sábado, 19 de agosto de 2017

XX JANELA SOBRE O MEU PAÍS- PRAIA DA COSTA NOVA DO PRADO- REPOUSO DO HERÓI

Na imensidão da ria de Aveiro, no canal de Mira, que transmite beleza à já de si bela Costa Nova do Prado, entre guerreiros que para sempre descansam sobre as águas calmas, um herói repousa, recuperando energias para novas e ansiadas lutas.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

MÉDICO E DEFENSOR DO IDEAL LIBERAL


- O meu pai conhece o Francisco Carvalho?

- Nunca ouvi tal nome.

- E o Ti Chico Aduelas?

- Esse sim. É talvez o melhor tanoeiro aqui da região. Muitas das nossas pipas e tonéis fê-las ele.

- Os dois são a mesma pessoa. Pois saiba que a falecida era filha dele.

         O meu pai fixou-me, em silêncio, benzendo-se. Depois disse:

- Pobre home. Mas pelo que me tem chegado aos oividos o matador que se cuide, pois o tanoeiro, quando lhe calcam os calos não é flor que se cheire. E outra coisa se não está à espera. Perder assim um home  uma filha, é obra.

         E só depois deste diálogo pude entrar em casa. Estava cansado, ansiava por um pouco de sossego, mas ainda tive de responder ao meu pai sobre questões relacionadas com a forma como o Conde de Cértima me havia recebido. Lá lhe contei que o fidalgo percebera perfeitamente que eu era defensor do ideal liberal, mas que tal não iria impedir que eu ali continuasse a ir, na qualidade de médico, ao que o meu pai respondeu que isso não era razão para ter cuidados, pois em que outra qualidade haveria eu de entrar naquela casa, senão na de médico?!

         E deixou-me só...(em continuação, pág. 47, ex. XXV)

in Alma de Liberal
Junho/2009

segunda-feira, 31 de julho de 2017

EM 1572, O SIM DA CENSURA DA INQUISIÇÃO À FÁBULA DOS DEUSES CHAMADA OS LUSÍADAS


«Por mandado da santa geral inquisição estes dez cantos dos Lusíadas de Luís de Camões,  dos valerosos feitos em armas que os portugueses fizeram em Asia e Europa, não achey nelles cousa alg~ua escandalosa, nem contraria à fé e bõs custumes, somente me pareceo que era necessário advertir os lectores que o autor pera encarecer a dificuldade da navegação e entrada dos portugueses na India, (…) de b~ua ficção dos deoses dos gentios. E ainda que Sancto Angustinho nas suas retractações  se retracte de ter chamado nos livros que compôs de ordine aas musas deosas todavia como isto he poesia e fingimento e o autor como poeta, não pretenda mais que ornar o estilo poético não tivemos por inconveniente (…) esta fabula dos deoses na obra, conhecendoa por tal. E ficando sempre salva a verdade de nossa sancta fé, que todos os deoses dos gentios sam demónios. E por isso me pareceo o livro digno de se imprimir, e o autor mostra nelle muito engenho e muita erudição nas sciencias humanas. Em fe do qual assiney aqui.

Frey Bertholameu Ferreira»

E assim, depois desta autorização oficial da inquisição, Os Lusíadas veio a ser livro, em 1572, para deleite e orgulho do Povo Lusitano, nós!


sábado, 22 de julho de 2017

IRONIA PREOCUPANTE DE ÍSIS

...-         Que pretendes de mim, pequeno sifto?- perguntou Amon-Rá ao ver chegar o sifto.
-         Divino Amon, venho falar-te sobre o sumo sacerdote que o faraó escolheu para o culto a Aton.
-         Sobre o quê?- perguntou Amon-Rá, intrigado- e desde quando faz parte das funções de um sifto preocupar-se com questões desse teor? Por acaso ordenei-te que o fizesses?
-         Não, divino Amon, mas pensei que talvez tivesses curiosidade em saber algo sobre ele.
-         Sabes o nome dele?- perguntou o deus ancião Aton.
-         Efreiménus- respondeu o falso sifto. 
Desde a chegada do sifto que a deusa Ísis se começou a sentir desconfortável. Não sabia explicar, mas algo na água se fazia conduzir que lhe transmitia um mau estar. Tendo consciência de que era a deusa da magia, Ísis fez irradiar magia por todo o espaço de MassiftonRá, no propósito de obter uma resposta que lhe desse a justificação para aquele seu mau estar; e rapidamente a magia se começou a canalizar para o sifto que se encontrava ali. A deusa Ísis concentrou então toda a sua atenção e energia naquele peixe, e lentamente, mas conclusivamente, começou a sentir que, camuflada por debaixo de todas as vibrações que emanavam do sifto, existia uma energia incomodativa, a fonte do seu desconforto. Sem que isso fosse pressentido pelo sifto, a magia de Ísis começou a inspeccionar a energia camuflada, lendo-a como a um livro que, ganhando vontade própria, se recusava a ser lido. E subitamente a deusa Ísis estremeceu. Reconhecera a energia camuflada! E num ímpeto, disse:
-         Sifto, explica-nos como descobriste o nome do sumo sacerdote.
-         Foi fácil. Introduzi-me no palácio do faraó...
-         Mas porque razão o fizeste, sifto?- perguntava Amon-Rá- eu posso compreender que me queiras agradar, mas isso é uma insubordinação. Os siftos têm de se limitar às ordens que eu lhes dou.
-         Não sejas injusto para com os teus siftos, Amon- disse a deusa Ísis.
-         E deixo passar esta indisciplina, sem nada dizer?- perguntava Amon-Rá com semblante de zangado.

