quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

ANO NOVO, UMA ESPERANÇA CHAMADA GERINGONÇA

Pela primeira vez me aproximo duma passagem de ano na condição de pleno dono do meu tempo. A não ser que haja por aí alguma proposta de trabalho, que me seja deveras aliciante, o mundo apresenta-se-me de forma a dispor dele a meu belo prazer. Mas, muito embora seja mais dono de mim mesmo, isso não faz de mim um homem mais feliz do que era, porque os problemas com que me debatia antes de me reformar, continuam presentes. E nesses incluo, porque sou um cidadão deste mundo, os problemas que o mundo enfrenta e que acabam por serem meus também. Se assim não o sentisse, era um tipo completamente inconsciente. Mas parece-me que os há por aí.
E claro, um dos maiores problemas que o mundo enfrenta neste momento, é sem qualquer dúvida a questão dos atentados terroristas. Qual a fórmula para lhes pôr cobro? Não a conheço, não a imagino sequer, dado a sua génese se basear numa conduta criminosamente cobarde. Parece-me que nós, europeus do século XXI, estamos a pagar a factura das atrocidades cometidas pelos  nossos cruzados dos séculos XI, XII e XIII, na Terra Santa, que de santa nunca nada teve e continua a não ter.  Muito têm de reflectir os responsáveis pela segurança.
Por falar na Terra Santa, é de lá que, na sua grande maioria, fogem daquela santidade demoníaca os muitos e muitos milhares de refugiados que têm invadido a Europa, sem que os nossos governantes tenham dado uma resposta verdadeiramente convincente, ou tenham terminado a sua vida aterrorizada nas águas fechadas do Mediterrâneo, para vergonha da nossa quase solúvel solidariedade.
Como se isto não bastasse aí temos um grande ponto de interrogação vindo dos Estados Unidos. O que virá dali? Se o conteúdo for feito da mesma massa da montra «Trumpesca», acho que muita instabilidade aguarda o mundo.
E o que dizer das alterações climáticas, das atrocidades que as sociedades altamente industrializadas continuam a perpetrar contra o ambiente? Não se iludam. Estamos a produzir agora condições que irão provocar um colapso do planeta para o final deste século. Isso não vos preocupa?
E por cá? Por cá as coisas estão um pouco melhores. Existem aqui e ali nuvens de esperança. Sabem o que é uma geringonça? É uma coisa atamancada! No dizer do PSD/CDS, é uma geringonça que governa o nosso país. Mas o governo deles foi tão fraco, tão fraco, que a geringonça, mesmo sendo uma coisa improvisada, conseguiu fazer um trabalho muitos furos acima do governo Passos-Portas-Cavaco. Devolveu-nos a esperança, devolveu-nos a nossa identidade histórica, soube opor-se com êxito às regras do FMI mostrando que continuamos a ser um povo soberano, e começou a colocar travões ao patronato, que sob as regras do anterior governo já considerava Portugal o paraíso dos paraísos. Assim possa este nosso governo de esquerda continuar nesse trabalho, a fim de devolver a dignidade a milhões de portugueses, que com os seus empregos precários pouco acima do desemprego se encontram.
E começou a tratar de contratar carpinteiros, que venham a conseguir abrir as portas que o anterior governo fechou aos nossos muitos milhares de jovens, que por essa Europa fora buscam a vida que o governozinho de direita lhes negou.
Finalmente dizer que temos um Presidente da República que me surpreendeu com a forma próxima e afectuosa como pratica a sua presidência. Se em tempos houve presidências abertas, Marcelo Rebelo de Sousa tem a presidência escancarada. Politicamente foi-me mostrando quem é e o que sabe, nas suas crónicas domingueiras durantes alguns anos, pelo que, muito embora seja oriundo do Partido Social Democrata, não me suscita apreensões. E eu ainda confio no meu instinto.
Por fim, digo que, deliciosamente, percorro, neste momento, as «arestas da terra e do mar», pelas ruas perigosas de um Portugal de 1960, e navego num lugre feito de aventura, muito trabalho perigoso nos bancos da Terra Nova, solidariedade entre camaradas de beliche de «rancho», e também de esperança, já que essa é sempre a última a morrer, mesmo quando o simples «dizer» era perigoso.

Votos de uma passagem de ano excelente e que 2017 seja para  vós sinónimo de uma vida muito feliz.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

PARA TODOS VOTOS DE UM FELIZ NATAL

A todos os que, durante o ano, vão passando por este humilde blogue, neste sentir natalício bem português, onde tem lugar um simples presépio, feito de ingenuidade e amor, que evolui em placas frias de xisto, que contrasta com o calor ameno de uma lareira, quero expressar os meu votos de um Santo Natal.

