sábado, 2 de janeiro de 2010

A COROA DUPLA- ALTO E BAIXO EGIPTO



...E os deuses abandonaram o palácio do faraó. Ao passarem a ombreira da porta do salão real, tornaram-se transparentes e voláteis, seguindo o seu destino- MassiftonRá, o eloquente palácio dos deuses, localizado nas profundezas do rio Nilo, bem perto da antiga capital, Mênfis.

Apenas passadas sete noites após a sua coroação, o faraó resolveu sair e mostrar-se ao seu povo. Foi-lhe preparada uma enorme escolta, a qual era formada por elementos do exército, alguns escribas que iam anotando as reacções do povo à primeira aparição em público do novo faraó, e dezenas de escravos, que ás costas carregavam a enorme e luxuosa liteira, em que o faraó se fazia transportar. Percorria as ruas, sentado no seu trono, fixo à enorme liteira, usando uma túnica azul e adornado convenientemente, com colares preciosos. Na cabeça ostentava, orgulhosamente, a coroa dupla. Dos seus dois metros a cima do nível do chão, ia observando o seu povo, que à sua passagem se ajoelhava, em sinal de submissão e adoração.
Tinha por destino o templo de Amon-Rá. Não era capaz de aceitar com bom grado o facto de um estrangeiro ocupar um cargo tão elevado, como era o de Sumo- Sacerdote. Mas essa era a vontade de Amon. E Amon era o deus supremo, e era egípcio. Se assim o queria, decerto estava consciente das qualidades do tal Masahemba, que embora não sendo egípcio no nascimento, era-o decerto na alma. E ter alma egípcia era o que realmente importava. Iria agradecer a Amon-Rá e ao deus da terra- Geb, o facto de o Nilo ter depositado no solo tão enorme quantidade de nutrientes. Segundo informação dos escribas, a próxima estação de Shemu iria ser extremamente generosa para com o Egipto.
O cortejo real ia percorrendo as empedradas ruas de Tebas, cidade juncada por inúmeros e belos templos, como o de Karnak , dos quais se destacava tanto na grandiosidade, como em beleza, o templo de Amon-Rá. As ruas fervilhavam de povo, que ocupado nas suas fainas diárias, parava por momentos para prestar homenagem ao seu faraó, que passava.
Percorridas algumas centenas de metros, o faraó divisou finalmente o templo que tinha por destino. Era um edifício soberbo. De altura media mais do que vinte homens colocados uns sobre os outros; uma quadriga do exército, com os seus quatro cavalos em alto galope, levaria tempo para percorrer toda a dimensão do templo, na sua largura. O edifício, era todo ele construído com maciços e vigorosos blocos de pedra.
Toda a frontaria do templo estava pintada de amarelo, vermelho, e preto (tintas feitas a partir de um mineral chamado ocre). Na parede haviam sido desenhadas, em tamanho natural, figuras de variadas cores, que representavam o faraó nas suas inúmeras actividades, entre a vida no seio dos homens, e o mundo dos deuses, em que o faraó surgia como um seu igual. A entrada do templo era composta por um pórtico enorme, ladeado por dois colossais obeliscos, de pedra de alabastro, (símbolo de oração, a mesma simbologia que tem a cruz nas igrejas cristãs) recheados de hieróglifos, que explicavam a razão de ser daquele templo, e onde se podia ler que apenas a família real o podia frequentar. Por essa razão o faraó já por várias vezes nele entrara, quando acompanhava o seu pai, o anterior faraó, Amenhotep, O Terceiro. Mas era a primeira vez que o jovem rei entrava naquele espaço, na qualidade de faraó, o que lhe transmitia uma inebriante sensação de poder... (em continuação- pág. 10- ex. III)

in A CAUSA DE MASSIFTONRÁ

Novembro/2005

3 comentários:

poeta do inverno disse...

algo me chama atenção na cultura egipcia e na oriental, as religiões de todo o planeta comtribuem de forma a ser considerada grandiosa para o meu ser, apesar de morar em um pais cristão toda a simbologia que envolve os orientais, islamicos e judeus me atraem muito, adoro ler sobre religião mesmo que eu não as pratique e a simbologia catolica é ao meu ver riquissima...este texto enriquece a meu pensamento

Poeta do Penedo disse...

Caro poeta do inverno
também comungo desse sentimento. Na verdade todas as religiões professam o amor e a harmonia entre os homens. Pena é que os homens distorçam a sua mensagem.
Relativamente à cultura egípcia, legou-nos uma mitologia riquissima, patente nos maravilhosos monumentos que ainda hoje, felizmente, se podem observar. E mais maravilhosos se tornam quando nos encontramos na sua presença. Se o meu jovem amigo considera que este excerto o enriqueceu, o que me orgulha, esteja atento, porque talvez venha a fazer uma viagem fascinante. Pelo menos foi-o para mim.
Com amizade.

poeta do inverno disse...

caro poeta espero sim poder fazer esta viagem fascinante e com toda a certeza a cultura egipcia e admiravel.
abraços