quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

EÇA DE QUEIRÓS NO PANTEÃO NACIONAL. FINALMENTE!


 

Até que enfim. Hoje foi anunciado na televisão, por um governante, que os restos mortais do Eça de Queirós irão ser transladados para o Panteão Nacional. Tinha de ser num governo PS. Aleluia!

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

AO FINAL DA TARDE SAUDAÇÕES DA BRIOSA, A MINHA ACADÉMICA



 

Como sou uma pessoa do mais comum e vulgar que existe, sem grandes artifícios, muito distante de situações rebuscadas e cheias de artificialidades, coisas simples podem muito bem sensibilizar-me. E sensibilizam! Por essa razão, nestas páginas escritas às janelas da minha vida, já aqui o disse uma vez, não se encontrarão recordações de gente famosa nem de situações ligadas ao Olimpo, já que o meu mundo decorreu e continua a decorrer sempre no seio de gente gloriosa, sim, mas uma glória ganha a vencer as bravas batalhas da vida. No seio do povo!

No final daquele dia 14 de Dezembro de 1990, depois de ter terminado o meu turno de serviço, tive uma imensa alegria. Ao entrar no agora meu carro, o velhinho Peugeot 304 GN-85-39, de que já aqui falei algumas vezes, que tinha deixado estacionado junto à Estação dos Correios, na Praça Marquês de Pombal, reparei que no chão do carro se encontrava um postal com a imagem de um estudante de capa e batina, portanto um estudante de Coimbra, já que tudo o resto são imitações, tal como os desfiles estudantis. Em Coimbra diz-se que «a Queima é em Coimbra, o resto são fitas.  

Intrigado, voltei o postal ao contrário, e nele estava escrita uma dedicatória que dizia que ao dono daquele carro davam saudações coimbrãs e académicas. E porquê? Deixara o vidro do carro ligeiramente aberto, e de certeza que um grupo de estudantes de Coimbra passou por ali, como andam por Aveiro muitos, felizmente, e ao ver a flâmula da Académica no carro, um bonito emblema, decidiram deixar-me aquele enorme abraço, devidamente assinado com três nomes: Eduardo Rebelo, João Martins e Luís Miguel Santos. Mas que maravilha. Fui para casa com vontade de chorar. A minha querida Coimbra bateu-me em cheio no peito naquele momento.

Hoje, passados que são vinte e sete anos sobre aquele dia e aquela hora de final de tarde, aos estudantes que escreveram e assinaram aquelas belas palavras, hoje em dia por certo doutores a viverem e a trabalharem num qualquer recanto deste nosso querido país, daqui envio o meu forte abraço e o meu reconhecimento por aquele momento muito feliz que me fizeram viver, quando, ao passar por um Peugeot 304 branco, estacionado junto aos Correios em Aveiro, deixaram escrita uma memória para todo o sempre, que se mantém guardada, num muito simbólico postal. Obrigado caros doutores!

in Prosas Pelas Janelas da Vida

livro III

 

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

NA ALTA DE COIMBRA


 

Fui às minhas mais profundas raízes, a Alta de Coimbra, onde nasci. Percorrendo os lugares ternos da minha juventude, a Rua de Sub-Ripas e as escadas do Quebra-Costas, onde os encantos despontam de cada pedra da velha calçada que há muito por ali não me via, sou guiado por acordes de guitarra, que me fazem estremecer o coração, e me enchem os olhos de água. Era o fado de Coimbra que por mim chamava!