BOAS FESTAS! 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

EM OLIVENÇA PEDE-SE DUPLA NACIONALIDADE

Reparo que de vez em quando publico aqui uns textos que tiveram por base programas da RTP. É bom sinal, sintoma de que a televisão pública está a desenvolver um bom papel na informação. E hoje é mais um desses casos.
No passado Sábado à noite, 10 de Dezembro, fui surpreendido com um documentário, no programa «Linha da Frente», sobre Olivença. Estava subjacente a vontade que a RTP teve em trazer a Questão de Olivença para a praça pública, o que registo com enorme prazer.
Como bem sabem, Olivença, uma cidade alentejana e fronteiriça, foi anexada por Espanha em 1801, no desenrolar da Guerra das Laranjas. Foi a ante-câmara das invasões francesas. Já aqui falei nisto. Portugal nunca reconheceu o domínio espanhol em Olivença, e a Espanha, por inércia por parte de Portugal, nunca devolveu a cidade. Fiquei deveras surpreendido por ver, no documentário, que uma grande maioria dos naturais de Olivença estão a pedir a dupla nacionalidade, porque se sentem ligados a Portugal…e conseguem falar o português fluentemente. Aliás, toda a cidade respira lusitanidade, já que os monumentos são praticamente todos portugueses, ostentando as cinco quinas.
Olivença, uma sombra que paira sobre Portugal e Espanha.

Parabéns à RTP!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SUBORNANDO UM GUARDIÃO DE MASSIFTONRÁ

...Ptahknor instintivamente recuou. Embora o seu meio ambiente fosse a água, já ouvira falar na pérfida fama que Seth alcançara no mundo das areias, depois de ter sido expulso de MassiftonRá.
-         Agora compreendo a razão pela qual conseguiste chegar até aqui- disse o crocodilo Bhokurac.
-         E agora que já sabes quem eu sou realmente, manténs-te na disposição de te opores à minha passagem?- perguntou Seth.
-         Se sou guardião de MassiftonRá, agora mais do que nunca devo recorrer a todas as minhas capacidades para exercer a minha função.
-         Reconheço que mereces o lugar que ocupas- disse Seth, elogiando a atitude de Ptahknor.
Seth sabia que nada lucrava em eliminar aquele Bhokurac. Se o fizesse alertaria todas as forças defensivas do mundo dos deuses; por isso mudou de estratégia.
-         Ptahknor, lembras-te do tempo em que eu vivi em MassiftonRá?
-         Sim, recordo-me bem; e sei que não és bem vindo aqui. Qual é o sentido da tua presença nestas paragens?
-         Vejo que ocupares o lugar de Bhokurac te deu arrogância para me interpelares desse modo. Posso ser um renegado, mas continuo a ser um deus. No entanto, essa tua característica só demonstra que és ousado, inteligente e ambicioso.
-         Obrigado pelo elogio- disse Ptahknor, enquanto a sua cauda balançava nervosamente.
-         Eu também me lembro bem de ti, mais até do que do teu parceiro, o Bhokurac Belthaknor. E sabes porquê? Porque sempre considerei seres muito mais inteligente e competente do que ele. Aliás, tu ultrapassas em dinamismo o próprio deus Sobek. O deus Sobek não era capaz de me fazer frente de uma forma tão ostensiva como tu o estás a fazer, caso fosse ele que estivesse aí no teu lugar.
-         Achas isso?- perguntava Ptahknor, visivelmente lisonjeado.
-          Sem dúvidas nenhumas. Já alguma vez te passou pela cabeça vires a ser tu o deus Sobek, o senhor do Nilo?
-         Eu? Não, não tenho aptidões para tanto.
-         Não tens? Achas que possuíres a capacidade de descobrires que eu não era um sifto, não é teres aptidões para substituíres o deus crocodilo Sobek? Que mais necessitas para dominares as águas do rio Nilo?
-         Preciso de apoio- disse o crocodilo Bhokurac.
-         E queres vir a ser Sobek, o deus crocodilo?
-         Claro que quero!
-         Então tens o meu apoio.
-         E de que me serve o teu apoio? Em MassiftonRá tu não és coisa nenhuma.
-         Eu não, mas os meus serviços talvez façam maravilhas.
-         E que serviços são esses?- perguntou Ptahknor.
-         Bem, isso só a mim diz respeito. Se queres vir a ser Sobek, o deus crocodilo, só tens de me deixar passar.
-         À vontade, mas vais disfarçado de sifto, não vais?
-         Claro. No entanto, no meu disfarce algo falta, pois tu conseguiste detectar-me. O que é?
-         Falta-te uma auréola.
-         Uma auréola?! E tu serias capaz de me arranjar uma?
-         Sim, retendo alguma da energia que percorre estas águas, canalizando-a para ti, logo ficarás preenchido com uma.
-         E consegues fazer isso?

-         Já a tens- disse o crocodilo Bhokurac- pressiona o teu estômago de peixe e vê o que acontece...(em continuação, pág. 65, ex. XXVII)

in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

DE NOVO O MUITO NOSSO 1º DE DEZEMBRO

Amanhã é dia 1 de Dezembro. O Governo anterior tudo fez para que este fosse um dia tão banal como qualquer outro. Mas não é. Há 376 anos que o não é. Todos sabemos porquê, ou deveríamos ter a obrigação de o saber, pois se tratou da Restauração da nossa Independência em 1640, após sessenta anos de ocupação espanhola.
 Agora, graças à esquerda portuguesa, amanhã volta a ser o 1º de Dezembro, feriado nacional. Este dia tem algo novo para contar, que se vai juntar à sua história: a tentativa de um punhado negro de portugueses (para não lhes chamar algo bem mais sinistro) depois de quase trezentos e oitenta anos, fazer cair no esquecimento um dos momentos mais gloriosos de Portugal. É imperdoável!

