sexta-feira, 16 de julho de 2010

A VILAFRANCADA

...Entretanto, em 1822, no dia 23 de Setembro, é promulgada a Constituição Portuguesa que dá a liberdade de expressão aos cidadãos. Portugal afastava-se assim do regime absoluto. A Constituição foi a génese de todos os conflitos que estavam para chegar, muito embora, fosse, concomitantemente, um bálsamo para a repressão que até ali fora exercida sobre o povo.
Pois é, a política é sempre um pau de dois bicos.
E os problemas não se fizeram esperar. Enquanto que o rei D. João VI jurava a constituição, a rainha D. Carlota Joaquina recusou fazê-lo, colocando-se, ela própria, à frente de uma conspiração que devolvesse ao reino o regime absolutista.
Nesse ano de 1822 eu estava a terminar o meu curso de medicina, em Coimbra. Em toda a universidade foi uma enorme alegria o juramento da Constituição por parte de Sua Majestade. E, se porventura, se aguardava a reacção da aristocracia mais conservadora, nunca se imaginou que essa reacção à implementação do liberalismo em Portugal, viesse de onde veio – da própria rainha D. Carlota Joaquina, e do seu filho D. Miguel. Eu, quando soube que, nesse mesmo ano, a rainha conspirava para depor o seu marido do trono e lá fazer sentar o infante D. Miguel, fiquei convicto de que tendo o liberalismo adversários deste calibre, Portugal iria ser invadido de novo, agora não por franceses, mas por portugueses.
Aquela notícia caiu-me bem cá no fundo do meu ser. Portugal de uma guerra civil não se livrava. Mas eu iria ter a minha pacata actividade de médico. A minha guerra seria contra as infecções e os micróbios.
Do lugar em que me encontro e onde escrevo estas linhas, olhando para esse já distante passado, e sendo agora o que sou, sei do poder da força da natureza humana, e o quanto pode alterar o rumo das vidas dos homens.
Os primeiros sinais da guerra civil que o destino colocava em marcha para Portugal, logo se fizeram sentir. Reagindo à conspiração que contra o rei se organizava, nesse ano de 1822, os conspiradores absolutistas foram presos; mas volvidos quatro meses, a 23 de Fevereiro de 1823, uma nova acção antiliberal foi mais uma vez abafada pelo governo do reino, revolta essa liderada pelo general Manuel da Silveira. Era constante a movimentação de tropas de um e de outro lado. O general Manuel da Silveira, Conde de Amarante, fugiu para Espanha, enquanto a coroa confiscava todos os seus bens.
Três meses depois, em 27 de Maio de 1823, teve lugar uma nova investida das forças absolutistas, esta, no entanto, muito mais perigosa do que a anterior, pois voltava a ter como cérebros da conspiração a própria rainha D. Carlota Joaquina e o seu filho, o infante D. Miguel. Dado o rei ter cedido a este contra-ataque, por parte da sua esposa e do seu filho mais novo, e porque foi perpetrado em Vila Franca de Xira, ficou conhecido para a história como a Vilafrancada...(pág. 12- ex. V- em continuação)

in ALMA DE LIBERAL

Junho/2009

6 comentários:

Sandrio cândido. disse...

estava ansioso pela sua volta, gostaria de te homenagear em meu blog e para isto gostaria que escrevesses um poema ou me enviasse um para que eu postasse, se for possivel serei grato... continuaremos a perpetuar a alma portuguesa e a brasileira no mundo. saudações.

meu e-mail está no blog.

Poeta do Penedo disse...

Meu caro amigo Sandrio
irei tentar escrever algo. Não sei para quando, mas não fica esquecido.
Mas, homenagear-me? Que foi que eu fiz que mereça uma homenagem? Uma homenagem merece você, meu amigo, pois que na imaturidade dos seus ainda verdes anos, já canta a vida com tanta beleza!
Com amizade.

Paula disse...

Olá poeta, que bom que voltou :)
Já estava a sentir a falta dos seus textos.
Esse mundo da net é imenso, mas há cantinhos especiais e o seu é um deles.
Um abraço

Teresa Fidalgo disse...

Poeta do Penedo,

Que bom regresso...

Mais tarde volto para comentar...

Poeta do Penedo disse...

Paula
que bom saber que o meu humilde pedacito é assim tão especial para alguém como a Paula,cujo blog é um caldeirão de cultura.
Com muita amizade.

Poeta do Penedo disse...

Cara Teresa Fidalgo
Sinto-me como se numa sala me encontrasse, rodeado por bons amigos, que muito me estimam. Muito obrigado minha amiga pelas palavras tão recheadas de amizade.

Um abraço muito sincero.

Briosas saudações.