...A minha vida, em Coimbra, era regulada pelo padrão eclesiástico do convento de Santa Cruz. Embora não tivesse intenções de me dedicar à vida do sacerdócio, tinha de viver consoante as regras pelas quais era regulamentada a vida dos frades. Enquanto o reino lambia as feridas deixadas pelos franceses e o povo tentava sobreviver numa terra devastada, a minha existência como que decorria dentro de um casulo, preocupando-me apenas em absorver conhecimento, completamente abstraído das convulsões que, no exterior do convento, tinham lugar.
Durante esses oito anos fui visitar os meus pais apenas em quatro ocasiões. Em cada uma delas, os meus pais encontravam-me sempre diferenças: mais alto e mais homenzinho. Eu gostava de apreciar o reboliço que ia por Malhal de Sula, e já com quinze anos, numa das vezes que visitei os meus pais, quis participar nos trabalhos da lavoura, quis ter a noção do que seria ser lavrador como o meu pai, pretendi, enfim, dar-me a conhecer àquele chão que um dia iria ser meu. Mas o meu pai disse-me, com um sorriso, que os doutores não tinham sido feitos para amanhar terras. Não queria que eu, ao pegar num cabo de enxada, rebentasse mãos tão mimosas, sem calosidades, mãos que haviam sido feitas para apalpar barrigas de gente e mexer em instrumentos complicados.
E eu nunca soube o que custou fazer de Malhal de Sula uma terra fértil.
Entrei finalmente na universidade. Ao despedir-me de frei Lourenço, com os olhos rasos de lágrimas, não tinha a verdadeira noção do quanto a minha vida iria mudar.
No lugar em que me encontro já algumas vezes me cruzei com frei Lourenço. Faz parte do meu grupo espiritual. Como frade, viveu ele a sua última experiência terrena. Nessa época, frei Lourenço foi uma pessoa muito influente na minha vida, a quem devi a base sólida da minha formação. Pena foi que a causa que abracei então, o liberalismo, tivesse considerado frei Lourenço uma inutilidade. Mas, mais uma vez, liberalismo era coisa de política, e como a política foi criada pelos homens, logo o liberalismo não podia ser perfeito.
Ao entrar na universidade, tomei contacto com uma cidade que desconhecia, embora lá vivesse havia oito anos.
Através da velha universidade de Coimbra tive acesso a toda uma cidade que fervilhava de paixão, romantismo, tradição. As tricanas do Mondego inundaram de beleza a minha vida. Por duas ou três dessas tricanas bateu fortemente o meu coração apaixonado, em noites de lua cheia, tão próximo que estava do astro brilhante, num céu de escura magia, sentado numa lapa do Penedo da Saudade; senti o encanto das ruas empedradas e estreitas da Alta, como a Rua da Matemática ou a Rua da Ilha, paredes meias com a imponente Sé Velha; o Mondego, cujas águas feitas de saudade, me transmitia uma melancolia saborosa, quase me transformando em poeta. Rio que dá liberdade à mente, a solta, a faz vibrar, a aproxima do que mais belo há no ser. Não há no mundo outro assim; e a sempre eterna rivalidade entre nós, estudantes de Coimbra, e os futricas, potenciais maridos das tricanas. Quantas disputas foram resolvidas a varapau! Cabeças rachadas, sangue que corria, a capa negra rasgada, a tradição que se impunha…e os ecos do liberalismo, que varreram a velha academia com um ímpeto avassalador. Ali não existia um único coração que não fosse anti-britânico. Sentia-se que as invasões francesas eram coisas do passado, como se tivessem ocorrido há muitos anos. Impunha-se… exigia-se o regresso de El-Rei D. João VI ao reino. E o rei acabou por vir… e com ele, veio a guerra…uma vez mais...(em continuação, pág. 18, ex. VIII)
in ALMA DE LIBERAL
Junho/2009
Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
UMA ADVERTÊNCIA DE HÓRUS

...O palácio do faraó estava mergulhado na semi-obscuridade. O sol há muito que se pusera. Em vários pontos do palácio ardiam archotes, que transmitiam a pouca luz com que o enorme palácio era iluminado. Amenhotep, o quarto, andava embrenhado com os preparativos da coroação da sua rainha. Enquanto o não fosse, Nefertiti dormiria num quarto bem afastado do dele. O faraó escolhera algumas aias, filhas de altos funcionários do reino, vizires e hatiuás, para iniciarem Nefertiti na sua futura condição de rainha, ensinando-lhe os preceitos básicos da realeza. O palácio ficara inundado por esbeltas ninfas, que enchiam o palácio real de gargalhadas doces, bem femininas, transmitindo ao faraó um enorme sentimento de volúpia. E fora com esse sentimento que o faraó se lançara para a sua cama, ouvindo, ao longe, as aias que brincavam entre si, rindo… preenchendo a sua bela Nefertiti de sentimentos superiores, preparando-a para a coroa. Lá fora o povo cantarolava, os burros zurravam, o Nilo corria belo, as brisas do deserto passavam quentes, o Egipto acontecia…e a sua futura rainha ali estava, tão perto dele, pronta a fazê-lo feliz, a ajudá-lo a tornar-se um faraó resplandecente, poderoso, dono de tudo e de todos, do povo, do Nilo, do deserto, das pirâmides, da história… dos deuses!