Vivam os Restauradores da Independência de 1640. Viva Portugal!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

NOTAS AMADORAS DE UMA HISTÓRIA QUE TAMBÉM É MINHA- 1129 CASTELO DE SOURE E OS TEMPLÁRIOS

Em 1129 D. Afonso Henriques entregou o Castelo de Soure (que havia sido construído pelo seu pai, o Conde D. Henrique, em 1111) aos cavaleiros Templários, para que estes tomassem nas suas mãos a defesa da região de Coimbra das investidas dos Sarracenos, vindas do Sul. D. Afonso Henriques, em simultâneo, criava as fundações de uma nação e colaborava na reconquista cristã da Península Ibérica.

         Esta terá sido a primeira de algumas alianças que D. Afonso Henriques fez com os Cavaleiros do Templo, os quais fizeram do Castelo de Soure a sua primeira sede em Portugal. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

1948- 2016- A VIAGEM DE UMA SUPER LUA

Hoje temos aí uma super lua. É super porque, na sua órbita à volta do nosso planeta, encontra-se mais perto de nós, fazendo com que nos surja maior e mais brilhante. Já tive a oportunidade de constatar isso. E na verdade é deslumbrante. A última vez que tal aconteceu foi em Janeiro de 1948.
A última vez que o ser humano viu assim a lua, a humanidade lambia as feridas de uma guerra assassina que havia terminado há apenas três anos. Que anseios humanos a lua iluminou nessa altura? Sessenta e oito anos depois que aprendizagem humana a lua ilumina na noite de hoje? A que conclusões ela chegará, depois da sua última visita? Que balanço ela fará? Por certo irá reparar que o homem, tecnologicamente, avançou neste espaço de tempo. E a nível da mente? E da moral? Estará ela bem ou mal impressionada?
E nesta noite, em que a lua está como nunca a vi, aqui presto a minha singela homenagem ao primeiro de entre nós, que  numa noite de Julho de 1969, e num pequeno passo para o homem mas num enorme salto para a humanidade, se passeou neste nosso lindo satélite- Neil Armstrong.
  Para os poetas… mas que noite de inspiração que os aguarda.

Para todos, um excelente luar. Aproveitem-no da melhor forma possível, que só daqui a dezoito anos terão outro assim!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

CROCODILO PTAHKNOR, GUARDIÃO DE MASSIFTONRÁ

...Às sensíveis escamas de Seth, transformado em sifto, já chegavam deliciosas vibrações de MassiftonRá. O senhor das areias aproximava-se do seu antigo paraíso. Subitamente, reparou que do seu lado direito avançava rapidamente, em sua direcção, um enorme crocodilo, que demonstrava ter intenções nada amistosas. Mesmo o próprio Seth, transformado naquele frágil peixe, teve um momento de temor. Parou, mas imediatamente se recompôs, criando um campo eléctrico à sua volta. O crocodilo deteve o seu ímpeto, confuso. Seth reconheceu-o . era o Bhokurac Ptahknor.
-         Não te reconheço como um sifto, mas irradias electricidade como eles- disse Ptahknor.
-         Mas eu sou um sifto.
-         Não, não és. Tens é um bom disfarce.
-         Se eu avançasse agora, serias capaz de me atacar?- perguntou Seth.
-         Cortava-te já ao meio. Nunca nenhum peixe comum aqui conseguiu chegar. Que truque usaste para o fazeres?
-         Não usei truque nenhum. Já te disse, eu sou um sifto!
-         Não, não és- e o crocodilo avançou para Seth.
-         Alto, não faças nada de que depois te arrependas!!
-         Eu, arrepender-me de matar um insignificante peixe?
-         Matares um desprezível peixe sei que não é obra que te traga glória. Mas eu não sou um peixe assim tão desprezível, e se tu me atacares, afianço-te que não vais ficar bem tratado.
-         Ó miserável tiláquia, tu tens a ousadia de ameaçares um crocodilo Bhokurac? Eu já te...

Mas não acabou de finalizar a frase, pois à sua frente a miserável tiláquia transformou-se no temido deus Seth. (em continuação, pág. 63- ex. XXVI)
in A Causa de MassiftonRá
Novembro/2005

domingo, 30 de outubro de 2016

XVII JANELA SOBRE O MEU PAÍS- BOTE SOLITÁRIO, A PAZ DA NATUREZA

  No final de um dia quente de verão, movidos pelo reboliço da cidade, é natural que partamos em busca da calma e do silêncio que a natureza, na sua infinita capacidade de nos fazer felizes, sempre nos consegue oferecer.
         No esplendor permanente da imensidão da ria de Aveiro, a água mansa vai beijar as margens da Gafanha da Encarnação, quando o sol rapidamente se desloca para poente, e aí somos bafejados pelos piados melancólicos das gaivotas, que de um bote solitário irão fazer o seu poiso nocturno.
         Abençoada natureza! 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O QUE EM MAFRA SE APRENDE, A MENTE NÃO ESQUECE