sábado, 25 de julho de 2020

XXXI JANELA SOBRE O MEU PAÍS- NO JARDIM DA SEREIA, MEMÓRIAS COIMBRÃS


Coimbra tem locais que são verdadeiras fontes de tradição. Infelizmente para mim existem dois que muito pouco posso falar sobre eles, porque nunca se proporcionou na minha vida que os frequentasse com regularidade, porque não existiu razão para que o fizesse. Falo do enorme «Penedo da Saudade», onde a paixão explode, onde se cantam antigos amores de estudantes, e do Choupal, essa floresta mágica, banhada pelo Mondego, perdição de tricanas, estudantes e futricas.
E depois havia, e continua a haver, o Jardim da Sereia.
O Jardim da Sereia, localizado logo acima da imprescindível Praça da República, situa-se logo abaixo da enorme escadaria pela qual se chegava ao Liceu D. João III, hoje José Falcão. A escadaria actualmente é a mesma, o liceu também, somente com a diferença de que agora assumiu a designação de «escola secundária». Coisa estranha!
E porque o Jardim da Sereia fica muito perto do liceu, foram muitas e muitas as vezes que para lá me dirigi, depois das aulas, eu e muitos dos meus colegas. E não íamos para o jardim com o intuito de passear. É que no Jardim da Sereia existia um campo pelado de futebol, para onde íamos dar uns toques na bola, quando o mesmo campo se encontrava disponível- o Campo de Santa Cruz. Era neste campo que os juvenis da Académica treinavam. E foi neste campo que eu cheguei a envergar o belo equipamento negro da Académica, com o maravilhoso emblema da Briosa ao peito. Tentei a minha sorte como juvenil da Académica. Mas faltava-me envergadura física, para mais tendo o treinador considerado que eu tinha características de médio, um lugar muito exigente fisicamente. A explosão física que se operou no meu organismo ainda não tinha chegado. Por isso, nessa altura eu media 1.56 m de altura, um três reis de gente. Como poderia eu impor-me como médio, sendo o futebol uma modalidade de contacto? O meu pai ainda me chegou a ir ver num treino, estávamos em 1972. Ter envergado o equipamento da Briosa é para mim um momento de extrema importância simbólica, pois enverguei a cidade de Coimbra, vesti a minha essência.
O Jardim da Sereia e o Campo de Santa Cruz são, para mim, dois pontos fortes da minha vivência coimbrã.
in Prosas Pelas Janelas da Vida
livro I


domingo, 28 de junho de 2020

SÚBDITO DE MARSAHPTO


...Para minha estupefacção a entrevista decorreu num apartamento de um prédio normal. Quando esperamos por um escritório numa empresa, ao darmo-nos com um cenário doméstico, fica-se com um pé atrás. E tinha razão. Mas segui. Esperava-me um apartamento mergulhado em penumbra, com um enorme corredor, onde, a meio, numa parede se encontrava pendurado um quadro muito bem iluminado (era a única iluminação existente no corredor) que representava uma batalha, com soldados a cavalo, de capacete na cabeça, e outros com turbantes, em pleno deserto. Ao centro via-se um rei a ser trespassado por uma lança. Fez-me lembrar a batalha de Alcácer-Quibir. Mas que mau gosto, pensei. No entanto tudo fazia parte da estratégia.
         Aguardei uns minutos sentado numa cadeira colocada em frente ao quadro, até que fui chamado.
Aguardavam-me dois personagens: o que me fez a entrevista, e um tipo com ar sinistro sentado a seu lado, que nunca proferiu qualquer palavra, de tez bastante escura que apenas me observava.
O teor da entrevista centrou-se sobre o que Portugal representava para mim, e depois a tentativa (bem sucedida) de desmontar tudo o que de bom eu dissera sobre o meu país. Eu comecei a sentir-me leve e um pouco tonto, e já não tinha tanta certeza de me sentir bem com a minha Portugalidade.
Disse-me que o emprego para o qual eu me candidatava era muito bom, que iria ganhar quatro ou cinco vezes mais do que o que ganhava como alugador de carros…caso fosse aceite. E só pelo trabalho de ter ido à entrevista pôs-me nas mãos uma nota de cem euros.
Escusado será dizer que achei tudo aquilo muito estranho, mas como a oferta era muitíssimo apelativa (muito embora eu ainda não soubesse o que ia fazer), e aquela nota de cem euros dava-me garantias de coisas boas, ansiava imenso que me voltassem a ligar.
E ligaram! Foi desta forma que eu entrei para a organização denominada «O Protectorado». Aquele tipo sinistro que estava sentado ao lado do entrevistador era um «mentalizador», uma entre muitas armas secretas daquela organização, que tinham o poder mental de nos entrarem na mente e nos induzir no que quisessem. E o que eles queriam era fazer com que os portugueses deixassem de o ser, e passassem a ser o que eles queriam que os portugueses fossem: apenas súbditos do Protectorado, súbditos de Marsahpto, o verdadeiro nome da organização, oriunda de todo o Norte de África...(em continuação, ex. III)
in SOMBRAS DA ETERNIDADE e trovas troykianas