Sim, claro, lá havia alguém mais poderoso no Egipto do que o faraó? Amon-Rá?! Balelas!! Ia encerrar o templo de Amon em Tebas! E o que faria com o Sumo-Sacerdote estrangeiro? E se fizesse dele um escravo!? Considerava ser uma boa opção!
E estendido na sua cama, com as mãos cruzadas por debaixo da cabeça, sentindo a brisa quente do deserto que entrava pela janela do seu quarto, o faraó sorria.
- Achas que tens motivos para sorrir?
Ao ouvir a voz que fizera tal pergunta, o faraó estremeceu de susto. Um archote existente ao fundo do quarto dava pouca luminosidade. Por essa razão o faraó saltou da cama e procurou a sua adaga. Foi então que viu uma figura tomar forma mesmo ao fundo da sua cama. Era o deus Horus, que o fitava com o seu olhar penetrante de falcão.
- Deus Horus… que susto me pregaste; mas a tua presença consola-me.
- Estás satisfeito por me veres?- perguntou Horus.
- Bastante! É bom termos na nossa presença o nosso protector- respondeu o faraó.
- Pouca protecção Horus pode dar ao faraó, se o faraó não se souber proteger a si próprio- retorquiu o deu Horus, dando ás palavras uma entoação de impotência.
- O que queres dizer com isso?- perguntou intrigado o faraó.
- Sabes Amenhotep, o quarto, na verdade a minha função é dar protecção espiritual e intelectual aos faraós, a ti. É o que estou a tentar fazer neste momento. Mas tens de ter algo bem presente: eu devo lealdade ao deus supremo Amon-Rá. Não posso pois proteger quem lhe não tem o devido respeito.
- Estás a insinuar que eu faltei ao respeito a Amon-Rá?
- Nefertiti, a sacerdotisa, vive no teu palácio?- Perguntou Horus.
- Sim, vive- respondeu o faraó secamente.
- Então eu não insinuo, eu afirmo que tu faltaste ao respeito a Amon-Rá.
- Como pode Amon-Rá dar-se ao direito de se sentir ofendido por eu lhe ter subtraído uma sacerdotisa, quando ele escolheu para seu Sumo-Sacerdote um estrangeiro!?
- Atenção Amenhotep, o quarto, pondera melhor o que dizes. Tu não estás a falar de um mortal, tu estás a questionar a conduta do deus supremo do Egipto- disse Horus em tom de desagrado.
- Tu estás equivocado, Horus. O deus supremo do Egipto sou eu.
- Cala-te desgraçado- disse Horus rispidamente- Amon-Rá é a continuação do grande criador da terra egípcia, Aton. Ao lado de Amon-Rá tu mais não és do que um grão de poeira.
- Horus, estou a ver que és muito mau diplomata. Se vieste com o propósito de me convenceres a devolver Nefertiti, só fizeste disparates.
- Assim que me acerquei do teu palácio, pressenti nos fluidos que emanas o fracasso da minha missão; mas tinha de te olhar nos olhos. Não tens perfil algum para faraó. Em ti apenas existe prepotência e arrogância. Mas se pensas que vais conseguir reinar sem a protecção de Amon-Rá, sem o apoio de MassiftonRá, prepara-te para seres o faraó dos gafanhotos do deserto, porque a terra egípcia te renegará.
- Vai-te Horus, rosto de falcão- berrava o faraó- eu sou descendente de uma alta linhagem, do mais puro e valioso que o Egipto jamais viu. Nas minhas veias corre o sangue que deu vida ás imponentes pirâmides…
- Amenhotep, o quarto, tu não passas de um momento de criação dos deuses; apenas és um sopro da sua vontade- disse Horus, ao mesmo tempo que esticou em frente, com rapidez, os seus braços musculados, originando uma onda de choque, que propagando-se pelo ar, bateu em cheio no peito do faraó, fazendo com que este fosse violentamente arremessado ao chão- vês como eu te domino tão facilmente- disse Horus, desaparecendo.
- Nefertiti será rainha no Egipto, anuncia-o a Amon-Rá; e diz-lhe também que o Sumo- Sacerdote estrangeiro vai ser meu escravo pessoal. Faço questão disso… e Amon-Rá que o impeça se for capaz. Eu sou deus na terra. Eu sou o Egipto- gritava o faraó, enquanto se levantava, humilhado.
- Divino senhor, em que te posso servir?- disse um escravo do palácio, que alertado pelos gritos do faraó, acorreu em seu auxílio.