...Paralelamente à instrução leccionada nas salas de aulas, existia também a instrução ministrada ao ar livre. E essa dividia-se por várias áreas: educação física, instrução de tiro nas carreiras de tiro, aulas práticas sobre trânsito, onde se aprendiam a melhor postura do corpo para fazer sinal de paragem a um automobilista, a melhor forma de abordar um condutor pedindo-lhe os documentos e a maneira correcta de executar os sinais de trânsito, para aplicar em futuras horas de regularização do tráfego citadino. Por fim existia a instrução de ordem unida e manejo de armas. Nesta área Serôdio estava muito bem preparado, pois todos os militares da Escola Prática de Infantaria de Mafra eram exímios na arte de marchar e no manejo de armas em formatura. Dos vinte e oito guardas provisórios que formavam o seu pelotão, ele era o único cuja formação académica se situava acima da quarta classe, já que era o único que frequentara um liceu e terminara o segundo ano do Curso Complementar. Só por esse motivo era constantemente alvo de atenção por parte dos monitores. Como se só isso não bastasse, o seu modo de marchar também se salientou dos restantes colegas, pois marchava puxando os joelhos bem para cima e alargando substancialmente os passos. Os monitores não queriam aquela forma de marcha e avisaram-no de que deveria corrigir a maneira de dar os passos. Mas ele nunca o fez. Tinha muito orgulho na ordem unida que lhe fora ensinada no «Calhau», em Mafra. Não seriam aqueles labregos que iriam anular esse vínculo à sua vida militar...(em continuação, pág. 85, ex. XXXIII)
in Filhos Pobres da Revolta
Março/2003

domingo, 9 de outubro de 2016

OUTONO NA BAIRRADA

Celebrar a extraordinária beleza do Outono com o melhor espumante português, o da Bairrada, é uma escolha de muito bom gosto.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

ESTE NOSSO PORTUGUÊS NA CONDUÇÃO DA ONU

Por razões de índole patriótica, juntamo-nos aos portugueses que se congratulam com a nomeação do Engº António Guterres para Secretário-Geral da ONU. Cremos que irá prestar um óptimo serviço ao mundo, e a Portugal. E este nosso cada vez mais insignificante país na cena mundial, bem necessita de quem mostre às mentes perversas de que, em querendo, Portugal atinge todos os objectivos a que se propõe, com nota máxima…como o conseguiu outrora.

Muito boa sorte Engº António Guterres!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

NOTAS AMADORAS DE UMA HISTÓRIA QUE TAMBÉM É MINHA- 1128- BATALHA DE S. MAMEDE: A INDEPENDÊNCIA QUE SE DESENHA

  A feroz oposição do jovem Afonso Henriques às forças invasoras de D. Afonso VII de Castela, em 1127,  foi um acto demonstrativo de que a nobreza portucalense podia contar com ele para defender os interesses do Condado Portucalense. Estavam reunidas as condições para que os nobres portucalenses e o seu líder avançassem para vôos mais altos. Nesse sentido, o confronto latente entre Afonso Henriques e a sua mãe, a Condessa D. Teresa, era apenas uma questão de tempo, já que a condessa, ao unir-se ao nobre galego Fernão Peres de Trava, impôs ao Condado Portucalense a autoridade dos Trava.
E esse confronto teve lugar em S. Mamede, na batalha que lhe herdou o nome, em Junho de 1128, vencida por Afonso Henriques, que assim tomou nas suas mãos o controle efectivo do condado e abriu caminho para uma muito maior aventura.

domingo, 18 de setembro de 2016

QUANDO CARROCEIROS PRETENSIOSOS DÃO ORDENS...

...Nesta vazia convicção Serôdio muito cedo tomou consciência de que estava a ser pessimamente comandado. Mas ele sentia não ter outras opções para a vida ou se as havia, não tinha capacidade para as vislumbrar. Na sociedade portuguesa era vulgar dizer-se que só ia para a policia quem não sabia fazer mais nada. Nada mais falso! Como veio a constatar, no seio dos seus colegas existiam pedreiros, carpinteiros, mecânicos, agricultores, serralheiros, canalizadores, electricistas... era um sem fim de profissões, que na esperança de melhoria de vida as abandonavam, para se abraçar à causa pública. Apenas ele e mais alguns como ele, com uma vida académica frustrada por variadíssimas razões, iam para a policia por não saberem fazer mais nada. Acaso o infortúnio não lhe tivesse batido à porta, estaria naquele momento, passados seis anos, a terminar um curso de medicina. Os lentes dos segredos da anatomia humana, que no seu imaginário existiram, foram na realidade substituídos por carroceiros ridiculamente pretensiosos. Onde raio se estava ele a meter?...(em continuação, pág. 84, ex. XXXII)