-         Ao que tu te referes seria uma indisciplina, se esse peixe fosse um sifto, o que não é o caso- disse a deusa Ísis com ironia...(em continuação, pág. 68, ex. XXIX)

in A Causa de MassiftonRá

Novembro/2005

domingo, 9 de julho de 2017

XIX JANELA SOBRE O MEU PAÍS- AVEIRO, JERÓNIMO PEREIRA CAMPOS- FÁBRICA E TURISMO

Aveiro, Fábrica de Cerâmica Jerónimo Pereira Campos, em finais do séc. XIX, um pólo industrial, onde apenas havia lugar ao esforço do braço forte do povo.
Cem anos depois, Fábrica de Cerâmica Jerónimo Pereira Campos, pólo da indústria mental, onde a intelectualidade debate as suas idéias, um dos mais atractivos pólos turísticos de Aveiro, ali, no Cais da Fonte Nova.

Bem Vindos a Aveiro!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

CAPAS NEGRAS ROÇANDO A IDADE ANTIGA DAS PEDRAS DA SÉ VELHA, NA TRADIÇÃO COIMBRÃ

As pedras centenárias e gastas da calçada da Sé Velha mais uma vez serão pisadas pela tradição coimbrã. Capas negras, novas e velhas, roçando a idade antiga das pedras, envolverão de emoção os corações que cobrem, corações de estudantes, que ao som do trinado das guitarras tornarão eterno o fado Hilário.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

PTAHKNOR, A EXECUÇÃO DE UMA GRAVÍSSIMA FALTA

...Então Seth retomou a forma de peixe, pressionou o estômago conforme a indicação de Ptahknor, e imediatamente viu o seu corpo de tiláquia ser contornado por uma luz azulada.
-         Agora és um perfeito sifto- disse o crocodilo Bhokurac.
-         Muito bem. Sendo assim estou pronto para avançar- afirmou Seth.
-         Não te esqueças do nosso acordo.
-         Fica descansado, Ptahknor. Amon-Rá terá razões para destituir o deus Sobek e dar-te esse cargo.
E o deus Seth, disfarçado em sifto, avançou na direcção do mundo submerso dos deuses, o paradisíaco MassiftonRá.
Ptahknor, por momentos, ficou a ver aquele falso sifto a avançar para um mundo que lhe estava interdito. Sabendo-se conivente com aquela grave transgressão à vontade de Amon-Rá, o crocodilo Bhokurac preferiu não continuar a ver a execução da sua gravíssima falta, pelo que decidiu voltar costas ao avanço de Seth, saindo dali rapidamente, desaparecendo na escuridão das águas do Nilo.
Entretanto Seth avançava. Eram já visíveis as paredes aquáticas, iluminadas e translúcidas de MassiftonRá. Naquele ponto, apenas era permitida a presença ao deus crocodilo Sobek e aos siftos. Aos restantes crocodilos guardiães, Taaril e aos dois Bhokurac, era já zona interdita.
Seth nadava pelo meio de inúmeros siftos, que se deslocavam de um lado para o outro. Sabia que se um sifto quisesse entrar em MassiftonRá, teria de pedir permissão a Amon-Rá, através de mensagem telepática; e foi o que Seth fez. Aguardou algum tempo pela resposta, que por fim acabou por chegar, autorizando a sua entrada. Seth avançou e deliciou-se com as vibrações subtis que atravessavam o seu corpo.

Bem no interior do mundo dos deuses lá foi encontrar a sua mãe, o seu pai e os seus irmãos, entre todos os outros deuses. Sentiu uma momentânea tristeza por não poder pertencer àquele mundo. Por isso mesmo aquela tristeza deveria ser compensada com uma doce vingança...(em continuação, pág. 67, ex. XXVIII)
in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005