- Desaparece daqui imbecil, antes que eu próprio te corte a cabeça- respondeu o faraó ao solicito escravo.
Horus se fora mas ainda ouvira as palavras gritadas do faraó. Levava o coração muito triste. Pela primeira vez, desde que Aton projectara o Egipto, de MassiftonRá saíra uma péssima decisão, que dava pelo nome de Amenhotep, o quarto...(em continuação, pág. 37, ex. XII)
in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ
Novembro/2005
Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
UM ERRO NA SELECÇÃO NATURAL DA MAET

Finalmente Amon-Rá saiu da sua profunda reflexão e dirigiu-se para uma zona de MassiftonRá, onde os deuses se encontravam concentrados. Amon-Rá dirigiu-se ao ancião deus Aton.
- Aton, na tua infinita experiência, algum momento houve em que te tenhas sentido menos capaz de lidar com um problema que os homens te tenham colocado?
Todos os deuses fixaram Amon-Rá com perplexidade. Mas que raio de pergunta era aquela?
- Não Amon- respondeu o deus Aton imediatamente - os homens nunca foram, nem nunca hão-de ser capazes de criar embaraços a um deus. Os homens são um enorme amontoado de carne e ossos, iluminados apenas por uma centelha mental. Ao contrário, o deus, todo ele é mente, propagação constante e infinita de energia; no entanto, quando o Egipto sofreu a invasão dos Hicsos, tenho de reconhecer que tive algumas dores de cabeça, que, bem vistas as coisas, foram resultado apenas de um maior fluxo de trabalho, no sentido em que tive de despender de muita energia para ajudar o faraó a manter intactas as raízes da estrutura mental do Egipto, perante as influências culturais do povo invasor. Mas só isso. Porquê essa pergunta?
- E se esse homem que te colocasse um problema fosse o faraó ? – Insistiu Amon-Rá em questionar Aton.
- Não te percebo Amon. Os faraós não colocam problemas aos deuses. Os faraós anseiam pelas bênçãos dos deuses!
- Então estamos na presença de um faraó que nunca o deveria ter sido- exclamou Amon-Rá.
- Referes-te a Amenhotep, o quarto?- perguntou o deus Aton.
- Exactamente. Amenhotep, o quarto, teve a ousadia de subtrair uma das minhas sacerdotisas do templo de Tebas, e levá-la para o seu palácio. Quer fazer dela a sua rainha.
- Perdão- disse o deus Horus, com a incredulidade estampada no seu rosto de falcão.
- É o que tu ouviste, Horus. O faraó, a quem tu deves proteger e aconselhar, está a cometer esse acto. Foi-me transmitido pelo meu Sumo-Sacerdote Masahemba; e o sifto encarregue de recolher as emanações, apenas encontrou sentimentos de raiva. Teve de sair do templo rapidamente. Eu sei que tenho de tomar uma atitude, mas qual? O faraó não é um humano qualquer! Ele é o rosto do Egipto.
- Agora compreendo a tua pergunta- disse Aton- quando eu projectei o Egipto, dei aos faraós o poder psíquico necessário para estarem alguns degraus acima dos restantes homens, com a finalidade de os homens que formam o povo egípcio reconhecerem no faraó um ser superior, iluminado, e por conseguinte de se sentirem subjugados perante o seu superior intelecto, e como tal, o aceitarem como o seu guia. Mas não disse aos faraós que eles tinham o direito de se equipararem aos deuses; até porque não se equiparam! Os faraós são mortais!
- Mas consideram-se os deuses na terra- exclamou Amon.
- E foi assim que eu quis que eles fossem sentidos. Mas o faraó ser deus na terra é uma coisa; o faraó ser deus no seio dos deuses… aí, alto! O faraó em funções tem de ser colocado no seu lugar ou então destituído do trono.
- Destitui-lo do trono seria uma atitude demasiado prepotente da minha parte- disse Amon- porque, o faraó, não está a colocar em risco a integridade do Egipto ao roubar uma sacerdotisa ao templo. Ele apenas está a pôr em questão a sua submissão a mim. Amon-Rá é um deus amado, por isso quero continuar a sê-lo.
- Mas é um mau indicativo o facto do faraó ter a ousadia de te provocar de uma forma tão directa. Se a sua índole lhe permite fazer isso com o deus supremo, o que não poderá ele fazer com o seu povo?
- Essa observação é bastante pertinente- exclamou Amon-Rá- mas tudo ao seu tempo. De momento apenas lhe tenho de fazer sentir o quanto estou aborrecido. Ele é jovem, pode ser que reconsidere.
- E tu aceitarias de novo a sacerdotisa, depois de ter sido tocada por um homem?- perguntou a deusa Ísis.
- Caso o queira, pode, pois o homem que lhe tocou foi o faraó, que tem a nossa chancela divina- respondeu Aton.