in Filhos Pobres da Revolta
Março/2003

sábado, 10 de setembro de 2016

NA NAMÍBIA, QUINHENTOS ANOS DE HISTÓRIA PORTUGUESA PRESERVADOS NA COSTA DOS ESQUELETOS

Ontem vi com muito interesse o programa «Sexta às Nove», na RTP 1. E conclui que o povo português, na verdade, está muitíssimo mal servido de classe política…conclusão a que todo o país há muito chegou, no entanto. Mas foi mais uma oportunidade para o constatar.
Lembro-me perfeitamente de em 2008 ter sido notícia a descoberta de uma nau portuguesa nos areais da Namíbia. Fiquei interessado, mas como nunca mais se falou no assunto, fui-o esquecendo. Até que ontem a RTP trouxe à luz do dia esta vergonhosa postura de todos os governos portugueses, desde 2008 até agora, relativamente àquela descoberta.
A Nau portuguesa «Bom Jesus», da carreira das Índias, dirigia-se de Portugal para a Índia em 1533, quando ao chegar perto do Cabo Bojador, lá no bico sul de África, onde então reinava o gigante Adamastor, naufragou ao largo da Namíbia, sendo que os despojos deram à costa na «Costa dos Esqueletos».
Em 2008, quatrocentos e setenta e cinco anos depois, quando uma empresa fazia a prospecção de diamantes naquelas praias, algo de anormal apareceu, pelo que todas as máquinas pararam e os arqueólogos de serviço foram chamados ao local. Acabara de aparecer um canhão do século XVI. Imediatamente começaram os trabalhos de escavação.
Hoje, num museu da Namíbia está guardado todo o espólio entretanto encontrado da descoberta da Nau Portuguesa Bom Jesus, naquelas areias da Namíbia, de que fazem parte canhões, peças de metal, alguns esqueletos de marinheiros portugueses guardados em caixas, três valiosíssimos astrolábios, os mais antigos do mundo (instrumentos de navegação inventados pelos portugueses), de entre outros objectos…e 2000 moedas de ouro cunhadas com as armas portuguesas, avaliadas em onze milhões de euros.
Pois bem: já passaram oito anos e todo este espólio repousa na Namíbia à espera que o seu proprietário o reclame, pois que à face do direito marítimo internacional, Portugal continua a ser o proprietário de todo este espólio e tesouro, cabendo-lhe todo o direito de o reclamar.
Os repórteres da RTP, depois de concedidas as devidas licenças, obtiveram autorização de filmar estes valiosíssimos pedaços de história. No entanto, ao chegarem ao cofre onde foram guardadas as duas mil moedas de ouro, na presença de uma representante do Banco da Namíbia, repararam que os códigos que a ela haviam sido entregues para abrir o cofre, estavam errados. Não o puderam fazer, tendo ficado sem saber quem tinha sido a última pessoa que teve acesso ao mesmo cofre.
Questionada uma Secretária de Estado actual sobre as razões que levaram o Estado Português a não ter ainda reclamado todo o espólio da Nau Bom Jesus, encontrado em 2008 na Costa dos Esqueletos na Namíbia, a mesma, com a maior falta de vergonha que se possa imaginar, respondeu que não foi feito porque o Estado Português considera que todo o espólio está muito bem guardado.
Talvez como um governante respondeu há uns anos quando o abordaram sobre a questão de Olivença, a vontade de fazer regressar a Portugal o espólio da Nau Bom Jesus, preservado subterrado nas areias da Namíbia durante quase quinhentos anos, não passe de folclore.

Que o patriotismo da classe política portuguesa deixa muito a desejar, já o desconfiávamos…

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

QUANDO EM CENÁRIO DE MORTE, A MORTE É UMA SURPRESA

... -         O que è que o senhor me está a dizer? Houve um filho da puta que matou a minha loirinha? Houve um sacana...- e num grito horrível, Álvaro segurou o capitão Rebelo pelos ombros e abanou-o violentamente.
         Desesperado, possuído por uma súbita loucura, esmurrou o rosto do capitão. Este aguentou com paciência e serenidade. Por fim, momentaneamente esgotado, Álvaro caiu de joelhos, chorando raivosamente. Não havia lógica! Ele que estava em terra de guerra, recebia a notícia de que a namorada fora morta em terra de paz?! Aquilo estava virado ao contrário. O capitão Rebelo colocou-lhe uma mão no ombro. Álvaro levantou a cabeça e olhou para cima, para o rosto do seu comandante. Um  fio de sangue brotava-lhe do lábio inferior. De imediato Álvaro se levantou.
-         Meu capitão desculpe-me, fui eu que lhe fiz isso.
-         Não è nada homem, isto não è nada. Se o ajudou em algo, fico satisfeito.
-         Perdoe-me meu capitão, perdoe-me que eu não sabia o que estava a fazer.
-         Está perdoado alferes Santa Cruz. Vou desligá-lo do serviço por uns dias. O furriel Paiva assumirá o comando do seu pelotão, interinamente. Descanse...
-         Meu capitão, haverá hipótese de eu ir à Metrópole?
-         Vou ver o que se pode arranjar.
-         Obrigado meu capitão. Desculpe-me... não fui eu quem o agrediu.
-         Eu sei alferes Santa Cruz, eu sei. Vá para onde se sinta melhor. Se precisar venha desabafar comigo.
-         Obrigado meu capitão.
         E Álvaro abandonou o gabinete. Perdia o olhar no horizonte arborizado, caminhando sem alento. Eram poucos os soldados que se encontravam no aquartelamento. Quase todos tinham ido ao banho nas águas do rio Cuango. Álvaro olhou para os cinquenta guerrilheiros pretos, que apertados uns contra os outros, se amontoavam na parada, à espera de serem transportados para algures. Se qualquer um daqueles homens o tivesse morto a ele, nunca seria considerado criminoso, pois matar em combate não è crime. Mas alguém matara a sua Catarina, alguém aniquilara o sonho de uma vida. E porquê? Que motivo, por mais forte que fosse, que motivo existiria naquele mundo, que levasse ao homicídio da sua querida, frágil e inofensiva loirinha? E ele, possante, musculoso, uma máquina de guerra, perdido num ponto de África, combatia por coisa nenhuma, arriscava a sua vida por uma terra onde nada tinha de seu, uma terra que, no que mais havia de profundo no coração do seu povo, apenas o reconhecia como um desgraçado inimigo, um miserável « portuga ». E para defender interesses que não eram os seus nem do seu povo, para defender um país que não era o seu, não pudera proteger o seu tesouro, não utilizara os seus músculos endurecidos pelo exercício, na defesa da sua razão de viver. Malditos fossem os turras, malditas fossem as colónias, maldito fosse o regime.

