romanceada, da caminhada de Portugal para o abismo. A batalha de Álcacer-Quibir, onde nas areias escaldantes de Marrocos, em Agosto de 1578, ficou grande parte da nata de Portugal, é, possivelmente o episódio mais negro da nossa história.
         Deixo-vos com um dos últimos parágrafos do romance, que me tocou a alma:
«Como eu gostaria, ao despedir-me de ti com estas derradeiras palavras, meu querido leitor- amigo e companheiro de muitas horas nesta jornada pelos trilhos sinuosos do tempo e da memória, de te fazer partilhar da minha infinita mágoa pelo luto de uma nação tão antiga e respeitada, ali posta de rastos e destruída, para ser chorada com insuportável desconsolação…»

Deana Barroqueiro

quarta-feira, 13 de abril de 2016

UM ACTO DE SANGUE EM TERRAS DE SUA EXCELÊNCIA

...Desmontámos. Fui examinar os corpos. O corpo do homem fora varado, no abdómen, por comprida lâmina, ao passo que a mulher apresentava um ferimento profundo na garganta.
- Não há dúvidas. Foram mortos. Vocês conhecem-nos?
- Ela era filha do tanoeiro, o ti Chico Aduelas. Ele era o Lúcio. Os dois andavam apalavrados.
- Andavam? – perguntei.
- O ti Chico Aduelas não se fica – dizia um dos homens presentes – até vai comer o fígado ao matador que fez isto.
- O tanoeiro é homem bravo, lá isso é verdade – dizia o meu outro companheiro, o Tomás.
         Eu, ali nada mais tinha a fazer. Regressei ao palacete do Conde de Cértima, onde o informei do que vira.
- Não há dúvidas, excelência. Ambos foram assassinados, e com gosto. O homem foi trespassado, possivelmente por uma espada. À mulher foi-lhe cortada a garganta.
- E sabe quem são os falecidos? – perguntou o conde.
- A mulher era filha de um tanoeiro e o homem era um tal Lúcio. Parece que estavam para se casar.
- Pois estavam, doutor. O Francisco Carvalho pedira-me para eu ser padrinho do casamento; já lhe fora padrinho da rapariga. Ela vinha várias vezes tagarelar com a nossa criadagem.
- Está a falar da falecida, excelência? – perguntei eu um pouco confuso.
- Sim.
- Como ao pai dela lhe deram outro nome, eu fiquei agora um pouco baralhado.
- O povo chama-o de  Chico Aduelas. A rapariga chamava-se Maria Adélia. Esperemos que a morte da rapariga não prejudique as suas faculdades. É um bom tanoeiro. Preciso dos seus serviços – disse o conde friamente.
- Segundo disseram, não é de meiguices.
- Pois não, não é. Ai do matador se lhe cair nas mãos, caso seja apanhado. E tudo farei para que o seja. Além de ser um acto de sangue, é um desrespeito para com a minha pessoa ter sido cometido nas minhas terras. O malandro terá também de se haver comigo. O regedor tem de saber desta matança. Já mandei que um carro de bois fosse buscar os mortos e que sejam levados para a igreja.

         Neste instante surgiu Maria Clara. Estava alva...(em continuação, pág. 44, ex. XXI)
in Alma de Liberal
Junho/2009

sábado, 9 de abril de 2016

ARMENTIÉRES 9 DE ABRIL DE 1918

Foi assim que em 1921 Portugal, uma nação então em sofrimento, prestou homenagem às muitas centenas de soldados, do Corpo Expedicionário Português, mortos em combate, três anos antes, na manhã do dia 9 de Abril de 1918, nos pântanos de Armentiéres, na Flandres, no fecho da I Grande Guerra.

         98 anos depois, este blogue recorda o sacrifício desses nossos valorosos soldados, numa ténue tentativa de preservar a sua humilde mas enorme memória.

sexta-feira, 25 de março de 2016

XV JANELA SOBRE O MEU PAÍS: ABRAÇAR A NATUREZA NO PASSADIÇO DO RIO PAIVA, EM AROUCA

Neste início de Primavera é tempo oportuno de este blogue publicitar que, neste seu maravilhoso país, que é Portugal, existe uma simbiose perfeita entre o génio interventivo do homem e a natureza. Falo do excelente passadiço, criado pela Câmara Municipal de Arouca, no Distrito de Aveiro, abraçando penedos e penetrando florestas, acompanhando sempre o curso de águas calmas e outras vezes revoltas do rio Paiva, numa distância de cerca de 8 quilómetros. Um espaço cuja fama, muito justificadamente, já ultrapassou as nossas fronteiras. Um passeio fisicamente exigente, mas belo. Um enorme banho de natureza.

sábado, 12 de março de 2016

SETH INVADE OS DOMÍNIOS DE SOBEK

...Durante a jornada a caminho de MassiftonRá, Seth, disfarçado de sifto, nadou ainda por um razoável período de tempo. Teve de enfrentar a ferocidade de muitos crocodilos, que ainda distantes de MassiftonRá, nada percebiam sobre siftos. Por isso, tal como os siftos faziam perante o ataque daqueles crocodilos comuns, Seth fazia por das suas escamas especiais serem lançadas descargas eléctricas, que logo afugentavam aquelas bocas famintas, bem recheadas de dentes.

         Conforme se aproximava do mundo dos deuses, ia-se apercebendo de que os crocodilos normais davam lugar aos crocodilos «taaril», guardiães de MassiftonRá, pois estes deixavam-no passar sem o importunarem. Para os taaril, um sifto era um ser intocável. Seth sabia que acima dos crocodilos taaril e abaixo do deus Sobek, existiam dois crocodilos, especiais na escala hierárquica. Eram os Bhokurac, cuja missão era a de fazerem cumprir as determinações do deus Sobek. Se bem se lembrava um dos Bhokurac chamava-se Belthaknor, enquanto o outro tinha o nome de Ptahknor...(em continuação, pág. 62- ex. XXV)
in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005