- Bem, sendo assim, vou actuar com diplomacia. Horus, tu que estás encarregado de apoiares os faraós nas suas missões de governação, ficas incumbido de contactares o faraó Amenhotep, o quarto, e de perceberes as razões que o levaram a cometer tal loucura, bem como de o persuadires a devolver a sacerdotisa Nefertiti. E por agora chega. Hoje a minha alimentação vai ser de qualidade inferior, já que apenas me vou alimentar de emanações de simples oráculos do povo, pois o tabernáculo do templo não me foi benéfico, o que à partida me traz um certo cansaço.
E Amon-Rá retirou-se. Os restantes deuses ainda conversaram um pouco mais sobre o assunto, tendo chegado a um consenso: poderia ali estar a germinar um sério problema!
Aton, o deus ancião, estava perplexo. Fora ele o criador da força mental que estava na base da existência do Egipto. Como tinha sido possível que a selecção natural da Maet tivesse permitido que aquele indivíduo chegasse a faraó? Pela primeira vez, o seu estruturado projecto da criação demonstrava uma falha. Mas, ele já cumprira a sua missão. Ao ter sido substituído por Amon-Rá, Aton sentia que o lugar do deus supremo continuava a ser muitíssimo bem ocupado. Amon-Rá tinha capacidade para fazer frente a este desafio, com que, ele próprio, Aton, nunca se vira confrontado… felizmente! (em continuação, pág. 33, ex XI)
in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005
Sábado, 6 de Novembro de 2010
PARA LÁ DA MÚSICA
A música, e não a política, é que deveria tomar conta dos destinos da humanidade. Principalmente, porque a música, para se fazer notar, não necessita de riqueza material. A sua riqueza é a alma. E a alma está a fazer falta à humanidade.
Domingo, 31 de Outubro de 2010
DE REGRESSO

...Ligado a um ventilador, Serôdio confiava que a máquina lhe mantivesse a vida.
Em resultado das agressões de que fora vítima, sofrera múltiplas lesões: costelas partidas, fractura de um braço, fractura da cana do nariz e o pior de tudo- aquela violenta pancada com a cabeça na esquina da parede provocara-lhe traumatismo craniano, pelo que havia três meses que se encontrava em coma profundo.
A principio a sua mãe achara que era ilusão de óptica, mas depois confirmou que afinal era verdade. Serôdio mexia a mão direita e nos seus lábios havia movimento.
A mãe de Serôdio saiu a correr do quarto do hospital a fim de avisar alguém. Sim, era verdade, Serôdio acordava lentamente e finalmente regressava à vida.
A mãe e dois médicos que agora o rodeavam estavam ansiosos por saberem em que estado físico ele se encontrava, depois de regressar da batalha que durante três meses mantivera com a morte.
Os globos oculares movimentavam-se por debaixo das pálpebras fechadas. As mãos e os pés mexiam-se energicamente, o que era um óptimo sinal. A sua parte motora em principio não fora afectada. Restava saber como estaria a sua condição sensorial e principalmente a intelectual.
Enquanto Serôdio era avidamente observado pela mãe e pelos médicos, ele próprio ia, segundo a segundo, tomando consciência do seu corpo. Na mente bailavam-lhe imagens confusas de uma linda senhora vestida de branco, de rostos amigos que antes não vira e de uma certa mensagem relacionada com uma tal alma gémea, a sua alma gémea, que o acompanhava havia muitos séculos. Era incrível! E essa alma gémea era... sim, era ela, não tinha dúvidas nenhumas... D. Silvina.
No despertar para a vida, no meio do movimento brusco dos olhos ainda fechados e de espasmos musculares, Serôdio ia balbuciando: « D. Silvina... Silvina... alma gémea».
- O meu filho pronunciou o nome Silvina- comentava a mãe de Serôdio, fixando os médicos com um olhar que demonstrava um misto de felicidade e estranheza- quem será esta Silvina?
- A senhora não deve ligar importância ao que o seu filho diz, mas à forma como fala. Parece que articula bem as palavras. O resto são apenas reacções a um estado profundamente traumático, do qual finalmente se liberta- explicou um dos médicos.
- Sim, só pode ser isso- disse D. Amélia, mãe de Serôdio, que teria ficado muito feliz se em vez de ouvir «Silvina» da boca do filho que despertava de um coma profundo, antes tivesse ouvido a palavra «mãe»...(em continuação, pág. 55- ex. XVII)
in FILHOS POBRES DA REVOLTA
Março/2003
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
ESPREITANDO A ETERNIDADE
...Para espanto de Serôdio, o modo de locomoção era algo incrível. Flutuavam!! Guiado por aquela bela e misteriosa senhora, Serôdio ia passando por cenas que à sua frente se iam projectando em telas invisíveis. Aquelas cenas não lhe eram desconhecidas... eram-lhe até muito familiares. Serôdio viajava pela sua própria vida. Estava-lhe a ser feita uma retrospectiva de tudo o que ele fizera na vida, até àquele momento.
