sábado, 9 de setembro de 2017

NOTAS AMADORAS DE UMA HISTÓRIA QUE TAMBÉM É MINHA: CONFERÊNCIA DE ZAMORA- 1143, QUEM NÃO SABE ESTA DATA NÃO É BOM PORTUGUÊS

O início da nacionalidade caracterizou-se por uma luta em duas frentes: enquanto no território portucalense D. Afonso Henriques fazia frente ao rei de Leão, no sentido de obter a independência, ao sul de Coimbra conquistava território aos mouros, inserido no movimento da reconquista cristã, na Península Ibérica. Foi essa acção que marcou a vitória na Batalha de Ourique, que tivera lugar em 1139, entre todas as outras acções.
         Quatro anos volvidos, em 1143, teve lugar a Conferência de Zamora, através da qual chegava a paz entre as duas partes ibéricas: o Condado Portucalense, com pretensões a reino independente, liderado por D. Afonso Henriques e o Reino de Leão, tendo por rei D. Afonso VII de Leão, que teve por testemunha o legado papal Guido de Vico, tendo sido reconhecido a Afonso Henriques o título de rei, que se colocou a si e ao reino de Portugal sob a protecção de Roma, mediante o pagamento de um censo anual no valor de quatro onças de ouro.
         Estavam escancaradas as portas para a independência.

         Quando eu andava na escola primária aprendia-se que: 1143, quem não sabe esta data não é bom português!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A VIDA TERRENA ESQUECE TUDO O QUE É ESPITIRUAL

...Finalmente me encontrava no meu refúgio. Estava imensamente agradecido ao meu pai por me ter criado aquele espaço paradisíaco, que era o meu consultório, onde me achava senhor de todo o mundo, pois sabia que ao sair do conforto daquelas quatro paredes a realidade era bem diferente, dado que o mundo não era meu, mas eu é que era do mundo. E pela razão de serem as outras pessoas a condicionarem a nossa vida, pelo menos em certas circunstâncias, é que eu naquele dia me vira confrontado com aqueles dois cadáveres. Eu não estava a perceber muito bem porque razão, sendo eu médico, e tendo tido, obrigatoriamente, múltiplos contactos com defuntos, a visão daqueles dois me havia impressionado daquela forma. Reflectindo nessa questão apercebi-me então de que, embora a morte me não fosse estranha, iria estar intrinsecamente ligada à minha actividade profissional. Essa conclusão não me agradou, pois a cada morto que se cruzasse no meu caminho iria estar ligado um drama, sofrimento, e tais constatações tornariam mais pálida a minha felicidade. Mal eu sabia o número imenso de mortos que o destino resolvera colocar nesse meu caminho. Soubesse eu então o que sei hoje… estou a expressar-me incorrectamente… tivesse eu me lembrado do que hoje sei ser uma certeza, e que naquela altura apenas o havia esquecido, e a morte não se me afiguraria como uma fonte de sofrimento. Mas a vida terrena baseia-se no esquecimento de tudo o que é espiritual; e por vezes esse esquecimento é tão profundo que do espírito nem um leve pressentimento existe...(em continuidade, pág. 48, ex. XXVI)
in Alma de Liberal
Junho/2009

sábado, 19 de agosto de 2017

XX JANELA SOBRE O MEU PAÍS- PRAIA DA COSTA NOVA DO PRADO- REPOUSO DO HERÓI

Na imensidão da ria de Aveiro, no canal de Mira, que transmite beleza à já de si bela Costa Nova do Prado, entre guerreiros que para sempre descansam sobre as águas calmas, um herói repousa, recuperando energias para novas e ansiadas lutas.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

MÉDICO E DEFENSOR DO IDEAL LIBERAL


- O meu pai conhece o Francisco Carvalho?

- Nunca ouvi tal nome.

- E o Ti Chico Aduelas?

- Esse sim. É talvez o melhor tanoeiro aqui da região. Muitas das nossas pipas e tonéis fê-las ele.

- Os dois são a mesma pessoa. Pois saiba que a falecida era filha dele.

         O meu pai fixou-me, em silêncio, benzendo-se. Depois disse:

- Pobre home. Mas pelo que me tem chegado aos oividos o matador que se cuide, pois o tanoeiro, quando lhe calcam os calos não é flor que se cheire. E outra coisa se não está à espera. Perder assim um home  uma filha, é obra.

         E só depois deste diálogo pude entrar em casa. Estava cansado, ansiava por um pouco de sossego, mas ainda tive de responder ao meu pai sobre questões relacionadas com a forma como o Conde de Cértima me havia recebido. Lá lhe contei que o fidalgo percebera perfeitamente que eu era defensor do ideal liberal, mas que tal não iria impedir que eu ali continuasse a ir, na qualidade de médico, ao que o meu pai respondeu que isso não era razão para ter cuidados, pois em que outra qualidade haveria eu de entrar naquela casa, senão na de médico?!