         A angústia, vindo enfurecida, prenhe de revolta, brotava do coração de Álvaro e espalhava-se poderosa por todo o seu corpo. Mais uma vez lançou ao vento um grito de desespero e atirou-se violentamente contra a parede de uma das camaratas...(em continuação, pág. 96- ex. XXXIII)
in Visitados
Novembro/1999

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

DÓRIS NA TERRA NOVA, TRADIÇÃO PORTUGUESA DE HERÓIS

Ontem fiz uma deliciosa e simultaneamente reflexiva viagem no tempo. Mediante extraordinárias fotografias expostas, foi-me possível entrar no porto de abrigo de St. John’s, no Canadá, na Terra-Nova, sentir a calmaria do frio ambiente, ouvir o som da brisa que afagava os navios brancos, observar o descanso daqueles rostos cansados mas heróicos, que formavam as tripulações dos navios.
Sim, entrei no já longínquo e desgraçadamente desaparecido mundo da faina do bacalhau. Fui visitar o Museu Marítimo de Ílhavo, que bem merecia ser chamado de «Museu Nacional do Bacalhau», pois que tão forte é a tradição do bacalhau na cultura portuguesa.
Tive a oportunidade de conhecer, por dentro, a estrutura de um bacalhoeiro da Terra-Nova. E tive o ensejo de ver as fotografias de alguns: o Creoula, de Lisboa, o Vila do Conde, de Vila do Conde, o José Alberto, da Figueira da Foz, o Dom Denis, de Aveiro, o Rainha Santa, de Aveiro, o Santa Maria Manuela, de Aveiro. Ver o espaço exíguo que os homens tinham para descansar das longas horas de faina árdua, foi algo que muito me enriqueceu. Senti o quanto tenho sido beneficiado na vida. Grandes homens que edificaram uma cultura e tradição algumas vezes secular, que quase de forma criminosa foi abolida da nossa forma de vida.
O Museu Marítimo de Ílhavo, cidade de onde foram oriundos todos os capitães desses  lendários barcos pesqueiros, preserva a memória dessa cultura e desses intrépidos pescadores, que nos pequenos botes chamados «dóris», eram arreados dos bacalhoeiros, e sozinhos se distanciavam dos pequenos navios, nas perigosas águas da Terra-Nova, para irem lançar os anzóis e regressarem aos navios com os botes carregados de bacalhau.

Éramos uma nação de valentes!

sábado, 13 de agosto de 2016

O LADO NEGRO DE UMA MENSAGEM DA METRÓPOLE

...-         Estou um pouco apreensivo- disse Álvaro com um sorriso forçado- o meu capitão, para querer falar comigo... não sei se será bom ou mau. E pela cara do cabo Guedes...
-         Lamento muito o que lhe tenho para dizer- disse o capitão Rebelo, abrindo a porta e entrando.
-         Lamenta... meu capitão, não me assuste- dizia Álvaro que entrando, fechara a porta atrás de si.
         O gabinete era efectivamente rudimentar. Tal como todas as habitações do aquartelamento, era feito de madeira. Umas quantas tábuas levantadas ao ar, um tecto de chapas de zinco que aumentavam o calor no interior, uma abertura serrada na madeira, que servia de janela, e eis que surgia o local onde se definiam os destinos da companhia. Como recheio possuía um armário de madeira, que guardava as fichas dos duzentos homens que ali estavam aquartelados, uma mesa simples que balançava devido às irregularidades do chão térreo, e duas cadeiras de madeira, gastas pelo tempo.
-         Sente-se alferes Santa Cruz- dizia o comandante da companhia, que também se sentava atrás da mesa que lhe servia de secretária.
-         O meu capitão quer-me falar sobre o que aconteceu na mata?
-         Não alferes Santa Cruz, embora isso seja assunto que requer uma boa conversa. O que lhe quero dizer, ou antes comunicar, está nesta mensagem e veio da Metrópole.
-         Da Metrópole? Para mim?- perguntava Álvaro, enquanto a sua pulsação aumentava, fazendo-o suar ainda mais.
-         Sim, è relativa a si. E... Deus me dê forças para lhe dar esta notícia.
-         Meu capitão, por amor de Deus, diga-me o que se passa- disse Álvaro, levantando-se da cadeira onde estivera sentado.
-         Diga-me Santa Cruz, quem são as pessoas que mais ama?
-         Que eu amo...- perguntava-se Álvaro fixando o capitão Rebelo, olhando depois para as paredes empoeiradas- são os meus pais e a minha namorada.
-         Vai ter de ser forte meu bom amigo- dizia o comandante da companhia, olhando Álvaro com compaixão.
-         O meu capitão... o meu capitão está a falar-me da morte de alguém! Morreu o meu pai?
-         Não, não foi o seu pai.
-         A minha mãe? A minha mãe morreu...
-         Não, também não foi a sua mãe.
-         Então, se não foi o meu pai nem a minha mãe, quem pode ter sido?- perguntava Álvaro, adivinhando a resposta, que do fundo do seu ser irrompia intempestivamente, queimando-lhe as entranhas, qual magma enfurecido que explode na cratera do vulcão.
-         Lamento muito meu amigo- dizia o capitão Rebelo, que rodeando a mesa se acercava de Álvaro.
-         Catarina, a minha loirinha morreu?- perguntava Álvaro, olhando intensamente nos olhos do comandante da companhia.

