quarta-feira, 10 de junho de 2020

NO DIA DE PORTUGAL UM ABRAÇO A TI, MEU QUERIDO PORTUGUÊS, EM LONDRES


No mesmo ano em que Portugal perdeu a sua independência (dando-se início à dinastia filipina), faleceu Luís Vaz de Camões, a 10 de Junho de 1580. É, pois, ao lembrar a memória do nosso maior poeta que comemoramos a alma lusitana.
A data de 10 de Junho foi escolhida como o dia ideal para se cantar Portugal e os portugueses. É pois neste Dez de Junho que eu, como orgulhoso português que sou, envio um enorme abraço a todos os portugueses como eu, com o peito cheio de amor patriótico por vós, realçando todos os meus concidadãos que, espalhados pelos cinco continentes, em cada canto deste nosso planeta dão a conhecer a alma lusitana, labutando com o coração a latejar de saudade, ansiando pelo próximo momento em que voltarão a pisar solo português.
VIVA PORTUGAL!

sábado, 6 de junho de 2020

A CORAGEM DOS PESCADORES DOS LUGRES QUE OS LEVOU À DISTANTE E GÉLIDA TERRA NOVA


...Não é por acaso que nós, portugueses, uma nação tão antiga, dona de um vasto império a nível global, não passamos hoje de um cantito ao fundo da Europa plantado. Nós, que nos Descobrimentos tornámos o mundo maior, onde temos em Portugal um símbolo que recorde ao mundo esse feito? A Torre de Belém e nada mais. E mesmo que o nosso país tivesse em cada capital de distrito um monumento que recordasse a coragem dos nossos marinheiros, que serviria isso se no íntimo da maioria dos portugueses Descobrimentos é coisa velha, sem interesse, coisa de que não vale a pena ter orgulho!? Os governos são os primeiros a dar esse triste exemplo. Quando a história de todo um povo, a esse mesmo povo nada mais provoca do que tédio, isso pode ser perigoso. Quando um governo tem a ousadia de eliminar um feriado, que há trezentos e setenta e três anos comemorava a Restauração da nossa Independência, no 1º de Dezembro, isso é demonstrativo da frágil ambição em apostar no nosso desenvolvimento, porque quem não reconhece o bom do seu passado, apenas saberá planear um futuro medíocre, pois nunca compreendeu a sua verdadeira essência.
         A coragem dos pescadores dos lugres que os levou a aventurarem-se pelos oceanos fora, em frágeis veleiros de quatro mastros, até à distante e gélida Terra Nova, no Canadá, em busca do bacalhau, esse fiél amigo que durante muitas e muitas gerações foi um verdadeiro tesouro nacional, foi herdada, directamente, dos bravos marinheiros, intrépidos navegadores, que a bordo de embarcações com a mesma capacidade de resistência dos lugres, pelos oceanos então desconhecidos, abatendo temerosos e perigosos adamastores em cada esquina do mundo, desbravaram o desconhecido e enriqueceram o conhecimento geográfico do planeta.
         Mas se até esses foram esquecidos, queria agora o meu pai que o português actual desse valor a essa faina maior que foi a pesca do bacalhau à linha.
         E sacudido pelas lágrimas inesperadas do meu pai, resolvi então (pedindo às musas que me guiem na forma de exprimir o meu pensamento), escrever umas linhas que falem desse tempo duro em que o meu pai era um jovem, onde obrigatoriamente se recorde um pouco dessa vida difícil e sem glória, que foi a pesca do bacalhau à linha, onde o meu pai, Carlos Feliciano da Benta, foi um entre milhares de protagonistas. (em continuação, ex. IV)


in Nas Arestas da Terra e do Mar

segunda-feira, 25 de maio de 2020

1640, UM LIVRO, A REABILITAÇÃO DE UM POVO, A NOSSA INDEPENDÊNCIA RECUPERADA


Acabei de ler o romance da nossa extraordinária escritora Deana Barroqueiro, intitulado 1640. Para quem esteja minimamente atento, é claro que o título imediatamente nos diz qual a temática do romance: pois claro, fala-nos sobre o nosso grandioso 1º de Dezembro de 1640.

