sexta-feira, 22 de outubro de 2010

ESPREITANDO A ETERNIDADE

...Para espanto de Serôdio, o modo de locomoção era algo incrível. Flutuavam!! Guiado por aquela bela e misteriosa senhora, Serôdio ia passando por cenas que à sua frente se iam projectando em telas invisíveis. Aquelas cenas não lhe eram desconhecidas... eram-lhe até muito familiares. Serôdio viajava pela sua própria vida. Estava-lhe a ser feita uma retrospectiva de tudo o que ele fizera na vida, até àquele momento.
- Isto è fantástico- dizia Serôdio.
- Reconheces aquela criança?- perguntou a senhora de branco, referindo-se a imagens que surgiam de um menino que se baloiçava num balancé.
- Aquele sou eu. Lembro-me perfeitamente. E ali está o ... o meu irmão! È verdade, eu tenho um irmão. Onde è que ele anda que nunca mais o vi?
- O teu irmão irá fazer parte de um momento crítico da tua vida futura.
- Um momento crítico?
- Sim, será uma prova para ti e para ele.
- Mas, se somos irmãos, que prova poderá ser essa?
- Vocês são irmãos, mas nesse momento futuro não se irão lembrar disso.
- Não?
- Não, porque o teu irmão embora saiba que existes, não te vê desde que eras uma criança, aquela criança que há pouco pudeste observar. O teu irmão não te irá reconhecer. Pelo teu lado, tu não te vais lembrar sequer que tens um irmão.
- Mas se me lembro agora!
- Enquanto encarnado lembraste-te?
- Não.
- Pois vais voltar a esquecê-lo- afirmou a senhora.
- Porque razão deixou o meu pai que eu me esquecesse do meu irmão?
- Tu e o teu irmão não são filhos do mesmo casamento. Vocês têm mães diferentes. O teu irmão è quinze anos mais velho do que tu. Um dia, em conversa, o teu pai e o teu irmão discutiram. O teu pai criticou a ex-mulher e o teu irmão defendeu a mãe. O teu irmão decidiu então não mais ver o pai. Já está arrependido, mas passaram-se muitos anos. O teu irmão já criou raízes no afastamento do pai. Foi uma decisão muito má, essa que o teu irmão tomou. O teu pai sofre com isso, mas perdeu o paradeiro do filho mais velho. Não se vêem há catorze anos.
- E o meu irmão lembra-se de mim?
- Sim, ele sabe que tu existes em algum lugar.
- Sinto-me tão bem com tudo isto que a senhora me revelou. Posso saber quem è?
- Eu? Eu sou a tua permanente amiga. Fui encarregada de te acompanhar nesta paragem desta tua vida terrena.
- Quer dizer então que a minha vida vai continuar?
- Sim, o teu Karma precisa de ser completado. Quando reencarnaste no corpo que tens hoje, obrigaste-te a padeceres algumas dificuldades.
- E em alguma delas vou cruzar-me com o meu irmão?
- Assim será. Como já te disse, será uma prova para os dois. Reconheces a tua alma gémea?
- Eu... a minha alma gémea...
- Esforça-te um pouco. Lembrarte-ás. Agora vamos viajar. Existem espíritos teus amigos que estão ansiosos por comunicarem contigo.
- Quem são?
- Quando os vires logo os reconhecerás. E vais recordar ainda alguns momentos de algumas vidas passadas. Aproveita este pequeno intervalo nesta tua vida para fazeres um balanço de ti mesmo, fazeres uma revisão de toda a matéria que vai preencher os teus dias futuros, tomares consciência do nível em que está a tua espiritualidade e repores energia, a energia que vem do Alto e que a todos consola. Vamos?
E Serôdio embrenhou-se na eternidade...(em continuação- pág. 53- ex. XVI)

in FILHOS POBRES DA REVOLTA

Março/2003

6 comentários:

Gibson Azevedo disse...

Serônio se encontra, certamente, entre uma vida material e outra. Neste interregno de encorporação, recebe alguns lembretes que, por ventura, nem tem muita importância, pois que, esquecerá tudo a partir do instante que encorporar novamente.
Isto é o que professa a crença espírita, atualmente em vigor...
Será que acontece assim mesmo?
Que achas, amigo Fareleira Gomes?
Grande abraço.

Sandrio cândido. disse...

O comentario do gibsom tem um pouco de verdade, porem todos nós temos um pouco deste desejo de eternidade, Eu mesmo acredito e muito que não estamos aqui por nada e sim que temos algo de grande para aprender e ensinar, ser humilde é uma das formas de vivenciar este desejo. Pena que humildade esteja se tornando sinónimo de loucura e fanatismo no mundo atual.
saudações poeta.

Mari Amorim disse...

Amigo Poeta,
Excelente postagem,saio feliz daqui,levando uma leitura reflexiva,onde eu acredito.
Boas energias,
Mari

Poeta do Penedo disse...

Caro Gibson
Bem aventurados os que têm plena certeza do que há para além da morte. Eu, infelizmente, não tenho certezas nenhumas, apenas esperanças. Mas porque considero que, de outra forma, a vida não tem qualquer sentido, tenho lido e pesquisado. E é minha convicção que será assim mesmo que as coisas se processarão. Talvez essa convicção me venha de uma certeza, bem guardada no meu subconsciente, o meu Eu Superior, a que o meu consciente não tem acesso. Assim sendo, esta «viagem» do Serôdio é igual a muitas outras viagem que todos nós já fizemos, muito embora me pareça que o espiríto do Serôdio ainda não desencarnou, ainda não foi quebrado o fio de prata.
Um grande abraço.

Poeta do Penedo disse...

Caro Sândrio
gostaria que explicasse melhor a que tipo de humildade se está a referir.
No resto, se nada houver para além da morte, ficarei sem perceber porque razão a Natureza e Deus se deu ao trabalho de revestir o homem com tamanha complexidade, para tudo terminar da mesma forma como termina para os animais irracionais.
Um abraço

Poeta do Penedo disse...

Cara Mari
muito feliz por este humilde espaço lhe trazer felicidade.
Um grande abraço.