

Ao chegar a Aveiro, em 1985, trazia comigo uma grande saudade: dar continuidade à minha actividade de musico. A última vez que me vira envolvido pelas vibrações de um amplificador, e que sentira nas mãos a resistência da pele de uma tarola, já fazia três anos. Por um capricho do destino (ou talvez não), fui, pouco a pouco, me dirigindo para o local de onde surgiria a oportunidade de voltar a tocar. Demorou quatro longos anos, mas aconteceu. Conheci o Tó Zé e a Elsa. E palavra puxa palavra chegámos à conclusão que tínhamos algo em comum- o gosto pela execução musical. No entanto, não concebíamos formar um grupo musical. Esse não era um projecto viável. E foi nessa base que criámos algo muito mais enriquecedor. Fundámos o Coral Infantil Vera Cruz. Conseguimos convencer pais, que tivessem filhos em idade escolar, que já soubessem ler, a experimentar porem os seus filhos a cantar. E, evidentemente, que a ideia agradasse ás crianças. E em pouco tempo tínhamos um grupo de cerca de trinta crianças, com quem poderíamos trabalhar. Enquanto escolhíamos os miúdos, fazendo uma pré selecção, tratámos de encontrar uma teclista e um guitarrista. E ela apareceu. Aí tinhamos nós então o grupo formado- o Tó Zé na viola baixo (substituído várias vezes pelo Nuno Albuquerque ou pelo Carlos Ferreira), e nas teclas, o Nando na viola ritmo e solo, a Paula nos teclados (posteriormente substituída definitivamente pelo Pedro), a Elsa como maestrina e eu na bateria.
O nosso objectivo era, e foi plenamente conseguido, fazermos letras para as adaptar a várias músicas. E as músicas foram surgindo. Tocámos temas da pop, reggae, rock, blue e country, e músicas de natal. A Elsa escreveu algumas músicas inéditas.
A Elsa Martins, uma compositora extraordinária, uma ilustre desconhecida.
Fizemos ainda um medley composto por músicas do cancioneiro aveirense-13 minutos ininterruptos de música popular da ria e dos moliceiros, que muitas horas de ensaio nos levou, até estar pronto a ser apresentado.
A nossa primeira actuação aconteceu no dia 20 de Dezembro de 1989, e a última no dia 17 de Junho de 1995. Foram cinco anos e meio de espectáculos deliciosos, momentos de muita magia. Já por muito menos vi imensa publicidade.
Considero que o Coral Infantil merece ser recordado neste meu espaço, não só pelo óptimo trabalho que todos executámos, mas, principalmente, pela dedicação e empenho que todas as nossas crianças tiveram, tanto nas incontáveis horas de ensaio, como no entusiasmo que sempre demonstraram em palco.
Essas crianças, hoje homens e mulheres, com variadíssimas actividades, a quem perdi o rasto a quase todas.
Homens e mulheres, que sei recordarão com saudade, com carinho, e decerto um brilhosinho nos olhos, o Coral Infantil Vera Cruz, ao qual deram alma.
A todos, por onde quer que andais, o meu obrigado pelo brilho que emprestaram ás horas que eu, sentado atrás da tarola, vivi, marcando o ritmo e o compasso do encanto que de vós emanava.
O nosso objectivo era, e foi plenamente conseguido, fazermos letras para as adaptar a várias músicas. E as músicas foram surgindo. Tocámos temas da pop, reggae, rock, blue e country, e músicas de natal. A Elsa escreveu algumas músicas inéditas.
A Elsa Martins, uma compositora extraordinária, uma ilustre desconhecida.
Fizemos ainda um medley composto por músicas do cancioneiro aveirense-13 minutos ininterruptos de música popular da ria e dos moliceiros, que muitas horas de ensaio nos levou, até estar pronto a ser apresentado.
A nossa primeira actuação aconteceu no dia 20 de Dezembro de 1989, e a última no dia 17 de Junho de 1995. Foram cinco anos e meio de espectáculos deliciosos, momentos de muita magia. Já por muito menos vi imensa publicidade.
Considero que o Coral Infantil merece ser recordado neste meu espaço, não só pelo óptimo trabalho que todos executámos, mas, principalmente, pela dedicação e empenho que todas as nossas crianças tiveram, tanto nas incontáveis horas de ensaio, como no entusiasmo que sempre demonstraram em palco.
Essas crianças, hoje homens e mulheres, com variadíssimas actividades, a quem perdi o rasto a quase todas.
Homens e mulheres, que sei recordarão com saudade, com carinho, e decerto um brilhosinho nos olhos, o Coral Infantil Vera Cruz, ao qual deram alma.
A todos, por onde quer que andais, o meu obrigado pelo brilho que emprestaram ás horas que eu, sentado atrás da tarola, vivi, marcando o ritmo e o compasso do encanto que de vós emanava.
4 comentários:
Viva...
O seu instrumento no coral, na bateria é dos meus favoritos. O ritmo fascina-me.
Posso perguntar-lhe o que pensa um baterista da música dita electrónica?
Cumprimentos
Marcelo Melo
Na minha perspectiva de baterista, caro Marcelo, a música electrónica, na componente ritmica, não tem sentimento, é omissa da criatividade de quem, envolvido pela tarola, timbales, bombo e pratos, responde aos estímulos que a vibração dos instrumentos em si suscita. Os ritmos e os compassos da electrónica são demasiado rígidos. Os «braques», quando existem, são demasiadamente planeados. Respeitando o «desenho» musical a que todas as músicas estão sujeitas, tem o baterista espaço para, aqui e ali, improvisar- um braque em contratempo, a batida do bombo com um contratempo de momento. E se tudo isso for percebido pelo baixista...é um sonho. Coisas que a musica electrónica não pode oferecer.
E claro, nada substitui o som acústico de uma boa pele,e o som genuíno da baquete no prato de choques.
Olá Jorge!
Bons tempos os passados nestas lides... Deu uma saudade ao (re)ver estas fotos... Um abraço amigo
Pedro Martins
viva Pedro
o tempo passa por nós, mas não passa em nós,pois a memória retém o passado e transforma-o num tecido vivo.
Foram momentos que sempre guardarei em mim. E se todos nós, que fomos o Coral Infantil, o fizermos, será o Coral Infantil recordado em Aveiro, ainda por muitos e bons anos.
Um abraço.
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