- Isto è fantástico- dizia Serôdio.
- Reconheces aquela criança?- perguntou a senhora de branco, referindo-se a imagens que surgiam de um menino que se baloiçava num balancé.
- Aquele sou eu. Lembro-me perfeitamente. E ali está o ... o meu irmão! È verdade, eu tenho um irmão. Onde è que ele anda que nunca mais o vi?
- O teu irmão irá fazer parte de um momento crítico da tua vida futura.
- Um momento crítico?
- Sim, será uma prova para ti e para ele.
- Mas, se somos irmãos, que prova poderá ser essa?
- Vocês são irmãos, mas nesse momento futuro não se irão lembrar disso.
- Não?
- Não, porque o teu irmão embora saiba que existes, não te vê desde que eras uma criança, aquela criança que há pouco pudeste observar. O teu irmão não te irá reconhecer. Pelo teu lado, tu não te vais lembrar sequer que tens um irmão.
- Mas se me lembro agora!
- Enquanto encarnado lembraste-te?
- Não.
- Pois vais voltar a esquecê-lo- afirmou a senhora.
- Porque razão deixou o meu pai que eu me esquecesse do meu irmão?
- Tu e o teu irmão não são filhos do mesmo casamento. Vocês têm mães diferentes. O teu irmão è quinze anos mais velho do que tu. Um dia, em conversa, o teu pai e o teu irmão discutiram. O teu pai criticou a ex-mulher e o teu irmão defendeu a mãe. O teu irmão decidiu então não mais ver o pai. Já está arrependido, mas passaram-se muitos anos. O teu irmão já criou raízes no afastamento do pai. Foi uma decisão muito má, essa que o teu irmão tomou. O teu pai sofre com isso, mas perdeu o paradeiro do filho mais velho. Não se vêem há catorze anos.
- E o meu irmão lembra-se de mim?
- Sim, ele sabe que tu existes em algum lugar.
- Sinto-me tão bem com tudo isto que a senhora me revelou. Posso saber quem è?
- Eu? Eu sou a tua permanente amiga. Fui encarregada de te acompanhar nesta paragem desta tua vida terrena.
- Quer dizer então que a minha vida vai continuar?
- Sim, o teu Karma precisa de ser completado. Quando reencarnaste no corpo que tens hoje, obrigaste-te a padeceres algumas dificuldades.
- E em alguma delas vou cruzar-me com o meu irmão?
- Assim será. Como já te disse, será uma prova para os dois. Reconheces a tua alma gémea?
- Eu... a minha alma gémea...
- Esforça-te um pouco. Lembrarte-ás. Agora vamos viajar. Existem espíritos teus amigos que estão ansiosos por comunicarem contigo.
- Quem são?
- Quando os vires logo os reconhecerás. E vais recordar ainda alguns momentos de algumas vidas passadas. Aproveita este pequeno intervalo nesta tua vida para fazeres um balanço de ti mesmo, fazeres uma revisão de toda a matéria que vai preencher os teus dias futuros, tomares consciência do nível em que está a tua espiritualidade e repores energia, a energia que vem do Alto e que a todos consola. Vamos?
E Serôdio embrenhou-se na eternidade...(em continuação- pág. 53- ex. XVI)
in FILHOS POBRES DA REVOLTA
Março/2003
- Isto è fantástico- dizia Serôdio.
- Reconheces aquela criança?- perguntou a senhora de branco, referindo-se a imagens que surgiam de um menino que se baloiçava num balancé.
- Aquele sou eu. Lembro-me perfeitamente. E ali está o ... o meu irmão! È verdade, eu tenho um irmão. Onde è que ele anda que nunca mais o vi?
- O teu irmão irá fazer parte de um momento crítico da tua vida futura.
- Um momento crítico?
- Sim, será uma prova para ti e para ele.
- Mas, se somos irmãos, que prova poderá ser essa?
- Vocês são irmãos, mas nesse momento futuro não se irão lembrar disso.
- Não?
- Não, porque o teu irmão embora saiba que existes, não te vê desde que eras uma criança, aquela criança que há pouco pudeste observar. O teu irmão não te irá reconhecer. Pelo teu lado, tu não te vais lembrar sequer que tens um irmão.
- Mas se me lembro agora!
- Enquanto encarnado lembraste-te?
- Não.
- Pois vais voltar a esquecê-lo- afirmou a senhora.
- Porque razão deixou o meu pai que eu me esquecesse do meu irmão?
- Tu e o teu irmão não são filhos do mesmo casamento. Vocês têm mães diferentes. O teu irmão è quinze anos mais velho do que tu. Um dia, em conversa, o teu pai e o teu irmão discutiram. O teu pai criticou a ex-mulher e o teu irmão defendeu a mãe. O teu irmão decidiu então não mais ver o pai. Já está arrependido, mas passaram-se muitos anos. O teu irmão já criou raízes no afastamento do pai. Foi uma decisão muito má, essa que o teu irmão tomou. O teu pai sofre com isso, mas perdeu o paradeiro do filho mais velho. Não se vêem há catorze anos.
