sexta-feira, 3 de julho de 2009

A TOURADA DOS ABRANHOS



recuperando o meu post de 17 de Julho de 2008, a que dei o título «Os Condes de Abranhos do século XXI», eis-me de novo pegando no tema.
Para quem não saiba, há uns anos passou uma excelente série na RTP 1, intitulada «O Conde de Abranhos», baseada na obra com o mesmo nome, do nosso enorme e fecundo Eça de Queiroz, em que, de forma extremamente humorística, o Eça satiriza a classe política dos finais do século XIX, dando grande ênfase à actividade parlamentar.
Como tive oportunidade de referir em Julho do ano passado, a RTP foi muitissimo feliz com a produção dessa série, pois conseguiu na íntegra recriar todo o espirito que o Eça transmitiu para o papel, e que decerto se deleitaria em ver.
Como referi em Julho de 2008, na Assembléia da República continuam a passear-se inúmeros condes de Abranhos, deputados com o mesmo perfil político dos que usavam chapéu de coco e enormes bigodaças bem oleadas (tal porcaria era chique na época), que discutiam de tudo, perdiam-se em enormes demonstrações de retórica, empenhados em darem ao discurso estilo, nada preocupados com a substância.
Como diziam, nas casas de alterne que frequentavam, tendo por residentes damas de altissimo e dispendioso gabarito, já não sabiam bem se eram homens deputados ou homens deputedos.
A inoperância política grassava. Mas não era uma questão que os incomodasse, pois tinham o seu sustento assegurado. O país tinha sempre tempo de ser resolvido. No entanto, em nenhuma parte do livro e em nenhum momento da série surgiu um membro da Assembléia a chamar cornudo a outro.
Nem o Eça se lembrou desta.
E foi na discussão do estado da Nação.
Ao estado a que a Nação chegou!

1 comentário:

Alda do Crítica... disse...

Passando para conhecer mas não vi a possibilidade de seguir o blog, o caro colega não deixou online esta opção. Mesmo assim deixo um grande abraço.
alda