         E deixou-me só...(em continuação, pág. 47, ex. XXV)

in Alma de Liberal
Junho/2009

segunda-feira, 31 de julho de 2017

EM 1572, O SIM DA CENSURA DA INQUISIÇÃO À FÁBULA DOS DEUSES CHAMADA OS LUSÍADAS


«Por mandado da santa geral inquisição estes dez cantos dos Lusíadas de Luís de Camões,  dos valerosos feitos em armas que os portugueses fizeram em Asia e Europa, não achey nelles cousa alg~ua escandalosa, nem contraria à fé e bõs custumes, somente me pareceo que era necessário advertir os lectores que o autor pera encarecer a dificuldade da navegação e entrada dos portugueses na India, (…) de b~ua ficção dos deoses dos gentios. E ainda que Sancto Angustinho nas suas retractações  se retracte de ter chamado nos livros que compôs de ordine aas musas deosas todavia como isto he poesia e fingimento e o autor como poeta, não pretenda mais que ornar o estilo poético não tivemos por inconveniente (…) esta fabula dos deoses na obra, conhecendoa por tal. E ficando sempre salva a verdade de nossa sancta fé, que todos os deoses dos gentios sam demónios. E por isso me pareceo o livro digno de se imprimir, e o autor mostra nelle muito engenho e muita erudição nas sciencias humanas. Em fe do qual assiney aqui.

Frey Bertholameu Ferreira»

E assim, depois desta autorização oficial da inquisição, Os Lusíadas veio a ser livro, em 1572, para deleite e orgulho do Povo Lusitano, nós!


sábado, 22 de julho de 2017

IRONIA PREOCUPANTE DE ÍSIS

...-         Que pretendes de mim, pequeno sifto?- perguntou Amon-Rá ao ver chegar o sifto.
-         Divino Amon, venho falar-te sobre o sumo sacerdote que o faraó escolheu para o culto a Aton.
-         Sobre o quê?- perguntou Amon-Rá, intrigado- e desde quando faz parte das funções de um sifto preocupar-se com questões desse teor? Por acaso ordenei-te que o fizesses?
-         Não, divino Amon, mas pensei que talvez tivesses curiosidade em saber algo sobre ele.
-         Sabes o nome dele?- perguntou o deus ancião Aton.
-         Efreiménus- respondeu o falso sifto. 
Desde a chegada do sifto que a deusa Ísis se começou a sentir desconfortável. Não sabia explicar, mas algo na água se fazia conduzir que lhe transmitia um mau estar. Tendo consciência de que era a deusa da magia, Ísis fez irradiar magia por todo o espaço de MassiftonRá, no propósito de obter uma resposta que lhe desse a justificação para aquele seu mau estar; e rapidamente a magia se começou a canalizar para o sifto que se encontrava ali. A deusa Ísis concentrou então toda a sua atenção e energia naquele peixe, e lentamente, mas conclusivamente, começou a sentir que, camuflada por debaixo de todas as vibrações que emanavam do sifto, existia uma energia incomodativa, a fonte do seu desconforto. Sem que isso fosse pressentido pelo sifto, a magia de Ísis começou a inspeccionar a energia camuflada, lendo-a como a um livro que, ganhando vontade própria, se recusava a ser lido. E subitamente a deusa Ísis estremeceu. Reconhecera a energia camuflada! E num ímpeto, disse:
-         Sifto, explica-nos como descobriste o nome do sumo sacerdote.
-         Foi fácil. Introduzi-me no palácio do faraó...
-         Mas porque razão o fizeste, sifto?- perguntava Amon-Rá- eu posso compreender que me queiras agradar, mas isso é uma insubordinação. Os siftos têm de se limitar às ordens que eu lhes dou.
-         Não sejas injusto para com os teus siftos, Amon- disse a deusa Ísis.
-         E deixo passar esta indisciplina, sem nada dizer?- perguntava Amon-Rá com semblante de zangado.

-         Ao que tu te referes seria uma indisciplina, se esse peixe fosse um sifto, o que não é o caso- disse a deusa Ísis com ironia...(em continuação, pág. 68, ex. XXIX)

in A Causa de MassiftonRá

Novembro/2005

domingo, 9 de julho de 2017

XIX JANELA SOBRE O MEU PAÍS- AVEIRO, JERÓNIMO PEREIRA CAMPOS- FÁBRICA E TURISMO

Aveiro, Fábrica de Cerâmica Jerónimo Pereira Campos, em finais do séc. XIX, um pólo industrial, onde apenas havia lugar ao esforço do braço forte do povo.
Cem anos depois, Fábrica de Cerâmica Jerónimo Pereira Campos, pólo da indústria mental, onde a intelectualidade debate as suas idéias, um dos mais atractivos pólos turísticos de Aveiro, ali, no Cais da Fonte Nova.

Bem Vindos a Aveiro!