- E o meu irmão lembra-se de mim?
- Sim, ele sabe que tu existes em algum lugar.
- Sinto-me tão bem com tudo isto que a senhora me revelou. Posso saber quem è?
- Eu? Eu sou a tua permanente amiga. Fui encarregada de te acompanhar nesta paragem desta tua vida terrena.
- Quer dizer então que a minha vida vai continuar?
- Sim, o teu Karma precisa de ser completado. Quando reencarnaste no corpo que tens hoje, obrigaste-te a padeceres algumas dificuldades.
- E em alguma delas vou cruzar-me com o meu irmão?
- Assim será. Como já te disse, será uma prova para os dois. Reconheces a tua alma gémea?
- Eu... a minha alma gémea...
- Esforça-te um pouco. Lembrarte-ás. Agora vamos viajar. Existem espíritos teus amigos que estão ansiosos por comunicarem contigo.
- Quem são?
- Quando os vires logo os reconhecerás. E vais recordar ainda alguns momentos de algumas vidas passadas. Aproveita este pequeno intervalo nesta tua vida para fazeres um balanço de ti mesmo, fazeres uma revisão de toda a matéria que vai preencher os teus dias futuros, tomares consciência do nível em que está a tua espiritualidade e repores energia, a energia que vem do Alto e que a todos consola. Vamos?
E Serôdio embrenhou-se na eternidade...(em continuação- pág. 53- ex. XVI)
in FILHOS POBRES DA REVOLTA
Março/2003
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
NÚMERO 61- CÓDIGO DE CONTACTO
...- Tens recebido noticias do Álvaro?- perguntou a amiga.
- Sim, ele está bem. O meu Álvaro dava um óptimo jornalista, pois manda-me autênticas reportagens de guerra. Apetece-me dizer que tenho África em directo.
- Deve ser óptimo ter um namorado que goste assim de escrever.
- È muito bom- respondeu Catarina- comunicando-se assim constantemente, ele sente-se mais vivo e quase comunga o dia a dia comigo. E eu, pelo meu lado, tenho a responsabilidade de o integrar nas coisas banais e nas coisas importantes que me vão acontecendo, para alimentar essa comunhão. E no tempo que gastamos a escrever cartas, e na ânsia que vivemos em as receber, os meses passam mais depressa. Quase sem darmos por isso já passaram nove.
- Eu acho que quando arranjar um namorado, vou escolher um homem que tenha o serviço militar já cumprido.
- Porquê?- perguntou Catarina, rindo.
- Não gosto muito de escrever. Se o meio de atenuar a saudade fosse apenas através das cartas, iria fazê-lo por obrigação e não por devoção, como conviria.
- Estás enganada Isabel. Irias fazê-lo por amor, que è algo totalmente diferente. Irias reparar que a lapiseira quase escreveria sozinha. E se amasses verdadeiramente o teu namorado, irias compreender que as cartas seriam o único meio que vos restava de se amarem.
- És feliz Catarina?
- Se sou feliz? Sob certas condicionantes posso dizer que sim. Tenho uns pais maravilhosos, tenho os meus amigos, tenho-te a ti, tenho-o a ele através dos aerogramas- dizia Catarina que com um pálido sorriso fixava o rosto da amiga. Esta segurou-lhe nas mãos e apertando-as disse-lhe:
- Querida amiga, podes sempre contar comigo. Mas agora tenho de me ir embora. Está a chegar a hora do eléctrico. Ficas?
- Sim, fico. Vim para estudar um pouco.
- Então até amanhã Catarina.
Ali, no primeiro andar, apenas mais duas mesas estavam ocupadas. Era estranho entabular-se uma conversação com um amigo, sobre um assunto tão sério, e seguidamente ficar-se só. Era como se esse amigo, por momentos nos tivesse ajudado a enfrentar os adversários da nossa vida, e nós, encorajados com essa ajuda, tivéssemos redobrado as forças. Mas o amigo ia-se embora e compreendíamos que aquela ajuda fora apenas uma ilusão. O adversário, a saudade, era sempre tão forte, tão intenso, tão presente, por mais cartas que se escrevessem.
Catarina ali se manteve por bastante tempo. Após muitas páginas de filosofia estudadas, muitas páginas de sebenta preenchidas com anotações, abandonou o Nicola e nem uma linha lera do livro Contacto. Afinal não sabia porque o trouxera. Eram quase seis da tarde. A noite quase se instalara. A paragem do eléctrico ficava mesmo em frente ao café de onde Catarina acabara de sair. Naquela paragem, instalada no largo passeio, existia grande aglomeração de pessoas. Ali estavam para apanharem as várias carreiras de eléctricos e tróleis que serviam toda a cidade. Para Catarina seria o 4, o que trazia escrito num pequeno rectângulo, na parte superior « Cruz de Celas ». Como o tempo esfriara. Aconchegou melhor o seu grosso casaco preto ao corpo. Os livros tinha-os colados ao peito e abraçava-os. Observava as pessoas que passavam. De vez em quando sorria a crianças que a observavam.