-         Se essa moça è a sua namorada... como me custa dizer isto, mas apareceu morta na cama, com a almofada em cima do rosto. A autópsia aponta para morte por asfixia. Provavelmente terá sido assassinada. Não existem sinais de ter havido violação...(em continuação, pág. 95, ex. XXXII)
in Visitados
Novembro/1999

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

LIVROS, ESSES ÓPTIMOS COMPANHEIROS

Um livro é sempre uma porta de entrada para um mundo desconhecido, no qual se depositam esperanças de encontrar algum conhecimento e aventura.

sábado, 30 de julho de 2016

QUANDO A SAUDADE É MAIS FORTE QUE O HARRY POTTER

Um pai, bastante entusiasmado com o facto de hoje, na livraria Lello, no Porto, ir ter lugar a apresentação mundial de mais um livro de Harry Potter, deu essa notícia a um dos seus filhos, aquele que se encontra a desbravar a vida em Inglaterra (pois, um dos muitos milhares de jovens portugueses que, em terras de Sua Majestade, tentam encontrar a esperança no futuro, que o seu pobre país, infelizmente, não tem para lhes oferecer), e que desde sempre adorou o Harry Potter. Esperava o pai que o filho, emigrado no Reino Unido, ficasse bastante satisfeito e até quisesse saber mais pormenores.
- Pai, quero lá saber do Harry Potter…o que eu tenho é saudades de casa- respondeu ele ao pai.
O pai engoliu em seco. Nestas coisas, concluiu o pai, pode-se medir o nível de saudade de casa que existe naquele peito.

Se àquele pai fosse possível, ainda hoje teria arranjado um veloz meio de transporte e num salto teria ido dar um grande abraço ao seu jovem filho, que em Inglaterra faz pela vida, para lhe aliviar a saudade. Mesmo que fosse na vassoura do Harry Potter.

domingo, 17 de julho de 2016

FORD T, VIDA COM ASAS

...O automóvel era deslumbrante. De manhã, ao sair do Bombarral, resplandecia aos primeiros raios do sol. Agora, que estava prestes a chegar a Alfeizerão, doze léguas transpostas, o automóvel evidenciava as manchas da lama dos caminhos. Mas mesmo assim, o preto da pintura mantinha-se magnífico. O automóvel fazia lembrar os solenes coches de outrora. A área reservada aos passageiros tinha forma rectangular, munida com quatro portas e compridas janelas. De ambos os lados possuía longos estribos a todo o comprimento, que serviam para as pessoas descerem ou subirem. Os mesmos estribos iam acabar por cima das rodas, para guardarem as lamas que se desprendiam das rodas em movimento. Estas eram magníficas. Eram constituídas por pneus pretos com orlas interiores pintadas de branco e doze fortes raios. O vidro da frente era móvel, podendo-se levantar ou baixar consoante a vontade do condutor. Por cima do vidro, agarrado a frisos laterais, possuía uma pala exterior, a toda a largura do automóvel, para proporcionar uma visão melhor ao seu condutor. O longo motor, com a cilindrada de dois mil oitocentos e sessenta e três centímetros cúbicos e de duas velocidades, estava tapado com duas abas de ferro. O bonito e fino aspecto do automóvel era concluído com dois grandes faróis, suspensos por aros de ferro, ligados a um excelente radiador que servia como uma bela tampa à estrutura composta por motor e respectivas abas. O automóvel era de facto uma preciosa e bonita invenção... (em continuação, pág. 122, ex. XLVIII)
in Quando Um Anjo Peca
Março/1998