            Concebido na base de quatro perspectivas, de outros tantos protagonistas, a autora apresenta-nos não só um Portugal revolucionário, a necessitar urgentemente de justiça social e política, mas também nos disseca um país e um reino pós-revolucionário, de cofres vazios, a lutar contra a nefasta influência da poderosa Espanha numa Europa que, em espectativa, tende em não acreditar na libertação de Portugal das amarras castelhanas.

            A autora viaja, profundamente, até ao Brasil e à floresta amazónica, apresentando-nos o perfil de bons e maus portugueses, os primeiros que trabalham por servir a coroa honesta, pacifica e honradamente, enquanto os segundos, apenas valendo-se da coroa para benefício próprio, através dos seus instintos maleficamente colonialistas exercem uma exploração assassina dos índios da amazónia. Nesta fase vamos encontrar o grande Padre António Vieira, na juventude, iniciando a sua acção como missionário entre os índios, exibindo já os seus dotes de pensador e oratória.

            Pela mão da autora viajamos também ao mundo escondido dos conventos, onde os costumes daquela época «depositaram» muitas senhoras sem qualquer aptidão de votos, fazendo surgir, pela sua argúcia e malícia, uma espécie diferente de homens: os «freiráticos», um termo que aprendi neste livro. Uma inesperada visão sobre a vida conventual do séc. XVII que a autora nos apresenta.

            Somos depois confrontados com a execrável acção da Holanda, que aproveitando-se da fraqueza política em que Portugal se encontrava, após o 1º de Dezembro, tudo tentou para nos subtrair o Brasil, tendo-se confrontado com a tenaz vontade e querer do homem lusitano.

            Neste romance surge-nos toda a enorme vida, desse grande homem, esse grande português que foi o Padre António Vieira. Caminhando pelas muitas páginas, vamos tomando conta do quanto António Vieira lutou pela justiça para com os índios do Brasil, o quanto lutou para contrariar a política holandesa, de toda a sua capacidade diplomática ao serviço de D. João IV, e por fim de nos revelar toda a perfídia e aberração da Santa Inquisição, o pavoroso Santo Ofício e os horrorosos Autos de Fé.

É uma viagem ao passado, aos anos que imediatamente se seguiram a um dos momentos mais altos e importantes da nossa história, que foi o 1º de Dezembro de 1640.

           

sábado, 16 de maio de 2020

RECORDANDO OS MÁRTIRES DA LIBERDADE DE AVEIRO





Comemora-se hoje em Aveiro o 192º aniversário sobre o dia 16 de Maio de 1828, dia em que o povo aveirense veio para as ruas gritar «vivas» a D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil) e à sua filha Infanta D. Maria, e «morras» a D. Miguel. Ficou conhecida como a revolta dos cabeças cortadas, que teve por cabecilha o ex-membro da Câmara de Deputados Joaquim José de Queirós, dissolvida por D. Miguel, em Março de 1828. Foi este movimento, apoiado pelo Batalhão de Caçadores Dez de Aveiro, o primeiro grito de revolta, em Portugal, contra o regime absolutista de D. Miguel e da mãe, a rainha Carlota Joaquina, que Portugal haveria de ver debelado apenas seis anos depois, em 1834, após a guerra civil que ensanguentou Portugal entre 1832 e 1834. Sete dos cabecilhas da revolta (nos quais não se encontrava Joaquim José de Queirós), foram presos e enforcados em 1829, na Praça Nova no Porto. As suas cabeças foram decepadas e enviadas para Aveiro, onde estiveram em exposição pelas ruas da então já cidade. Encontram-se sepultadas sob um monumento aos mártires da Liberdade, no cemitério central.