Finalmente surgiu o seu eléctrico. Já levava bastante gente e naquela paragem entraram mais umas quantas pessoas. O condutor do eléctrico, com o pé fez soar um dispositivo sonoro que se encontrava no chão, bem junto a uma base metálica, que suportava uma roda de que o condutor se servia para travar e destravar o eléctrico. Parecia uma roda de leme. Dois fortes batimentos metálicos que o condutor provocara e o eléctrico pôs-se em movimento. Catarina conseguira arranjar um lugar sentada, na parte da frente, junto ao compartimento do condutor. Já existiam alguns passageiros de pé, que de alguma forma atrapalhavam os movimentos do cobrador dos bilhetes, com a sua mala gasta, de cabedal castanho, que trazia a tiracolo e de onde retirava moedas, com as quais ia fazendo os trocos.
Ela não reparara, mas no eléctrico entrara um jovem que a observava intensamente. Era o mesmo que estivera sentado na mesa do café, quando Catarina ali entrara.
Ele tentava disfarçar a sua presença o mais que podia. Aquela loira não podia aperceber-se de que ele ia ali. Se calhar já nem se lembrava. Haviam trocado um olhar tão rapidamente! Ela ficara desconfiada. Mas que raio havia aquele livro ter de tão de especial, que o tivesse obrigado a ele, um jovem rapaz cheio de vida e com um promissor futuro como engenheiro, a aguentar todas aquelas horas meio escondido, aguardando que aquela sujeita saísse do café, obrigando-o a ele a persegui-la no interior de um eléctrico apinhado de gente, para tentar descobrir onde residia ela. O seu pai não era nenhum parvo. Se ele ambicionava ter o livro de capa preta que aquela loira levava no regaço, ele lá sabia porquê.
Chegado o 4 ao Largo da Conchada, no início da Rua António José de Almeida, Catarina saiu. O seu perseguidor atrasou a saída o mais que pôde. Já o eléctrico se punha de novo em movimento quando o rapaz saltou para o exterior. A loira levava-lhe um avanço de cerca de vinte metros. Contornou uns poucos de prédios e entrou numa rua, que abria, formando uma espécie de largo, assinalada com uma placa onde estava escrito « Rua Frei Tomé de Jesus ». Havia necessidade de anotar o nome da rua e foi o que o jovem fez, sem perder de vista a rapariga.
Catarina entrou em sua casa sem nunca se ter apercebido de que era seguida. O jovem deixou que ela desaparecesse no interior da habitação e aproximou-se para ler o número da porta. Era o número 61. Muito bem! O número 61 da Rua Frei Tomé de Jesus correspondia a uma pequena vivenda pintada de vermelho. Anotou a observação e foi-se embora. Caramba, que o pai nunca mais lhe pedisse fretes daqueles. Se ao menos o pai lhe tivesse dado a possibilidade de ele se poder comunicar com a loira!! Agora assim...(em continuação, pàg. 68- ex. XV)
in VISITADOS
Novembro/1999
- Sim, ele está bem. O meu Álvaro dava um óptimo jornalista, pois manda-me autênticas reportagens de guerra. Apetece-me dizer que tenho África em directo.
- Deve ser óptimo ter um namorado que goste assim de escrever.
- È muito bom- respondeu Catarina- comunicando-se assim constantemente, ele sente-se mais vivo e quase comunga o dia a dia comigo. E eu, pelo meu lado, tenho a responsabilidade de o integrar nas coisas banais e nas coisas importantes que me vão acontecendo, para alimentar essa comunhão. E no tempo que gastamos a escrever cartas, e na ânsia que vivemos em as receber, os meses passam mais depressa. Quase sem darmos por isso já passaram nove.
- Eu acho que quando arranjar um namorado, vou escolher um homem que tenha o serviço militar já cumprido.
- Porquê?- perguntou Catarina, rindo.
- Não gosto muito de escrever. Se o meio de atenuar a saudade fosse apenas através das cartas, iria fazê-lo por obrigação e não por devoção, como conviria.
- Estás enganada Isabel. Irias fazê-lo por amor, que è algo totalmente diferente. Irias reparar que a lapiseira quase escreveria sozinha. E se amasses verdadeiramente o teu namorado, irias compreender que as cartas seriam o único meio que vos restava de se amarem.
- És feliz Catarina?
