quarta-feira, 3 de setembro de 2008

CIDADE AGRESTE


vida agreste, vida sem cor, esta cidade
que me seduz e embala, me amortalha
e sufoca o pensamento de ansiedade
me dá horizontes de muralha

em ti vejo alegres corações
que passam, felizes cantando
carregados de imensas emoções
sorrindo, mordazes, amando

porque razão me és tão hostil
serei eu filha de um vento norte
que a mim trouxe angústias mil
gélido, pai de pouca sorte

ou então presença que a ti perturba
por ser apenas eu, sem heranças, mas sem donos
que se distingue nesta envolvente turba
que acordada, permanece em profundos sonos

ir-me-ei embora um dia, cidade minha
quando do meu peito a solidão se afaste
e no meu rosto surja o porte de rainha
vencida a turba, que a meus pés se arraste

mundo não falta, onde eu me torne ardente
me perturbe de amor, e me faça calma
aí serei eu, aí serei gente
lugar de sonho, o reino da alma

2 comentários:

António disse...

Muito bom!

Monteiro disse...

Tanto a foto como o poema, estão divinais