quinta-feira, 10 de novembro de 2016

CROCODILO PTAHKNOR, GUARDIÃO DE MASSIFTONRÁ

...Às sensíveis escamas de Seth, transformado em sifto, já chegavam deliciosas vibrações de MassiftonRá. O senhor das areias aproximava-se do seu antigo paraíso. Subitamente, reparou que do seu lado direito avançava rapidamente, em sua direcção, um enorme crocodilo, que demonstrava ter intenções nada amistosas. Mesmo o próprio Seth, transformado naquele frágil peixe, teve um momento de temor. Parou, mas imediatamente se recompôs, criando um campo eléctrico à sua volta. O crocodilo deteve o seu ímpeto, confuso. Seth reconheceu-o . era o Bhokurac Ptahknor.
-         Não te reconheço como um sifto, mas irradias electricidade como eles- disse Ptahknor.
-         Mas eu sou um sifto.
-         Não, não és. Tens é um bom disfarce.
-         Se eu avançasse agora, serias capaz de me atacar?- perguntou Seth.
-         Cortava-te já ao meio. Nunca nenhum peixe comum aqui conseguiu chegar. Que truque usaste para o fazeres?
-         Não usei truque nenhum. Já te disse, eu sou um sifto!
-         Não, não és- e o crocodilo avançou para Seth.
-         Alto, não faças nada de que depois te arrependas!!
-         Eu, arrepender-me de matar um insignificante peixe?
-         Matares um desprezível peixe sei que não é obra que te traga glória. Mas eu não sou um peixe assim tão desprezível, e se tu me atacares, afianço-te que não vais ficar bem tratado.
-         Ó miserável tiláquia, tu tens a ousadia de ameaçares um crocodilo Bhokurac? Eu já te...

Mas não acabou de finalizar a frase, pois à sua frente a miserável tiláquia transformou-se no temido deus Seth. (em continuação, pág. 63- ex. XXVI)
in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005

domingo, 30 de outubro de 2016

XVII JANELA SOBRE O MEU PAÍS- BOTE SOLITÁRIO, A PAZ DA NATUREZA

  No final de um dia quente de verão, movidos pelo reboliço da cidade, é natural que partamos em busca da calma e do silêncio que a natureza, na sua infinita capacidade de nos fazer felizes, sempre nos consegue oferecer.
         No esplendor permanente da imensidão da ria de Aveiro, a água mansa vai beijar as margens da Gafanha da Encarnação, quando o sol rapidamente se desloca para poente, e aí somos bafejados pelos piados melancólicos das gaivotas, que de um bote solitário irão fazer o seu poiso nocturno.
         Abençoada natureza! 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O QUE EM MAFRA SE APRENDE, A MENTE NÃO ESQUECE

...Paralelamente à instrução leccionada nas salas de aulas, existia também a instrução ministrada ao ar livre. E essa dividia-se por várias áreas: educação física, instrução de tiro nas carreiras de tiro, aulas práticas sobre trânsito, onde se aprendiam a melhor postura do corpo para fazer sinal de paragem a um automobilista, a melhor forma de abordar um condutor pedindo-lhe os documentos e a maneira correcta de executar os sinais de trânsito, para aplicar em futuras horas de regularização do tráfego citadino. Por fim existia a instrução de ordem unida e manejo de armas. Nesta área Serôdio estava muito bem preparado, pois todos os militares da Escola Prática de Infantaria de Mafra eram exímios na arte de marchar e no manejo de armas em formatura. Dos vinte e oito guardas provisórios que formavam o seu pelotão, ele era o único cuja formação académica se situava acima da quarta classe, já que era o único que frequentara um liceu e terminara o segundo ano do Curso Complementar. Só por esse motivo era constantemente alvo de atenção por parte dos monitores. Como se só isso não bastasse, o seu modo de marchar também se salientou dos restantes colegas, pois marchava puxando os joelhos bem para cima e alargando substancialmente os passos. Os monitores não queriam aquela forma de marcha e avisaram-no de que deveria corrigir a maneira de dar os passos. Mas ele nunca o fez. Tinha muito orgulho na ordem unida que lhe fora ensinada no «Calhau», em Mafra. Não seriam aqueles labregos que iriam anular esse vínculo à sua vida militar...(em continuação, pág. 85, ex. XXXIII)
in Filhos Pobres da Revolta
Março/2003

domingo, 9 de outubro de 2016

OUTONO NA BAIRRADA

Celebrar a extraordinária beleza do Outono com o melhor espumante português, o da Bairrada, é uma escolha de muito bom gosto.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

ESTE NOSSO PORTUGUÊS NA CONDUÇÃO DA ONU

Por razões de índole patriótica, juntamo-nos aos portugueses que se congratulam com a nomeação do Engº António Guterres para Secretário-Geral da ONU. Cremos que irá prestar um óptimo serviço ao mundo, e a Portugal. E este nosso cada vez mais insignificante país na cena mundial, bem necessita de quem mostre às mentes perversas de que, em querendo, Portugal atinge todos os objectivos a que se propõe, com nota máxima…como o conseguiu outrora.

Muito boa sorte Engº António Guterres!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

NOTAS AMADORAS DE UMA HISTÓRIA QUE TAMBÉM É MINHA- 1128- BATALHA DE S. MAMEDE: A INDEPENDÊNCIA QUE SE DESENHA

  A feroz oposição do jovem Afonso Henriques às forças invasoras de D. Afonso VII de Castela, em 1127,  foi um acto demonstrativo de que a nobreza portucalense podia contar com ele para defender os interesses do Condado Portucalense. Estavam reunidas as condições para que os nobres portucalenses e o seu líder avançassem para vôos mais altos. Nesse sentido, o confronto latente entre Afonso Henriques e a sua mãe, a Condessa D. Teresa, era apenas uma questão de tempo, já que a condessa, ao unir-se ao nobre galego Fernão Peres de Trava, impôs ao Condado Portucalense a autoridade dos Trava.
E esse confronto teve lugar em S. Mamede, na batalha que lhe herdou o nome, em Junho de 1128, vencida por Afonso Henriques, que assim tomou nas suas mãos o controle efectivo do condado e abriu caminho para uma muito maior aventura.

domingo, 18 de setembro de 2016

QUANDO CARROCEIROS PRETENSIOSOS DÃO ORDENS...

...Nesta vazia convicção Serôdio muito cedo tomou consciência de que estava a ser pessimamente comandado. Mas ele sentia não ter outras opções para a vida ou se as havia, não tinha capacidade para as vislumbrar. Na sociedade portuguesa era vulgar dizer-se que só ia para a policia quem não sabia fazer mais nada. Nada mais falso! Como veio a constatar, no seio dos seus colegas existiam pedreiros, carpinteiros, mecânicos, agricultores, serralheiros, canalizadores, electricistas... era um sem fim de profissões, que na esperança de melhoria de vida as abandonavam, para se abraçar à causa pública. Apenas ele e mais alguns como ele, com uma vida académica frustrada por variadíssimas razões, iam para a policia por não saberem fazer mais nada. Acaso o infortúnio não lhe tivesse batido à porta, estaria naquele momento, passados seis anos, a terminar um curso de medicina. Os lentes dos segredos da anatomia humana, que no seu imaginário existiram, foram na realidade substituídos por carroceiros ridiculamente pretensiosos. Onde raio se estava ele a meter?...(em continuação, pág. 84, ex. XXXII)

in Filhos Pobres da Revolta
Março/2003