- Se sou feliz? Sob certas condicionantes posso dizer que sim. Tenho uns pais maravilhosos, tenho os meus amigos, tenho-te a ti, tenho-o a ele através dos aerogramas- dizia Catarina que com um pálido sorriso fixava o rosto da amiga. Esta segurou-lhe nas mãos e apertando-as disse-lhe:
- Querida amiga, podes sempre contar comigo. Mas agora tenho de me ir embora. Está a chegar a hora do eléctrico. Ficas?
- Sim, fico. Vim para estudar um pouco.
- Então até amanhã Catarina.
Ali, no primeiro andar, apenas mais duas mesas estavam ocupadas. Era estranho entabular-se uma conversação com um amigo, sobre um assunto tão sério, e seguidamente ficar-se só. Era como se esse amigo, por momentos nos tivesse ajudado a enfrentar os adversários da nossa vida, e nós, encorajados com essa ajuda, tivéssemos redobrado as forças. Mas o amigo ia-se embora e compreendíamos que aquela ajuda fora apenas uma ilusão. O adversário, a saudade, era sempre tão forte, tão intenso, tão presente, por mais cartas que se escrevessem.
Catarina ali se manteve por bastante tempo. Após muitas páginas de filosofia estudadas, muitas páginas de sebenta preenchidas com anotações, abandonou o Nicola e nem uma linha lera do livro Contacto. Afinal não sabia porque o trouxera. Eram quase seis da tarde. A noite quase se instalara. A paragem do eléctrico ficava mesmo em frente ao café de onde Catarina acabara de sair. Naquela paragem, instalada no largo passeio, existia grande aglomeração de pessoas. Ali estavam para apanharem as várias carreiras de eléctricos e tróleis que serviam toda a cidade. Para Catarina seria o 4, o que trazia escrito num pequeno rectângulo, na parte superior « Cruz de Celas ». Como o tempo esfriara. Aconchegou melhor o seu grosso casaco preto ao corpo. Os livros tinha-os colados ao peito e abraçava-os. Observava as pessoas que passavam. De vez em quando sorria a crianças que a observavam.
Finalmente surgiu o seu eléctrico. Já levava bastante gente e naquela paragem entraram mais umas quantas pessoas. O condutor do eléctrico, com o pé fez soar um dispositivo sonoro que se encontrava no chão, bem junto a uma base metálica, que suportava uma roda de que o condutor se servia para travar e destravar o eléctrico. Parecia uma roda de leme. Dois fortes batimentos metálicos que o condutor provocara e o eléctrico pôs-se em movimento. Catarina conseguira arranjar um lugar sentada, na parte da frente, junto ao compartimento do condutor. Já existiam alguns passageiros de pé, que de alguma forma atrapalhavam os movimentos do cobrador dos bilhetes, com a sua mala gasta, de cabedal castanho, que trazia a tiracolo e de onde retirava moedas, com as quais ia fazendo os trocos.
Ela não reparara, mas no eléctrico entrara um jovem que a observava intensamente. Era o mesmo que estivera sentado na mesa do café, quando Catarina ali entrara.
Ele tentava disfarçar a sua presença o mais que podia. Aquela loira não podia aperceber-se de que ele ia ali. Se calhar já nem se lembrava. Haviam trocado um olhar tão rapidamente! Ela ficara desconfiada. Mas que raio havia aquele livro ter de tão de especial, que o tivesse obrigado a ele, um jovem rapaz cheio de vida e com um promissor futuro como engenheiro, a aguentar todas aquelas horas meio escondido, aguardando que aquela sujeita saísse do café, obrigando-o a ele a persegui-la no interior de um eléctrico apinhado de gente, para tentar descobrir onde residia ela. O seu pai não era nenhum parvo. Se ele ambicionava ter o livro de capa preta que aquela loira levava no regaço, ele lá sabia porquê.
Chegado o 4 ao Largo da Conchada, no início da Rua António José de Almeida, Catarina saiu. O seu perseguidor atrasou a saída o mais que pôde. Já o eléctrico se punha de novo em movimento quando o rapaz saltou para o exterior. A loira levava-lhe um avanço de cerca de vinte metros. Contornou uns poucos de prédios e entrou numa rua, que abria, formando uma espécie de largo, assinalada com uma placa onde estava escrito « Rua Frei Tomé de Jesus ». Havia necessidade de anotar o nome da rua e foi o que o jovem fez, sem perder de vista a rapariga.
Catarina entrou em sua casa sem nunca se ter apercebido de que era seguida. O jovem deixou que ela desaparecesse no interior da habitação e aproximou-se para ler o número da porta. Era o número 61. Muito bem! O número 61 da Rua Frei Tomé de Jesus correspondia a uma pequena vivenda pintada de vermelho. Anotou a observação e foi-se embora. Caramba, que o pai nunca mais lhe pedisse fretes daqueles. Se ao menos o pai lhe tivesse dado a possibilidade de ele se poder comunicar com a loira!! Agora assim...(em continuação, pàg. 68- ex. XV)
in VISITADOS
Novembro/1999
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