Joaquim José de Queirós, mais tarde Conselheiro Queirós, veio a ser avô paterno do nosso grande Eça de Queirós.

terça-feira, 5 de maio de 2020

DIA MUNDIAL DA LINGUA PORTUGUESA


5 de Maio de 2020

1º DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

DIA PARA HOMENAGEAR OS HERÓIS PORTUGUESES DOS DESCOBRIMENTOS, QUE PELO MUNDO ESPALHARAM O PORTUGUÊS, ASSIM COMO AGRADECER A TODOS QUANTOS, POR INTERMÉDIO DO SEU TRABALHO, LANÇAM SEMENTES À TERRA QUE FARÃO NASCER AMOR E ORGULHO PELA NOSSA EXPRESSÃO FALADA E ESCRITA.



Ainda na área do português tive um outro professor a quem devo o gosto pela escrita. Nunca o poderia esquecer nestas minhas memórias. Trata-se do excelente professor Margarido, metodólogo, que além de ser um poço de conhecimentos linguísticos, sabia-os ensinar de forma completamente entusiástica. Dar os Lusíadas com o professor Margarido, foi como assistir a sessões de cinema. E isso porque, além do empolgamento que transmitia às palavras, também já tinha estado na maioria dos locais, no Oriente, que Luís de Camões descreve na sua obra imortal. Depois foi o Professor Margarido que me empurrou para o caminho da escrita. No 5º ano liceal decidiu o professor Margarido, metodólogo como era, de dar um único tema para todo o liceu, naquele 5º ano, para que fosse feita uma redacção. Essa redacção foi redigida por duas ou três centenas de alunos…e a minha foi a melhor. Isso criou em mim um orgulho enorme, e uma vontade louca de me pôr a escrever.

E daí nasceu o que eu posso considerar o meu primeiro livro- «O Primeiro Amor da Adolescência». Escrevi-o em três meses, com catorze anos. Foram três meses vividos com imenso entusiasmo, enquanto a trama se ia avolumando. Um pequeno livro, de 80 páginas, de onde saiu o protagonista- o Gonçalo- que durante todos estes anos me tem acompanhado para todo o lado, e que tem explicado pormenores da minha vida a muitas e muitas outras personagens que, entretanto, se lhe juntaram.

Obrigado Professor Margarido.

In Prosas Pelas Janelas da Vida

quinta-feira, 23 de abril de 2020

QUANDO NASCE UM LIVRO


Hoje, dia mundial do livro, fui fazer uma visita àqueles momentos deliciosamente solitários, onde mundos fantásticos emergem para o mundo de cada um de nós, para o nosso gáudio, trazendo consigo personagens de índoles boas e más, delícias de quem, com elas, comunga daqueles momentos. Momentos que dão origem aos nossos valiosíssimos livros.

            A quem nos revela mundos escondidos e extraordinários, os escritores, um grande abraço!

domingo, 19 de abril de 2020

AGRICULTURA EM PORTUGAL: O RECONHECIMENTO DO DESENCONTRO

Porque neste tempo de pandemia tomámos verdadeira consciência do quanto a agricultura é importante para todos nós, aqui começo a publicar crónicas de quem sabe da matéria, e que fez o favor de me dispensar os seus textos para aqui os publicar. Obrigado João!


«Nestas últimas semanas tem sido um sério desafio falar de algo que esta pandemia não tenha afectado de forma séria, ou que esta pandemia não nos faça reflectir sobre. Uma delas é certamente a agricultura. No meio das nossas séries de Netflix, os resultados do nosso clube, as viagens que fazemos para qualquer parte deste planeta, a agricultura é (e sempre será?) a filha pobre da nossa sociedade.

É tão básica, dada como adquirida e invisível como o ar que respiramos. E como em tudo na nossa vida, como em tudo na nossa mente, só a sua falta ou dificuldade ao seu acesso é que nos lembra que afinal ela não é nada básica, não é nada invisível e nem pouco mais ou menos é um dado adquirido. E ela não se importa com isso.

Não pede reconhecimento, não luta pelo reconhecimento da sua importância, não faz conferências de imprensa sobre as injustiças de que é alvo. E então mais ainda se torna invisível.