quarta-feira, 10 de junho de 2020

NO DIA DE PORTUGAL UM ABRAÇO A TI, MEU QUERIDO PORTUGUÊS, EM LONDRES


No mesmo ano em que Portugal perdeu a sua independência (dando-se início à dinastia filipina), faleceu Luís Vaz de Camões, a 10 de Junho de 1580. É, pois, ao lembrar a memória do nosso maior poeta que comemoramos a alma lusitana.
A data de 10 de Junho foi escolhida como o dia ideal para se cantar Portugal e os portugueses. É pois neste Dez de Junho que eu, como orgulhoso português que sou, envio um enorme abraço a todos os portugueses como eu, com o peito cheio de amor patriótico por vós, realçando todos os meus concidadãos que, espalhados pelos cinco continentes, em cada canto deste nosso planeta dão a conhecer a alma lusitana, labutando com o coração a latejar de saudade, ansiando pelo próximo momento em que voltarão a pisar solo português.
VIVA PORTUGAL!

sábado, 6 de junho de 2020

A CORAGEM DOS PESCADORES DOS LUGRES QUE OS LEVOU À DISTANTE E GÉLIDA TERRA NOVA


...Não é por acaso que nós, portugueses, uma nação tão antiga, dona de um vasto império a nível global, não passamos hoje de um cantito ao fundo da Europa plantado. Nós, que nos Descobrimentos tornámos o mundo maior, onde temos em Portugal um símbolo que recorde ao mundo esse feito? A Torre de Belém e nada mais. E mesmo que o nosso país tivesse em cada capital de distrito um monumento que recordasse a coragem dos nossos marinheiros, que serviria isso se no íntimo da maioria dos portugueses Descobrimentos é coisa velha, sem interesse, coisa de que não vale a pena ter orgulho!? Os governos são os primeiros a dar esse triste exemplo. Quando a história de todo um povo, a esse mesmo povo nada mais provoca do que tédio, isso pode ser perigoso. Quando um governo tem a ousadia de eliminar um feriado, que há trezentos e setenta e três anos comemorava a Restauração da nossa Independência, no 1º de Dezembro, isso é demonstrativo da frágil ambição em apostar no nosso desenvolvimento, porque quem não reconhece o bom do seu passado, apenas saberá planear um futuro medíocre, pois nunca compreendeu a sua verdadeira essência.
         A coragem dos pescadores dos lugres que os levou a aventurarem-se pelos oceanos fora, em frágeis veleiros de quatro mastros, até à distante e gélida Terra Nova, no Canadá, em busca do bacalhau, esse fiél amigo que durante muitas e muitas gerações foi um verdadeiro tesouro nacional, foi herdada, directamente, dos bravos marinheiros, intrépidos navegadores, que a bordo de embarcações com a mesma capacidade de resistência dos lugres, pelos oceanos então desconhecidos, abatendo temerosos e perigosos adamastores em cada esquina do mundo, desbravaram o desconhecido e enriqueceram o conhecimento geográfico do planeta.
         Mas se até esses foram esquecidos, queria agora o meu pai que o português actual desse valor a essa faina maior que foi a pesca do bacalhau à linha.
         E sacudido pelas lágrimas inesperadas do meu pai, resolvi então (pedindo às musas que me guiem na forma de exprimir o meu pensamento), escrever umas linhas que falem desse tempo duro em que o meu pai era um jovem, onde obrigatoriamente se recorde um pouco dessa vida difícil e sem glória, que foi a pesca do bacalhau à linha, onde o meu pai, Carlos Feliciano da Benta, foi um entre milhares de protagonistas. (em continuação, ex. IV)


in Nas Arestas da Terra e do Mar