quinta-feira, 15 de junho de 2017

NOTAS AMADORAS DE UMA HISTÓRIA QUE TAMBÉM É MINHA: 1139- BATALHA DE OURIQUE, A PRIMEIRA VITÓRIA PORTUGUESA

No trabalho contínuo de fortalecer a aspiração de independência, D. Afonso Henriques, inserido nas lutas da reconquista cristã da Península Ibérica, fazia esporádicas incursões ao sul da Península, em pleno território mouro. Numa dessas sortidas, a 25 de Julho de 1139, saiu-lhe ao caminho um enormíssimo exército almorávida, formado por tropas de cinco réis mouros. Independentemente do número, as tropas portuguesas cristãs levaram os mouros de vencida. Esta vitória foi de tal forma corajosa, que as tropas portuguesas deram a D. Afonso Henriques o título de Rei de Portugal.
Um dos soldados que fez parte desse lendário exército foi Gualdim Paes, mais tarde Grão-Mestre da Ordem dos Templários em Portugal.
O facto de D. Afonso Henriques ter lutado contra cinco réis mouros, e a fé em que a batalha decorreu sobre a protecção das cinco chagas de Cristo, serviram para criar o Brasão de Armas de Portugal.

Batalha de Ourique, um facto decisivo para a fundação do Reino de Portugal.

domingo, 11 de junho de 2017

MISERÁVEIS CONDIÇÕES OFERECIDAS COM SORRISOS CÍNICOS


...De Torres Novas ficaram-lhe as saudades do intenso sabor a Ribatejo que existia no ar, e dos petiscos que comeu no típico restaurante «Solar do Melro».
         A vila ribatejana era já e só uma recordação. Descobrindo a rudeza do serviço da patrulha, Serôdio percorria agora as ruas de Lisboa. E numa sumptuosa manhã de sol lisboeta, o então jovem guarda de segunda classe da Policia de Segurança Pública sofreu o seu primeiro grande choque profissional. Prestava serviço em Lisboa havia dois meses. A adaptação à nova vida fazia-se muito lentamente. Andava cansado, pois dormir em camaratas de apoio a esquadras operacionais, era bem diferente do que dormir nas camaratas de Torres Novas. Em Lisboa era um corrupio constante de homens. Ora iam para gratificados, ora vinham de gratificados. Uns iam fazer o turno de serviço, outros chegavam tendo-o acabado. Até se habituar aos inúmeros despertadores que tocavam, aos muitos roncos dos que dormiam, ao barulho, muitas das vezes propositado, feito por alguns que sem qualquer tipo de formação moral ou cívica, desrespeitavam o descanso de outros, aos cheiros exalados por corpos menos habituados à higiene, era difícil a Serôdio conciliar o sono. Mas era nas miseráveis condições que a PSP e os sorrisos hipócritas dos seus oficiais tão delicadamente ofereciam aos guardas, que Serôdio teria de aprender a viver. Casas degradadas, onde funcionavam sombrias e asquerosas camaratas, faziam parte do seu quotidiano, enquanto profissional de policia. Com o espirito nutrido pelo degradante ambiente da sua camarata, quando entrasse de serviço havia de ser linda a missão!!
         Independentemente da desmotivação criada pelas condições terceiro-mundistas em que descansava, naquela manhã Serôdio estava bem disposto, pois o sol matinal irradiava felicidade que o tornava prenhe de alegria.
         Efectuava o serviço em patrulha dobrada, tendo por companhia um colega bem mais velho. Eram onze horas da manhã e o seu colega já visitara três tasquinhas. Nas duas primeiras bebera um cálice de «Favaios» em cada uma e na terceira despejara um copo de «ginja com elas». Obviamente que Serôdio detestava a companhia. O homem praticamente que ainda não abrira a boca. A principio Serôdio tinha a intenção de pedir ao seu colega mais velho explicações sobre formas de comportamento, perante variadas situações, mas depressa desistiu da ideia. Aquele policia veterano apenas conhecia o caminho para as tascas e bares de prostitutas...(em continuação, pág. 88, ex. XXXV)
in Filhos Pobres da Revolta
Março/2003

terça-feira, 6 de junho de 2017

PEDRO HISPANO, PAPA JOÃO XXI, O ÚNICO PORTUGUÊS À FRENTE DO VATICANO

Hoje em dia temos imensas preocupações que, se não tivermos cautela, consomem-nos toda a vitalidade. E são preocupações bastante substanciais: não é brincadeira nenhuma o presidente da maior potência do mundo demarcar-se do acordo de Paris, onde o mundo se comprometeu a iniciar o processo de respeito pelo ambiente, para que os nossos netos tenham a possibilidade de virem a ter um planeta saudável onde a vida, tal como a conhecemos, seja uma certeza.
Não é brincadeira nenhuma sabermos que a multiplicidade de atentados terroristas, ocorridos este ano na Europa, tiveram origem em indivíduos de origem muçulmana, que se encontravam completamente inseridos, e há muitos anos, nas comunidades que atacaram. Mas vamos ter esperança de que, tanto para um caso como para outro, os cientistas e os políticos consigam arranjar soluções que ultrapassem a estupidez humana.
Mas para fugir a todas estas preocupações vou falar de algo, uma informação que se cruzou no meu caminho há pouco, e que eu achei deveras interessante. No passado dia 20 de Maio completaram-se 740 anos sobre a morte de um português chamado Pedro Julião ou Pedro Hispano. Em vida assumiu os dois nomes. Tanto um como outro são nomes dados a alguns hospitais portugueses. Quem foi este homem?
Nasceu em Lisboa em 1215. Formou-se em medicina pela Universidade de Paris, tendo tido uma riquíssima actividade académica e abraçou a vida eclesiástica. A 20 de Setembro de 1276 foi eleito Papa, tendo assumido o nome Pontifício de João XXI. O seu Pontificado foi dos mais curtos da história do Vaticano. Oito meses depois, a 20 de Maio de 1277, quando se encontrava na sua casa de campo papal, na cidade de Viterbo, o palácio papal estava em obras, pelo que o tecto da divisão em que se encontrava desabou, tendo-o matado instantaneamente. Tinha então 62 anos de idade.
Pedro Hispano, o único papa português até ao presente, já lá vão sete séculos!