terça-feira, 12 de julho de 2016

PARA VOCÊS DESTE NOJENTO, CAMPEÃO EUROPEU

As redes sociais estão a abarrotar com, eu diria, milhões de publicações, sobre o facto de nos termos sagrado campeões europeus de futebol. E têm razão para o fazer. Eu, no alto dos meus sessenta anos, há quase seis décadas que persigo esse sonho, em todos os jogos que vejo da selecção.
Confesso, já fui um seguidor do futebol muito mais assíduo do que sou hoje, pois que me é difícil conceber que num país, com tantas dificuldades como o nosso tem passado, no mundo do futebol se pratiquem ordenados daquela monta. São ordenados que pertencem a um mundo que eu não sei qual é, mas de certeza que não é o meu. Mas, quando o futebol é uma questão de selecção, esqueço-me desse pequeno pormenor, e abraço o percurso da selecção com alma…alma de português.
E foi por isso que segui a estadia da nossa Selecção em Marcoussis. E foi por isso que ouvi, com ouvidos de ouvir, tantas e tantas pequenas entrevistas feitas aos nossos emigrantes em França. E sensibilizei-me…por vezes quase às lágrimas. E apercebi-me da revolta contida que existe no peito de muitos portugueses a trabalharem em França, pela forma como se sentem tratados, e da alegria, o sabor a pequena vingança, com que ontem deverão ter chegado aos seus empregos franceses, e dizer aos seus colegas franceses: «ei cambada, aqui está a chegar o nojento, que é campeão da Europa».
E principalmente constatar o quanto de maravilhoso sentimento patriota existe em corações de jovens, jovens franceses, que por serem filhos de portugueses amam Portugal de uma forma absolutamente arrebatadora. Meninos de doze ou treze anos, vestidos da cabeça aos pés com as cores nacionais portuguesas, a apoiarem a Selecção Portuguesa, relegando para segundo plano a selecção gaulesa, porque, mais forte do que a sua ainda pequena vivência no meio que os viu nascer- a França, é o sentimento pela terra lusa que os seus pais lhes souberam incutir na alma, fruto do seu eterno amor ao povo enorme a que, orgulhosamente, pertencem- o povo português.
Aos nossos enormes jogadores, que souberam ser muitíssimo melhores do que a maioria da nossa medíocre classe política, ficamos a dever o facto de termos conseguido trepar um degrau no conceito internacional. Se é pelo futebol e não pela política que podemos recuperar algum do prestígio internacional perdido, que assim seja. Urgente é fazê-lo, porque nunca tinha visto uma selecção, um povo, ser apelidado de nojento, apenas e só porque tem capacidade para ir mais além. É demonstrativo de quanto azedume e má vontade contra nós existe por essa Europa fora.

Obrigado selecção. Viva Portugal!

sábado, 2 de julho de 2016

XVI JANELA SOBRE O MEU PAÍS- EM ÁGUEDA UM WHITE WALKER TRESMALHADO

Águeda- numa manhã em que não era previsível qualquer nuvem no céu, muito menos a chegada do inverno, eis que a surpresa se apoderou de quem estava, com a terrível aparição de um cavaleiro «white walker».

         Na luminosa Águeda um sopro de Westeros.

domingo, 12 de junho de 2016

REMOÇÃO DE UM GRANDE MONTE DE ESCOMBROS TEMPORAIS

...Finalmente ia visitar Alfeizerão, a terra onde tivera lugar o grande caso que ultimamente o trazia deveras interessado. Ele, na qualidade de advogado, se auto-nomeara defensor dos interesses do pequeno Carlos Avilar. Uma tremenda atrocidade fora cometida. Duplo crime, seguido de posse fraudulenta de uma herdade. Todo este embuste só fora possível graças à tremenda confusão em que o país mergulhara após a implantação da república. E em todo aquele processo incluía-se a conivência do funcionário da conservatória, que forjara um documento falso. Não deveria ter sido pequeno o suborno. O tal funcionário, responsável na altura pela entrada do documento, demitira-se havia alguns anos e desaparecera de Alcobaça. Graças à sua actividade de homem de leis, conseguira Américo Afonso ter acesso ao documento e até copiá-lo, quando explicou que estava em jogo o futuro de uma criança. Mas tudo isto precisava de ser provado. E também carecia de prova a relação de parentesco entre o Carlos e o antigo morgado. Por isso ali ia o jovem advogado, no propósito de conversar com alguém em Alfeizerão, que lhe pudesse fazer luz em relação à penumbra que tornava obscuro todo o conhecimento sobre a maneira pela qual o senhor Barreto Raposo se tornara dono da tal herdade.

Américo Afonso ia extremamente confiante. Conduzindo a sua recente aquisição, só possível dada a razoável fortuna de seu pai, doutor Sebastião Afonso, sentia-se um triunfador. E quando pensava na alegria expressa pela sua deslumbrante Luísa, quando soube que ele ia abraçar a causa do pequeno Carlos Avilar, então sentia-se com a força de Hércules para remover todos os escombros do tempo, um grande monte, com doze anos de mentiras...(em continuação, pág. 122. ex. XLVII)
in Quando Um Anjo Peca
Março/1998

quarta-feira, 25 de maio de 2016

UM PAI, HERÓI DO LINÓTIPO NO DIÁRIO DE COIMBRA

O rapazito muito orgulhoso se sentia quando ia visitar o pai ao trabalho. O pai trabalhava então nos fundões do Diário de Coimbra, à Rua da Sofia. Era tipógrafo linotipista, ou seja, trabalhava com um linótipo. Essa coisa estranha era uma imensa máquina de escrever, que na parte detrás derretia enormes barras de chumbo, chumbo esse que se ia transformando, gradualmente, na notícia que o seu pai ia escrevendo no teclado, e que se depositava no seu lado esquerdo numa pequena banca, em palavras de chumbo. E como era uma máquina mesmo muito grande, parecia-lhe que o seu pai era um pequeno bonequito, muito valente, que conseguia dominar aquele monstro. Corriam os anos de 1964, 1965.
Ontem, o rapazito ao ler o Diário de Aveiro, leu a notícia de o Diário de Coimbra completava ontem mesmo 86 anos de actividade jornalística. E claro que aquelas antigas imagens lhe inundaram a mente com muito carinho. É que o seu pai, que há trinta e quatro anos anda pelos caminhos do céu, contribuiu com o seu valioso trabalho para que o Diário de Coimbra seja hoje um jornal antigo e cheio de prestígio.

O antigo funcionário Agostinho de Jesus Gomes, pela boca do seu filho, o rapazito, dá os parabéns ao Diário de Coimbra e votos de futuras grandes edições jornalísticas.