Não é fácil encontrar uma indústria que não sobe os seus preços quando a sua procura aumenta, e a sua oferta tem dificuldade em aumentar. E impossível mesmo é encontrar uma indústria onde esta pressão faz quebrar o produtor, em vez de o enriquecer. Quando sai um telemóvel topo de gama que tem as melhores funcionalidades do mercado, e que por alguma razão antropologicamente justificável faz aumentar o status quo de quem o adquire, o seu fabricante apenas produz uma quantidade limitada destes produtos, o seu valor dispara, o status quo que ele oferece dispara também e os seus clientes, salivando e com os seus olhos raiados de sangue, fazem acampamentos à porta dos revendedores para o adquirirem 30 segundos depois do seu lançamento, custe o que custar, mesmo que nos meses vindouros esses clientes não se alimentem devidamente. Já quando a procura de um produto agrícola aumenta (por causa de um qualquer açambarcamento assustador) ou a sua oferta diminui (por um período de seca prolongado, uma praga, um aumento pornográfico dos preços dos combustíveis), quem sofre as consequências é por norma o produtor. É ele que tem que encontrar soluções técnicas, atalhos financeiros, prescindir muitas vezes da totalidade da sua margem de lucro e tantas vezes não ter tempo para dormir, de modo a que os contratos com as grandes superfícies sejam cumpridos, os seus clientes tenham alimentos frescos nos seus frigoríficos e a sobrevivência da sua família seja garantida, ainda que sem evolução na sua qualidade de vida. Ora… lá se foi o aspecto supostamente “básico” pela janela fora. O negócio agrícola tem todos os riscos de qualquer outro negócio, mais todos os outros riscos: riscos económicos e financeiros, mas também riscos climatéricos, biológicos, genéticos, entre tantos outros.

E quando o produtor não tem capacidade de fazer frente ao problema que põe em risco o fornecimento dos seus produtos a todos nós, é aí que ela, a agricultura, deixa de ser dada como adquirida. Quanto mais debilitada é a agricultura numa região, país ou continente, mais frágil e incapaz de responder a situações de emergência ela se torna. Terei oportunidade de em próximas oportunidades ir mais a fundo nesta temática, mas vejamos a quantidade de pessoas que neste momento têm dificuldade em adquirir alimentos, por dificuldades de locomoção, por dificuldades financeiras, por impedimento devido a este estado de emergência, e a quantidade de produtores que pelas mesmas razões e por razões crónicas têm dificuldade em escoar os seus produtos. Simplesmente não faz sentido. E por regra, são os consumidores com menor capacidade financeira, e os produtores com menor capacidade financeira, que têm maiores dificuldades, o que nos diz que este é um problema do sistema, da forma como as relações comerciais estão estabelecidas.

Bem sei que estamos inseridos num paradigma de mercado único, mas como o nome indica, o mercado tem de ser único, e, portanto, todos terão de estar incluídos. Assim como se vão criando formas originais de ajudar as pessoas mais fragilizadas neste momento de tão grande dificuldade a nível do consumo de bens de primeira necessidade, também se deveriam criar, não subsídios, não injecções de capital, mas vectores prioritários de escoamento de produtos nacionais que estão, neste momento em que estás a ler esta crónica, a criar situações tão angustiantes para produtores com os seus armazéns, arcas frigoríficas ou estábulos cheios, como a angústia de tantos portugueses terem neste momento o frigorífico vazio.

Não é mais importante cumprir as directrizes europeias sobre o mercado de produtos agrícolas, do que é tratar todos os cidadãos portugueses como iguais, sejam eles consumidores, ou sejam eles produtores agrícolas, sendo a esmagadora maioria dos mesmos que passam sérias dificuldades, dos poucos agentes económicos do interior do país que fixa pessoas, que atrai pessoas, ainda que cada vez mais este interior esteja… do avesso.»

João Miguel Fareleira Simão Gomes